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Produção Brasileira Ganhará Espaço Mundial
Posted By Imprensa On 26 maio, 2008 @ 3:00 pm In Assuntos,O que deu na Imprensa,política industrial | No Comments
O Brasil viveu anos de estagnação, a chamada década perdida, e se teve seu pior momento no início dos aos de 90 com baixo PIB nacional, industrial e grande abertura às importações. Mas agora o setor industrial voltou a crescer e pode-se somar a isso a vários fatores como: aumento da renda da população, maior prazo de financiamento, emprego em alta. Alguns setores ainda têm dificuldade por causa do câmbio.
O professor de economia da Escola de Negócios Trevisan, Alcides Leite afirma que o Brasil tem bom espaço a ocupar pelo menos em sete setores: energia; engenharia; máquinas e equipamentos; petróleo; biocombustíveis e agrícola.
*Por Katia Melissa Bonilla Alves, editora [1]
Por Ana Maria Géia
Publicado originalmente no DCI [2]
Foram anos de estagnação. Os piores vieram com a tempestade imputada pela era Collor, início dos anos 90, e a agressiva abertura do País às importações. Nesta época, a indústria brasileira expôs seus flancos e deixou sangrar as cicatrizes do choque econômico do governo, que derrubou o PIB nacional a um índice negativo de 4,35% e o PIB da indústria a -8,18% em 1990. Passada a tempestade da chamada “década perdida”, o novo milênio entrou com promessas. Houve algum crescimento interno, aos “soluços”, que não conseguiu eliminar o processo de desindustrialização brasileira e a perda de valor agregado da indústria, processo que se estendeu até meados do ano passado.
Agora, o setor industrial acha que chegou novamente sua vez de voltar a brilhar no cenário econômico. Afinal, há tempos não se via tantos fatores positivos: aumento da renda da população, juros menores, maior prazo de financiamento, emprego em alta, economia estável… Por conta do cenário, as indústrias nunca produziram tanto (empresas trabalham a mais de 90% da capacidade instalada). Para somar, o investiment grade conquistado pelo Brasil promete atrair mais investidores e o novo Plano Industrial, lançado há duas semanas, joga mais lenha numa fornalha que deve movimentar as engrenagens industriais do País em ritmo acelerado.
Há setores ainda com dificuldades o que faz os industriais olharem com desconfiança para o brilho do momento. “O câmbio está expondo o Brasil a um desequilíbrio que pode se tornar perigoso”, pondera o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. Do ponto de vista econômico, contudo, o momento do salto é este.
“O maior problema agora é a definição dos papéis dos países”, afirma o professor de economia da Escola de Negócios Trevisan, Alcides Leite. A China, lembra, tem a tendência de se estabelecer como a grande fábrica mundial e a Índia será potência na área de serviços. Já o Brasil, afirma o professor, tem bom espaço a ocupar pelo menos em sete setores: energia; engenharia; máquinas e equipamentos; petróleo; biocombustíveis e agrícola. “São setores em que o crescimento é absolutamente certo”, garante o economista. “Este é o momento da redefinição do papel da indústria brasileira no mundo. O País não terá competitividade em tudo, mas vai obter muito sucesso nos que for competitivo”, afirma.
Alcides Leite credita o desenho otimista do momento a segmentos que, não necessariamente, irão compor esse panorama futuro: automobilístico, siderurgia, petroquímica, mineração, agro- indústria e sucroalcooleiro. Têxteis e calçadistas ainda estão com grandes dificuldades, lembra o economista, especialmente pela concorrência da China e seus produtos mais baratos.
Mas os que prosperam, além da demanda impulsionada pelos fatores macros positivos, crescem também porque, na opinião do professor, aprenderam a lidar com o mercado competitivo, fizeram melhorias de gestão e aumentaram investimentos. Um exemplo vem do setor de bens de capital, o que mais cresceu nos últimos três anos. Só de janeiro a março deste ano, o segmento cresceu 20,6% (dessazonalizado) em comparação a igual período de 2007. No mesmo período, enquanto a indústria geral cresceu 7,7%, os bens intermediários (insumos industriais) aumentaram 5,8%, os bens de consumo 6,86% (sendo: duráveis 18,74% e não duráveis – têxteis, alimentos – 3,33%).
Paliativo
O novo Programa de Desenvolvimento Produtivo, lançado há 15 dias pelo governo Lula, vai dar o empurrão necessário para a indústria brasileira. “As macro-metas são bastante factíveis e devem propiciar sustentabilidade ao setor produtivo, compensando o desequilíbrio do câmbio”, acredita o professor Leite.
Contudo, esse fôlego, “durará apenas dois anos”. “É um paliativo”. O que o País precisa mesmo, concorda o diretor da Fiesp, Paulo Francini, é da redução carga tributária, da melhoria da infra-estrutura, sobretudo logística e energética e de continuar processo de distribuição de renda.
Para Francini, a demanda forte faz com que a indústria lide melhor com a diminuição do valor agregado que ainda assusta o setor produtivo. Sobre a política industrial, o diretor da Fiesp deixa um recado menos otimista.
“É melhor ter do que não ter”, diz. Segundo ele, o novo programa tem a consistência que o de 2004 não oferecia. “O lançado em 2004 foi só para dizer que tínhamos uma política industrial; agora existem com esta tem boas chances de sair do papel.”
Crédito do Momento é do Mercado Interno
Em 2007, a indústria brasileira teve o quarto maior crescimento de sua produção nos últimos 14 anos, 6% atrás dos anos de 1994, 2000 e 2004, segundo informações do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Para 2008, a expectativa é de um crescimento ainda melhor.
Não foi só do lado quantitativo que se notabilizou o desempenho, mas alguns fatores, na avaliação do Iedi. O primeiro deles é que 2007 apresenta um padrão de sustentabilidade que não havia em outros anos de grande crescimento. Em segundo é que se trata de uma evolução que não sucedeu um período ou um ano de crise aguda da economia. Em outras palavras, a evolução em 2007 não correspondeu a uma “descompressão” do setor industrial brasileiro após uma crise. Em terceiro lugar, analisa o instituto, esse ciclo não decorreu de variações bruscas do valor da moeda, e desvalorizações acentuadas do real, que em outras ocasiões impulsionaram a indústria pelo lado do mercado externo. Finalmente, não foi condicionado por medidas fortes de política econômica como em 1994, em função do Plano Real. Foi o mercado interno o grande promotor do crescimento.
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[1] Katia Melissa Bonilla Alves, editora: http://desempregozero.org/quem-somos/#katia
[2] DCI: http://www.dci.com.br/
[3] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/
[4] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/
[5] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/
[6] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/
[7] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/
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