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Ipea veta divulgação de projeções

Posted By Katia Alves On 27 junho, 2008 @ 4:57 pm In Assuntos,O que deu na Imprensa,Política Econômica | 1 Comment

Por Katia Alves [1]

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou que não vai mais usar seu tradicional instrumento de análise trimestral da evolução da economia,  pois o Ipea vai focar agora em planejamento de longo prazo.

E segundo Miguel Bruno, um dos coordenadores do Grupo de Análises e Previsões do Ipea, o objetivo de não se divulgar essas previsões é para não alimentar especulações do mercado financeiro. E isso não é censura, mas apenas a necessidade do Ipea dar prioridade a estudos de longo prazo.

O ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas, atualmente economista da Confederação Nacional do Comércio, diz que a decisão pode se mostrar correta: “O BC já produz as projeções conjunturais, de inflação, juros,atividade. A medida evita uma certa confusão de expectativas provocada por pesquisas divergentes.”

Publicado originalmente no O Estado de S. Paulo [2]

Carta de Conjuntura não é liberada sob o argumento de que provocaria especulações no mercado financeiro

Por Adriana Chiarini e Irany Tereza

A divulgação da Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tradicional instrumento de análise trimestral da evolução da economia, no qual são feitas as projeções para o ano, se transformou ontem numa verdadeira peleja. As previsões, embora tivessem sido elaboradas pela área técnica, não foram divulgadas, sob o argumento de que o Ipea se ateria a análises de longo prazo e não iria alimentar especulações do mercado.

“Não vamos divulgar as previsões para não alimentar especulações do mercado financeiro”, declarou Miguel Bruno, um dos atuais coordenadores do Grupo de Análises e Previsões do Ipea. A declaração foi feita pouco depois de o assessor de imprensa do instituto, Estanislau Maria, ter informado, em coletiva de imprensa, que não haveria projeções “por orientação da Presidência da República”. Momentos depois, Maria explicou – “para não dar manchete errada” – que não havia censura do governo, apenas a determinação para o Ipea dar prioridade a estudos de longo prazo.

Numa confusa entrevista, o diretor de Estudos Macroeconômicos, João Sicsú, que inicialmente não participara da divulgação da Carta, foi chamado para dar esclarecimentos. Ele afirmou que não há previsões novas institucionais do Ipea, “só individuais”. O economista disse, porém, que os técnicos poderiam dar suas previsões sem serem acusados pela direção de alimentar especulações. “Nunca teve problema e não terá”, afirmou, negando censura ou falta de transparência.

Ninguém, contudo, se pronunciou. E, segundo Sicsú, “as previsões do Ipea estão mantidas como previsões de março para dezembro”. “Qualquer técnico que tenha dito que o Ipea tenha outras previsões cometeu um erro.” Com isso, mesmo diante de alterações de estimativas, como a do próprio Banco Central, que revisou a projeção do IPCA para este ano para 6%, o Ipea continua trabalhando com a expectativa de inflação entre 4% de 5%. Os juros em dezembro também ficaram em 13,25%, embora a Selic já esteja em 12,25%.

Quando Bruno pediu à economista responsável pela área de inflação, Maria Andréia Parente, que explicasse por que a projeção para o IPCA continuava a mesma do estudo de março, ela não teve alternativa a não ser informar que “é óbvio” que a previsão para inflação não é mais essa.

Outro exemplo de defasagem nas estimativas foi o déficit em conta corrente. Em março, a previsão era de US$ 11,5 bilhões para o ano. Em 12 meses até abril, já atingiu US$ 14,5 bilhões. O Brasil teria de ter superávit todo o resto de 2008 para validar a previsão.

Um dos coordenadores do Grupo de Análises e Previsões, Marcelo Nonnenberg, que está no Ipea há mais de 30 anos, permaneceu todo o tempo calado, num canto do auditório. Retirou-se da sala quando seu companheiro na coordenação, Miguel Bruno, que conduziu a apresentação, pontuou uma de suas explanações com a afirmação de que “antes, o Ipea atuava em dobradinha com o mercado financeiro”.

Mangabeira só diz que decisão foi da diretoria do órgão

Publicado originalmente no O Estado de S. Paulo [3]

Por João Domingos

O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, negou-se ontem a comentar a decisão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de não divulgar mais, a cada trimestre, as projeções para o cenário econômico.

O Ipea é subordinado à pasta de Mangabeira. O ministro informou que não tinha nada a falar sobre o assunto, visto que a decisão foi tomada pela diretoria do órgão.

FRASES

Miguel Bruno Coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Ipea

“Não vamos divulgar as previsões para não alimentar especulações do mercado financeiro”

Estanislau Maria

Assessor do Ipea

“Não haverá projeções por orientação da Presidência da República…. Não há censura, apenas determinação para o Ipea dar prioridade a estudos de longo prazo”

Mudanças são alvo de críticas há dez meses

Publicado no O Estado de S. Paulo [3]

Polêmica cerca o Ipea desde que a atual diretoria tomou posse, em agosto do ano passado

Por Adriana Chiarini e Irany Tereza

A guinada do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), iniciada em agosto do ano passado, quando tomou posse a diretoria indicada pelo secretário de Planejamento de Longo Prazo, Mangabeira Unger, é alvo ininterrupto de críticas. O novo presidente do instituto, Marcio Pochmann, economista da corrente desenvolvimentista vindo da Universidade de Campinas (Unicamp), trouxe para o órgão João Sicsú, da mesma linha ideológica.

A decisão de Sicsú de reformular o Grupo de Acompanhamento Econômico causou protestos imediatos. O documento elaborado pelo grupo, o Boletim Trimestral de Conjuntura, iniciado em 1988, formava um tratado autônomo, muitas vezes dissonante da linha da equipe econômica, independentemente de qual fosse o governo.

Cláudio Considera, que foi coordenador do grupo em 1993 e diretor de pesquisa do Ipea entre 1994 e 1998, afirmou que a nova orientação “está rompendo uma tradição da casa de fazer projeções por menos que elas agradem”.

O primeiro coordenador do grupo, José Cláudio Ferreira da Silva, hoje na Universidade Cândido Mendes, lembrou que “o grupo de conjuntura sempre esteve muito na berlinda porque é óbvio que, com um trabalho sério, acabam sendo geradas algumas previsões que o governo não gosta: inflação mais alta, crescimento mais baixo”.

O professor disse, porém, que “nunca houve nada tão pesado, nem na época da ditadura”. Para pesquisadores ouvidos, é difícil pensar no longo prazo sem considerar a conjuntura. Com a chegada da nova diretoria, em 2007, a área de macroeconomia foi reformulada. Quatro economistas que divergiam do governo, sobretudo na área fiscal, foram substituídos por outros, trazidos principalmente da Universidade Federal do Rio (UFRJ). O boletim foi extinto e ficou determinado que o Ipea não poderia mais “fazer recomendações públicas de política econômica”.

“Fico preocupado com essa orientação, porque as pessoas nos cargos são temporárias, mas vai dar muito trabalho remontar tudo no futuro”, disse Ferreira da Silva.

Ele afirmou não ter a menor dúvida de que isso ocorrerá quando a gestão mudar porque “uma diretoria de estudos macroeconômicos sem conjuntura fica capenga”. Segundo ele, “quando não há modelos que gerem previsões, as análises acabam só repetindo o que já está nos jornais”.


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#1 Pingback By Blog do Desemprego Zero » Blog Archive » Boletim Semanal – n. 14, ano 1 – 24/06/2008 a 01/07/2008 On 1 julho, 2008 @ 1:01 pm

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[3] O Estado de S. Paulo: http://www.oestadodesaopaulo.com.br/

[4] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/

[5] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/

[6] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/

[7] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/

[8] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/

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