prozac 40mg popliteal celexa 20mg cardiac concurrent clonidine 0.1mg test recovery buy exelon Healthy stories buyneurontinonlinehere.com buying abilify online school lipitor online no rx deoxyribonucleic

Blog do Desemprego Zero

A ópera, a guerra e a ressurreição russa

Escrito por Imprensa, postado em 22 dEurope/London maio dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

A Rússia volta a se erguer e dá claros sinais de que almeja retomar seu lugar como uma potência econômica e militar mundial, começando a amedrontar novamente seus antigos e eternos adversários.

Os setores de armamentos e energia têm sido os propulsores da atual recuperação econômica do país. Vale ressaltar que tais setores estão hoje primordialmente sob controle estatal, pois o ex-presidente russo, Vladimir Putin, realizara em suas duas administrações um processo de nacionalização dos recursos energéticos, assim como refizera a planta industrial bélica do país.

Não precisava tanto para assustar o mundo, pois a Rússia ainda é a detentora do segundo maior arsenal atômico do planeta.

Após o declínio soviético, passados quinze anos, o país mais importante daquela União ressurge recuperado, apresentando altas taxas de crescimento no nível de atividade e que deve se expandir ainda mais nos próximos anos, superando o Produto de importantes economias européias, como a França.

Parece claro que o maior país do planeta em extensão territorial não pretende abdicar de sua relevância estratégica e demonstra isso com nitidez.

O “espírito russo”, já cantado na Ópera Guerra e Paz, em 1946, quando da vitória russa sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, ressurge e brada com força a eternidade de seu território, de seu povo, de seu país…

* Por Elizabeth Cardoso, editora e coordenadora de conteúdo

Publicado originalmente no Valor Online (restrito a assinantes)

Por José Luís Fiori*

Relembro porque causou profunda impressão – uma montagem russa da ópera Guerra e Paz, de Serguei Prokofiev, na Bastilha. Era 1998, a União Soviética havia desaparecido e a Rússia estava humilhada e destruída. A ópera Guerra e Paz, estreou no Teatro Maly, em Leningrado , no dia 12 de junho de 1946, pouco depois da invasão e expulsão das tropas alemãs e da vitória russa na Segunda Guerra Mundial, e conta a história da invasão e expulsão das tropas francesas, e da vitória russa, na guerra com Napoleão Bonaparte, em 1812. Na última cena, o povo e os soldados russos cantam juntos, uma peroração apoteótica, proclamando a eternidade do “espírito russo”. Com força, emoção, convencimento – inesquecível. E, de fato, depois da destruição de 1812, a Rússia se reconstruiu e se transformou numa das principais potências européias do século XIX; e, depois de 1945, a União Soviética, voltou a levantar e se transformou na segunda potência militar e econômica do mundo, na segunda metade do século XX. Como já havia acontecido antes, em 1709, depois da invasão e da expulsão das tropas suecas de Carlos XII por Pedro, o Grande, quando a Rússia começa sua fantástica modernização do século XVIII. Mas, em 1998, parecia impossível que isto pudesse acontecer de novo, depois da derrota soviética e da destruição liberal da economia russa. Dez anos depois, entretanto, no momento da posse do seu terceiro presidente republicano, Dmitri Medvedev, a Rússia está de novo de pé, e o “espírito russo” volta a assustar os europeus, e preocupar o mundo. O jornal “Financial Times” publicou recentemente um caderno especial sobre a Rússia onde afirma que “nem Bruxelas, nem Washington, estão sabendo como tratar com a Rússia depois de Vladimir Putin, porque a Rússia está cada vez mais disposta a retomar sua posição no mundo, em particular nos países da antiga União Soviética” (Financial Times, Rússia, Special Report, 18/04/08, p.3).

Liderado pelas empresas estatais do setor de energia e armamentos, o crescimento recente multiplicou seis vezes o produto interno da Rússia

Em 1991, imediatamente depois da dissolução da União Soviética, os Estados Unidos e a União Européia colocaram-se o problema e atribuíram-se a tarefa de “administrar” a desmontagem do “império russo”. Por causa de suas conseqüências econômicas, e por causa do problema geopolítico da Europa Central.

Para os Estados Unidos, o objetivo fundamental era impedir o surgimento de uma “terra de ninguém” no Leste Europeu, e por isto lideraram a expansão imediata das fronteiras da Otan e a ocupação das posições militares que haviam sido abandonadas pelos soviéticos na Europa Central. Esta ofensiva estratégica da OTAN e da União Européia, e sua posterior intervenção militar nos Bálcãs, foi uma humilhação para os russos e provocou uma reação imediata e defensiva, que começou exatamente pela vitória eleitoral de Vladimir Putin, em 2000, e a retomada, pelo seu governo, de uma estratégia militar agressiva, depois de 2001. Durante suas duas administrações, o presidente Putin, manteve a opção pela economia de mercado, mas retomou a centralização do poder e reconstruiu o Estado e a economia russa, refazendo seu complexo militar-industrial e nacionalizando seus recursos energéticos. A Rússia ainda detém o segundo maior arsenal atômico do mundo e o governo Putin aprovou uma nova doutrina militar que autoriza o uso de armamento nuclear, mesmo no caso de um ataque convencional à Rússia, no caso em que fracassem outros meios para repelir o agressor. Além disto, o novo governo russo alertou os Estados Unidos – ainda no ano 2000 – para a possibilidade de uma corrida nuclear, caso insistissem no seu projeto de criação de um “escudo antibalístico” na Europa Central. O interessante do ponto de vista da história russa é que agora, de novo, como no passado, também a economia russa se recuperou depois de 2001 e voltou a crescer a uma taxa média anual de 7%, puxada pelos preços do petróleo e das commodities, e sustentada por um boom de consumo e de investimento interno. Este crescimento – liderado pelas grandes empresas estatais do setor de energia e armamentos – multiplicou seis vezes o produto interno da Rússia, que já superou o PIB da Itália e deve superar o PIB da França, nos próximos dois anos. Dez anos depois da sua moratória, a Rússia detém a terceira maior reserva em moeda estrangeira do mundo, depois da China e do Japão, e seus salários subiram de uma média de U$ 80 dólares por mês, no ano de 2000, para U$ 640 no ano de 2007, quando a economia russa alcançou seu nível de atividade anterior à grande crise. E, neste clima de boom econômico, o novo presidente Dmitri Medvedev convocou recentemente os empresários russos a copiar o modelo chinês e aderir à onda global de aquisição de empresas estrangeiras, para acelerar ainda mais a economia russa e reduzir a sua dependência tecnológica.

Ou seja, quinze anos depois da derrota e do colapso da União Soviética, o Estado russo retomou o comando de sua economia e de sua inserção internacional. E tudo indica, neste início do século XXI, que está recuperando sua importância estratégica como maior Estado territorial do mundo, o único com capacidade de intervenção por terra, através de suas próprias fronteiras, em todo o continente eurasiano. Por isto, é uma rematada bobagem falar da Rússia como uma potência ou uma economia emergente, quando na verdade se trata de uma velha e grande potência que está reocupando sua posição tradicional na Europa, na Ásia Central e no Oriente Médio.

Leia este artigo na íntegra no site Valor Online

* José Luís Fiori é professor titular do Instituto de Economia da UFRJ e autor do livro “O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações” (Editora Bomtempo, 2007).



  Imprimir  Enviar para Amigo  Adicionar ao Rec6 Adicionar ao Ueba Adicionar ao Linkto Adicionar ao Dihitt Adicionar ao del.icio.us Adicionar ao Linkk Adicionar ao Digg Adicionar ao Link Loko  Adicionar ao Google Adicionar aos Bookmarks do Blogblogs 

« VOLTAR

Faça um comentário

XHTML: Você pode usar essas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>