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Empresas brasileiras elevam investimento na Venezuela
Posted By Katia Alves On 27 junho, 2008 @ 6:28 pm In Assuntos,Conjuntura,Internacional,O que deu na Imprensa | No Comments
Por Katia Alves [1]
A Braskem é parte de uma onda de investimentos brasileiros na Venezuela iniciada no ano passado, num momento em que o país atrai cada vez menos capital estrangeiro. O ano passado foi o primeiro desde o início do governo Chávez, em 1999, em que empresas brasileiras se instalaram na Venezuela.
A “invasão” brasileira contrasta com o débil desempenho venezuelano no ano passado, quando atraiu apenas US$ 646 milhões, ficando num modesto 13º lugar na região, segundo dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).
Na contramão do aumento dos investimentos brasileiros, a Petrobras praticamente paralisou os planos de expansão na Venezuela. Dos cinco projetos previstos na “aliança estratégica” com a estatal PDVSA, assinada em fevereiro de 2005, nenhum foi implementado e pelo menos dois estão descartados.
Publicado na Folha [2]
Por Fabiano Maisonnave
Brasil correspondeu a 20% do aporte estrangeiro no país vizinho em 2007
Braskem participa de projetos que somarão US$ 3,4 bi; para analista, tendência reflete política de Chávez, que busca substituir presença americana
No computador de Sergio Thiesen, diretor-superintendente da Braskem na Venezuela, os dados sobre o maior projeto industrial de capital brasileiro no país de Hugo Chávez se misturam a fotos de luxuosos condomínios à beira de canais por onde passeiam iates. Parece Miami, mas se trata de Lecheria, cidade caribenha a 300 km a leste de Caracas.
“Envio essas fotos para o pessoal se animar a vir pra cá”, brinca Thiesen, ao receber a reportagem em seu escritório, num moderno centro empresarial de Caracas.
A Braskem já enviou 22 funcionários. Esse número deve aumentar a partir de janeiro, quando começam as obras para a construção da primeira das duas fábricas que a Braskem construirá com a estatal Pequiven. Ambas funcionarão no Complexo Petroquímico de Jose, perto de Lecheria. O maior projeto, o Poliamerica, envolve US$ 2,5 bilhões e deve entrar em operação no final de 2012. Produzirá polietileno e eteno. O segundo projeto, Propilsur, está orçado em US$ 900 milhões, ficará pronto dois anos antes e fabricará prolipropileno. Cada empresa investirá cerca de US$ 1,75 bilhão, gerando cerca de 1.500 empregos diretos.
“A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo e tem interesse em atrair parceiros que possuam experiência e tecnologia para desenvolver projetos petroquímicos no país”, diz Thiesen, ao justificar o investimento da Braskem -seu primeiro no exterior- num momento em que Chávez nacionaliza empresas estrangeiras, entre as quais a siderúrgica Sidor, com participação da Usiminas.
Controlada pela Odebrecht, a Braskem é parte de uma onda de investimentos brasileiros na Venezuela iniciada no ano passado, num momento em que o país atrai cada vez menos capital estrangeiro. O ano passado foi o primeiro desde o início do governo Chávez, em 1999, em que empresas brasileiras se instalaram na Venezuela -o quinto destino de investimentos do país, segundo levantamento do Itamaraty. Antes, apenas a AmBev tinha fábricas no país, mas sua chegada foi em 1994.
A lista inclui a Gerdau, que, em julho do ano passado, comprou a terceira maior produtora de aço do país, a siderúrgica Sizuca, por US$ 92,5 milhões. Pouco depois, em setembro, foi a vez de o Grupo Ultra comprar uma pequena fábrica de produtos químicos, por cerca de US$ 14 milhões. Outra empresa a investir na Venezuela foi a mineira Alcicla, que se associou à venezuelana Metalnet numa fábrica de reciclagem de alumínio. O investimento foi de US$ 25 milhões, dividido ao meio entre as sócias.
A “invasão” brasileira contrasta com o débil desempenho venezuelano no ano passado, quando atraiu apenas US$ 646 milhões, ficando num modesto 13º lugar na região, segundo dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). Está atrás de economias bem menores, como Honduras e El Salvador. Em 1998, último ano pré-Chávez, o montante chegou a US$ 5 bilhões, segundo o Banco Central.
Ao todo, as quatro empresas declararam ter investido cerca de US$ 129 milhões na Venezuela -20% do total registrado no ano passado. Em anos anteriores, a participação brasileira era próxima do zero. Para Asdrúbal Oliveiros, diretor da consultoria Ecoanalítica, os investimentos brasileiros refletem a política externa de Chávez, que busca substituir a tradicional presença americana. “Brasil, Argentina, China e Argentina são os países que estão investindo hoje na Venezuela”, diz Oliveiros, que vê o momento como de transição. “Substituir parceiros tradicionais como EUA e Colômbia não é algo que se possa fazer com tanta rapidez”, ressalva.
Em linha semelhante, Thiesen atribui a chegada dos investimentos brasileiros à aproximação entre Chávez e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que amanhã visita Caracas. “A excelente relação entre os dois presidentes foi fundamental no processo de expansão da relação bilateral”, diz.
Petrobras paralisa investimentos no país
Publicado na Folha Online [2]
Na contramão do aumento dos investimentos brasileiros, a Petrobras praticamente paralisou os planos de expansão na Venezuela. Dos cinco projetos previstos na “aliança estratégica” com a estatal PDVSA, assinada em fevereiro de 2005, nenhum foi implementado e pelo menos dois estão descartados.
O principal era a participação de 40% da Petrobras no campo de petróleo Carabobo 1, em contrapartida à sociedade na refinaria de Pernambuco, onde a PDVSA teria a mesma porcentagem. Em dezembro, a empresa brasileira informou que só tinha interesse em participar de 10% -e mesmo essa porcentagem ainda não é certa. O projeto de recuperação pela empresa brasileira de cinco campos maduros da PDVSA, tampouco saiu do papel. A área de gás está igualmente sem avanços. No ano passado, a Petrobras desistiu do campo Mariscal Sucre, que abasteceria o Gasoduto do Sul, megaprojeto que está na geladeira. A alegação foi de que as reservas ainda não estão provadas.
A Petrobras devolveu o bloco 5 da plataforma Deltana, da “aliança estratégica”. Segundo a Folha apurou, havia dúvidas sobre a viabilidade comercial. O único projeto que pode sair do papel na área do gás é o bloco Moruy 2. A empresa tem desde 2005 os direitos de exploração, com a japonesa Teikoku, mas ainda não perfurou nenhum poço de exploração.
A Petrobras iniciou suas atividades no país em 1994, quando adquiriu a Perez Companc da Venezuela, de capital argentino. Hoje, tem cerca de 80 funcionários e produz em média 14,1 mil barris de petróleo por dia. Desde 2006, por causa da legislação nacionalista de Chávez, passou a sócia minoritária da PDVSA das quatro empresas em que tem participação. Para o analista de petróleo Jorge Piñón, da Universidade de Miami, o fracasso nas negociações se deve às dificuldades encontradas pela Petrobras, que ele considera bem administrada e com orientação de mercado, em se associar à politizada PDVSA de Chávez.
Para Piñón, as recentes descobertas de petróleo no Brasil influenciaram. “A Petrobras já não tem mais tanta pressão e pode negociar de um ponto de vista mais vantajoso.” Ao longo das últimas duas semanas, a reportagem solicitou uma entrevista com o diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, mas não obteve resposta. (FM)
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[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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