Oportunidades com Investment Grade
Escrito por Imprensa, postado em 19 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Diversos setores da economia aguardam melhoras com o Investment Grade. Espera-se que os investidores sejam mais de longo prazo, que é o perfil, entre outros casos, dos investidores em Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC). Mas deve ser ter cuidado, a novidade do ‘Investment Grade’ nas operações financeiras internacionais poderá aumentar valorização do câmbio devido a maior entrada de dólares e ocasionará maior inibição das exportações, não diminuindo o déficit em conta corrente.
Por Katia Alves
Por Angela Ferreira
Publicado originalmente no Gazeta Mercantil
A melhora na política econômica brasileira, a boa manutenção macroeconômica frente à crise internacional – promovida, principalmente, pela crise do subprime nos Estados Unidos -, e as perspectivas de um cenário positivo e crescimento para os próximos tempos foram as principais variáveis que fizeram com que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s elevasse o Brasil para o título de grau de investimento.
Com o Investment Grade, diversos setores da economia aguardam melhoras. Isto porque, com o título obtido pelo País, a tendência é que novos investidores passem a alocar seus recursos no Brasil. Um destes setores que estão aguardando novos fluxos para seus caixas é o segmento de fundos de investimentos.
Entre estes, a oportunidade pode ser muito boa para os Fundos de Investimento em Direito Creditório (FIDC). “O Investment Grade traz um novo perfil de investidores para o País. Embora a nossa economia estava e está performando bem, uma grande parcela dos investidores que aplicam no Brasil são investidores especulativos.”, analisa Patrícia Bentes, sócia-diretora da Hampton Solfise, empresa especializada em operações financeiras estruturadas.
“Hoje, com o grau de investimento, espera-se que os investidores sejam mais de longo prazo, que é o perfil, entre outros casos, dos investidores em FIDCs”, acrescenta Patrícia. Ainda de acordo com a diretora, mesmo a crise americana tendo provocado medo nos investidores estrangeiros, as perspectivas para a economia nacional são boas e devem atrair os investidores.
“O Investment Grade sinaliza um impulso para que os investidores se motivem a sair do curto prazo. Com isto, deverá haver um incentivo para compras, como fusões e aquisições, e para os projetos de infra-estruturas; sendo todos estes projetos de longo prazo e que podem vir a gerar direitos creditórios”, diz Patrícia.
Para ela, a perspectiva é de que o volume de FIDC neste ano seja entre 30% a 50% superior ao apresentado no ano passado, “que foi um ano fraco”. De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 2007, o número de FIDCs era 171 fundos, que movimentava um volume de patrimônio líquido de R$ 29.528 milhões, frente a 146 fundos, com volume de patrimônio líquido de R$ 20.180 milhões registrados um ano antes.
Segundo os analistas de mercado, o pequeno desempenho do ano passado frente ao ano anterior é decorrência da grande quantidade de IPOs (sigla em inglês para oferta pública de ações) ocorridas em 2007. “A economia está indo tão bem que, concomitantemente com o aumento no volume dos FIDCs, acreditamos, para este ano, em uma retomada, muito em breve, dos IPOs”, avalia a diretora.
O Brasil foi o 14º país a ter seus créditos soberados em moeda estrangeira elevado para Investment Grade. De acordo com nota da Standard & Poor’s à época da classificação, as atualizações refletem a maturação das instituições do Brasil e o quadro político, como demonstra a melhora no âmbito fiscal e da dívida externa, além da melhora nas perspectivas de crescimento”, afirma.
A Standard & Poor’s também informou que apesar de muitos países “pares” do Brasil, que também possuem grau de investimento, terem dívida pública líquida menor, o modo como o Brasil vem gerindo seus compromissos atenua qualquer risco de ficar inadimplente.










