Porque o BC do Brasil é tão diferente dos outros BCs ortodoxos do mundo?
Escrito por Katia Alves, postado em 5 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Por Bruno Galvão dos Santos*
É gritante a diferença de reação do BC do Brasil e dos outros em relação a crise mundial dos preços dos alimentos e combustíveis. Agora o presidente da Colômbia, o inegavelmente conservador Alvaro Uribe, discute a redução da taxa de juros.
Clique aqui para mais informações
No Brasil, se o Ministro da Fazenda resolve dar opinião (que todos em um regime democrático tem como direito garantido pela constituição), o BC alega que tem que aumentar os juros para mostrar ao “mercado” que não sofre pressões políticas. Sai muito cara essa demonstração de “independência”, cada aumento de 0,25% na Selic custa ao Brasil R$ 3 bilhões/ano.
Contudo, a situação da Colômbia é muito distinta da do Brasil. A inflação (6,4%) lá está bem maior do que o intervalo superior da meta (4,5%). No Brasil, a inflação (5,1%), embora um pouco maior do que o centro da meta (4,5%), está bem menor do que o intervalo superior das metas (6,5%). O mesmo ocorre no Peru. É interessante notar que na primeira página dos BCs eles procuram mostrar em gráficos bem destacados que a ultrapassagem da meta deve-se a inflação de alimentos. No Brasil, ao contrário, o presidente do BC sai por aí gritando “Fogo, fogo, a hiperinflação está prestes a voltar”. Deve-se notar que, mesmo com o desconto do preço dos alimentos a inflação na Colômbia está maior do que o intervalo superior da meta. No Brasil, a inflação descontado os alimentos está em apenas 3,03%, quase no limite mínimo da meta.
A evidência da distinção entre a gestão Meirelles com a atuação de qualquer outro BC que adota metas de inflação e com a gestão Armínio é gritante demais. Com uma atuação tão distintas entre os BCs que adotam metas de inflação, eu só posso concluir que ou os outros BCs prevaricam com a inflação para crescer mais do que podem ou o BC do Brasil impede o Brasil de crescer como a média dos emergentes a um custo fiscal altíssimo.
Eu desafio a qualquer economista que acredita que o Meirelles está fazendo um bom trabalho que me mostre que qualquer BC do mundo que adota meta de inflação que age como o do Brasil.
* Bruno Galvão dos Santos: Economista pela UFMG, mestre em economia pelo Instituto de economia da UFRJ. Doutorando pela mesma instituição.











5 dEurope/London junho, 2008 as 4:49 pm
Bruno,
a questão é que a sabedoria d’”O Mercado” é irrefutável. Os economistas d’”O Mercado” são pagos pelos déficits do BC. Logo para “O Mercado” o Meirelles é o melhor presidente de BC do mundo.
A questão é saber que mercado é esse. Pois não são economistas dos mercados. (eu, vc e os outros daqui somos economistas, mas não d’”O Mercado”, logo, nossa opinião não conta…)
Finalmente, alguns bons economistas como o Márcio Pochmann, e pq não dizer o Ministro Mantega, estão conseguindo espaço para expor suas opiniões. E esse pessoal está conseguindo desmascarar a cara-de-pau desses economistas d’”O Mercado”. O jeito é torcer pra eles e continuar dando nossas opiniões nos espaços que conseguimos.
Abraço
5 dEurope/London junho, 2008 as 9:49 pm
A questão da administração do BACEN não é exclusivamente técnica e já ultrapassou o campo do debate acadêmico. Trata-se de um caso para o Ministério Público Federal o assunto do swap reverso e os prejuízos acumulados causados ao Tesouro Nacional.
Não se pode esperar punições para a turma da bufunfa. Essa turma do populismo cambial que causou prejuízos de 50 bilhões de dólares somente entre 1998 e janeiro de 1999 atua hoje tranqüilamente no mercado financeiro.
Se os economistas do mercado financeiro não tiverem sua influência reduzida no BACEN o Brasil continuará refém da política dos juros altos. Sempre haverá uma “possibilidade” de pressão inflacionária a ser alardeada pelo “mercado” e pelos seus mais ardorosos propagandistas na grande mídia. Não pretendo nem aprofundar o tema dos elevados spreads praticados pelos bancos no Brasil.
A direção do BACEN atenderá a essas expectativas pela via da elevaçao da taxa básica de juros ou ela buscará imprimir um quadro de tranqüilidade que demonstre o potencial do Brasil e suas necessidades de investimentos produtivos?