Mais etanol e mais alimento
Escrito por Imprensa, postado em 15 dEurope/London maio dEurope/London 2008
Segundo o ministro, Reinhold Stephanes, o biocombustível não é o principal culpado para o aumento de preços, como apontou o relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter. Além disso, a expansão da plantação de cana-de-açúcar para a produção de etanol, de acordo com o ministro, não ocupará terras destinadas ao plantio de alimentos.
Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Carta capital
Por: Filipe Coutinho
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, foi nesta quarta-feira (14) ao Senado para explicar o posicionamento do governo brasileiro em relação à crise mundial na produção de alimentos. Segundo o ministro, o biocombustível não é o principal culpado para o aumento de preços, como apontou o relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter. Além disso, a expansão da plantação de cana-de-açúcar para a produção de etanol, de acordo com o ministro, não ocupará terras destinadas ao plantio de alimentos.
A exposição do ministro da Agricultura aconteceu em audiência pública realizada em conjunto pelas comissões de Agricultura e Relações Exteriores do Senado. Stephanes argumentou que é a primeira vez, desde a década de 1970, que a economia mundial cresce de maneira contínua. Como conseqüência, as pessoas consomem mais e o agronegócio ainda não conseguiu acompanhar as novas demandas. E no Brasil, segundo o ministro, a inflação dos alimentos verificada nos últimos meses será controlada e ficará estável até 2009.
Além de falar sobre a crise mundial, Stephanes respondeu às críticas da comunidade internacional em relação à produção de biocombustível. O ministrou admitiu que o etanol pode pressionar o preço dos alimentos, mas defendeu que não é o caso da tecnologia brasileira, baseada na cana-de-açúcar.
Para Stephanes, parte das críticas é motivada por compararem o etanol brasileiro ao americano, feito a partir do milho. “Quem critica o nosso etanol não conhece a realidade brasileira. O crescimento da produção de cana acontece principalmente em áreas degradadas de pastagem”, disse o ministro. “O Brasil é um dos poucos países que conseguiu suportar o crescimento da demanda interna por comida e produzir excedentes para exportação”, completou. Segundo Stephanes, o crescimento de cana deverá ocupar 3 milhões de hectares de um total de 200 milhões de hectares de terras de pastagem.
O presidente da comissão de Agricultura, senador Neuto de Couto (PMDB-SC), afirmou que o investimento em novas tecnologias pode ser uma solução para aumentar a produção de energia sem prejudicar outras plantações. “Só no bagaço e na palha da cana temos uma Itaipu adormecida nos canaviais”, disse.
Na audiência púbica, também foi consenso que parte das críticas ao biocombustível brasileiro acontece por protecionismo de governos da Europa e Estados Unidos. Para o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), o governo brasileiro deve concentrar esforços na rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio. “É preciso focar o debate nos subsídios praticados pelos países ricos. É isso que impede que a agricultura de outros países tenha competitividade e por isso exportem menos”, defendeu.
No mesmo sentido, o diretor do departamento de energia do ministério das Relações Exteriores, ministro André Corrêa do Lago, criticou a postura do mercado internacional em relação à tecnologia brasileira. “Há um certo preconceito neocolonialista de que Estados Unidos e Europa saberiam melhor o que os outros países devem fazer”, disse.
As críticas das Organizações das Nações Unidas (ONU) em relação aos biocombustíveis se agravaram em abril, quando o então relator para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, culpou o etanol pela crise na produção de alimentos. Ao fazer um balanço do mandato, Ziegler classificou o etanol de “um crime contra grande parte da humanidade”. O novo relator, Olivier de Schutter, empossado em maio, manteve o discurso e sugeriu que todos os investimentos na área fossem congelados. Tanto Schutter quanto Ziegler defendem que os agricultores deixar de plantar alimentos para obter mais lucros com os biocombustíveis










