Por José Márcio Tavares*
Não. Eu não acho que seja o melhor caminho a gente se pautar pelas opiniões do inimigo. Mas, só com a saída de Marina do governo, eu pude ter certeza de que ela realmente atrapalhava mais do que ajudava.
Afinal, a mídia ficou tão consternada…
Os ecologistas parecem que gostaram tanto dessa história de conservar a natureza que, a meu ver, perderam a noção do principal. A natureza deve ser preservada, mas isso não pode ser uma coisa que venha de encontro ao ser humano. A natureza é linda. Já foi fonte de tanta inspiração para poetas e pintores, mas nem sempre ela é nossa amiguinha.
A natureza não é nem a favor nem contra. Ela simplesmente é assim e pronto. E a trajetória da cultura humana é a luta incessante do homem versus natureza. A luta contra os predadores; contra as intempéries e muitas vezes, contra o próprio semelhante: hominem lupus lupui.
Até o final do século dezenove, a natureza estava ganhando de goleada. Pestes, tufões, vulcões e terremotos matavam milhões de seres humanos. A engenharia ainda engatinhava.
Com o desenvolvimento da ciência, o jogo virou. O homem resolveu se vingar e passou a humilhar sua antiga vilã. Florestas foram arrasadas; inúmeras espécies animais foram dizimadas; a caça era – acho que ainda é – um esporte de “gente bem”.
Aqui no Rio de Janeiro, houve o arrasamento do Morro do Castelo, pois achava-se que ele era símbolo do atraso. Afinal, as pessoas, após deliciarem-se com óperas de Puccini e Verdi, saíam do Theatro Municipal e se deparavam com aquele morro cheio de árvores (arg!) e até cabras pastando solenes. Coisa de caipira atrasado, diziam os almofadinhas para suas senhoras.
Gastou-se milhões de Réis (era assim que se fazia o plural de Real) com o arrasamento. Pura bobagem.
Mas, hoje em dia, o grande barato seria uma parceria homem-natureza. Muito a ver com o texto do Gustavo ou do Marcos sobre plantação de eucalipto (clique) etc.
Não dá pra ficar achando que a floresta é intocável, enquanto milhões de seres humanos precisam de crescimento econômico, emprego e qualidade de vida. Crescimento que, evidentemente, afeta a floresta.
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