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Um projeto de lei contra a produção nacional
Posted By Imprensa On 17 abril, 2008 @ 7:44 pm In O que deu na Imprensa,Política Econômica | No Comments
“O alegado “espírito” desta lei é o de legalizar as atividades dos chamados “sacoleiros”, privilegiando as compras feitas no Paraguai, formalizando as atividades desse comércio, que poderão comprar no Paraguai, com impostos reduzidos e revendê-los no Brasil, em clara concorrência aos produtos aqui fabricados.”
Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Gazeta Mercantil [1]
Por Edson Luiz Vismona
Iniciativa facilita a invasão de produtos chineses trazidos por sacoleiros
O governo brasileiro está criando uma nefasta abertura para a importação de produtos acabados, industrializados na China e Taiwan, que utilizarão o Paraguai como corredor de passagem para atingir o mercado nacional. O primeiro passo neste monumental equívoco foi dado com a provação no dia 13 de março, pela Câmara Federal, do projeto de lei n 2.105, enviado pelo Poder Executivo, definindo um Regime de Tributação Unificada para importação de produtos acabados do Paraguai, ainda que originários de terceiros países, por micro e pequenas empresas que adotarem o Simples Nacional, com a alíquota unificada de 42,25% (englobando Imposto de Importação; IPI; Cofins e PIS/Pasep).
O alegado “espírito” desta lei é o de legalizar as atividades dos chamados “sacoleiros”, privilegiando as compras feitas no Paraguai, formalizando as atividades desse comércio, que poderão comprar no Paraguai, com impostos reduzidos e revendê-los no Brasil, em clara concorrência aos produtos aqui fabricados.
Os que defendem esse projeto de lei afirmam que, com essa medida será legalizado o comércio individual e combatida a marginalidade, o que seria meritório. Porém, avaliando mais a fundo, se constata que essa intenção benéfica não resiste à realidade.
Se não vejamos: esta iniciativa do Poder Executivo foi gerada a partir de pedido do Paraguai, depois que a fiscalização pela Receita Federal na ponte da Amizade se intensificou. Os empresários de Ciudad del Este pressionaram seu governo para obter do Brasil uma flexibilização no comércio fronteiriço. O governo brasileiro cedeu e apresentou a proposta com a edição de uma MP, que foi retirada no final do ano passado e reapresentada na forma de projeto de lei.
Não por acaso a aprovação na Câmara do denominado projeto dos sacoleiros foi recebida com festa no país vizinho, conforme mostra reportagem do Jornal do Iguaçu de 14/03. “Este problema não irá resolver completamente o problema dos empresários, mas irá nos garantir um alívio muito grande, pois estamos sofrendo com o aumento da fiscalização da Receita Federal há três anos e perdemos, neste período, 50% do movimento”, disse um representante da Câmara de Comércio de Tecnologia e Informação de Ciudad del Este.
Não é à toa toda essa comemoração. A Receita Federal, como afirmou os representantes dos seus fiscais e auditores, terá muita dificuldade para fiscalizar o cumprimento dessa lei, o que irá prejudicar não só os setores diretamente afetados, como também aqueles que não estão incluídos nessa liberalidade.
Ao conceder esse privilégio ao comércio da fronteira, o governo brasileiro não atentou para as dificuldades que esta medida irá criar para inúmeras empresas que produzem, investem e empregam em todo o Brasil. Sim, pois com este incentivo fiscal, para cada microempresário que se cadastrar nesse Regime Unificado haverá uma cota anual a ser estipulada pelo Poder Executivo (fala-se em R$ 150 mil). Multiplicando-se estes cadastrados (mil, dois mil, dez mil microempresas) pela cota que será fixada, pode-se chegar a uma estimativa do estrago que será feito à indústria nacional (R$ 1,5 bilhão!), que aqui investiu e emprega milhares de trabalhadores.
Assim, na contramão do incentivo à competitividade, com a desculpa de se estimular o comércio formal, o governo brasileiro está praticamente abrindo as fronteiras ao permitir essa importação de produtos acabados em outros países, via Paraguai, com incentivos fiscais e sem encargos sociais. Diante deste cenário, fica a pergunta: Como vamos manter nosso parque industrial se a importação será mais vantajosa?
O governo parece não ter qualquer preocupação com os reflexos que essa medida provocará no processo produtivo e nos investimentos. A verdade é que, nunca na história brasileira, se incentivou a importação de produtos acabados à custa do erário e da indústria instalada no Brasil, que, mais uma vez, fica com o ônus por acreditar em nosso país. Enfim, um verdadeiro tiro no pé na indústria nacional.
A esperança agora está no Senado, que deverá nos próximos dias examinar essa matéria. O fato é que estamos brincando com o nosso mercado e com nossos interesses comerciais e industriais, o que é inaceitável. Está mais do que na hora de defendermos o mercado nacional de jogadas espertas, que abrigam intenções não declaradas. Roga-se que os setores industriais se manifestem!
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[3] ? A questão dos impostos e juros: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/a-questao-dos-impostos-e-juros/
[4] ? Manifesto Grupo Crítica Econômica: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/manifesto-grupo-critica-economica/
[5] ? O que é política de pleno emprego?: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/07/o-que-e-politica-de-pleno-emprego/
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