Paradoxalmente, enquanto mídia e oposição levantam vozes e dedicam discussões acaloradas para criticar e obstaculizar a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), alegando a inviabilidade de um aumento na carga tributária (em ano eleitoral), de um imposto cuja alíquota seria de 0,1% e que geraria R$ 10 bilhões anuais de receita para a área da Saúde, o Banco Central do Brasil entrega iguais R$10 bilhões nas mãos do sistema bancário, lesando gravemente o Tesouro, como fez do ano passado até maio deste ano, através de uma operação no mercado de derivativos chamada “swap reverso”, e não há muito alarde sobre esse assunto.
Em sua Coluna Econômica de ontem, o jornalista Luís Nassif pôs esta questão em pauta e criticou o comportamento de um Banco Central que parece estar trabalhando contra o país, atuando desfavoravelmente ao Estado Brasileiro, ao dar lucros exorbitantes ao setor bancário em detrimento da União que tem perdido cifras elevadas de dinheiro público nessas operações.
As operações de swap se dão através de compra e venda de contratos futuros de câmbio e juros em um mercado de extrema volatilidade que é o mercado de derivativos. Essas operações consistem em “apostas” entre os agentes nas variações de uma determinada taxa de juros (CDI – o certificado de depósito interbancário), que regula os custos de transações no setor bancário, e do câmbio.
O Banco Central vende contratos futuros de câmbio e compra os contratos de juros, ganhando o diferencial entre a variação cambial e a taxa do CDI, caso ocorra depreciação da moeda doméstica. Havendo, porém, valorização do Real, o Banco Central paga, além dos juros dos contratos, a variação da taxa de câmbio em relação ao CDI.
O problema é que o Real está valorizado e o preço do dólar permanece baixo, enquanto que a taxa do CDI é elevada, pois tem influência direta da Selic, cuja alíquota é uma das maiores do mundo. O resultado disso é uma elevada diferença entre CDI e taxa de câmbio, que o Banco Central transfere a instituições financeiras.
Contudo, tal situação detém ares criminosos, pois é o próprio Banco Central que determina a Selic, a qual influencia o CDI, e cujo movimento afeta o câmbio, invalidando, portanto, qualquer justificativa para tais perdas de recursos. Assim, a política monetária praticada pelo Banco Central francamente concorre para propiciar o desembolso de bilhões de reais dos cofres públicos em favor de instituições financeiras.
Esta delicada e grave questão sobre os swaps reversos não tem sido devidamente divulgada pela mídia tradicional, que prefere focar seus ataques ao PAC e à CSS. Porém, o nosso Blog já abordou esse assunto há alguns dias. Alguns de nossos autores já trataram sobre tal questão, por isso vale a pena reler seus textos, elucidativos e denunciadores de uma política monetária abusiva e contrária aos interesses do país…
Leia sobre esse tema, aqui no nosso Blog:
SWAP CAMBIAL REVERSO: mais um sofisticado instrumento derivativo criado pelo bacen para encher o bolso das instituições financeiras, por Léo Nunes
BC gera prejuízo em dose dupla. ESTÍMULO À ESPECULAÇÃO SIMULTÂNEA COM DÓLAR E JURO INFLOU PERDAS DE R$ 42 BI, ANO PASSADO
* Por Elizabeth Cardoso
O escândalo do “swap reverso”
Publicado originalmente no Blog do Nassif, na aba Economia
Por Luís Nassif
Coluna Econômica – 03/06/2008
O Ministério da Saúde está em uma luta insana para obter R$ 20 bilhões adicionais, que garantiriam a universalização do acesso a medicamentos no país.
Do ano passado a maio deste ano, a mesa de operações do Banco Central, com apenas uma operação – o “swap reverso”, operação no mercado de derivativos — deu um prejuízo de R$ 10 bilhões ao Tesouro, e um lucro correspondente ao sistema bancário.
Não há caso de Banco Central no mundo que opere no mercado de derivativos – mercado altamente volátil onde é ampla a possibilidade de atos discricionários por parte das autoridades monetárias.
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