Inflação, manias e pânicos
Postado em 29 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Por Katia Alves
De acordo com o autor, Antonio Prado, temos uma combinação incomum de fatores que projetam os preços para cima. Uma demanda crescente de alimentos nos países emergentes, principalmente nos BRICs, uma disputa por alimentos para a produção de etanol a partir de grãos (EUA), e não cana de açúcar (Brasil), e uma especulação gigantesca no mercado de commodities, ainda como eco da crise do dólar e dos subprimes.
O dilema está em elevar os juros demais a um custo muito alto de desaceleração do crescimento do PIB; ou elevar de menos e deixar a inflação ultrapassar os limites da meta de inflação e derrubar o poder aquisitivo dos salários. Não é uma decisão fácil, mas recomenda a prudência que em mar de icebergs deve-se navegar despacito. O Bacen não deve se impressionar com os gritos de pânico.
Publicado originalmente Valor
Por Antonio Prado
A literatura sobre políticas monetárias é ampla, diversa e plena de polêmicas. Mesmo entre os que confessam a mesma fé, há divergências. O pai das regras que regem as políticas de metas de inflação, Mr. Taylor, desenvolveu um método para avaliar a qualidade das políticas monetárias e o aplicou ao seu país, os Estados Unidos. Sugeriu que em vários momentos o aperto monetário foi excessivo, em outros, tardio, incorrendo em sobre-custos em relação ao desemprego e ao Produto Interno Bruto (PIB) ou em volatilidade da inflação. Ele garante que os bancos centrais erram a mão e não é um keynesiano heterodoxo.
Mesmo que o seu método, o de Mr. Taylor, seja também objeto de polêmica, a questão é que não há tal coisa como um banco central dotado da infalibilidade. Para os espíritos que necessitam deste conforto, nossa solidariedade. Mas os bancos centrais muitas vezes seguem o tato. Demoram a agir quando deveriam ou exageram na reação quando o fazem. É natural que isso ocorra, pois atuam sobre uma rede de alta tensão ligada, que é a economia.
Uma coisa está clara para todos que observam o ambiente inflacionário brasileiro e mundial: o problema é grave. Temos uma combinação incomum de fatores que projetam os preços para cima. Uma demanda crescente de alimentos nos países emergentes, principalmente nos BRICs, uma disputa por alimentos para a produção de etanol a partir de grãos (EUA), e não cana de açúcar (Brasil), e uma especulação gigantesca no mercado de commodities, ainda como eco da crise do dólar e dos subprimes.
Este último fator merece atenção especial, pois tem havido um silêncio de túmulo em relação a ele, com raras exceções Leia o resto do artigo »
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