“Expansão de 5% é modesta. Poderíamos estar crescendo 10%”
Escrito por lucianasergeiro, postado em 13 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Entrevista de Luiz Carlos Bresser-Pereira
Luiz Carlos Bresser-Pereira, em entrevista ao Jornal O Estado de S. Paulo, afirmou que o País cresce a
taxas bem modestas, e que poderia estar crescendo a taxas até duas vezes maiores se levado em consideração o potencial do País.
Para Bresser, os dados do PIB só vem a confirmar que o País pode sim crescer a taxas mais elevadas, uma vez que passou bem pela crise das hipotecas. Mostrando-se equivocadas as hipóteses de redução de crescimento no País. O maior desafio hoje para o Brasil é o câmbio que ainda não é sustentável.
Bresser sugere a mudança na estratégia macroeconômica, o aprofundamento do ajuste fiscal, a redução das taxas de juros ao invés de seu aumento, e criar um controle para a entrada de capitais, podendo assim atingir um crescimento superior ao programado.
Por: Luciana Sergeiro
Publicado em: O Estado de S. Paulo
Por: Leandro Modé
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do 1º trimestre não anima o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira. “O crescimento de 5% é modesto, se levarmos em conta o potencial do País, dadas nossas condições naturais.”
Os dados do PIB mostram que o País passou bem pela crise das hipotecas americanas (subprime). Quais os desafios daqui para frente?
A crise bancária americana não teve ainda efeitos econômicos no resto do mundo, mesmo nos Estados Unidos. Por ora, não se pode falar em recessão no país. As análises que afirmaram que o Brasil reduziria o crescimento por causa da crise americana mostraram-se, portanto, equivocadas. O desafio fundamental é o do câmbio. Esse crescimento de 5%, que espero para o ano inteiro, é modesto, se levarmos em conta o potencial do País, dadas as nossas condições naturais. Poderíamos estar crescendo a 10%. Mesmo essa expansão de 5% não é garantida porque esse câmbio não é sustentável. O déficit em conta corrente esperado para o ano que vem já está na casa de US$ 60 bilhões, o que é um escândalo. Isso significa que ainda não alcançamos o equilíbrio intertemporal de nossas contas, apesar da situação favorável da economia global.
Como aproveitar essa situação?
A única forma é mudar a estratégia macroeconômica. Temos de aprofundar o ajuste fiscal, baixar a taxa de juros, em vez de aumentar – embora eu entenda que o Banco Central esteja elevando o juro para conter a demanda -, e criar, provisoriamente, controle de entrada de capitais. Com isso, e aceitando que a inflação suba um pouquinho em decorrência da desvalorização cambial, é possível levar a taxa de câmbio para R$ 2,50. Nesse nível, o País poderia crescer a taxas altíssimas.
Como vê a alta do consumo do governo no trimestre?
O governo aumenta o consumo porque a receita também aumenta. Ao mesmo tempo, realiza o compromisso do superávit primário. Portanto, vai gastar mesmo, porque não existe nenhuma estratégia hoje. Estamos vivendo como se tudo estivesse em ordem: taxa de câmbio, de juros, nosso ajuste fiscal… Vivemos no perfeito mundo do Doutor Pangloss (personagem de Voltaire).
De quanto deveria ser o superávit?
Eu zeraria o déficit público, mas faria junto com as outras medidas. Não estou propondo ao Lula que faça um grande ajuste fiscal e deixe o resto como está. O Brasil está em uma armadilha e não é fácil sair dela. Seria muito mais fácil quando o dólar chegou a R$ 2,60, R$ 2,70. Agora já desceu para R$ 1,65. Retornar significará inflação e diminuição dos salários no curto prazo. Ninguém gosta nem de uma coisa nem de outra, daí a armadilha.










