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PIB, inflação e juros
Posted By Katia Alves On 11 junho, 2008 @ 6:18 pm In Assuntos,Conjuntura,O que deu na Imprensa,Política Econômica | 1 Comment
Nassif em seu artigo comenta sobre os dados do PIB divulgados pelo IBGE. Ele afirma que houve um
acomodamento do crescimento do Produto Interno Bruto, houve queda no consumo das famílias, a formação bruta do capital fixo se manteve elevada, puxado pelo setor de construção civil e houve um aumento dos gastos do governo.
As exportações tiveram uma contribuição negativa no PIB enquanto as importações têm apresentado um crescimento acelerado.
Nassif observa também que o aumento dos preços agrícolas em escala global, obviamente as taxas de juros não irão influir nos preços dos alimentos, sendo razoável deixar que esses preços se acomodem, porque depois eles vão se estabilizar, mas o Bacen interfere praticando um mecanismo para diminuir a demanda e aumenta os juros afetando a dívida pública e a apreciação do câmbio.
*Por Katia Alves [1]
Publicado originalmente na Coluna Econômica [2]
Por Luis Nassif
Divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os dados sobre o PIB (Produto Interno Bruto) permitem algumas leituras mais rápidas:
1. Depois de um final de ano mais aquecido, houve um acomodamento no crescimento do PIB. No quarto trimestre, com o consumo bastante aquecido, o PIB cresceu 6,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No último trimestre, o crescimento se acomodou em 5,8%. Em relação ao trimestre anterior, a série (com ajuste sazonal) mostrou uma desaceleração de 1,6% para 0,8% de crescimento.
2. Ponto relevante foi o consumo das famílias. No último trimestre do ano passado, houve crescimento de 3,4% em relação ao trimestre anterior. Agora, o crescimento caiu para 0,3%. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, o consumo das famílias saiu de 8,6% de alta para 6,6% – também demonstrando uma desaceleração no crescimento.
3. Na ponta do investimento, a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) manteve-se elevada, caindo de 16% na variação anual do último trimestre para 15,2%, muito acima do aumento do consumo das famílias. Foi o 16o aumento consecutivo, puxado pelo desempenho da Construção Civil (que vem crescendo desde o terceiro trimestre de 2004) e pela importação de máquinas e equipamentos, estimulada pela apreciação do real.
4. Do lado do governo, houve um aumento excessivo do consumo, saltando de 2,2% de crescimento (em relação ao ano anterior) para 5,8%. Mas aí está ocorrendo uma antecipação de gastos, antes que se entre no período eleitoral.
5. Em relação às exportações, a contribuição ao PIB foi negativa, com queda de 2,1%. Também devem ser levadas em conta aspectos pontuais, como a greve dos auditores fiscais da Receita.
6. Mesmo com greve, do ponto de vistas das importações, o crescimento continua explosivo. Baixou de 23,4% para ainda elevados 18,9% no último trimestre (em relação ao mesmo período do ano passado).
***
Os dados gerais mostram uma expansão não explosiva do consumo, concentrada principalmente em produtos financiáveis – bens de consumo, habitação.
O ponto central de discussão é outro. As metas de inflação foram criadas para períodos de normalidade. E há uma faixa, acima ou abaixo da meta, para abrigar choques de oferta ou de demanda. O controle sobre a inflação se dá através da taxa de juros – que teoricamente controlariam o nível de atividade econômica.
Quando se tem um choque de preços agrícolas em escala global, obviamente as taxas de juros não irão influir nos preços dos alimentos. E se a avaliação é de uma mudança estrutural nos preços, o mais prudente é permitir essa acomodação dos preços. Em um primeiro momento, os preços de alimentos mudam de patamar. Depois, se estabilizam em um novo patamar.
A questão é quando o BC tenta compensar atuando fortemente sobre a demanda.
Nesse caso, o choque é muito mais profundo, as taxas têm que ser muito mais elevadas, com todas as contra-indicações – de aumento no peso da dívida pública e na apreciação do câmbio.
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[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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1 Comment To "PIB, inflação e juros"
#1 Comment By Rodrigo Medeiros On 11 junho, 2008 @ 7:30 pm
Em entrevista ao Correio da Cidadania (03/06/08), o economista Luiz Filgueiras (UFBA) afirma:
“Precisamos compreender que temos uma política macroeconômica hoje em dia que expressa uma certa tensão dos setores dominantes da sociedade brasileira, econômicos e políticos. E essa questão se expressa na política monetária e cambial principalmente. Isso, pois, por um lado, temos taxas de juros elevadas; por outro, taxa de câmbio valorizada. O real está muito valorizado em relação ao dólar e isso já vem de algum tempo, desde 2004, e essa valorização não parou mais. Essa relação do câmbio valorizado com a taxa de juros elevada se deve ao fato de que os juros altos facilitam a entrada de capital estrangeiro (em dólar). Ao que se somam os saldos positivos da balança comercial (exportações menos importações de mercadorias) – ou melhor, o saldo total de transações correntes, que computa a balança comercial mais a de serviços, onde o saldo positivo da primeira compensa o saldo negativo da segunda -, levando assim a um grande volume de dólares entrando pela conta de transações correntes. Além disso, com a economia crescendo, aumenta a entrada de investimento direto. Temos, portanto, uma liberalização da conta de transações correntes e da conta de capitais, e isso com taxas de juros elevadas. Desse modo, acabamos com uma valorização cada vez maior do real. Do ponto de vista das exportações, como houve um ciclo econômico de expansão a partir de 2003, puxado por EUA, Índia e China, aumentou-se muito a demanda por commodities, impactando seus preços. E muitas delas fazem parte da pauta de exportações brasileira, que está muito calcada nas commodities agrícolas e minerais, e também em produtos voltados ao mercado energético. Porém, entrando na área das exportações de média e alta tecnologia, temos um déficit enorme. Assim, acaba-se fazendo o superávit através das commodities, onde temos uma grande competitividade, tanto na área agrícola quanto na mineral”.
Joseph Schumpeter diria que o processo descrito no parágrafo anterior não é o melhor caminho para o Brasil. Já se sabe há mais de meio século que é a inovação a mola-mestra do processo de desenvolvimento econômico sustentado das sociedades. O processo de inovação, por sua vez, incorpora evoluções institucionais nas sociedades, ou seja, mudanças no sistema coletivo de crenças, valores, práticas e rotinas organizacionais, conhecimentos técnicos e relações de poder.
EUA, Japão e UE são responsáveis por 68% dos gastos globais em P&D. Em todos esses casos, o Estado nacional continua jogando um papel-chave. As encomendas públicas ao dual complexo militar-industrial norte-americano, por exemplo, já se mostraram capazes de provocar ondas de destruições criadoras na arena econômica global.