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Blog do Desemprego Zero

Archive for maio 30th, 2008

A turma da bufunfa e o déficit externo

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Fonte: Folha de S. Paulo (29/05/2008) 

POSSO ME repetir um pouco, leitor? Não há quem consiga manter uma coluna semanal sem insistir obsessivamente em certos temas. Além disso, como dizia Nelson Rodrigues, tudo o que é dito uma vez, uma única e solitária vez, permanece rigorosamente inédito. 

Gostaria de fazer duas coisas hoje: desancar um pouco mais os bufunfeiros e reclamar do crescente desequilíbrio externo. Os dois temas se ligam de alguma maneira. Não é surpresa: como dizia Anaxágoras, um dos pré-socráticos, “tudo está em tudo”, tudo se relaciona, tudo se comunica. 

Por alguma razão, os bufunfeiros têm uma forte tendência a subestimar os riscos associados ao desequilíbrio externo. Há exceções, algumas notáveis, mas essa é a regra. O déficit público e a inflação são suas “bêtes noires”, mas o déficit do balanço de pagamentos costuma ser visto com certa tolerância. 

Toda vez que a economia acusa uma tendência ao desequilíbrio no balanço de pagamentos em conta corrente, logo aparecem numerosos economistas ligados à bufunfa com argumentos e teorias falsamente tranqüilizadoras. A mais “clássica”, muito usada na primeira fase do Plano Real, é a de que déficits em conta corrente são naturais para um país em desenvolvimento como o Brasil, pois são a contrapartida da “absorção de poupança externa”. 

Essa teoria teve certo apelo, mas está bastante desmoralizada pela aplicação abusiva. Tautologicamente, um déficit em conta corrente corresponde ao aporte de poupança externa. Daí não se infere, contudo, que o aumento do déficit em conta corrente necessariamente amplie a taxa de poupança total e eleve a taxa de investimento. O aumento da poupança externa pode ser acompanhado de diminuição da poupança interna. E poupança não cria investimento. O que prevalece, no curto e no médio prazos, é a relação de causalidade inversa do investimento para a poupança. 

O maior problema associado a déficits elevados em conta corrente é a vulnerabilidade externa. Esse foi o nosso grande pesadelo na década de 90 e no início da década atual. Ainda não recriamos o problema, mas talvez estejamos a caminho de fazê-lo. 

A cada mês que passa, os dados parecem vir piores. No acumulado do ano, a taxa de crescimento do valor das exportações de bens (20%) não chega nem à metade da taxa de crescimento das importações (49%). 

Como resultado, o superávit comercial sofreu um colapso. Outros componentes da conta corrente também registram deterioração acentuada. O déficit com serviços (transporte, viagens, seguros, entre outros) aumentou 47% em janeiro-abril contra o mesmo período do ano passado. O déficit com rendas cresceu 71% na mesma base de comparação, principalmente por causa do aumento explosivo das remessas de lucros e dividendos. 

Não há crise à vista. O déficit em conta corrente vem sendo financiado com grande folga por investimentos estrangeiros diretos. As nossas reservas internacionais nunca foram tão altas. 

Mas o resultado em conta corrente vem piorando com uma rapidez impressionante. Em 2006, tínhamos superávit de US$ 13,6 bilhões. Em 2007, o superávit caiu para US$ 1,5 bilhão. Nos 12 meses encerrados em abril, o déficit alcançou US$ 14,7 bilhões. Portanto, uma virada de nada menos que US$ 16,2 bilhões em apenas quatro meses.

Não vamos nos deixar levar, de novo, pelo canto de sereia da turma da bufunfa!

Postado em Conjuntura, Desenvolvimento, Destaques da Semana, Política Brasileira, Política Econômica | Sem Comentários »

Lula defende mais investimentos do Brasil na África

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (27) uma ação mais intensa das empresas brasileiras na busca de oportunidades de negócios no continente africano. “Pouca gente presta atenção, mas países como Angola estão crescendo a 19% ao ano e se o Brasil não tomar cuidado de fazer as parcerias que precisa fazer na África, pode ficar certo que tem gente fazendo”, disse o presidente, em solenidade realizada nas instalações da GE Transportation South America (Gevisa), em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Vermelho Online

Segundo ele, no vácuo da tímida aproximação dos empresários brasileiros com a África, outros países vêm tomando a dianteira e estreitando as relações com os governos locais, entre os quais os grupos estatais da China. “Os chineses estão lá, investindo em ferrovia, em hidrovia e, sobretudo, na busca de minérios, de tudo que possa ter embaixo da terra”, afirmou o presidente, que insistiu na necessidade de uma incursão mais agressiva das empresas nacionais no mercado africano. “O Brasil não pode ficar parado esperando as coisas acontecerem no continente africano, sem a nossa participação.”

Acompanhado dos ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Alfredo Nascimento (Transportes), Lula participou da entrega da primeira locomotiva de grande porte produzida no país. O equipamento, apropriado para transportar, principalmente, minério de ferro, passou a ser fabricado pela Gevisa, fazendo com que o Brasil deixe de ser importador.

Lula aproveitou o evento para defender mais investimentos no setor ferroviário e enfatizar as realizações que vêm sendo feitas na área de transporte durante o seu governo. “O Brasil vai se tornar um grande exportador nos próximos anos e vai precisar melhorar a sua infra-estrutura (de logística), que é o que estamos buscando, ao fazer as ferrovias chegarem aos portos”, disse. Leia o resto do artigo »

Postado em Internacional, O que deu na Imprensa, Política Econômica | 2 Comentários »