Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Reinaldo Marques/Terra
O jornalista Luís Nassif, autor de “Os Cabeças-de-Planilha – Como o Pensamento Econômico da Era FHC Repetiu os Equívocos de Rui Barbosa”
Daniel Bramatti do TERRA MAGAZINE
Às vésperas do lançamento oficial do Plano Real, em 1994, o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, assegurava publicamente que haveria paridade entre a nova moeda e o dólar. Não foi o que aconteceu. O real entrou em cena valendo mais que a moeda norte-americana, e sua cotação subiu ainda mais com o passar do tempo. As conseqüências da sobrevalorização foram desastrosas: explosão das importações, déficit em conta corrente e desaceleração da economia, em razão da necessidade de manter juros altos para atrais capitais especulativos.
Para o jornalista Luís Nassif, não houve um simples erro na condução da economia na época, mas uma “operação de mercado”. Ele vê uma ação deliberada dos formuladores e implementadores do plano com o objetivo de beneficiar a si próprios e a grupos aliados. “Eles tomaram um conjunto de medidas técnicas cuja única lógica foi permitir enormes ganhos para quem sabia para onde o câmbio ia caminhar. E o grande vitorioso desse período é o André Lara Resende, que é um dos formuladores dessa política cambial”, disse Nassif, em entrevista a Terra Magazine.
A interpretação do jornalista sobre a formulação e a crise do Plano Real está no recém-lançado livro “Os Cabeças-de-Planilha – Como o Pensamento Econômico da Era FHC Repetiu os Equívocos de Rui Barbosa”. No livro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que as reclamações contra a alta carga tributária no país são “choradeira” (leia aqui).
Leia a seguir trechos da entrevista.
Logo na dedicatória do livro o senhor diz que vivemos “anos de desatino”. Por quê?
Algumas vezes na história um país consegue juntar um conjunto de idéias e políticas relevantes que permitem uma mudança de patamar. Em 1994 houve uma dessas situações. O país estava pronto para dar o grande salto da economia fechada para uma economia de integração competitiva. E isso foi jogado fora com a apreciação cambial da saída do Real, de julho de 1994. Segundo as minhas investigações, não foi um erro técnico. Foi uma operação de mercado que resultou em um desastre mais adiante. E depois houve a perpetuação desse erro por conta de um presidente vacilante e com pouca visão de futuro.
No livro o sr. fala que a preocupação com o câmbio existia na preparação do Plano Real e que isso sumiu logo adiante.
Esse é o ponto central. Às vezes um grande erro pode ser atribuído a uma cegueira teórica, o economista fica prisioneiro de uma determinada teoria que ele defende. Comecei a prospectar as razões desse erro de partida do Plano Real, que foi um erro crasso. Dois meses depois o país já estava com déficit em conta corrente e, em março de 1995, o Brasil teve de parar todo o processo de crescimento. Eu tentei entender a lógica desse pessoal para ver se foi um erro teórico, e nada indicava isso. Eles eram muito preparados e muito competentes para ser um erro teórico um desastre daquelas proporções. E depois do desastre eles insistiram no erro. Quando foram divulgados os planos preliminares do Real, quando eles começam, um ano antes, a discutir o plano entre si, ficou claro que eles tinham percebido todos os riscos decorrentes da decisão que tomaram. Então por que tomaram?
E qual é a resposta? Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Fed deve cortar juro em 0,25 ponto e encerrar ciclo de baixa, diz LCA
Publicado originalmente na Folha
O Fed (banco central dos EUA) deve anunciar hoje um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, para 2% ao ano, e encerrar o ciclo de reduções, de acordo com relatório da consultoria LCA. “Os juros norte-americanos já estão muito baixos e reduzi-los ainda mais teria eficácia limitada”, diz Luís Suzigan, economista da LCA . Daqui por diante, diz a consultoria, o governo norte americano irá preferir intensificar o uso de linhas emergenciais de crédito para fornecer liquidez ao mercado.
Suzigan afirma que as linhas emergenciais vão direto na raiz do problema, que é a restrição de liquidez. “As instituições financeiras estão cobrando muito caro para emprestar recursos, com medo de ficarem descobertas. A liquidez está restrita porque está todo mundo segurando os recursos.”
De acordo com a LCA, as cotações de juros nos mercados futuros se alinharam a essa expectativa, pois há indícios de que a intensidade da recessão americana é branda. Até meados de março, a expectativa do mercado futuro para o final deste ano era de juros entre 1,25% e 1,5% ao ano. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“A tributação sobre o faturamento é uma solução moderna e em consonância com o que se faz no resto do mundo e o problema é calibrar isso de forma que não crie distorções e aumento de encargos”, afirmam especialistas.
Por Katia Alves
Por Cibelle Bouças e Marta Watanabe
Publicado originalmente no Valor
A proposta de agenda mínima para promover mudanças no regime trabalhista, apresentada pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, foi recebida com surpresa por instituições que representam as indústrias. Procuradas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) informaram que não tinham conhecimento do documento.
Para o professor de relações do Trabalho da USP e consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Pastore, o financiamento da Previdência pelo IVA federal, em substituição à atual contribuição patronal sobre a folha de pagamento, pode afetar os preços relativos atuais. Ele observa que hoje os gastos com recolhimento do INSS em folha variam de setor a setor, dependendo da quantidade de mão-de-obra exigida.
A proposta de mudança não deixa claro se o IVA teria alíquotas diferentes para cada setor, variando de acordo com o volume de recursos recolhidos hoje à Previdência via folha. “A substituição precisa ser esclarecida. A adoção do IVA como fonte de arrecadação da Previdência exigiria uma operação bastante complexa e difícil de se quantificar. É preciso esperar por mais detalhes para avaliar a proposta.” De acordo com Pastore, o setor industrial não foi consultado sobre a proposta de mudanças. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“Mesmo com a recuperação do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, governo e industriais encontram-se em lados opostos, devido a pressão para a alta dos preços.”
*Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Carta Capital
Por: Roberto Rockmann
As preces a São Pedro foram atendidas. As chuvas de verão no Nordeste e Sudeste recuperaram o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, responsáveis por 85% da energia gerada no País. A temperatura mais amena em março e abril, o aumento da autoprodução de empresas e o sinal verde para a operação de termoelétricas reduziram a pressão sobre o sistema. Resultado: o Brasil ingressa no período seco sem ameaça de cortes de energia neste ano e com risco menor de racionamento em 2009. Mas os preços da energia colocaram novamente governo e industriais em lados opostos.
Na segunda-feira 5, representantes do Ministério de Minas e Energia se reúnem para definir quanto o Brasil enviará de energia à Argentina, que atravessa dificuldades de suprimento, e bater o martelo sobre a criação de uma meta anual de segurança a ser perseguida pelos reservatórios. A idéia é evitar o que ocorreu no início do ano, quando a falta de chuvas em dezembro e janeiro obrigou o governo a acionar diversas usinas movidas a gás de uma só vez.
A partir deste ano será definido o volume a que os reservatórios deverão chegar até dezembro, quando o período úmido se inicia. Isso permitirá acionar as termoelétricas ao longo dos meses, corrigindo eventuais quedas bruscas nos reservatórios com maior rapidez. Na reunião, o governo deve também anunciar a manutenção do funcionamento de parte das térmicas acionadas no início do ano, o que reduziria os riscos de desabastecimento em 2009 e 2010, mas aumentaria os custos. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“O problema estrutural da economia brasileira está em se adaptar aos ciclos externos sendo assim, não constitui um projeto próprio de desenvolvimento.”
*Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Blog Luis Nassif
Por: Luis Nassif
Artigo de César Benjamin na “Folha”, “A futura herança maldita”, trabalhando muito bem o conceito de “economia reflexa”, cunhada pr Eugênio Gudin enos anos 50 (íntegra aqui)
A ECONOMIA brasileira não fez outra coisa, nas últimas décadas, a não ser adaptar-se aos ciclos do capital financeiro internacional. Na década de 1970, absorvemos, sob a forma de dívida, uma fração do excesso de liquidez provocado pelo acúmulo dos petrodólares.
Na década de 1980, com o governo dos Estados Unidos enxugando essa liquidez, fomos convocados a remeter ao exterior um múltiplo do que havíamos recebido; iniciamos um longo período de crise. Na década de 1990, quando o sistema financeiro retornou a uma posição emprestadora, fomos chamados a renegociar a “dívida velha”, para voltar a receber recursos novamente disponíveis. Graças a eles, durante vários anos, sustentamos déficits em transações correntes, o verdadeiro lastro do Plano Real. Uma nova crise cambial, alguns anos depois, mostrou como tudo era frágil. Leia o resto do artigo »
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Postado em 4 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Mal-amadas
Thomaz Wood Jr.
Fonte: CartaCapital
A empresa multinacional é uma invenção do século XX, que entrou firme e forte no século XXI. Derrubado o muro e abatidos outros ícones, as múltis avançaram céleres sobre velhos e novos cenários. Sua capacidade de adaptação é notável e a influência na economia, na sociedade e na cultura continua em alta. Apetite para crescer e disponibilidade de capital seguem alimentando fusões e aquisições. Nada no horizonte revela sinais de fraqueza ou de declínio.
Naturalmente, tanto alcance e poder não escapam das consciências mais críticas. O documentário A Corporação, dirigido por Jennifer Abbott e Mark Achbar, lançado em 2003, é um bom exemplo: seu olhar crítico fê-lo transformar-se em peça didática de cursos de Administração de Empresas. O filme descreve, em tom irônico e didático, a gênese e a evolução da grande empresa. O argumento central é que o mau comportamento corporativo – o descaso com o meio ambiente, a exploração de mão-de-obra barata em países pobres, a manipulação do consumidor e práticas ilegais de negócios – não se deve apenas a executivos destrambelhados ou algumas “maçãs podres”. Os desvios, sugerem os autores, vêm de uma personalidade doentia. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London maio dEurope/London 2008
“A cidade de Marechal Estigarribia, no Paraguai, é vítima de uma teoria propagada principalmente pela internet, que os Estados Unidos farão uma base “capaz de alojar 20 mil soldados”.
Por Kátia Alves
Por Luiz Carlos Azenha
Publicado originalmente no Carta Capital
Setecentos quilômetros de asfalto cortam o Paraguai de Assunção à fronteira com a Bolívia. Se o Paraguai da soja e dos sacoleiros tem a vivacidade de uma feira livre, o Chaco ainda não acordou. A palavra significa “território de caça”, em quéchua. Vimos mais bicho do que gente: a região é tão vazia que no trecho mais movimentado cruzamos com um veículo a cada 2 quilômetros.
O coração da América do Sul ainda está dormente: às margens da rodovia, há pastagens a perder de vista e só onde os tratores ainda não devastaram a mata é possível ver a vegetação densa e espinhosa de um lugar onde a temperatura, de acordo com a estação, pode variar de zero a 50 graus.
Aqui os países mais pobres do continente, os únicos sem saída para o mar, lutaram a guerra dos desesperados, que deixou, numa estimativa conservadora, 80 mil soldados mortos. A Guerra do Chaco terminou há 70 anos. O Paraguai tentou ocupar a região, mas quem se deu bem foi o gado. Há dez cabeças para cada pessoa e quase nenhuma infra-estrutura para o ser humano.
Pela geografia, é possível imaginar o desastre que esperava o Exército da Bolívia, que buscava conquistar, através do rio Paraguai, uma saída para o Oceano Atlântico, para compensar a que havia perdido para o Chile no Pacífico. Leia o resto do artigo »
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Postado em 3 dEurope/London maio dEurope/London 2008
O Plano verão foi um plano econômico lançado pelo governo do presidente José Sarney em 1989 gerando grandes desajustes às cadernetas de poupança, e por tal motivo e recebeu em 2007 vários processos e isso deve se repertir no ano de 2008.
Por Katia Alves
Por Zínia Baeta
Publicado originalmente no Valor
Em 2007, milhares de investidores foram à Justiça brasileira pedir o pagamento da diferença da correção monetária aplicada durante o Plano Bresser às cadernetas de poupança e outras aplicações financeiras em 1997. Neste ano a história deve se repetir: uma nova avalanche de processos – desta vez envolvendo o Plano Verão, de 1989 – está prestes a ocorrer no Judiciário. Isto porque o prazo para que os interessados proponham ações relativas ao plano vence em janeiro do ano que vem – embora alguns advogados afirmem que a data-limite é fevereiro de 2009. O que os poupadores buscam agora é o pagamento de uma diferença de 20,3611% que deveria ser aplicada às poupanças e outros investimentos com aniversário até 15 de janeiro de 1989.
O advogado Tullio Vicentini Paulino, sócio do escritório De Léo e Paulino Advogados, afirma que em janeiro de 1989 o governo alterou o índice de correção da poupança e demais aplicações por meio da Medida Provisória nº 32, posteriormente convertida em lei. O governo passou a utilizar a Letra Financeira do Tesouro (LTF) em substituição ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Como a medida provisória entrou em vigor em 15 de janeiro de 1989, os poupadores alegam que na primeira quinzena daquele mês a correção deveria ser pelo IPC – cuja diferença para a LTF correspondeu a 20,3611%. No entanto, conforme o advogado, os bancos corrigiram todos os investimentos pela LTF, independentemente da data de aniversário. De acordo com Paulino, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu o direito à diferença tanto para o Plano Bresser quanto para o Plano Verão. A controvérsia ainda existe para os planos Collor I e Collor II – de 1990 e 1991, respectivamente.
Advogado, que já propôs cerca de 300 ações sobre o tema, aconselha os interessados a ingressarem na Justiça até dezembro. Segundo ele, a obtenção dos extratos nos bancos é demorada, complicada e a Justiça deve receber um número enorme de ações. “No juizado especial de Belo Horizonte as filas eram de quarteirões e muita gente que deixou para o último dia não consegui protocolar a ação”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Consumidores (ABC), Danilo Santana, ao referir-se ao Plano Bresser. Leia o resto do artigo »
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