O Banco Central ao tentar explicar o motivo, pelo qual teve que se aumentar os juros, alegou existir um desequilíbrio entre a oferta e a procura e devido a isso, foi necessário aumentar os juros para diminuir o consumo. Mas Meirelles se enganou em “acreditar” que isso existia, porque foi comprovado que a capacidade produtiva das empresas está aumentando. E essa atitude acaba freando, travando política de crescimento, emprego e recuperação de renda da população.
Por Katia Alves
Por Carlos Lopes
Publicado originalmente na Hora do Povo
Em ata do Copom e no Boletim Focus, BC faz campanha aberta pelo aumento dos juros para impedir o desempenho da economia
O Banco Central divulgou a ata da reunião de seu Comitê de Política Monetária (Copom). Incrivelmente (ou previsivelmente, o que, nesse caso, é a mesma coisa) o aumento de juros do dia 16 foi atribuído à “persistência de descompasso importante” entre a oferta e a procura. Ou seja, o consumo do povo (a procura) estaria crescendo mais do que a capacidade da indústria e da agricultura (a oferta) em satisfazê-lo. Por isso, seria necessário diminuir o consumo – e daí o aumento de juros.
MAIS INVESTIMENTOS
O presidente Lula, com razão, afirmou que não é freando o consumo que se resolve um possível problema desse tipo, mas aumentando a oferta de produtos, investindo mais para aumentar a capacidade de produção da economia. Realmente, só cabeças deformadas, pervertidas pela rotineira agiotagem, podem achar que o lógico e normal é fazer o contrário.
No entanto, o mais aberrante é que esse “descompasso importante” (e, mais ainda, sua suposta “persistência”) não existe. Meirelles & cia. ignoraram, deliberadamente – a rigor, dolosamente – todos os dados de que o investimento no aumento da capacidade produtiva das empresas está crescendo mais aceleradamente do que o consumo; de que essa capacidade produtiva expandiu-se nos últimos anos; e, sobretudo, de que, devido a essa expansão da capacidade produtiva (capacidade instalada), a parcela dela ainda não utilizada pelas indústrias para a produção (capacidade ociosa) aumentou nos últimos meses. Segundo a CNI, a capacidade ociosa cresceu 5 pontos percentuais nos três primeiros meses deste ano em relação aos três últimos meses do ano passado. Ou seja, o limite da capacidade da indústria para “ofertar” bens aos consumidores não somente está longe de ser alcançado, como está mais longe de ser alcançado do que estava no ano passado, apesar da produção haver aumentado. Leia o resto do artigo »