prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

Um passo adiante

Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 29 dEurope/London maio dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

David Kupfer

Fonte: Valor Econômico (28/05/2008)

No último dia 12, o governo federal lançou uma nova política industrial, agora denominada Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Como é usual, o exame de propostas de política requer considerar duas dimensões distintas: a sua concepção, que pertence ao mundo abstrato dos conceitos, objetivos e estratégias; e a sua implementação, que está circunscrita à realidade dos instrumentos, iniciativas e atores encarregados da sua colocação em prática. Noves fora aqueles que não leram e mesmo assim não deixaram de opinar favorável ou contrariamente à proposta, a PDP não é exceção, de sorte que não é possível analisá-la sem percorrer, mesmo que rapidamente, essas duas dimensões. 

Em termos da concepção, a PDP é bastante ousada pois almeja atacar simultaneamente três eixos de promoção e sustentação do desenvolvimento econômico, obviamente interconectados, mas nem por isso de entrosamento trivial. Um primeiro eixo é dado pelo fomento ao investimento, essencialmente uma ação sobre a oferta. Inclui-se aí a meta de expandir o investimento fixo dos atuais 17,6% do PIB para 21% do PIB em 2010, o que significa uma taxa de crescimento médio anual de 11,3%. Um segundo eixo é dado pela dinamização do mercado, englobando ações mais focadas na demanda. É nesse contexto, mais amplo do que simplesmente o da geração de saldos comerciais, que devem ser encaixadas as metas de ampliação da participação do Brasil na corrente de comércio mundial dos atuais 1,18% para 1,25%, e de aumento em 10% do número de pequenas e médias empresas exportadoras. Um terceiro eixo é dado pela tecnologia, que se relaciona tanto à oferta quanto à demanda e, por isso mesmo, é a chave para o sucesso da PDP. A meta de expansão do gasto em P&D das empresas de 0,5% para 0,65% do PIB de hoje até 2010 é evidência sugestiva da ênfase conferida ao esforço de inovação na nova política. 

A Política de Desenvolvimento Produtivo não supera os problemas de gestão e coordenação intra-setor público, e entre esse e o privado. 

Para fazer girar simultaneamente os seus três eixos centrais, a PDP propõe uma estratégia abrangente e multifacetada, apoiada em três programas de ação distintos. Estão aí incluídas políticas horizontais para lidar com as externalidades que possam beneficiar o conjunto do tecido produtivo e programas especiais voltados para temas como a questão regional (intra-nacional e internacional), as pequenas e médias empresas, as exportações, etc. Cabe destacar, porém, o terceiro grupo de iniciativas, denominadas políticas estruturantes, criadas com base em cinco diferentes objetivos – liderança mundial; conquista de mercados externos; focalização em áreas estratégicas, geralmente associadas à alta tecnologia; diferenciação de produtos em nichos de mercado; e ampliação do acesso da população brasileira a bens e serviços de consumo – cada qual definido em função de uma visão global da dinâmica industrial brasileira, das diferentes oportunidades e ameaças enfrentadas pelos diferentes setores da indústria e da capacidade de resposta das empresas. É essa formulação estratégica, e a pertinência do diagnóstico subjacente ao seu desenho, o principal ponto positivo da PDP. 

Já no plano da implementação, se a nova política acerta ao recusar a falsa dicotomia entre políticas horizontais e verticais, optando por um elenco híbrido de instrumentos, não se consegue perceber as mesmas qualidades em matéria de ousadia e abrangência que marcam a sua concepção. Primeiro, em relação aos instrumentos, a PDP maneja basicamente incentivos fiscais, geralmente na forma de desonerações; e financeiros, geralmente na forma de linhas de crédito do BNDES e, em menor escala, em outros mecanismos de redução dos custos efetivos do acesso ao capital produtivo ou para a inovação. Instrumentos de caráter regulatório são timidamente citados, embora sabidamente tenham um relevante papel a cumprir na consecução dos objetivos da política. De modo similar, os serviços de suporte empresarial, como certificação e metrologia, promoção comercial, propriedade intelectual, capacitação de recursos humanos, capacitação empresarial são listados, mas não devidamente conectados às ações regulatórias correspondentes. Menciona-se o uso do poder de compra do Estado focado nas entidades da administração direta ou de empresas estatais, embora mecanismos de indução do poder de compra de grandes empresas privadas possam e devam também ser considerados como meio de alargar o manancial de oportunidades de produção e inovação ao alcance dos fornecedores especializados já em operação ou dispostos a operar no país. 

Finalmente, quanto a sua institucionalidade, a PDP, embora tenha dedicado maior atenção ao tema do que as suas antecessoras, ainda não consegue desenhar um modelo que possibilite superar os problemas de gestão e coordenação intra-setor público, e entre esse e o setor privado, que certamente marcarão a sua trajetória. Diga-se em contraponto que esse modelo é uma construção social que leva tempo e depende muito mais da capacidade política de mobilização da sociedade em torno dos programas e ações propostos do que dos documentos ou projetos oficiais. Por exemplo, o modelo institucional de operação da política industrial para o sistema produtivo da saúde, que agora começa a ganhar contornos mais nítidos, é uma etapa de uma história iniciada há mais de 20 anos, e que ainda está longe de chegar ao seu desfecho. 

O sucesso de uma política industrial depende da pertinência da sua estratégia, que lhe dá o seu substrato; da convergência com a política macroeconômica, que lhe dá os seus sinais vitais; e da organicidade do modelo institucional, que lhe dá a sua capacidade de aperfeiçoamento e adaptação diante das diversas situações econômicas que vão surgindo. A PITCE, editada em 2004, já havia demarcado a superação do debate sobre a existência e a necessidade da política industrial, que deu a tônica da (não) política industrial dos anos 1990. A PDP certamente significa mais um passo adiante em vista do avanço que representa em relação ao primeiro quesito, mas ainda restam os dois outros a serem alcançados. É extemporâneo, portanto, olhar a PDP pelas mesmas lentes já envelhecidas das questões de uma década atrás, sendo mais útil voltar o debate para uma nova fase em que o tema central seja o desenho efetivo da política em termos de seus objetivos e estratégias, instrumentos e instituições. 

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ – www.ie.ufrj.br/gic – gic@ie.ufrj.br)



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>