- Blog do Desemprego Zero - http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero -
Juro e câmbio vão impedir metade das metas da política industrial, diz Fiesp
Posted By Katia Alves On 21 junho, 2008 @ 3:00 pm In Assuntos,O que deu na Imprensa,Política Econômica,política industrial | No Comments
De acordo com o estudo da Fiesp, as metas fixadas na nova política industrial até 2010 não será cumprida.
O investimento industrial de 21% do PIB (a chamada Formação Bruta de Capital Fixo) e a exportação de US$ 210 bilhões ao ano -1,25% do comércio mundial- não são mais metas factíveis até 2010. José Ricardo Roriz, diretor do departamento de competitividade da Fiesp, afirma que a elevação dos juros básicos da economia funcionará como um freio ao investimento, e no que diz respeito as exportações, o problema é por causa da desvalorização do dólar ante o real. A situação afeta a competitividade do produto brasileiro e expulsa exportadores do mercado.
Portanto, o Ministério do Desenvolvimento rebateu o estudo. Segundo Fernanda De Negri, chefe da Assessoria Econômica da pasta, o investimento industrial deste ano está alinhado com as projeções do governo
Por Katia Alves [1]
Publicado originalmente na Folha Online [2]
Agnaldo Brito
Metade das metas fixadas na nova política industrial até 2010 não será cumprida, aponta estudo da Fiesp sobre o plano anunciado no mês passado pelo governo Lula. A avaliação é endossada pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
A política industrial pretende assegurar o crescimento econômico acima de 5% ao ano e ajustar a capacidade de produção a um novo patamar de consumo, o que pode afastar o risco de inflação por demanda. Segundo o estudo da Fiesp, o investimento industrial de 21% do PIB (a chamada Formação Bruta de Capital Fixo) e a exportação de US$ 210 bilhões ao ano -1,25% do comércio mundial- não são mais metas factíveis até 2010.
A Fiesp acha que o investimento industrial não irá passar de 19% do PIB no horizonte da nova política e que as exportações alcançarão no máximo US$ 196,8 bilhões, 1,06% do comércio mundial.
A entidade avalia que as outras duas metas (elevação do investimento em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB e ampliação do número de empresas exportadoras para 11,8 mil) serão cumpridas. José Ricardo Roriz, diretor do departamento de competitividade da Fiesp, afirma que a elevação dos juros básicos da economia funcionará como um freio ao investimento. O ciclo de queda dos juros básicos iniciado no fim de 2005 coincide com a aceleração dos investimentos. Em abril passado, o Banco Central -ante a aceleração da inflação- inaugurou um novo ciclo de alta de juros. Nas exportações, o problema continua a ser a desvalorização do dólar ante o real. A situação afeta a competitividade do produto brasileiro e expulsa exportadores do mercado. “Essas duas situações afetam diretamente o cumprimento dessas metas fixadas na política industrial.
Além disso, o governo oferece a desoneração com uma mão e tira com a outra. Depois de conceder desoneração apresentou proposta para uma nova CPMF”, critica Roriz. Júlio Gomes de Almeida, consultor do Iedi, concorda com as conclusões da Fiesp. Diz que a meta de investimentos ao ritmo de 21% do PIB por ano a partir de 2010 é ousada, principalmente se considerados os incentivos criados para viabilizá-la. Almeida salienta, no entanto, que tal proposta seria facilmente cumprida se o governo universalizasse o benefício da depreciação acelerada tal qual ofertada aos setores automotivo e de bens de capital.
O Iedi avalia que na exportação as medidas de apoio não são suficientes. Além do problema do câmbio, Almeida afirma que o governo deveria buscar uma solução para devolver à indústria os R$ 17 bilhões retidos nos Tesouros dos Estados a título de ICMS de exportação.
Outro lado
O Ministério do Desenvolvimento rebateu o estudo. Segundo Fernanda De Negri, chefe da Assessoria Econômica da pasta, o investimento industrial deste ano está alinhado com as projeções do governo.
No primeiro trimestre, a expectativa era a de que a Formação Bruta de Capital Fixo estivesse em 17,8% do PIB em termos anualizados. “Chegamos a 18% do PIB”, pontua Fernanda. Ela admitiu que o juro maior afeta o investimento, mas minimizou o impacto. Para ela, as medidas e os instrumentos de incentivo ao investimento serão suficientes para se sobrepor ao impacto da retomada da elevação do juro.
O governo rebate com números a avaliação de que o ritmo de crescimento das exportações tende a reduzir com a desvalorização do dólar e a conseqüente perda de competitividade. “Estão dizendo isso desde 2004 e as exportações continuam a crescer”, diz Fernanda. A média de crescimento das exportações nos últimos cinco anos foi de 21,7%, ante os 16% de expansão mundial.
Article printed from Blog do Desemprego Zero: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero
URL to article: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/06/juro-e-cambio-vao-impedir-metade-das-metas-da-politica-industrial-diz-fiesp/
URLs in this post:
[1] Katia Alves: http://bnshost.org/dzero/katia.jpg
[2] Folha Online: http://www.folha.com.br/
[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
Click here to print.
Copyright © 2008 Blog do Desemprego Zero. Todos os direitos reservados.