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Dez anos depois
Posted By lucianasergeiro On 6 junho, 2008 @ 12:00 pm In Desenvolvimento,Política Brasileira,Política Econômica | No Comments
No fim do mês de maio aconteceu a Conferencia Internacional de Responsabilidade Social Empresarial (RES) promovido pelo Instituto Ethos. Durante o evento foram discutidos os papéis da mídia, da educação, do agronegócio, do diesel e do desenvolvimento sustentável da Amazônia.
As empresas têm atividades econômicas que causam impacto no meio ambiente. O Instituto Ethos deseja criar uma demanda pela sustentabilidade através do consumidor que exigirá sustentabilidade da empresa da qual vai comprar.
Por Luciana Sergeiro – Editora [1]
Publicado em: CartaCapital [2]
Por: Manuela Azenha [3]
Entre os dias 27 a 30 de maio aconteceu a Conferência Internacional de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) promovido pelo Instituto Ethos. O evento celebrou os 10 anos do instituto e do aparecimento de inciativas de RSE no Brasil com uma exposição dessa trajetória.
Durante o evento, entre outros assuntos, foram discutidos os papéis da mídia, da educação, do agronegócio, do diesel e o desenvolvimento sustentável da Amazônia, além da assinatura de um manifesto pela ARES (Instituto do Agronegócio Responsável) que exprime o compromisso de 20 entidades ligadas direta ou indiretamente ao agronegócio brasileiro em prol do desenvolvimento sustentável, apesar dos interesses econômicos divergentes.
Ainda que voltada para as empresas, a Conferência reuniu jornalistas, educadores, empresários e profissionais na área da responsabilidade social para discutirem o mercado com cultura sustentável. O vice-presidente do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, falou com CartaCapital sobre a décima edição do evento e analisa o panorama da responsabilidade social no País.
CartaCapital: O quê qualifica uma empresa como socialmente responsável e quem é que determina isso?
Paulo Itacarambi: As empresas têm atividades econômicas que causam impacto no meio ambiente. Elas emitem resíduos, gases, extraem minérios. Causam impactos na natureza e na comunidade onde se instalam. Ajudam a produzir riqueza, que pode ser mal ou bem distribuída. A riqueza pode não contribuir para o desenvolvimento da região ou então pode ser investida na cultura, na diversidade, na equidade entre as pessoas, criar oportunidades de trabalho. É o que a gente chama de gestão sustentável. Se a empresa cuida desses impactos, se cria oportunidades para os que sofrem de alguma discriminação como deficientes, os da raça negra. Não existe um órgão que julgue se a empresa é socialmente responsável ou não. O Ethos não faz isso. Quem determina isso são os bem ou mal afetados por esses impactos. Ou seja, o consumidor, o trabalhador, o fornecedor.
CC: Existe alguma lei que obrigue ou incentive a responsabilidade social?
PI: Não existem leis, o que existe são parâmetros de que estão seguindo o caminho certo. Por exemplo, os indicadores Ethos, que são um conjunto de demandas, determinadores da qualidade do serviço da empresa.
CC: Não existe um número do quanto as empresas investem nisso no Brasil?
PI: O máximo que as empresas investem são 1% do lucro delas. Mas isso é outra coisa. Na sociedade já existem muitos problemas como na educação pública, na saúde. Problemas causados por outros. Esse investimento social privado de 1% é para ajudar a resolver esse tipo de problema. Mas nem deveria ser mais do que 1%. As empresas não vão tirar do lucro delas, elas têm é que prestar um bom serviço a sociedade, produzir o que é bom.
CC: Para o Ethos é suficiente o que tem sido feito hoje pelas empresas?
PI: Não, não é o suficiente. Estamos só no começo. Queremos criar essa demanda pela sustentabilidade. Através do consumidor, que passa a exigir a sustentabilidade da empresa da qual vai comprar. É essa pressão que vai mudar as coisas.
CC: Essa conferência é dirigida aos consumidores?
PI: Não. Aqui é mais para as empresas mesmo.
CC: Não tem nenhum evento aberto ao público? Alguma ação destinada aos consumidores especificamente?
PI: Tem o Akatu, que foi criado pelo Ethos, um instituto pelo consumo consciente. Tem o Uniethos, que é direcionado à educação. A gente propõe ferramentas para as empresas mas a pressão é pelos consumidores, pela mídia. A gente tem a Rede Ethos de Jornalistas, que procura pressionar as empresas pelas pautas. As empresas se beneficiam com a imagem socialmente responsável.
CC: A décima edição da conferência traz alguma novidade, seja no evento em si quanto nos debates?
PI: Tem muita coisa. No evento tem uma exposição de novas tecnologias sustentáveis. Queremos estimular não só o uso das que já existem como o desenvolvimento de novas. O foco da discussão também mudou. Agora estamos mais focados não só nas empresas, mas no mercado socialmente responsável. No fim da conferência a gente desenvolveu propostas que serão divulgadas para a sociedade e depois entregues ao governo.
CC: Vocês têm alguma ligação ou projeto com o governo?
PI: O público alvo são as empresas, não é o governo. Mas tem coisa que a gente faz com o governo para avançar. Lidamos com empresas públicas também. E as propostas serão encaminhadas ao governo.
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