LE MONDE SUGERE QUE FED SE INSPIRE (?) NO BC BRASILEIRO
Escrito por leonunes, postado em 10 dEurope/London junho dEurope/London 2008
RIVE GAUCHE
Léo Nunes – Paris – O diário francês Le Monde publicou uma matéria, cujo título é “M. Bernanke devrait s’inspirer de la Banque centrale du Brésil” (“Bernanke deveria se inspirar no Banco Central do Brasil”; clique aqui para ler), em que destaca a qualidade (?) da política monetária do Brasil. Ainda segundo o Le Monde, o presidente do FED, Ben Bernanke, deveria se inspirar (?) na bem (?) sucedida experiência brasileira.
O texto elogia (!!!) a política de juros de nossa autoridade monetária, destacando o bom desempenho de alguns indicadores externos, tais como a balança comercial e a relação entre dívida externa e PIB, assim como das contas públicas internas. Entretanto, o texto não menciona que o desempenho de tais indicadores ocorre a despeito, e não por causa, da política monetária em questão.
A política do Bacen de estabelecer a maior taxa de juros reais do mundo levou à apreciação da taxa de câmbio, que tem prejudicado sobremaneira o desempenho de muitos setores exportadores, como por exemplo, calçados e têxteis. Além disso, em virtude da taxa de câmbio apreciada, o saldo em transações correntes já se mostra negativo, o que desautoriza a interpretação do jornal francês.
No que concerne ao equilíbrio orçamentário, o argumento da matéria torna-se ainda mais frágil. Como se sabe, as aberrantes taxas de juros tupiniquins aumentam os gastos do orçamento sob a rubrica juros da dívida interna. O montante deste item chega a 8% (!) do PIB, que beneficia 70 mil famílias. Portanto, o “equilíbrio” fiscal é conseguido a despeito de tal política e com grave ônus da falência do Estado brasileiro.
As evidências empíricas também não suportam a hipótese de que aumento de taxas de juros sejam remédios eficazes contra aumento de preços oriundos de choques de oferta. O prêmio Nobel de Economia, Joseph Stigltiz, em artigo publicado ontem pelo jornal O Globo (“A falência das metas de inflação”), argumenta que o aumento das taxas de juros não tem conseguido evitar o aumento do nível geral de preços, principalmente nos países subdesenvolvidos, pois apenas uma recessão muito forte, com custos sociais imprevisíveis, seria capaz de criar uma deflação nos preços internos capaz de contrabalançar a escalada dos produtos com preços atrelados aos mercados internacionais.
Além disso, a abertura comercial tem prejudicado essencialmente os países periféricos, pois o aumento dos preços internacionais de insumos básicos contamina o nível de preços internos, o que agrava as tensões sociais internas oriundas da queda de poder aquisitivo das classes mais necessitadas. Portanto, o regime de metas de inflação, tão aclamado pelo Le Monde e pelos arautos do liberalismo, não parece ser exemplo, mas ao contrário, deve ser suprimido o mais rapidamente possível.
Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa. Meus Artigos
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13 dEurope/London junho, 2008 as 11:11 am
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