<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
		>
<channel>
	<title>Comentários sobre: Juros, Câmbio e Inflação: dilemas para a retomada do desenvolvimento, por Franklin Serrano</title>
	<atom:link href="http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/05/juros-cambio-e-inflacao-dilemas-para-a-retomada-do-desenvolvimento/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/05/juros-cambio-e-inflacao-dilemas-para-a-retomada-do-desenvolvimento/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 05 Oct 2010 14:58:47 +0000</lastBuildDate>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
	<item>
		<title>Por: josé almeida de souza jr.</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/05/juros-cambio-e-inflacao-dilemas-para-a-retomada-do-desenvolvimento/comment-page-1/#comment-15313</link>
		<dc:creator>josé almeida de souza jr.</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 18:26:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=2271#comment-15313</guid>
		<description>Realmente pouco há que se acrescentar ao texto acima de Franklin Serrano. Citações de Keynes à parte, proponho um aprofundamento da discussão começando pelo questionamento da própria definição do Banco Central do Brasil: ele é verdadeiramente um Banco Nacional? Essa conversa de tratar política monetária em termos de &quot;santíssima trindade&quot; (juro, câmbio e inflação), da mesma maneira que os dogmas teológicos a mim não faz sentido. Um Banco Nacional, instrumento do Estado pode emitir quanta moeda for necessária à consecução da meta do pleno emprego, financiando iniciativas econômicas do próprio Estado, sem se endividar e sem precisar de &quot;divisas fortes&quot; (fiduciárias...)e sem necessariamente gerar qualquer inflação significativa e persistente. É anátema propor um capitalismo de bases genuinamente nacionais? Ou será que o que chamamos de &quot;Banco Central do Brasil&quot; não passa de mera agência de rentistas nacionais e estrangeiros inseridos no Estado brasileiro? Neste caso, seria a glória final do parasita: fazer com que o hospedeiro acredite que aquele é parte de si mesmo e, consequentemente, passar a assimilar como seus, desígnios que lhe são estranhos. Boa tarde.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Realmente pouco há que se acrescentar ao texto acima de Franklin Serrano. Citações de Keynes à parte, proponho um aprofundamento da discussão começando pelo questionamento da própria definição do Banco Central do Brasil: ele é verdadeiramente um Banco Nacional? Essa conversa de tratar política monetária em termos de &#8220;santíssima trindade&#8221; (juro, câmbio e inflação), da mesma maneira que os dogmas teológicos a mim não faz sentido. Um Banco Nacional, instrumento do Estado pode emitir quanta moeda for necessária à consecução da meta do pleno emprego, financiando iniciativas econômicas do próprio Estado, sem se endividar e sem precisar de &#8220;divisas fortes&#8221; (fiduciárias&#8230;)e sem necessariamente gerar qualquer inflação significativa e persistente. É anátema propor um capitalismo de bases genuinamente nacionais? Ou será que o que chamamos de &#8220;Banco Central do Brasil&#8221; não passa de mera agência de rentistas nacionais e estrangeiros inseridos no Estado brasileiro? Neste caso, seria a glória final do parasita: fazer com que o hospedeiro acredite que aquele é parte de si mesmo e, consequentemente, passar a assimilar como seus, desígnios que lhe são estranhos. Boa tarde.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rodrigo Loureiro Medeiros</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/05/juros-cambio-e-inflacao-dilemas-para-a-retomada-do-desenvolvimento/comment-page-1/#comment-531</link>
		<dc:creator>Rodrigo Loureiro Medeiros</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2008 15:36:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=2271#comment-531</guid>
		<description>‘A teoria geral do emprego, do juro e da moeda’ (Atlas, 1982), de John Maynard Keynes, ainda tem muito a nos dizer.

Diz ainda Keynes: &quot;Entre as máximas da finança ortodoxa, seguramente nenhuma é mais anti-social que o fetiche da liquidez, a doutrina que diz ser uma das virtudes positivas das instituições investidoras concentrar seus recursos na posse de valores ‘líquidos’. A finalidade social do investimento bem orientado deveria ser o domínio das forças obscuras do tempo e da ignorância que rodeiam o nosso futuro. Não há evidência clara que a política de investimento socialmente mais vantajosa coincida com a mais lucrativa” (op. cit., Capítulo 12, V).</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>‘A teoria geral do emprego, do juro e da moeda’ (Atlas, 1982), de John Maynard Keynes, ainda tem muito a nos dizer.</p>
<p>Diz ainda Keynes: &#8220;Entre as máximas da finança ortodoxa, seguramente nenhuma é mais anti-social que o fetiche da liquidez, a doutrina que diz ser uma das virtudes positivas das instituições investidoras concentrar seus recursos na posse de valores ‘líquidos’. A finalidade social do investimento bem orientado deveria ser o domínio das forças obscuras do tempo e da ignorância que rodeiam o nosso futuro. Não há evidência clara que a política de investimento socialmente mais vantajosa coincida com a mais lucrativa” (op. cit., Capítulo 12, V).</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Heldo Siqueira</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/05/juros-cambio-e-inflacao-dilemas-para-a-retomada-do-desenvolvimento/comment-page-1/#comment-529</link>
		<dc:creator>Heldo Siqueira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 May 2008 15:04:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=2271#comment-529</guid>
		<description>Olá,

Há muito pouco a se acrescentar, tanto ao texto, quanto ao comentário do Rodrigo.

Entretanto, se me permitem simplificar (talvez um pouco demais) os pressupostos, todos eles indicam que um sistema econômico tende, no longo prazo, a um estado estacionário onde os preços são estáveis. Obviamente isso não é verdade. E como nunca é demais citar o bom e velho Keynes, ele diz que:

&quot;Raramente se podem evitar as referências expressas às expectativas correntes a longo prazo. Contudo, pode-se evitar uma alusão pressa à expectativa a curto prazo, visto que, na prática, o processo de revisão das expectativas a curto prazo é gradual e contínuo e ocorre, em sua maior parte, tendo em vista os resultados realizados, de tal modo que os resultados esperados e os realizados se confundem e se entrelaçam nos seus efeitos. Isso porque, embora a produção e o emprego sejam determinados pelas expectativas a curto prazo do produtor e não pelos resultados obtidos no passado, mesmo assim os resultados mais recentes desempenham papel predominante na determinação dessas expectativas. Seria complicado demais elaborar as expectativas de
novo toda vez que se iniciasse um processo produtivo; mais do que
isto, seria perder tempo, porque, de modo geral, grande parte das circunstâncias se mantém substancialmente invariável de um dia para outro. É, portanto, com razão que os produtores baseiam suas expectativas na hipótese de que a maioria dos resultados observados mais recentemente continuará, salvo no caso de haver motivos definidos para se esperar uma mudança. Por isso, existe, na realidade, uma grande sobreposição dos efeitos sobre o emprego, os advindos do montante obtido com as vendas já realizadas da produção recente e os advindos das vendas, que se espera realizar, da produção corrente.&quot;

Para concluir, no parágrafo seguinte:

&quot;Não devemos, entretanto, esquecer que, no caso dos bens duráveis,
as expectativas a curto prazo do produtor baseiam-se nas expectativas correntes a longo prazo do investidor, e que não faz parte da natureza das expectativas a longo prazo poderem ser revistas a curtos intervalos à luz dos resultados realizados.&quot; (Teoria Geral, Capítulo 5)

Ou seja, as expectativas de curto prazo de um agente dependem das expectativas de longo prazo de outros e vice versa. Então não faz nenhum sentido supor que ao fazermos o tempo tender a infinito todas as expectativas de longo prazo serão coordenadas.

Abraços</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Há muito pouco a se acrescentar, tanto ao texto, quanto ao comentário do Rodrigo.</p>
<p>Entretanto, se me permitem simplificar (talvez um pouco demais) os pressupostos, todos eles indicam que um sistema econômico tende, no longo prazo, a um estado estacionário onde os preços são estáveis. Obviamente isso não é verdade. E como nunca é demais citar o bom e velho Keynes, ele diz que:</p>
<p>&#8220;Raramente se podem evitar as referências expressas às expectativas correntes a longo prazo. Contudo, pode-se evitar uma alusão pressa à expectativa a curto prazo, visto que, na prática, o processo de revisão das expectativas a curto prazo é gradual e contínuo e ocorre, em sua maior parte, tendo em vista os resultados realizados, de tal modo que os resultados esperados e os realizados se confundem e se entrelaçam nos seus efeitos. Isso porque, embora a produção e o emprego sejam determinados pelas expectativas a curto prazo do produtor e não pelos resultados obtidos no passado, mesmo assim os resultados mais recentes desempenham papel predominante na determinação dessas expectativas. Seria complicado demais elaborar as expectativas de<br />
novo toda vez que se iniciasse um processo produtivo; mais do que<br />
isto, seria perder tempo, porque, de modo geral, grande parte das circunstâncias se mantém substancialmente invariável de um dia para outro. É, portanto, com razão que os produtores baseiam suas expectativas na hipótese de que a maioria dos resultados observados mais recentemente continuará, salvo no caso de haver motivos definidos para se esperar uma mudança. Por isso, existe, na realidade, uma grande sobreposição dos efeitos sobre o emprego, os advindos do montante obtido com as vendas já realizadas da produção recente e os advindos das vendas, que se espera realizar, da produção corrente.&#8221;</p>
<p>Para concluir, no parágrafo seguinte:</p>
<p>&#8220;Não devemos, entretanto, esquecer que, no caso dos bens duráveis,<br />
as expectativas a curto prazo do produtor baseiam-se nas expectativas correntes a longo prazo do investidor, e que não faz parte da natureza das expectativas a longo prazo poderem ser revistas a curtos intervalos à luz dos resultados realizados.&#8221; (Teoria Geral, Capítulo 5)</p>
<p>Ou seja, as expectativas de curto prazo de um agente dependem das expectativas de longo prazo de outros e vice versa. Então não faz nenhum sentido supor que ao fazermos o tempo tender a infinito todas as expectativas de longo prazo serão coordenadas.</p>
<p>Abraços</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Rodrigo Loureiro Medeiros</title>
		<link>http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/05/juros-cambio-e-inflacao-dilemas-para-a-retomada-do-desenvolvimento/comment-page-1/#comment-530</link>
		<dc:creator>Rodrigo Loureiro Medeiros</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 May 2008 14:14:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://plenoemprego.wordpress.com/?p=2271#comment-530</guid>
		<description>Ótimo texto do Serrano. Destaco: “A política de juros elevados, ao valorizar a taxa nominal de câmbio, gera diretamente um choque positivo de custos em moeda local. Assim, dada a ausência do canal de transmissão tradicional da demanda para a inflação e a força do canal de transmissão dos juros para o câmbio e do câmbio para os preços, o efeito dos juros sobre a demanda agregada, na realidade, se torna apenas um efeito colateral da política monetária”.

Serrano aborda outras questões também importantes: “É claro que o regime atual de ‘juro alto e câmbio baixo’ tem grandes custos. Em termos fiscais, aumenta a carga de juros da dívida pública. Em termos distributivos, os juros reais elevados estabelecem um alto custo de oportunidade para o capital, que eleva o piso aceitável das margens de lucros das empresas e concentra a distribuição funcional da renda. Os juros reais elevados atrapalham o crescimento do crédito para o consumo e para a construção civil e, a partir daí, desestimulam o investimento produtivo induzido e o crescimento do próprio produto potencial. O câmbio real cada vez mais valorizado desprotege a indústria local contra as importações, diminuindo sua competitividade, e atrapalha as exportações de produtos industriais mais sofisticados, solidificando uma inserção externa de pouco dinamismo tecnológico, baseada apenas em nossas vantagens absolutas em alguns recursos naturais”.

O IEDI vem defendendo posição similar (Cf. www.iedi.org.br). Essa política de “juro alto e câmbio baixo” tende a deteriorar as contas externas do Brasil e a gerar constrangimentos ao desenvolvimento sustentado da nação.

Quanto à necessidade apontada por Serrano da retomada de expressivos investimentos públicos em infra-estrutura, para que a competitividade sistêmica da economia brasileira seja elevada, nada melhor do que recordar Keynes:

“A crença conservadora de que existe alguma lei da natureza que impede as pessoas de conseguir emprego, de que é ‘imprudente’ empregar pessoas e financeiramente ‘saudável’ manter um décimo da população na ociosidade por um período indefinido é totalmente inverossímil – o tipo de coisa em que nenhum homem poderia acreditar se não tivesse a cabeça entulhada de idéias insensatas durante anos e anos (…) Nossa principal tarefa, portanto, será a de confirmar o instinto do leitor: o que parece sensato é sensato, e o que parece insensato é insensato”.

Incorporar os trabalhadores precarizados, hoje realidade para 49% da população economicamente ativa brasileira (Cf. CEPAL), na formalidade das relações de trabalho aumenta o bem-estar e a riqueza nacional. A alegação de que as finanças nacionais serão arruinadas com esse tipo de diretriz política não passa de um fantasma.

Desde os escritos de Keynes se reconhece que o Estado não precisa fazer aquilo que as pessoas ou as empresas já estão fazendo. Ele precisa fazer aquilo que elas não fazem pelo bem-estar coletivo da nação.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ótimo texto do Serrano. Destaco: “A política de juros elevados, ao valorizar a taxa nominal de câmbio, gera diretamente um choque positivo de custos em moeda local. Assim, dada a ausência do canal de transmissão tradicional da demanda para a inflação e a força do canal de transmissão dos juros para o câmbio e do câmbio para os preços, o efeito dos juros sobre a demanda agregada, na realidade, se torna apenas um efeito colateral da política monetária”.</p>
<p>Serrano aborda outras questões também importantes: “É claro que o regime atual de ‘juro alto e câmbio baixo’ tem grandes custos. Em termos fiscais, aumenta a carga de juros da dívida pública. Em termos distributivos, os juros reais elevados estabelecem um alto custo de oportunidade para o capital, que eleva o piso aceitável das margens de lucros das empresas e concentra a distribuição funcional da renda. Os juros reais elevados atrapalham o crescimento do crédito para o consumo e para a construção civil e, a partir daí, desestimulam o investimento produtivo induzido e o crescimento do próprio produto potencial. O câmbio real cada vez mais valorizado desprotege a indústria local contra as importações, diminuindo sua competitividade, e atrapalha as exportações de produtos industriais mais sofisticados, solidificando uma inserção externa de pouco dinamismo tecnológico, baseada apenas em nossas vantagens absolutas em alguns recursos naturais”.</p>
<p>O IEDI vem defendendo posição similar (Cf. <a href="http://www.iedi.org.br" rel="nofollow">http://www.iedi.org.br</a>). Essa política de “juro alto e câmbio baixo” tende a deteriorar as contas externas do Brasil e a gerar constrangimentos ao desenvolvimento sustentado da nação.</p>
<p>Quanto à necessidade apontada por Serrano da retomada de expressivos investimentos públicos em infra-estrutura, para que a competitividade sistêmica da economia brasileira seja elevada, nada melhor do que recordar Keynes:</p>
<p>“A crença conservadora de que existe alguma lei da natureza que impede as pessoas de conseguir emprego, de que é ‘imprudente’ empregar pessoas e financeiramente ‘saudável’ manter um décimo da população na ociosidade por um período indefinido é totalmente inverossímil – o tipo de coisa em que nenhum homem poderia acreditar se não tivesse a cabeça entulhada de idéias insensatas durante anos e anos (…) Nossa principal tarefa, portanto, será a de confirmar o instinto do leitor: o que parece sensato é sensato, e o que parece insensato é insensato”.</p>
<p>Incorporar os trabalhadores precarizados, hoje realidade para 49% da população economicamente ativa brasileira (Cf. CEPAL), na formalidade das relações de trabalho aumenta o bem-estar e a riqueza nacional. A alegação de que as finanças nacionais serão arruinadas com esse tipo de diretriz política não passa de um fantasma.</p>
<p>Desde os escritos de Keynes se reconhece que o Estado não precisa fazer aquilo que as pessoas ou as empresas já estão fazendo. Ele precisa fazer aquilo que elas não fazem pelo bem-estar coletivo da nação.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
</rss>
