Grau de endividamento cai e estimula fusões e aquisições
Escrito por lucianasergeiro, postado em 3 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Empresas menos endividadas, em um ambiente de crescimento econômico, devem sustentar uma nova onda de fusões e aquisições (F&A) no Brasil. A queda no grau de endividamento das empresas de capital aberto está ligada a dois fatores: o melhor desempenho que eleva o patrimônio, e a própria ida à bolsa. Além do menor endividamento, outros dois fatores estimulam as F&A e, sobretudo, podem mudar o padrão da aquisições feitas. O grau de investimento, concedido ao Brasil, é um fator adicional a este movimento.
*Por Luciana Sergeiro, Editora 
Publicado em: Gazeta Online
Por: Jiane Carvalho
Empresas menos endividadas, em um ambiente de crescimento econômico, devem sustentar uma nova onda de fusões e aquisições (F&A) no Brasil. O grau de investimento concedido ao País por duas agências, a Standard & Poor’s e a Fitch Ratings, também estimula a compra de participação em empresas, principalmente atraindo estrangeiros para o mercado local. Desde 2005, segundo dados da consultoria Economatica, o grau de endividamento das companhias de capital aberto vem caindo sistematicamente.
Levantamento da Economatica, feito apenas com empresas listadas em bolsa – menos bancos e as que estão atrasadas com o envio de balanços – mostra queda de quase dez pontos percentuais no grau de endividamento das 283 companhias avaliadas. A relação patrimônio líquido versus dívida bruta (PL/DB) caiu de 67,1%, em 2005, para 58,8% no ano passado. Executivos das principais consultorias acreditam que este deve ser um fator adicional de estímulo às fusões e aquisições.
A queda no grau de endividamento das empresas de capital aberto está ligada a dois fatores: o melhor desempenho que eleva o patrimônio, e a própria ida à bolsa. “Antes, não havia muita opção, mas agora as empresas fazem seus IPOs e, com isso, reduzem a necessidade de contrair dívida para, em um segundo momento, ir ao mercado”, avalia Luis Motta, sócio de finanças corporativas da consultoria KPMG. “Esta maior liquidez das empresas pode levar à compra de participações via mercado de ações, com as chamadas ofertas hostis, que aqui ainda não é comum”, diz o executivo.
Para o líder da área de finanças corporativas da Delloite, José Paulo Rocha, o destino que será dado aos recursos em caixa depende muito da característica do negócio. “O menor endividamento é alavancador de fusões e aquisições, mas de forma desigual, já que o executivo tem de decidir em investir em uma nova planta, distribuir dividendos ou comprar uma participação”, diz Rocha. “Segmentos estagnados, com baixo crescimento, têm menor propensão em participar de uma fusão e normalmente é mais interessante distribuir dividendos.”
Para o executivo da Delloite, os setores que devem registrar o maior número de fusões e aquisição são os de infra-estrutura, como portos e rodovias, assim como educação e TI, além dos ligados ao varejo. Levantamento da Delloite mostra que, no primeiro trimestre do ano, foram feitas 117 transações de F&A no País, um crescimento de 24% sobre igual período de 2007, sendo que 23,9% no setor de serviços, 8,5% em TI e 8,5% em alimentos.
Além do menor endividamento, outros dois fatores estimulam as F&A e, sobretudo, podem mudar o padrão da aquisições feitas. O grau de investimento, concedido ao Brasil, é um fator adicional a este movimento. “O upgrade ajuda sim, principalmente atraindo recursos de fora para a compra de participação no Brasil”, acredita Rocha, da Delloite.
O responsável pela área de fusões e aquisições da PricewaterhouseCoopers, Raul Beer, lembra também que o câmbio favorável estimula as empresas nacionais a adotarem uma estratégia de crescimento no exterior, via aquisições. Motta, sócio da KPMG, concorda. “Até agora, as fusões e aquisições têm sido puxadas por empresas brasileiras, mas este padrão deve mudar”, diz. Dados da KPMG mostram que, no primeiro trimestre, das 159 fusões analisadas, 119 foram puxadas por empresas brasileiras (75% do total).
Raul Beer lembra também que o câmbio baixo estimula as empresas brasileiras a se internacionalizarem. “Elas estão capitalizadas, após terem feito seus IPOs, e com uma moeda forte é natural que comprem participação fora do País”, diz Beer. “O bom momento do Brasil, agora grau de investimento, deve atrair fundos estrangeiros, de private equity.”
Em relação ao desempenho estimado para 2008, os executivos estão animados, mas mantêm a cautela. “Acredito que este ano vamos superar 2007 em número de transações, mas dificilmente conseguiremos um crescimento percentual tão forte, acima de 48%”, diz Motta. “No ano passado, registramos um recorde em número de fusões e aquisições e este ano, com economia em alta e caixa gordo das empresas, acredito em mais um avanço forte”, diz Raul Beer, executivo da PricewaterhouseCoopers.










