A nova desordem mundial
Postado em 18 dEurope/London junho dEurope/London 2008
Luís Nassif
Fonte: Projeto Brasil
A situação mundial continua complexa. O que seria o desfecho positivo da atual crise?
1. A recessão americana começar a refluir e o FED (o Banco Central americano) aumentar as taxas de juros.
2. Ao mesmo tempo, a inflação começaria a ceder na Europa, levando o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra a reduzir as taxas de juros.
3. Com esses dois movimentos, concatenados, haveria uma revalorização do dólar e uma depreciação do euro e da libra.
4. A conseqüência seria um movimento dos fundos de investimentos em direção ao dólar, desmontando as posições em commodities e, especialmente, em petróleo.
5. Com a redução desse movimento especulativo, cairiam os preços das commodities, reduzindo a inflação mundial.
6. Sem a pressão inflacionária, a economia européia poderia recuperar a vitalidade. Somada à recuperação da economia americana (que precederia o aumento de juros nos EUA) e o ritmo de crescimento dos BRICs, a economia mundial poderia entrar em novo ritmo.
Esse é o cenário benigno, aguardado por muitos bancos para voltarem ao dólar.
No entanto, esbarra na dura realidade atual.
Nos Estados Unidos, ainda não há sinais de que a crise tenha batido no fundo do poço. Os preços dos imóveis continuam caindo, há no ar cheiro de crise financeira. Ainda está longe o momento em que se poderá reverter a trajetória dos juros – embora algumas instituições e publicações respeitadas, como o Financial Times, ainda apostem nessa reversão.
Na Europa, o combate à inflação tornou-se prioridade maior. Em maio houve um recorde da inflação, batendo em 3,7%.
Ontem, o BCE (Banco Central Europeu) se declarou em “estado de alerta avançado” em relação à inflação, especialmente os preços de energia e dos alimentos. A declaração foi do governador do BC de Luxemburgo Yves Mersch, durante apresentação do relatório do seu BC.
Ele anunciou que o conselho de governadores do BCE atuará de forma objetiva, e em tempo oportuno, para impedir os efeitos da alta de preços sobre o conjunto da economia e sobre a estabilidade de preços.
O conselho dos governadores constatou que a inflação deverá permanecer em níveis elevados por um período maior do que o previsto.
Agora, a maioria dos analistas espera que as taxas de juros do BCE aumentem dos atuais 4% ao ano para 4,25%.
É um jogo complexo. Desde a crise da Ásia, na década passada, se acreditava na capacidade de articulação dos bancos centrais. Tinha-se uma situação similar à das primeiras décadas do século 20, em que essa articulação se dava em torno do Banco da Inglaterra. Seus movimentos eram acompanhados por um conjunto de bancos centrais europeus, permitindo uma relativa estabilidade monetária.
Da crise da Ásia para cá se tinha em conta de que, finalmente, os BCs tinham conseguido os movimentos articulados, que permitiriam manter o fluxo de capitais livre, sem restrições.
Esse sonho acabou. As disfunções do mercado financeiro internacional são amplas, há um conflito de prioridades entre os diversos blocos econômicos.
Só o Brasil continua permitindo a apreciação da sua moeda, como se nada tivesse mudado.
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