Meta de inflação: o necessário aperfeiçoamento
Postado em 28 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Por Katia Alves
Há grande necessidade de se realizar mudanças de forma gradual no nosso regime de metas, com o intuito de melhorá-lo e conseguir reduzir índices de inflação, ter elevados níveis de crescimento econômico e de emprego.
O autor observa que o Brasil poderia seguir o modelo do Chile, país conhecido por ter, há tempos, um BC responsável e índices baixos de inflação, alongando a meta de inflação para três anos, por exemplo, ou apenas deixando-a como um foco (ou mesmo um intervalo – um “range”) a ser buscado, como fazem alguns países.
E não devemos esquecer que somos um país em desenvolvimento, que não podemos trocar crescimento econômico por uma inflação que estará sempre controlada. Uma medida importante seria a ampliação do Comitê de Política Monetária (Copom), com alguns representantes dos setores industrial, de serviços e agrícola, e não apenas do setor financeiro.
Por Eduardo Strachman
Publicado originalmente no Valor
A despeito de gostar-se ou não, teórica ou empiricamente, do Regime de Metas de Inflação (RMI), parece certo que as metas vieram para ficar, também no Brasil, ao menos em um futuro próximo. Frente a isso, torna-se imprescindível realizar – provavelmente não todas de uma só vez – mudanças neste regime econômico, implantado no país em 1º de julho de 1999, após a crise cambial do início daquele ano. Assim, após quase nove anos de RMI e 14 anos com inflação baixa, o Brasil pode e deve flexibilizar seu RMI, seguindo, aliás, a experiência de alguns países bem-sucedidos neste sentido.
Mostra-se, então, imprescindível a realização de uma série de reformas neste regime, melhorando-o e aproximando mais fortemente o Banco Central do Brasil (BCB) da busca por conseguir, simultaneamente (como ensinam autores como Svensson, Bernanke, etc., ou presidentes de BCs, como Greenspan), reduzidos índices de inflação e elevados níveis de crescimento econômico e de emprego, como o faz, por exemplo, inclusive em sua carta constituinte, o principal e melhor Banco Central (BC) do mundo, o Federal Reserve (Fed), dos EUA.
O Brasil poderia, neste caso, seguir o modelo do Chile, país conhecido por ter, há tempos, um BC responsável e índices baixos de inflação, alongando a meta de inflação para três anos, por exemplo, ou apenas deixando-a como um foco (ou mesmo um intervalo – um “range”) a ser buscado, como fazem alguns países, sem período especificado para a consecução de determinadas metas, nem ao menos um de três anos. E passar a buscar o núcleo da inflação, escapando de altas temporárias de certos preços, como câmbio, eletricidade, gasolina, impostos etc., especificados (isto é, acordados) ex-ante, vale dizer, previamente. Só estas duas medidas já significariam uma folga imensa com relação ao RMI em sua forma atual, como mostram séries de dados do próprio BCB, desde julho de 1999. Com isso, ademais, ficaria muito mais fácil compatibilizar crescimento com inflação baixa, porque se poderia ter certeza que o BCB estaria buscando um índice civilizado de inflação, digamos, sempre abaixo de dois dígitos – para um país que penou tantos anos com elevações de preços muito acentuadas -, mas sem o objetivo de ter de alcançar a meta ao final de um determinado período. O que importa – como mostram Bernanke, Mishkin, Svensson e outros – é que se saberia que o BCB estaria sempre rumando, no longo prazo, para índices reduzidos de inflação, mas sem deixar que a inflação escape do controle no curto prazo. Leia o resto do artigo »
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