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Produto / Capital

Posted By Katia Alves On 20 junho, 2008 @ 7:27 pm In Assuntos,O que deu na Imprensa,Política Econômica | No Comments

Delfim Netto aponta no artigo abaixo que no Brasil após a Segunda Guerra Mundial mostrou que a ausência de energia ou a incapacidade de sustentar as importações, podem abortar o crescimento econômico. Sendo necessário para o crescimento a presença de um Estado-indutor tanto para dar segurança ao empresário como também para atuar em infra-estrutura.

Delfim afirma a relação Produto / Capital parece ser resultado de um processo aleatório cuja média está longe de ser constante. E afirmações como “para crescer 5% ao ano é preciso investir 25% do PIB ao ano”, têm validade duvidosa.

Por Katia Alves [1]

Por Antonio Delfim Netto

Publicado originalmente na Folha Online [2]

A HISTÓRIA do Brasil posterior à Segunda Guerra Mundial mostra:

1º) que só dois fatores, a falta de energia ou a incapacidade de sustentar as importações, podem abortar o crescimento econômico;

2º) que o crescimento depende de um “estado de espírito” produzido pela ação de um Estado-indutor, apoiado em instituições capazes de cooptar e de dar confiança aos empresários que tomam o risco de novos investimentos;

3º) a necessidade de uma enérgica ação do Estado-indutor (não do Estado-produtor) na expansão da infra-estrutura e

4º) que, uma vez estabelecidos os objetivos da política de desenvolvimento pelo Estado-indutor, o mecanismo mais eficiente para a alocação dos recursos sempre escassos é o funcionamento desimpedido dos mercados.

Não existe nenhuma dúvida sobre a ligação positiva entre a taxa de crescimento do PIB no médio e longo prazos e a taxa de investimento líqüido medido em relação ao PIB. Na pregressa reencarnação dos economistas (na Idade Média do sonho do “planejamento sem preços”), essa relação se chamava “Produto/Capital”, e acreditava-se que ela era relativamente constante, em torno de 2,8 a 3,0.

A história mostrou que a crença era infundada. O avanço da tecnologia incorporada no “estoque de capital” altera sua produtividade; a mão-de-obra “aprende fazendo” o que, combinado com o aumento da educação, aumenta a sua produtividade; a ação do fator mais importante no processo produtivo -o empresário- também aprende a usar melhor os sinais dos preços do mercado para coordenar o uso mais eficiente do capital e do trabalho. Em compensação, há “descoordenações”, produzidas pelos fatos da macropolítica, pela baixa qualidade das instituições e seu mau funcionamento, pela interferência exagerada da regulação no sistema de preços e no mercado de trabalho, pelo excesso e má qualidade do sistema tributário etc., que geram ineficiências no sistema produtivo.

Infelizmente, a valiosa e salvadora relação “Produto/Capital” parece ser resultado de um processo aleatório cuja média está longe de ser constante. É por isso que afirmações apodícticas, como “para crescer 5% ao ano é preciso investir 25% do PIB ao ano”, têm validade duvidosa. Outro ponto interessante refere-se à precedência entre o investimento e a poupança que o financia. A poupança, obviamente, depende da “cultura” incorporada na sociedade e das instituições que aquela criou. Nas sociedades civilizadas do Ocidente, entre as quais o Brasil se inclui, há razoáveis evidências empíricas que, no desenrolar do crescimento, o investimento precede à poupança.


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[1] Katia Alves: http://bnshost.org/dzero/katia.jpg

[2] Folha Online: http://www.folha.com.br/

[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/

[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/

[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/

[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/

[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/

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