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Alencar reforça críticas a taxa de juros no país.
Posted By Imprensa On 3 junho, 2008 @ 1:40 pm In O que deu na Imprensa,Política Econômica | 3 Comments
O vice-presidente José Alencar, um dia antes de o Copom iniciar reunião que decidirá se eleva novamente a Selic, critica os juros adotados no país. Segundo Alencar a política de juros para combater a inflação no Brasil é inócua, pois não se trata de uma inflação de demanda e sim de custo das commodities e do petróleo.
A alta dos juros inibe o investimento, é necessário estimular o investimento e o consumo, segundo Alencar.
Alencar também falou sobre a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), que tramita no Congresso Nacional. Para ele, a saúde já possui orçamento mesmo sem o novo tributo. Mas Alencar defendeu que a área tenha mais dinheiro.
*Por Luciana Sergeiro, Editora [1]
Publicado em: Portal VERMELHO [2]
Um dia antes de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar reunião em que decidirá se eleva novamente a taxa básica de juros (Selic), o presidente em exercício, José Alencar, voltou a criticar os juros adotados no país.
“A política de juros altos para combater a inflação no Brasil é inócua. Essa inflação não é de demanda, é de custo no campo das commodities e do petróleo. Não é com taxa de juros que vamos combatê-la”, disse.
Alencar destacou que a alta taxa de juros inibe o investimento. “O regime de juros no Brasil é um regime que não ajuda, não dá condições para o investimento. A taxa de juros alta é usada como instrumento de combate à inflação porque ela inibe o consumo e os investimentos. Precisamos estimular o investimento e o consumo porque o Brasil ainda é um país de subconsumo”, completou.
Analistas de mercado esperam que o Copom eleve a Selic de 11,75% para 12,25% ao ano, conforme projeção do boletim Focus, publicação do Banco Central elaborada semanalmente com base em pesquisa feita com os principais indicadores da economia.
A expectativa é que a Selic chegue a 13,75% até o final do ano, com redução em 2009 até fechar o período em 12,50%. Na semana anterior, a projeção dos analistas era que a Selic chegasse ao final deste ano em 13,50% e ficasse em 12,25% em 2009. O Copom reúne-se amanhã (3) e quarta-feira (4).
Nova CPMF
Alencar também falou sobre a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), que tramita no Congresso Nacional. Para ele, a saúde já possui orçamento mesmo sem o novo tributo. Mas Alencar defendeu que a área tenha mais dinheiro.
“A saúde tem seu financiamento regular com relação ao orçamento da República. É claro que tem condições de administrar a saúde sem esses recursos [CSS], porém é preciso que tenhamos sempre em mente que nunca é demais cuidar da saúde pública”, afirmou, ao ser questionado se é possível financiar a saúde sem a CSS.
Alencar reiterou que a criação da CSS não é uma iniciativa do governo federal. Idealizado pelos parlamentares da base governista, a nova contribuição prevê alíquota de 0,10% sobre toda a movimentação financeira. Os recursos terão como destino a área da saúde. A oposição critica o projeto, alegando ser uma reedição da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), extinta no ano passado.
Na sexta-feira passada (30), o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo não tem alternativa para garantir os recursos para a saúde, caso a CSS não seja aprovada pelos parlamentares.
Durante a entrevista, Alencar também falou sobre a tortura praticada por integrantes de milícias do Rio de Janeiro contra uma equipe de repórteres do jornal “O Dia”. Ele defendeu a investigação rigorosa do caso.
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[3]
: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/1999/03/1168/
[4] ? A questão dos impostos e juros: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-questao-dos-impostos-e-juros/
[5] ? Manifesto Grupo Crítica Econômica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/manifesto-grupo-critica-economica/
[6] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/
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3 Comments To "Alencar reforça críticas a taxa de juros no país."
#1 Comment By Heldo Siqueira On 3 junho, 2008 @ 2:44 pm
Amigos,
discordo do Vice-presidente. Na verdade, acho que o aumento nos juros realmente vai controlar a inflação. A questão é que por motivos diferentes daqueles apresentados pelo BC.
O aumento dos juros deve realmente apreciar o câmbio e debelar o foco inflacionário. A questão é que provavelmente a apreciação do câmbio deve ser severa (e portanto, também o aumento dos juros), afinal, deverá aumentar a composição dos produtos importados.
Por outro lado, o rombo nas contas externas deve aumentar com a opção do Bc. Então, fica a pergunta, vale à pena pagar esse preços para combater a inflação?!
Abraços
#2 Comment By Rodrigo L. Medeiros On 4 junho, 2008 @ 12:43 pm
Heldo
O problema global é conjuntural e foi certamente agravado pela migração do capital especulativo das hipotecas para os alimentos, as commodities agrícolas das bolsas de futuro. Para o Brasil, o BACEN “acredita” que se trata de um problema de pressão de demanda doméstica, estrito senso.
Ao elevar a Selic, promovendo a expectativa do viés de alta da taxa básica de juros, é bastante provável que o BACEN provoque desinvestimentos, no sentido atribuído por Keynes, em muitos setores da economia brasileira. Guido Mantega, ministro da Fazenda, já acusou esse golpe. Pode-se até “domar” pressões inflacionárias no curto prazo dessa forma, mas se criam outros problemas estruturais para mais adiante.
Certamente a elevação da Selic pressionará o orçamento federal em rubricas tão importantes como Educação, Saúde e Transportes. Seria mais sensato se o governo do presidente Lula aperfeiçoasse as agências reguladoras, incluindo o BACEN, profissionalizando-as para coibir o poder de mercado exercido por muitos no Brasil.
Um abraço.
#3 Comment By Heldo Siqueira On 4 junho, 2008 @ 5:28 pm
Rodrigo,
como diz o ditado popular, para cada problema complexo existe uma solução óbvia, simples e… errada! A inflação não deixa de ser um problema complexo. Tentar controlá-la através do câmbio é tão simples quanto errado, dados os efeitos ruins que a manipulação do câmbio provocam na economia. Obviamente a solução difícil seria o melhor controle da concorrência (o que envolve o interesse de poucos, mas interesses muito influentes)
Entretanto, o buraco é um pouquinho mais embaixo. Se todas as economias do mundo resolverem apreciar suas moedas para controlar a inflação, o mecanismo não vai funcionar. Ou pior, os ceguetas do BC podem resolver apreciar o Real ainda mais que as outras moedas! E isso me preocupa especialmente, em um momento em que há a iniciativa do FED e do BC europeu de pararem o ciclo de diminuição dos juros (para o FED) e sinalização de aumento (no caso do BC europeu).
Isso implicaria em uma elevação ainda maior da taxa de juros, com efeitos horríveis para as contas públicas. Tá certo que o superávit nominal (0,76% do PIB) está aí para pagar as despesas com juros, mas dependendo do aumento vai ser pouco.
Abraço