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Blog do Desemprego Zero

Uma vez Veja, sempre Veja ou a Veja fala o que o Busch manda

Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

 Por Vito Giannotti*

 A capa da Veja de 12 de março só podia ser assim. Está na lógica da
revista definida por José Arbex como “a maior revista estadunidense do
mundo, escrita em português”. Está na dela. Está no script. É só
compará-la com a capa de Carta Capital. Mas o mais interessante está numa
prática que é tradicional nesta revista. Primeiro afirma uma coisa dizendo
que já aconteceu ou poderia ter acontecido. Ou seja, não há provas. Não é
certeza que tal fato já tenha acontecido.

Logo em seguida, apostando que
todos os leitores tenham esquecido que dez linhas acima aquela tal
afirmação era incerta, estava-se em dúvida, passa a afirmar, com todas as
letras que tal fato aconteceu sim. E ponto final. Agora passa a será
verdade. A verdade da Veja. É só olhar na página 43 do artigo referente à
capa, com a manchete: “Por que Chávez quer a guerra”. Antes de tudo, quem
disse que Chávez quer a guerra? Sabe quem? Bush e sua revista editada no
Brasil. Mas vamos deixar pra lá esta manchete. Vamos ao texto. Na segunda
coluna desta página está escrito: “Nos arquivos digitais estava a
correspondência interna da organização. Nela se pode ler que Chávez
entregou, ou iria entregar 300 milhões de dólares ao terror…”. Está
claro: entregou, ou iria entregar. Nada de definido.

Na página seguinte, num Box “O que diz o laptop de Reyes” a coisa muda de
figura. À distância de uma lauda a certeza já chegou à revista. Agora as
dúvidas acabaram. Vejamos: “Os terroristas receberam 300 milhões de
dólares e a oportunidade de criar…”. E então receberam, ou receberiam?
Chavez entregou ou iria entregar estes 300 mil dólares? Para Veja esta
dúvida é insignificante. Bobagem pura. Está tudo claro. Entregou, sim.
Recebeu sim. E a possível dúvida do leitor como é que fica? Pergunte para
Bush.

* Vito Giannotti: Escritor e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade que realiza cursos para dirigentes sindicais e jornalistas sobre comunicação sindical e popular.



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