O REVERSO DO SWAP
Postado em 30 dEurope/London junho dEurope/London 2008
J. Carlos de Assis
Presidente do Instituto Desemprego Zero
É incompreensível como o Banco Central até hoje não veio a público para explicar à sociedade brasileira o prejuízo de R$ 47 bilhões acumulado no ano passado, sendo que a única vez em que tocou no assunto remeteu-o ao Diretor de Administração, que não tem nada a ver com a área geradora de perdas, em especial, o Departamento de Mercado Aberto. Ou, mais precisamente, o Departamento que cuida, entre outras, das operações denominadas de “swap reverso”, uma das fontes de perdas.
É incompreensível, mas justificável. São realmente operações muito complexas. Se algum jornalista tivesse curiosidade a respeito, certamente o Diretor de Administração se esquivaria de imediato, prometendo consultar os responsáveis. Com isso seria possível montar uma resposta apropriada ou, na melhor das hipóteses, deixar tudo no esquecimento. Afinal, a principal preocupação da maior parte da imprensa no momento são os cartões corporativos do Governo.
Vamos ao “swap reverso”. Para entendê-lo, comecemos pelo “swap” simples. É uma operação de derivativo, altamente especulativa, para quem quer apostar nas variações aleatórias do dólar e dos juros. Um jogo de soma zero: alguém ganha, alguém perde. Por derivativo entenda-se uma aplicação financeira não baseada em títulos de dívida. O especulador compra um contrato, apostando que a taxa de juros não vai subir e o câmbio vai se desvalorizar. Se isso acontecer, ele ganha quanto maior for a diferença entre as taxas. Se não acontecer, perde.
O balanço é feito e pago diariamente, com referência às variações diárias do câmbio e da taxa média de juros do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é o instrumento pelo qual os bancos emprestam dinheiro entre si para cobrir (ou aplicar) suas insuficiências (ou saldos) de reservas diárias. Quanto maior a diferença entre uma e outra, maior o ganho ou perda no “swap”. Atenção: a taxa do CDI é influenciada diretamente pela Selic, taxa de juros básica fixada pelo Banco Central; e a taxa de câmbio é indiretamente arbitrada pelo mesmo Banco Central, mediante manipulação das reservas em dólar. Portanto, no Brasil, ganhos e perdas em “swap” são efetivamente controladas pelo Banco Central. Se ele perde, é porque quer perder – naturalmente, em favor de alguém.
Este sofisticado aparelho especulativo foi introduzido no Brasil pelo ex-presidente Leia o resto do artigo »
Postado em Destaques da Semana, Política Brasileira, Política Econômica | 1 Comentário »





*Por