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Blog do Desemprego Zero

Archive for maio 30th, 2008

Pondo a Amazônia em seu devido lugar

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

O Estado brasileiro tem, portanto, essencial e prioritária responsabilidade com a preservação da integridade do território nacional, isto é, em sua extensão e qualidade. Trata-se de cuidar para que os futuros brasileiros se encontrem amparados por uma reserva de recursos no mínimo equivalente àquela de que a geração atual dispõe.

*Por Katia Alves

Wanderley Guilherme dos Santos

Publicado originalmente no Valor 

A Amazônia é matéria de soberania. Em segundo lugar, apresenta desafio à promoção de um desenvolvimento ecologicamente sustentável. Em último caso, trata-se de integrá-la a qualquer custo imediato. Integrar a Amazônia e o Centro-Oeste. Depõe a história que a sustentabilidade é recuperável – até animais extintos são trazidos à vida pela reprodução do DNA. A perda de território nunca foi. Não existem dois mapas geográficos iguais entre si. Quero dizer, mapas históricos ou contemporâneos. Sem dúvida, fauna, flora e epiderme do planeta têm sido profundamente sacrificadas pela intervenção humana, século após século, mas o traçado de fronteiras e o poderio dos países são igualmente mortais. Nenhum império resiste ao tempo (lembrar o império soviético), mas pode durar bastante, vide o império romano.

A propósito, os Estados Unidos não param de expandir-se ao Norte, ao Sul, a Oeste e, pelo estacionamento de tropas, também a Leste, tendo colaborado para modificações geográficas em, pelo menos, três continentes. Nem sempre pelo convencimento ideológico. Na contabilidade de Robert Kagan, estrategista da Carnegie Endowment for International Peace, “entre 1989 e 2001, os Estados Unidos intervieram no exterior, pela força, mais freqüentemente do que em qualquer outro período de sua história – com média de uma nova ação militar significativa a cada 16 meses – e muito mais do que qualquer outro poder no mesmo espaço de tempo”. (“The Return of History and the End of Dreams”, 2008, pág. 50).

Francis Fukuyama, depois de analisar as crises internacionais que ocorreram no mesmo período, em “State-Building – Governance and World Order in the 21st Century” (2004), aconselha aos americanos que exportem, por assim dizer, estruturas estatais de preferência a instituições políticas democráticas. Segundo Kagan, o mundo não deve alimentar dúvidas sobre o provável comportamento dos Estados Unidos no desenrolar do atual conflito entre as democracias e o que ele designa por autocracias. Leia o resto do artigo »

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Peru guarda excrementos de aves à medida que cresce de novo a demanda

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Por Simon Romero

O boom mundial dos preços das commodities chegou a este ponto: até mesmo o guano, o excremento de aves que foi motivo de uma disputa imperialista em alto-mar no século 19, apresenta forte demanda novamente.

O aumento dos preços de fertilizantes sintéticos e alimentos orgânicos estão deslocando a atenção para o guano, um fertilizante orgânico antes encontrado em abundância nesta ilha e mais 20 outras além da costa do Peru, onde um clima excepcionalmente seco preserva o excremento de aves marinhas como o cormorão e o atobá peruano.

Veja fotos na recolha de guano

Nas mesmas ilhas onde milhares de presos, desertores do exército e trabalhadores chineses morreram coletando guano há um século e meio, equipes de trabalhadores de língua quechua das montanhas agora raspam o excremento do solo duro e o colocam em barcaças com destino ao continente.

“Nós estamos recuperando parte do último guano que resta no Peru”, disse Victor Ropon, 66 anos, um supervisor da província de Ancash cuja pele curtida reflete os anos que passou trabalhando nas ilhas de guano, desde que tinha 17 anos.

“Deve restar uns 10 anos de oferta, talvez 20, e então estará completamente esgotado”, disse Ropon, se referindo aos temores de que a população de aves marinhas deverá decrescer acentuadamente nos próximos anos. É um pequeno milagre que algum guano ainda esteja disponível aqui hoje, refletindo um esforço de mais de um século saudado por biólogos como um raro exemplo de exploração sustentável de um recurso antes tão cobiçado, a ponto dos Estados Unidos terem autorizado seus cidadãos a se apossarem de ilhas ou ilhas de corais onde o guano era encontrado. Leia o resto do artigo »

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Crise alimentar e os recursos naturais

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Ao escrever o artigo para a Folha, Paul Singer destaca os vilões da crise de alimentos e afirma que se os recursos que permitem o aumento da produção estão em falta, passa da hora de cuidarmos do planeta e investir maciçamente no atendimento da demanda para barrar a especulação que eleva os preços.

E para concluir, Singer, observa que a crise alimentar não pode deixar de limitar, em alguma medida, a produção de agrocombustíveis.

*Por Katia Alves

Publicado originalmente no Blog do Zé Dirceu

Economista, professor de Economia e Administração da USP e secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, Paul Singer assina o artigo “O futuro chegou: crise alimentar e energética” publicado hoje na Folha. Ele aponta direto para os vilões da crise de alimentos: a pobreza está diminuindo em grandes nações como Índia, China e Brasil, mas a produção não acompanha a demanda porque os recursos naturais e energéticos necessários também têm preços alarmantes ou enfrentam escassez, criando um círculo vicioso que põe vidas em risco.

Singer evoca Celso Furtado e o livro “Mito do Desenvolvimento Econômico”, no qual este afirma que os países do terceiro mundo não alcançariam os padrões de vida do primeiro mundo por conta da falta de recursos naturais. “O que parecia na época um exagerado temor malthusiano tornou-se consensual, sobretudo desde que se comprovou que o clima da Terra está aquecendo, com conseqüências danosas para os recursos naturais do planeta”, comenta o professor Singer.

Se os recursos que permitem o aumento da produção estão em falta, passa da hora de cuidarmos do planeta e investir maciçamente no atendimento da demanda para barrar a especulação que eleva os preços. A questão ambiental pode ser complexa, mas medidas simples podem gerar grande impacto. Há tempos defendo a criação de uma certificação para os que produzem de forma correta, ordenada, respeitando a natureza e a legislação trabalhista. O próprio articulista fala em mudanças de comportamento para acomodar o consumo à disponibilidade de recursos e “mais investimentos no aumento da produção agrícola sustentável do ponto de vista social e ambiental”. Leia o resto do artigo »

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Resistir às pressões inflacionárias

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Segundo Delfim Netto, o Banco Central precisa ter uma noção muito clara se estamos diante de um processo de inflação ou se estamos diante apenas de uma alteração de preços relativos. A inflação exige uma causa permanente, um crescimento de demanda continuado, o que não é o caso.

*Katia Alves, editora

Publicado originalmente no DCI

Por Antônio Delfim Netto

O Brasil, como qualquer outra economia, recebe pressões inflacionárias. Nesse momento, se quisermos comparar com outros parceiros de porte parecido como a Rússia, a Índia e a China, estamos numa situação um pouco melhor, pois temos uma política fiscal razoável e uma política monetária que acompanha rigorosamente a meta de inflação. A pressão existe no mundo inteiro e se acentuou nos últimos meses, mas ninguém, até agora, que eu saiba, abandonou o sistema de metas de inflação.

No nosso caso, a meta de 4,5% tem margens de 2% acima e 2% abaixo, de forma que ela pode flutuar entre 2,5% e 6,5%. O objetivo do Banco Central deve ser fazer convergir a meta para os 4,5% num prazo de 18 ou 24 meses. O importante é que a meta não escape do intervalo previsto.

O que está ameaçando esse objetivo é a espécie de cabo-de-guerra que se estabeleceu entre Fazenda e Banco Central, cada um querendo mostrar que tem mais poder que o outro – e essa excitação favorece as expectativas de inflação e ajuda a criar o clima favorável à elevação dos juros.

Por conta disso, o ambiente de negócios começa a ficar intranqüilo, investimentos são postergados, há uma redução de demanda de alguns produtos e sente-se que algumas empresas passam a usar os seus estoques e deixam de aumentar a produção. Leia o resto do artigo »

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Brasil avança na capacidade de inovar

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

A meta do governo, com a participação do Ministério da Ciência e Tecnologia, é aumentar os gastos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor privado para 0,65% até 2010, com financiamento, incentivos e recursos para capital de risco.

Segundo o presidente da Finep, Luis Manuel Rebelo Fernandes, só recentemente o País recuperou a capacidade de investimento em C&T que dispunha nos anos 1970. Marcio Pochmann, do Ipea, afirmou que o subdesenvolvimento brasileiro não é uma etapa facilmente superada. “O tema da inovação nesse contexto é fundamental, mas não se isola de outras questões”.

*Por Katia Alves, editora

Publicado originalmente na Gazeta Mercantil

Por Ana Cecilia Americano

O Brasil nunca esteve tão bem aparelhado para inovar. Há recursos disponíveis – só o Fundo Nacional de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (FNDCT) dispõe de R$ 2 bilhões este ano e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) de outros R$ 2,5 bilhões, para citar dois exemplos. Dispõe de 80 mil pesquisadores em todo o País. Tem assinado 1,9% dos artigos científicos publicados internacionalmente, um índice que corresponde à participação do PIB brasileiro no total do PIB mundial, o que significa que o País tem produção científica compatível ao tamanho de sua economia no mundo. Mas, por outro lado, apenas 0,51% dos investimentos do setor privado são destinados ao esforço de introduzir novas tecnologias, produtos, metodologias e arranjos logísticos na cadeia produtiva. E, para piorar, a produção de patentes brasileira é marginal: meros 0,2% do total mundial. 

Com esse quadro como pano de fundo apresentado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, o XX Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), iniciou o seu 5º painel. Entre os convidados estavam, ainda, o presidente da Finep, Luis Manuel Rebelo Fernandes; o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann; o diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Carlos Alberto dos Santos, além de outros palestrantes de entidades empresariais.  “Segundo dados do Ipea, as 1,7% das empresas que realmente inovam nesse País detêm 26% do faturamento total”, disse o ministro Sergio Rezende à abertura do evento. A meta do governo, com a participação do Ministério da Ciência e Tecnologia, é aumentar os gastos em pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor privado para 0,65% até 2010, com financiamento, incentivos e recursos para capital de risco. “Queremos tornar as empresas brasileiras competitivas”, comprometeu-se Rezende. O caminho, apontou ele, passa por apoiar a pesquisa e desenvolvimento entre as médias e grandes empresas, aumentar o acesso ao crédito para a inovação entre as micro e pequenas e apoiar as empresas inovadoras em tecnologia de forma a que sobrevivam, ganhem mercado e escala.

“Vamos usar o poder de compra do estado para apoiar empresas intensivas em tecnologia com encomendas”, prometeu o ministro, que também informou estar estruturando o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) no intuito de formar uma rede com institutos de pesquisa federais, estaduais e privados focada no apoio ao desenvolvimento das empresas. Rezende tem como meta que o investimento em ciência, tecnologia e inovação atinja 5% do PIB brasileiro já em 2010. Leia o resto do artigo »

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RESUMO DO DIA – 30/05/2008

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

MANCHETES dos principais veículos de notícias do Brasil e do mundo

*Por Elizabeth Cardoso, Kátia Alves e Luciana Sergeiro

Política

Aécio Neves declarou que deve haver “união” entre o partido do PT com o PSDB. O governador mineiro afirmou que partido que perde deve apoiar o partido vencedor, pois assim poderia se evitar que assuntos importantes fossem deixados de lado…

Gazeta Mercantil: Aécio pede o fim da dicotomia PSDB/PT

O deputado Sandro Mabel (PR-GO) pretende “blindar” o Fundo de Equalização de Receitas (FER), e desta forma, evitar que os recursos sejam desviados de sua função, assim como acontece hoje com a Lei Kandir. O deputado está disposto a alterar o texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)…

Último Segundo: Relator apela a governadores para aprovar reforma tributária

Economia

Após confirmação de mais uma agência internacional, a Fitch, ter elevado o rating brasileiro, que é uma nota de risco de crédito, significando que o país está classificado como um bom pagador, a exemplo do que fez também a Standard & Poor’s no mês de abril, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) divulgou um estudo no qual afirma que o crescimento econômico do Brasil está mais vinculado às condições internas da economia de estímulo aos investimentos do que à elevação dessa nota. O estudo realiza uma análise comparativa a partir de correlações entre o nível de Investimento Estrangeiro Direto (IED) e determinadas variáveis macroeconômicas, como PIB, inflação e outras, no período de 1990 a 2008. O estudo demonstra que o IED reage ao crescimento econômico, esse que é fortemente dependente do investimento interno. Assim, a relação é de o crescimento do PIB determina a elevação do IED e não o contrário, como se supõe algumas vezes. Ademais, o estudo também mostra a relação do IED com as outras variáveis macroeconômicas em questão, ressaltando os resultados finais desses movimentos na economia. Há ainda estimativas para o nível de IED em 2008, que não deverá ultrapassar a cifra de US$ 50 bilhões…

JB Online: Crescimento depende mais de condições internas

Presidente Lula afirmou ontem que o Fundo Soberano do Brasil (FSB) será de fato criado. Segundo Lula, o FSB será importante porque, ao gerar rentabilidade para as reservas, poderia ter seus recursos empregados em custos importantes para o país, podendo mesmo servir como superávit primário. O presidente também ressaltou que a criação do FSB sinaliza que o governo não pretende brincar com a política fiscal do país, pois não deseja retrocessos econômicos que ensejem qualquer possibilidade de retomada de um processo inflacionário…

Último Segundo: Decisão de criar fundo soberano já está tomada, diz Lula

Internacional

O aumento do preço do barril de petróleo tem tornado insustentável a situação de alguns setores na economia mundial. No continente europeu, diversos protestos e greves recentes demonstram a insatisfação dos trabalhadores, diante de tal conjuntura que tem encarecido os custos de atividades dependentes de combustíveis. Esta sexta-feira foi marcada por mais protestos, esses em Portugal, e durante a semana diversas manifestações também ocorreram em outros países, como Espanha, Itália, França, Bélgica, Grã-Bretanha e Holanda.  Diversos setores têm se rebelado, mas principalmente o pesqueiro, cujos preços no mercado de atacado estão estáveis há mais de 20 anos, com uma alta defasagem. A Comissão Européia chegou a prometer ajuda pecuniária para reestruturar o setor de pesca, apesar da ilegalidade de subsídios para combustíveis. E a pressão sobre o preço do petróleo permanece, com o barril já ultrapassando os US$130,00 nos mercados internacionais…

BBC Brasil: Protestos contra alta de combustível se espalham pela Europa

Desenvolvimento

A Petrobrás descobriu na Bacia de Santos um tipo de óleo leve e com elevado potencial de produção e as altas vazões esperadas para o tipo de reservatório tem potencial para mais de 12 mil barris por dia…

O Estadão: Petrobrás descobre óleo leve em águas rasas

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A SEMANA A LIMPO

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

Léo Nunes – Paris

 

 

Brasil

 

Coisas da política tupiniquim: o PT de Minas Gerais ainda insiste numa aliança com o PSDB do mesmo estado para as eleições municipais deste ano. O atual prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, pressiona a Executiva Nacional do PT para viabilizar a parceria com o partido do governador Aécio Neves. Como na maior parte das vezes, os interesses imediatos da política se sobrepõem a qualquer divergência programática. Se é que elas existem, na substância, entre PT e PSDB.

 

Economia

 

O governo comemora a concessão de “grau de investimento” feita pela agência de classificação Fitch. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que tal fato reforça a necessidade de criação de um fundo soberano. Entretanto, vale lembrar que o país tem uma quantidade razoável de reservas internacionais, mas cada vez mais associada à conta financeira, dado que a conta corrente já registra déficit. O capital vinculado à conta financeira pode desaparecer com muito mais facilidade num contexto de crise internacional. Portanto, é preciso ter cuidado.

 

Internacional

 

A senadora Hillary Clinton ainda não jogou a toalha na corrida pela Casa Branca. Nesta semana, ela enviou uma carta aos 797 superdelegados do Partido Democrata, solicitando o voto dos mesmos. Apesar de estar atrás na disputa das primárias, Hillary acredita ser a candidata mais bem preparada para enfrentar o senador republicano John MacCain. Já o senador Barack Obama dá a fatura por liquidada. Seu comitê já articula a campanha para as eleições de novembro.

 

Leonardo Nunes: Mestre em Economia pela Unicamp e doutorando em Economia pela Universidade Paris-1 Pantheon-Sorbonne. Correspondente do Dezemprego Zero na capital francesa, escreve neste espaço às segundas, quartas e sextas-feiras.  Meus Artigos

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A construção política das instituições de mercado

Postado em 30 dEurope/London maio dEurope/London 2008

O mecanismo de preços do mercado já não exerce mais de maneira exclusivista o papel de delinear a alocação de recursos na sociedade. Esse papel começa a ser partilhado com outros mecanismos que atentam para algo mais que apenas os aspectos econômicos dos recursos, mas que observam, na verdade, os efeitos da transformação e do emprego desses recursos na vida social e no meio ambiente. Tais mecanismos prestam-se a evidenciar ao ambiente social a própria necessidade e importância de um determinado mercado.  Esses mecanismos tratam-se dos processos de certificação socioambiental das atividades produtivas privada e pública, que têm ganhado vulto nos últimos anos, principalmente no cenário internacional.

Entidades sociais diversas, como ONGs e movimentos sociais, têm uma forte participação na instituição desses processos, impulsionados muitas vezes pela pressão que essas entidades exerceram e exercem em prol da transparência da atividade produtiva e dos efeitos socioambientais que ela pode gerar. A sociedade não admite mais a ignorância quanto aos processos que a atinge.

Os processos de certificação têm submetido empresas e mesmo setores inteiros da economia a uma avaliação socioambiental cada vez mais austera. Mais do que uma mera preocupação com a imagem de empresas ou setores, a certificação pretende apontar ao conjunto da sociedade os objetivos, compromissos, custos e também os benefícios de um determinado mercado, evidenciando a importância de sua existência ou mesmo sua irrelevância. Objetiva-se nesses processos a exposição pública e clara de indicadores capazes de mostrar as conseqüências da produção e do uso dos produtos no ambiente social e natural.

A sociedade passa a dar maior atenção à forma como a atividade produtiva pode atingi-la e apenas os argumentos econômicos não bastam mais para que determinada atividade seja aceita socialmente.

Isto é o que vem acontecendo com os biocombustíveis. Apesar de todo o argumento econômico a favor desses produtos, eles ainda carecem de um processo adequado de rastreamento das atividades que envolvem a sua produção. As críticas a esses produtos têm resistido a diversos argumentos em seu favor e para superá-las é preciso mais do que o apelo econômico…

* Por Elizabeth Cardoso

Publicado originalmente no Valor Online (restrito a assinantes)

Por Ricardo Abramovay*

Como explicar a tão forte oposição internacional ao etanol brasileiro? Dizer que é uma conspiração dos interesses petrolíferos, não parece consistente, uma vez que as próprias empresas deste setor investem, de forma crescente, em inúmeras modalidades de energias alternativas, inclusive em biocombustíveis. Colocar sob suspeita os países ricos, que não se conformariam com a emergência do gigante adormecido, não bate com o fato de que 15% da produção brasileira de etanol já se encontram sob domínio de grupos estrangeiros. Fundos de investimento e grandes empresas que dominam a industrialização e a comercialização de cereais no Meio-Oeste dos EUA – e, portanto, a produção de etanol daquele país – respondem por aportes de recursos que, nos últimos dois anos, superam os US$ 17 bilhões. O esforço do governo e do setor empresarial para demonstrar o balanço energético positivo do etanol brasileiro, o argumento de que ele não ameaça a floresta amazônica e as informações mostrando seus impactos relativamente reduzidos sobre o abastecimento alimentar, nada disso parece suficiente para calar os críticos.

Esta dificuldade não é específica ao etanol, nem ao Brasil, mas exprime um dos traços mais interessantes e promissores da formação dos mercados no mundo contemporâneo: o mecanismo dos preços vai perdendo seu tradicional monopólio como dispositivo informacional a respeito da alocação dos recursos sociais. Aos preços juntam-se outras formas de organização dos processos concorrenciais que passam pela capacidade de expor de maneira pública e sintética indicadores sobre os efeitos da produção e do uso dos produtos na vida social e no patrimônio natural em que ela se assenta. Não se trata apenas de reconhecer as “externalidades” da economia e enfrentá-las por meio de leis e da intervenção do Estado. Muito mais que isso, trata-se de localizar e medir como cada empresa e cada setor econômico usam recursos cujo caráter privado submete-se a uma avaliação socioambiental cada vez mais exigente.

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