Na entrevista concedida a Revista CartaCapital, o presidente da Nestlé Brasil, Ivan Zurita mostra-se
otimista a respeito do futuro do País, segundo Zurita, a economia entrou em um ritmo irreversível de crescimento, com a inclusão da população paupérrima ao mercado de consumo. A empresa apostou neste consumo e fábrica produtos mais baratos que são vendidos por senhoras de comunidades carentes porta a porta. As classes C, D e E, que representam 82% do consumo de alimentos no País.
A empresa acredita em projetos que criem valor para a sociedade, e recruta senhoras de comunidades carentes, para tornarem-se vendedoras porta em porta, auferindo uma renda de 1,5 mil a 2 mil reais por mês, a empresa também criou um projeto em que crianças do Rio de Janeiro moradoras de favelas, que ganhariam cerca de R$ 600,00 por mês com o tráfico de drogas, se elas venderem os produtos da empresa também de porta em porta, irão obter uma renda de R$ 800,00 por mês. A empresa levou essa idéia para os governos estaduais.
Para Zurita o Brasil mudou, e quem não entender isso, ficará a margem do mercado, há uma nova classe de consumidores surgindo velozmente. Através dos programas sociais potencializados no governo Lula, a classe social menos favorecida pôde consumir produtos que antes não era possível. A sociedade vai cobrar a continuidade desses programas de redução contra a pobreza. O Brasil ainda tem muitos problemas para serem solucionados, porém nada será capaz de interromper o curso positivo do País.
Por Luciana Sergeiro – Editora
Publicado em: CartaCapital
Por: Márcia Pinheiro
Ivan Zurita é presidente da Nestlé Brasil desde maio de 2001. É um otimista sobre o futuro do País. A economia teria entrado em ritmo irreversível de crescimento, com a inclusão da população paupérrima ao mercado de consumo, seja pelo acesso ao crédito ou pelos programas sociais do governo. A empresa apostou nesse nicho há três anos e fabrica produtos mais baratos, vendidos por senhoras de comunidades carentes porta a porta. A companhia tem 17 mil empregados diretos e 120 mil indiretos. Fatura cerca de 12,6 bilhões de reais por ano, sendo 300 milhões na linha popular. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à CartaCapital.
CartaCapital: Há uma clara ascensão das classes C, D e E a produtos um pouco mais sofisticados, que extrapolam a mera sobrevivência alimentar. Em termos macroeconômicos, como o senhor avalia essa nova realidade?
Ivan Zurita: De uns anos para cá, despertamos para a sensibilidade social. É um fato histórico e inédito, de incluir os excluídos no mercado de consumo. Como organização, a Nestlé não acredita no sucesso da companhia sem uma economia sólida. Com esse despertar e a análise profunda das diferenças regionais e do perfil do consumidor, com 85 anos de idade, nossa empresa tem 87% de presença nos domicílios. Criou-se uma empresa multinacional, com sabor local. Nosso compromisso é responder às expectativas do consumidor, com diferentes níveis de renda. A partir de estudos, deparamos com um imenso potencial nas classes C, D e E, que representam 82% do consumo de alimentos no País.
CC: Programas sociais compensatórios estão relacionados com o maior poder de compra das classes mais pobres?
IZ: Sem dúvida. Sentimos isso nas regiões onde estão nossos distribuidores. Infelizmente, ainda, a pobreza extrema passou para a pobreza. O processo é lento, mas foi dado um passo muito importante para os cidadãos participarem do mercado de consumo. Por que os muito pobres não compram nos supermercados, nas grandes cadeias? Porque a incidência do transporte poderia pesar em até 50% do salário. Esse cidadão não tem dinheiro para fazer a compra do mês. É no dia-a-dia. Nem tem como transportar uma compra grande. Há ainda o que chamam de famílias escondidas. São os parentes que vivem na mesma casa: tios, primas, avós. A renda per capita pode ser baixa, mas a do lar não é. Há ainda a importância fortíssima do crédito, que cresceu. Temos agora 5,8 mil mulheres que trabalham como revendedoras de produtos mais populares da Nestlé. Vendem porta a porta. Conhecem a vizinhança e criam a fidelidade. Leia o resto do artigo »