Delfim Netto analisa o recente estudo, sobre a produtividade da agricultura brasileira, do economista José Garcia Gasques, pesquisador do IPEA e coordenador de Planejamento estratégico do Ministério da Agricultura.
O estudo intitulado “Produtividade e Crescimento da Agricultura Brasileira” abrange o período 1975-2007.
Delfim Netto faz uma breve síntese do trabalho de José Garcia Gasques, enfatizando os bons indicadores e resultados mostrados no estudo.
* Por Elizabeth Cardoso, editora e coordenadora de conteúdo
Publicado originalmente no Valor Online (restrito a assinantes)
Por Antônio Delfim Netto*
José Garcia Gasques é, com toda a certeza, um dos economistas agrícolas mais sofisticados de que dispõe o Brasil. Pesquisador do Ipea e coordenador do planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, acaba de divulgar um curto, mas denso (e definitivo!), trabalho sobre a produtividade da agricultura brasileira. Ele foi realizado em companhia de outros dois competentes pesquisadores, Eliana Teles Bastos e Miriam Bacchi.
“Produtividade e Crescimento da Agricultura Brasileira” cobre o período de 1975 a 2007. Incorpora pesquisas anteriores e aperfeiçoa a forma de medir algumas variáveis, mas mantém a metodologia e as mesmas fontes de dados de trabalhos já publicados. O índice que compõe o “produto” inclui 70 itens: lavouras permanentes (35); lavouras temporárias (29) e produtos de origem animal (6). O índice dos “Insumos” inclui terras de lavoura, terras de pastagens naturais e plantadas, mão-de-obra, máquinas agrícolas automotrizes, fertilizantes e defensivos.
Para agregar o conjunto de produtos e o conjunto de insumos serve-se do conhecido índice de Torniqvist, o mesmo utilizado pelo Departamento de Agricultura dos EUA. O crescimento da produtividade total dos fatores é a diferença entre o crescimento do produto agregado e o crescimento do insumo agregado. A produtividade é, portanto, uma medida da eficiência com que os “insumos” são transformados em “produtos”.
Uma síntese dos resultados do trabalho pode ser apreciada nos gráficos abaixo. O primeiro gráfico revela que entre 1975 (=100) e 2007 (340,64), a produção agropecuária brasileira cresceu à taxa média geométrica da ordem de 3,9% ao ano, enquanto os insumos utilizados naquela produção cresceram, no período, de 100 para 119,90, ou seja à taxa média geométrica de 0,57%! Isso nos deixa com um crescimento médio geométrico anual da produtividade total dos fatores (PTF) de 3,3% ao ano. Trata-se da mais elevada taxa de crescimento do mundo quando comparada com os resultados registrados num trabalho do Banco Mundial da mesma natureza em diversos outros países. No período mais recente (2000-07), a PTF cresceu no Brasil à taxa de 4,75%.
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