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Blog do Desemprego Zero

A era dos alimentos baratos acabou

Escrito por Imprensa, postado em 26 dEurope/London maio dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) revela que a atual crise alimentar mundial não é apenas uma questão de conjuntura, mas tende a perpetuar os seus frutos (os preços altos), assumindo contornos estruturais, devido ao aumento da demanda mundial de países emergentes como China e Índia e que não deve se reduzir com o tempo. Os elevados preços dos alimentos não tendem a regredir e as economias do mundo deverão se preparar para gastar cifras recordes com importação desses gêneros. Alimentos já não são mais componentes baratos das cestas dos indivíduos e não voltarão a sê-lo.

Tal manutenção dos elevados níveis de preços para os gêneros alimentícios se confirma, a despeito das expectativas de safras recordes para este ano nos principais países produtores e exportadores de alimentos.

Esta nova realidade de alimentos mais caros agravará ainda mais uma antiga realidade, a da fome e da insegurança alimentar mundiais, que acomete atualmente mais de 800 milhões de pessoas no mundo inteiro, número esse que só tende a aumentar diante dessa nova realidade global. Os países mais pobres e vulneráveis verão seus contingentes populacionais ainda mais pauperizados e suscetíveis, enquanto que, por outro lado, alguns países ganharão muito com o aumento das exportações e do valor dessas, que deverão bater recordes e atingir cifras surpreendentes este ano…

* Por Elizabeth Cardoso, editora e coordenadora de conteúdo

Publicado originalmente no Correio Braziliense

Por Luciano Pires, da equipe do Correio

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação avalia que o aumento da produção global não fará os preços caírem. Despesa mundial com comida vai ser US$ 215 bilhões maior este ano

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alertou que o mundo terá de conviver com uma nova realidade daqui para frente, o que aumentará o sofrimento de milhões de pessoas. Estudo divulgado ontem indica que a comida está cara e vai continuar assim apesar das previsões de safra recorde nos principais celeiros globais, entre eles o Brasil e os Estados Unidos. Os especialistas responsáveis pelo levantamento advertem também que os preços dos alimentos não deverão retornar aos níveis encontrados antes da atual crise entre oferta e demanda.

O relatório, que está disponível na página da entidade na internet, mostra que a valorização da maioria dos itens agrícolas básicos começa a ceder, mas de forma tímida. Comparada aos primeiros quatro meses do ano passado, a valorização em 2008 está, ao menos, 50% maior. “Comida não é mais um produto barato como no passado. O aumento no preço dos alimentos deve fazer com que os níveis inaceitáveis de privações sofridos por 854 milhões de pessoas piorem ainda mais”, disse o diretor-geral assistente da FAO, Hafez Ghanem. A organização classifica o cenário como “preocupante”.

A estimativa é que o aquecimento do mercado externo obrigue os países a importar US$ 1 trilhão em alimentos em 2008 pela primeira vez na história. Os países pobres ou com problemas de segurança alimentar deverão amargar os piores efeitos. De acordo com a FAO, as nações que vivem à margem da globalização vão gastar nada menos do que US$ 169 bilhões neste ano para garantir que a comida chegue à mesa de todos, volume 40% superior ao desembolsado no ano passado e quatro vezes além do que foi a importação em 2000.

No Egito, como em tantas outras regiões do mundo, os reflexos da escalada dos preços dos alimentos causam instabilidade social e pânico. O pão, produto essencial na dieta da população daquele país, subiu quase 50%. O fenômeno vem sendo chamado de “crise do pão”. Para conseguir levar uma ou duas unidades para casa, os egípcios precisam enfrentar filas gigantescas e se inscrever em programas oficiais para ter direito a algum tipo de subsídio do governo. A situação é tão grave que até as Forças Armadas foram requisitadas para fiscalizar as padarias como forma de impedir a venda de farinha de trigo no mercado paralelo.

A especulação é algo que preocupa a comunidade internacional. Com o superaquecimento da demanda, os impactos da agroinflação sobre o poder de compra das pessoas são devastadores, podem arrasar populações mais necessitadas e se estender por até 10 anos. A saída, de acordo com a FAO, é convencer os países desenvolvidos a apoiar as economias jovens porque, mesmo sem fôlego para tanto, todas as nações vão continuar importando comida, embora em quantidades menores.

Ponta do lápis

Nas contas da FAO, o planeta gastará US$ 215 bilhões além do que desembolsou com alimentos em 2007. Arroz, trigo e óleos vegetais serão os principais vilões do ano porque nunca estiveram tão valorizados. A estimativa da entidade é que a produção mundial de cereais em 2008 alcance 2,1 bilhões de toneladas – 3,8% acima do registrado em 2007. A safra recorde, porém, não será o bastante para equilibrar os preços e reduzir a pressão de emergentes como China e Índia por itens agrícolas.

As expectativas em relação ao Brasil são boas. Conforme a FAO, o país tem grandes chances de ampliar ou consolidar mercados, aproveitando-se do momento para vender mais sem abandonar o mercado interno. Entre os produtos mais cobiçados, além dos cereais, estão a carne e os pescados. No caso do açúcar e dos lácteos haverá ganhos de produção, informou a organização, mas o comportamento dos preços desses produtos ainda é visto como uma incógnita.




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