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Blog do Desemprego Zero

A Força de José Alencar

Escrito por lucianasergeiro, postado em 23 dEurope/London junho dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Por: Luciana Sergeiro

Em entrevista a revista Época, o vice-presidente da República José Alencar, mostra a sua força frente à luta constante com o câncer. Obediente aos médicos e com muita vontade de viver, Alencar diz que é muito confiante em Deus O vice-presidente encontrava-se no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde realizava uma bateria de exames que revelaria se o câncer que insiste em voltar havia ou não reaparecido.

Desde 2006, Alencar luta contra o sarcoma, um câncer que ocorre nos tecidos como, gorduras, músculos e nervos. Trata-se de uma doença rara. De todos os sarcomas catalogados pela medicina, Alencar sofre de um subtipo chamado fibrohistiocitoma maligno, um tumor com estatísticas sombrias, por isso Alencar necessita fazer um checkup completo a cada dois meses.

A sua luta contra o câncer começou em 1997, antes de chegar ao Senado, porém sua batalha tem se mostrado difícil em 2006 retirou o primeiro sarcoma e desde então já foi submetido a quatro cirurgias. Porém nem nos piores momentos, marcados por fadiga, anemia e enfraquecimento do sistema de defesa, Alencar deixou de cumprir compromissos.

Alencar diz que nunca chorou ao receber a notícia de um novo tumor. Seus olhos só ficam marejados quando comenta as peripécias de David, de 7 anos, o caçula de cinco netos. Alencar tornou-se um exemplo de garra e força de vontade em viver.

Publicado em: Época (restrito a assinantes)

Por: Cristiane Segatto

O vice-presidente recebeu ÉPOCA em seu quarto no hospital para contar os detalhes de sua luta contra o câncer

Uma angústia me incomodava enquanto caminhava em direção à suíte 1106 do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, no início da tarde de segunda-feira. Ali estava o vice-presidente José Alencar, num intervalo de uma importante bateria de exames. Ela revelaria se o câncer que nos últimos dois anos insiste em voltar havia ou não reaparecido. Qual é a melhor forma de abordar a segunda mais importante autoridade do país na condição em que até ela se torna frágil? Como entrar na intimidade do quarto sem parecer invasiva e desrespeitosa? Como captar a essência do homem por trás do governante?

Antes que eu tentasse traçar uma estratégia, a porta se abriu. Poucos passos me separavam do vice-presidente, acomodado numa confortável poltrona de couro bege. Ele se levantou, trocamos um aperto de mão e começamos a entrevista. Quanto mais eu olhava nos olhos do vice-presidente, menos conseguia associá-lo ao poder. Quem ocupava aquele quarto de hospital era o paciente de cabelos ralos, obediente aos médicos e cheio de vontade de viver. Não conseguia enxergar o empresário milionário nem o ocupante do Palácio do Planalto. Via um idoso de 76 anos, fragilizado pelo câncer, mas sem nenhuma intenção de se render a ele.

Foram 45 minutos de uma conversa descontraída e franca. Desde 2006, Alencar luta contra o sarcoma. Trata-se de um câncer que ocorre em tecidos como músculo, gordura, nervos. No caso do vice-presidente, os tumores surgem na camada que fica entre o músculo das costas e o intestino, conhecida como retroperitônio. Essa variante da doença é rara. Durante uma década, 66 mil pacientes de câncer foram tratados no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. Apenas cem tinham o tal sarcoma do retroperitônio.

De todos os sarcomas catalogados pela medicina, Alencar sofre de um subtipo chamado fibrohistiocitoma maligno, segundo afirma o cirurgião Raul Cutait, do Hospital Sírio Libanês. Trata-se de um tumor agressivo, cercado de estatísticas sombrias. Alguns estudos sugerem que, cinco anos após o diagnóstico, menos de 20% dos pacientes continuam vivos. Depois de várias recidivas, o tumor costuma atingir os pulmões – e isso pode ser fatal. É por isso que Alencar precisa passar por um checkup completo a cada dois meses. Os últimos exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética revelaram que não há sinal de novo tumor.

Alencar comemorou a notícia, mas com comedimento. “Se você perguntar para minha mulher, ela vai dizer que estou curado”, afirma. “Eu não digo isso. Nasci na Zona da Mata mineira, no meio de morros. A gente de lá enxerga curto.” Com um pequeno objetivo após o outro, Alencar construiu uma carreira notável. Aos 14 anos, deixou a casa dos pais para trabalhar como balconista numa loja de armarinhos na cidade mineira de Muriaé. Foi vendedor por muitos anos. Até que, em 1967, fundou a Coteminas, hoje um dos maiores grupos têxteis do país. Elegeu-se senador em 1998. Quatro anos depois, chegou à Vice-Presidência da República. Reelegeu-se em 2006. Pouco antes de chegar ao Senado, Alencar começou sua luta contra o câncer. Desde 1997, ele já enfrentou seis cirurgias para extrair tumores malignos. Teve câncer no rim, no estômago e na próstata.

Sua última batalha, porém, tem se mostrado a mais difícil. O primeiro sarcoma foi retirado em julho de 2006 numa operação comandada pelo cirurgião Raul Cutait. Quatro meses depois, o tumor voltara. Alencar foi operado, então, em Nova York pelo médico Murray Brennan, do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center. Brennan é considerado o maior especialista do mundo em cirurgias de sarcoma. Onze meses depois, o câncer reapareceu. Brennan veio a São Paulo, em outubro de 2007, e operou Alencar novamente. Em dezembro, o sarcoma estava lá outra vez. As opções de tratamento são cada vez mais limitadas. Em fevereiro, os médicos acharam melhor não submeter o vice-presidente a uma nova operação. Optaram por uma técnica pouco usual nesses casos: a radiofreqüência. Por meio de um cateter, um tubo fino introduzido no abdome, o tumor é destruído por uma fonte de calor. O sarcoma desapareceu totalmente.

Nem nos piores momentos, marcados por fadiga, anemia e enfraquecimento do sistema de defesa, Alencar deixou de cumprir compromissos. No dia da posse de seu segundo mandato, ele surpreendeu os médicos. Ninguém apostava que o homem pálido, visivelmente abatido pela quimioterapia, agüentaria a cerimônia até o final. Enganaram-se todos. “A disposição do vice-presidente é um exemplo para muitos pacientes”, diz o oncologista Paulo Hoff, que orienta o caso. “Torço para que o tratamento dê certo. Ele merece.” Atencioso e sem rompantes de estrelismo, Hoff conquistou Alencar. “Respeito o doutor Paulo como médico e como pessoa.”

Governantes que adoecem precisam prestar contas à sociedade sobre seu estado de saúde. Muitas vezes, isso envolve divulgar detalhes do prontuário e apontar responsáveis pelas escolhas durante o tratamento. E todo caso clínico complexo envolve opções difíceis. Com José Alencar, a história não tem sido diferente. A primeira cirurgia de sarcoma, realizada em julho de 2006, foi marcada por uma divergência entre os cirurgiões Raul Cutait e Miguel Srougi, professor de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ambos já haviam operado Alencar e têm muita experiência em suas respectivas áreas. Raul, em cirurgia do aparelho digestivo. Miguel, em urologia. “Sarcoma não é especialidade de nenhum dos dois, por isso optei que ambos ficassem encarregados da cirurgia”, diz Alencar. Na ocasião, Raul e Miguel discordaram sobre o caminho a seguir.

O motivo da discórdia foi o tipo de incisão cirúrgica que seria feita. Miguel decidiu não participar da operação. Ele estava no Sírio Libanês operando outro paciente durante a cirurgia de Alencar. Cutait afirma que, a pedido do vice-presidente, chamou Miguel. “Chamei o doutor Miguel para dar algum palpite. Ele não fez nenhuma observação negativa a respeito do que havia sido feito”, afirma Raul. Miguel não aceita falar sobre o caso. Em novembro de 2006, publicou uma carta no jornal Folha de S.Paulo relatando que “durante o ato cirúrgico, realizado por outro profissional, fui convocado às pressas para resolver um impasse inesperado e nele permaneci por cinco minutos”. Ele não diz qual foi o impasse. Apenas afirma “ter julgado que o tratamento proposto era incorreto”. E não diz por quê.

Alguns dias depois, a análise do tumor extraído de Alencar revelou que não fora possível retirá-lo completamente e ainda havia células malignas às margens dele. Raul diz que não restou um pedaço de tumor no corpo de Alencar, mas sim pontos microscópicos. “Nesse tipo de tumor (fibrohistiocitoma maligno), nunca conseguimos fazer a ressecção sem deixar nenhum pontinho microscópico no lugar.”

Tumores como esse são difíceis de operar. Até os profissionais mais experientes enfrentam complicações. “É difícil dar uma boa margem de segurança ao redor do tumor. Muitas vezes, o cirurgião não consegue fazer isso, porque há a coluna vertebral e outras estruturas importantes na região”, diz o especialista em sarcoma Carlos Eduardo Rodrigues Santos, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. “É por isso que sarcomas costumam recidivar tanto.” Santos afirma que o bom prognóstico do paciente depende da retirada completa do tumor.

Alencar prefere olhar para a frente, com um bom humor invejável. Comemora os pequenos progressos que tem feito. Uma das cirurgias provocou um efeito colateral desagradável: excesso de sensibilidade nos nervos das pernas. De um salto, Alencar ergue-se da cadeira para mostrar como o problema o atrapalhava embaixo do chuveiro. O vice-presidente apóia a mão na parede do quarto e demonstra como costuma tomar banho. Cruza a perna direita sobre o joelho esquerdo e finge ensaboar o pé. “Tinha um trabalho enorme para lavar o pé. Agora já consigo. Isso é um sucesso.”

Alencar diz que nunca chorou ao receber a notícia de um novo tumor. Seus olhos só ficam marejados quando comenta as peripécias de David, de 7 anos, o caçula de cinco netos. “Já falei para os outros que eles podem tirar o cavalo da chuva. Se eu tiver um real para deixar, deixo tudo para o David.” No início da noite, depois da bateria de exames de imagem, avistei o vice-presidente na saída do Sírio Libanês. Caminhava a passos rápidos, sincronizados com os seguranças. Ele parou para me contar as boas notícias. Mas era outro José Alencar – a autoridade rígida e protocolar – que deixava o hospital.

 



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