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Blog do Desemprego Zero

Mudanças climáticas e energia

Escrito por Katia Alves, postado em 22 dEurope/London junho dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Nassif  afirma abaixo que o estudo realizado pela Coppe sobre o sistema energético chegou a conclusões curiosas. Pois ao mesmo tempo em que as fontes renováveis são vistas como uma alternativa brasileira para lidar com as mudanças climáticas, ao mesmo tempo torna o país mais vulnerável às mudanças.

A cana-de-açúcar é a que tem uma ação mais positiva, pois com as hidrelétricas, todas as bacias terão menos água fluindo e menos água nos reservatórios. Analisando a oferta, alternativa vislumbrada pelo trabalho é a geração a partir do bagaço de cana. Porque na energia eólica , haverá uma mudança no padrão (fim dos ventos bons para geração na região do São Francisco, mas um aumento no litoral nordestino).

Por Katia Alves

Publicado originalmente Coluna Econômica

Por Luis Nassif

No ano passado, a embaixada do Reino Unido contratou quatro grupos de pesquisa brasileiros para avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre o país. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) montou os cenários climáticos; a Fiocruz, os impactos sobre a saúde pública; e Embrapa e a Unicamp, os impactos sobre a agricultura; e o Coppe, sobre o sistema energético.

Dos três estudos, o do Coppe foi o primeiro a ser finalizado. Responsável pelo estudo, membro do IPCC (o relatório sobre estudos climáticos da ONU), o professor Roberto Schaeffer chegou a conclusões curiosas.

A primeira, e mais interessante, é que, ao mesmo tempo em que as fontes renováveis são vistas como uma alternativa brasileira para lidar com as mudanças climáticas, ao mesmo tempo torna o país mais vulnerável às mudanças. Todas as formas de energia alternativa, hidrelétrica, eólica, agronergia, dependem, em última instância da situação climática.

Dentre todas as fontes de energia analisadas, a única impactada positivamente será a cana-de-açúcar. Nos cenários traçados de aumento de temperatura haverá uma ampliação da área disponível para o plantio de cana e um aumento da produtividade.

No caso das hidrelétricas, todas as bacias terão menos água fluindo e menos água nos reservatórios. No caso do rio São Francisco, a vazão será 25% mais baixa do que hoje

Quando se analisa a geração hídrica na Amazônia, o quadro muda de figura. Como as novas hidrelétricas estão sendo construídas a fio d’água (isto é, sem disporem de reservatórios), cada mudança no volume de chuvas trará conseqüências diretas sobre a geração de energia.

Do lado da oferta, a melhor alternativa vislumbrada pelo trabalho é a geração a partir do bagaço de cana.

No caso da energia eólica (dos ventos), haverá uma mudança no padrão. Haverá o fim dos ventos bons para geração na região do São Francisco, mas um aumento no litoral nordestino.

De acordo com os estudos, apenas as mudanças climáticas provocarão um aumento de 10% no consumo de energia residencial e de 15% no setor de serviços – meramente devido aos maiores condicionamentos de ar.

A partir dessas análises, o trabalho constata que a melhor alternativa para atender ai período 2035 a 2040 seriam o bagaço de cana e a energia eólica, melhores do que a energia nuclear – opção defendida pelo governo.

A eólica já tem um preço competitivo. Uma planta eólica gera 2 ou 3 megawatts. Angra 3 equivaleria a uns 400 geradores eólicos padrão. O problema é que, para um banco de desenvolvimento, é mais fácil financiar um grande empreendimento do que uma grande quantidade de pequenos empreendimentos.

É a mesma lógica que impede a expansão da eficiência energética – isto é, o aumento da energia disponível através da otimização do gasto. É enorme o potencial de um programa de eficiência energética junto às famílias. O problema é que, para tomar um financiamento que permita financiar a melhoria, as famílias estarão submetidas a juros de cheque especial. E o custo do dinheiro inviabiliza qualquer programa distribuído de geração de energia.

 



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