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A luta contra o déficit externo
Posted By Katia Alves On 10 junho, 2008 @ 7:52 pm In Assuntos,Conjuntura,Política Econômica | No Comments
O governo visando atenuar a deterioração das contas externas do país vai tomar uma série de medidas que estarão no Plano de Safras, tais medidas são: redução do prazo de antecipação dos contratos de exportação e um pacote de estímulos ao agronegócios.
Outro ponto é o Fundo Soberano, este fundo vai ter várias funções como diminuir a demanda e o aquecimento dos preços; receberá recursos do superávit fiscal que poderá ser usado para obter dívida pública ou dólares; e vai ajudar a beneficiar a expansão externa de multinacionais brasileiras.
Nassif afirma também que com o fundo a Fazenda poderá entrar a qualquer momento no mercado ampliando o fator de incerteza e os economistas do mercado têm resistência ao fundo, pois o fator instabilidade acaba com a facilidade de ganhar sobre o Bacen.
*Por Katia Alves [1]
Publicado originalmente na Coluna Econômica [2]
Por Luis nassif
Nos próximos dias, o Ministério da Fazenda tomará mais um conjunto de medidas visando amenizar a deterioração das contas externas.
Uma delas será a redução do prazo de antecipação dos contratos de exportação. Hoje em dia, exportadores chegam a antecipar em até 50 meses as exportações, para aplicar no mercado financeiro. A idéia será reduzir substancialmente esse prazo.
Uma segunda medida será mais um pacote de estímulos ao agronegócios, único setor em condições de reagir rapidamente e melhorar as contas externas é o agronegócios.
Essas medidas constarão do Plano Safras, a ser anunciado daqui a vinte dias.
Outro ponto decidido é o chamado Fundo Soberano – a ser constituído de recursos do superávit fiscal. Nos próximos dias o presidente da República encaminhará o projeto de lei de criação do fundo.
O fundo atuará em várias frentes.
1. Do lado fiscal, ajudará a reduzir a demanda e o aquecimento dos preços com o choque de commodities.
Receberá recursos do superávit fiscal, o que diminuirá a chamada demanda agregada. Terá papel anticíclico, ajudando a esfriar a demanda, quando aquecida, ou aquecê-la, quando for necessário. Como vai fazer poupança fiscal será mais vantajoso do que meramente esterilizar os recursos e diminuir a dívida pública. Esterilizou, acabou. Se for necessário, mais à frente, um movimento de estímulo à economia, não se terá os recursos.
2. Os recursos poderão ser utilizados ou para adquirir dívida pública ou dólares. E, aí, funcionará como elemento de incerteza das cotações, para evitar maiores valorizações do real.
3. Os recursos ajudarão a financiar a expansão externa de multinacionais brasileiras, através do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).
Até agora, a política monetária e a cambial tem sido praticadas exclusivamente pelo Banco Central. É total a cumplicidade do BC com o mercado. Sabendo que não haverá sustos, o mercado aposta cegamente na queda do dólar e na alta dos juros.
Se houvesse incerteza em relação ao desempenho do dólar, o mero receio ajudaria a conter o ingresso de dólares.
Uma primeira incerteza foi introduzida com a criação do IOF sobre a entrada de recursos para renda fixa. Apesar de execrado pelo mercado, a medida ajudou a segurar parte da desvalorização do dólar. Em uma de suas últimas edições, The Economist considerou o instrumento válido, desde que temporário.
Com o Fundo Soberano, a Fazenda poderá entrar a qualquer momento no mercado, ampliando esse fator de incerteza.
Grande parte da resistência de economistas do mercado ao fundo soberano reside nesse fator de instabilidade, que acaba com a moleza de ganhar em cima do Banco Central.
Na Fazenda, considera-se que há certo terrorismo do Banco Central nas avaliações sobre inflação. O setor que mais está vendendo é o automobilístico. Mesmo assim, o preço médio dos carros novos aumentou apenas 2,6% no último ano.
Assim, o papel da Fazenda consiste em comer pelas bordas, sabendo que o discurso do BC ainda é o mais ouvido por Lula.
Recessão e eleição
Um dos argumentos para convencer Lula a não ceder aos exageros ortodoxos do Banco Central são as próprias eleições de 2005. A Fazenda de Antonio Pallocci e o BC de Henrique Meirelles deram uma freada terrível na economia, com juros elevados e superávits fiscais pesados. Essa desaquecimento quase custou a eleições a Lula, segundo essas avaliações. A sorte foi ter um adversário com pouca empatia, como Geraldo Alckmin.
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[2] Coluna Econômica: http://www.projetobr.com.br/web/blog/5
[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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