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Blog do Desemprego Zero

Sobre neoliberais, psiquiatras e Estado

Escrito por Imprensa, postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Por Ricardo Amorim

VALOR – 04/04/2008

Os problemas do Brasil? Ora, os problemas do Brasil já foram diagnosticados. As soluções estão aí: reformas modernizadoras que ponham o mercado no centro de tudo. Mas se é assim, então todos precisamos de psiquiatras. Há quase dois séculos, mas principalmente depois de 1930, todos os brasileiros afirmam querer o progresso e o crescimento econômico. São gerações de insanos que não perceberam ainda que as reformas necessárias para isso são simples, exatas e mundialmente conhecidas. Ou seja, somos uma nação de loucos que briga, ano após ano, contra a própria felicidade.

É isso que parecem afirmar muitos pesquisadores ligados ou próximos ao pensamento neoliberal quando insistem em apontar que os problemas estão na insegurança microeconômica, no tamanho descabido do Estado e na regulação excessiva da atividade econômica. Suas abordagens os fazem ignorar a história sobre e com a qual se construiu o país até o presente. Em outras palavras, desprezam que as instituições não são mero acidente ou fruto de mentes despreparadas, mas sim resultado de séculos de convívio e lutas sociais em que os vencedores, e isso é importante, foram moldando a face do país, limitados pela força social das oposições.

No Brasil, esses autores sofrem e se martirizam com a aparência dual da nossa sociedade. Não compreendem o descompasso de fibras óticas e supercomputadores conviverem lado a lado com escolas sem energia elétrica. Nas suas “idéias fora do lugar” não cabe um país como o Brasil, pois eles têm fé cega no dogma da generalidade geográfica e atemporal das suas explicações e modelos matemáticos. Crêem piamente no consumidor universal e na empresa tosca, traduzida em uma fórmula que poderia muito bem caber aos especialistas em processos de engenharia da produção.

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As até hoje fracassadas experiências neoliberais pesaram sempre mais sobre a cabeça de quem mereceria maior proteção

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Mas o pior é que desprezam propositadamente que qualquer desenvolvimento se faz através de mudanças nas estruturas do país e redefine as formas das relações sociais e de produção estabelecidas. Isto é, quando uma economia cresce e se desenvolve, a coisa mais comum é que novos grupos sociais ascendam em poder e renda e a antiga elite perca espaço. Naturalmente, novos costumes, valores e comportamentos serão valorizados em detrimento daquilo que foi e agora é tido como antiquado e irracional. Logo, o que é comum e natural hoje será considerado absurdo amanhã e a sociedade vai, lenta ou rapidamente, se modificando com isso. E a preocupação aqui não passou ainda para o campo dos povos, seus costumes, forças sociais diferenciadas e Estados complexamente organizados.

Como, então, acreditar em que as mais diferentes sociedades, inclusive a nossa, possam se mover a partir de um homem universal com um só papel: o de consumidor? E mais, de uma empresa simples, nunca grande demais e também universal em sua forma de agir? Em resumo: o que lhes dá a falsa segurança nas suas afirmações é a primeira coisa a ruir quando uma sociedade se desenvolve: as mudanças implicam em reposicionamento e transformação dos grupos sociais e, portanto, não se trata apenas de alterar estímulos e preços, mas sim a própria essência dos interesses que movem os agentes. Ignora-se o básico: os caminhos seguidos pelos países correspondem às forças sociais que vencem os embates internos e, assim, criam e recriam a face da nação. Por isso mesmo, seus modelos, “que na sua fé não permitem espaço à dúvida”, trazem soluções que, quando aplicadas, encontram ambientes adversos e necessariamente conduzem a resultados contrários ao esperado. O mais grave, contudo, é que as até hoje fracassadas experiências neoliberais pesaram sempre mais sobre a cabeça de quem mereceria maior proteção. Apesar dessas tantas, é divertido perceber que, se os modelos não funcionam (e a história diz que foi sempre), a culpa, segundo os neoliberais, é do país, da sociedade atrasada e do governo renitente, incapaz de implementar as reformas “estruturais” necessárias. Enfim, a culpa é da realidade.

O que esses autores esquecem tem a dimensão de uma gravíssima comédia de erros. Eles não observam (não se sabe se de propósito ou por desconhecimento) que, por exemplo, nunca houve desenvolvimento econômico acelerado sem forte e direcionada política econômica por parte do Estado. Qualquer país desenvolvido (da precursora Inglaterra até os recentemente industrializados, como a Coréia), nenhum deles, em seus momentos de acelerado crescimento, abriu mão de políticas indutoras por parte de seus respectivos Estados.

E esse é o grande problema. Ao observar superficialmente o Brasil a partir de uma fórmula mágica importada, não compreendem que a atual ordem social privilegia alguns, exatamente aqueles que, ao longo da história, tornaram-se os vencedores das lutas sociais. Esse grupo de economistas esquece, deste modo, que a sociedade de hoje foi construída para que atendesse aos interesses de algum grupo social vencedor e, portanto, é a imagem e semelhança dessa elite. Em suma, não é verdade que todos querem construir um país diferente: quem está “por cima” tem força e não permite alterações. Logo, se a ordem social parece resistir à razão e à lógica é porque alguém, algum grupo, recusa o desenvolvimento. Ou seja, se as instituições brasileiras têm um formato criticável é porque elas suprem algum interesse e este é forte o suficiente para resistir a pressões por mudança.

Sem compreendermos isso, não haverá nunca uma teoria capaz de explicar o país. Por tudo isso, é a partir do entendimento dessa sociedade particular, o Brasil, que devem surgir as idéias e depois as políticas econômicas. Acreditar em idéias e doutrinas a priori é uma parte da explicação da nossa fraqueza enquanto nação. E o mais grave é que fracassar aqui pode significar a continuidade do que vivemos desde a independência: um país de grande potencial submerso no subdesenvolvimento e na problemática da dependência.

Ricardo Luiz Chagas Amorim é economista do Ipea, professor licenciado da Universidade Mackenzie, pesquisador ligado ao IE-UNICAMP e membro da Sociedade Brasileira de Economia Política. É autor, com outros pesquisadores, da série “Atlas da Exclusão Social” (Editora Cortez).



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