Por Katia Alves
Está sendo questionado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) o feriado dedicado ao santo guerreiro, São Jorge. E estão questionando também o feriado estadual de 20 de novembro, em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra.
A Confederação Nacional do Comércio argumenta que os feriados estaduais trazem prejuízos ao comércio local, “ao desenvolvimento, ao crescimento econômico, à geração de emprego e renda”. Nesse sentido, ajuizou duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIN), de número 4091 e 4092. Outro questionamento, dentre os comerciantes, é que os feriados que pretendem revogar tenham caráter estadual e não nacional.
Mas a autora declara que, apesar de sermos um país laico, parece existir uma tênue e delicada fronteira, quando se trata de tirar da marginalidade para o centro da história oficial a nossa porção afro-descendente, sejam heróis ou santos
Por Fátima Lacerda
Publicado originalmente Agência Petroleira de Notícias
Um dos mais populares santos do Brasil é também um dos mais polêmicos: São Jorge, também cultuado, na Umbanda e no Candomblé, no Rio de Janeiro, como Ogum. Pois o feriado dedicado ao santo guerreiro – dos católicos, dos umbandistas e dos seguidores do candomblé – agora está sendo questionado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Mas a Confederação não parou em São Jorge. Também está questionando o feriado estadual de 20 de novembro, em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, na data de morte do herói do Quilombo dos Palmares, Zumbi.
Apesar de sermos um país laico, parece existir uma tênue e delicada fronteira, quando se trata de tirar da marginalidade para o centro da história oficial a nossa porção afro-descendente, sejam heróis ou santos. O sincretismo entre as figuras guerreiras de São Jorge e Ogum é tão vivo e tão forte no imaginário da população brasileira que fica difícil evocar um sem pensar noutro. O que dizer, então, de Zumbi, tão grandioso quanto Tiradentes – ambos mortos em nome da liberdade? De Tiradentes ficou uma imagem, construída pela história oficial, à semelhança de Cristo: barbas, cabelos e o rosto alongado e triste. Mas Zumbi é negro. O feriado de Zumbi propõe a reconstrução da sociedade brasileira. Daí a sua importância. Daí ser tão combatido por aqueles que se escondem por trás das justificativas de ocasião.
A Confederação Nacional do Comércio argumenta que os feriados estaduais trazem prejuízos ao comércio local, “ao desenvolvimento, ao crescimento econômico, à geração de emprego e renda”. Nesse sentido, ajuizou duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIN), de número 4091 e 4092. A primeira terá como relator o ministro Carlos Ayres Britto e a segunda, o ministro Celso de Mello. Os argumentos seguem pelo caminho do senso comum, sempre repleto de equívocos, como afirmar que “já existem feriados demais”, o que a primeira vista soa como verdade, mas não resiste ao comparativo das estatísticas. Senão, vejamos: Leia o resto do artigo »