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SEGUNDO O FMI, A CLASSE TRABALHADORA DEVE PAGAR A CONTA DO AJUSTE

Posted By leonunes On 23 junho, 2008 @ 6:01 pm In Conjuntura,Destaques da Semana,Internacional,Leonardo Nunes,Política Econômica,Política Social,Rive Gauche | 5 Comments

RIVE GAUCHE

 

Léo Nunes – Paris - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou hoje que os governos latino-americanos devem “resistir” em reajustar os salários nos seus respectivos países. De acordo com Strauss-Kahn, a alta dos preços do petróleo e dos alimentos, associada a um aumento dos salários, poderia criar um ambiente inflacionário irreversível.

 

Entretanto, quais seriam as causas da escalada de preços? Uma das respostas é o formidável crescimento econômico mundial dos últimos oito anos. A demanda chinesa por commodities e petróleo puxou a elevação dos preços em escala global. Além disso, talvez haja um importante componente especulativo nos mercados de commodities.

 

De fato, as taxas de crescimento chinesas têm sido fundamentais no desempenho da economia mundial. Mas é sempre bom frisar que os EUA continuam como motor da economia global. A China ocupa a posição de plataforma de exportação para o mercado consumidor norte-americano. Ademais, os chineses financiam o déficit comercial dos EUA através da compra de títulos do tesouro norte-americano.

 

Portanto, apenas os EUA teriam capacidade individual de enfrentar este problema, através do aumento da taxa de juros básicas da sua economia. A questão é: por que o FMI não sugere que os EUA façam algo para frear o aumento de preços? Por que empurrar a conta do ajuste para a classe trabalhadora latino-americana?

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos

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5 Comments (Open | Close)

5 Comments To "SEGUNDO O FMI, A CLASSE TRABALHADORA DEVE PAGAR A CONTA DO AJUSTE"

#1 Comment By Heldo Siqueira On 24 junho, 2008 @ 9:16 am

Amigos,

não é novidade que os salários reais são o grande fator estabilizador de preços nos sistemas econômicos. Principalmente nos países latino-americanos, onde há alguma margem para perdas reais (principalmente política).

O problema é a desculpa fajuta de que, havendo diminuição dos salários reais haverá aumento da utilização e a recuperação do sistema. Felizmente, os americanos não acreditam nessa ladainha e promoveram, anteciparam-se à queda dos salários da distribuição funcional da renda e provomeram aquele programa de estímulo, com redução nos juros e distribuição de dinheiro pra galera.

Coincidência ou não, eles também não acreditam que estabelecer uma meta explícita de inflação seja a melhor forma de coordenar a política monetária. De repente, podíamos exportar alguns dos nossos brilhantes economistas d’”O Mercado” para fazer política monetária por lá. (Uma vez no FED, o Meirelles já teria dado uma voadora na gengiva dessa inflação mundial com aumentos na taxa de juros e recessão para todo mundo… O sonho da ortodoxia brasileira!!!)

Abraços

#2 Comment By leonunes On 24 junho, 2008 @ 12:17 pm

Caro Heldo,

Não sei se meu texto foi claro, mas não defendo que o FED, a princípio aumente as taxas de juros. Acho que eles acertadamente estão cuidando dos problemas deles. Apenas acho que o Fundo não deveria empurra a fatura para nós. A melhor saída seria não alterar os juros e acomodar o choque, dado que se trata de uma inflação de custos numa economia não indexada.

Abraços,

Léo.

#3 Comment By Heldo Siqueira On 24 junho, 2008 @ 1:30 pm

Leo,

acho que eu é que não fui claro. Não defendo o sistema de metas para inflação (no modelo brasileiro) e o FED também não. A ortodoxia brasileira não entende que o problema de gerar recessão para conter os preços é que a recuperação não é tão rápida quanto a recessão gerada. Além disso, os efeitos da recessão não são reversíveis.

Os ortodoxos do FED sabem disso e cuidaram do problema da recessão antes da inflação.

Abraços

#4 Comment By leonunes On 25 junho, 2008 @ 8:22 am

Caro Heldo,

Então estamos de acordo. Escrevi alguns artigos criticando o sistema de metas. Além de tudo, como lembrou o Stiglitz, não necessariamente a taxa de juros consegue contrabalançar um inflação de custos. Ou seja, não há respaldo “científico” nesta tese.

Abraços,

Léo.

#5 Comment By Rodrigo L. Medeiros On 25 junho, 2008 @ 9:30 am

Saiu no Valor Econômico de 24/06/08, caderno de Finanças (p.C1), uma reportagem sobre a deterioração da conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil. Utilizando-se de fontes do BACEN, a matéria demonstra ter havido uma deterioração de 331,1% no resultado líquido das transações correntes quando se compara maio/07 a maio/08. A posição do investimento estrangeiro direto, por sua vez, atraído pelo viés de alta da taxa básica de juros, a Selic, cresceu 65% no mesmo período. O swap reverso é parte integrante dessa novela.

Enquanto isso em Londres, Henrique Meirelles afirma, segunda a Reuters, que “a atual rota de crescimento é explicada pela demanda doméstica (…) em consistência com esse fato, tanto a confiança dos consumidores quanto dos empresários estão em níveis recordes”. As projeções do Boletim Focus, do BACEN, estimam crescimento de 4,8% para o PIB brasileiro para 2008. Abaixo, portanto, do realizado em 2007. Com 51% de sua população economicamente ativa vinculada às relações formais de trabalho, não se pode esperar que a redução do crescimento econômico reduza o desemprego e o subemprego no Brasil.


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[2] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/

[3] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/

[4] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/

[5] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/

[6] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/

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