- Blog do Desemprego Zero - http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero -

** POLÊMICA ** Entrevista no Jornal O GLOBO afirma: DESEMPREGO ZERO NÃO É desenvolvimento

Posted By Imprensa On 11 abril, 2008 @ 6:00 pm In Desenvolvimento,Desenvolvimento Regional,Pleno Emprego,Política Econômica | 9 Comments

Leitores o que vocês acham da entrevista deste economista ao O GLOBO?

Fabiana Ribeiro – 05/04/2008 20:09:27 em O Globo [1]

O economista Flávio Comim, consultor do Pnud, sustenta que desemprego zero não traz necessariamente alto índice de desenvolvimento humano.

RIO. O economista Flávio Comim, consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), sustenta que desemprego zero não traz ne cessariamente alto índice de desenvolvimento humano. Se gundo ele, emprego de baixa qualidade deveria ser encara do como uma estratégia de curto prazo: “Essas cidades são o primeiro passo. Resol vem a questão num primeiro momento, sem ter um caráter assistencialista”.

Desemprego zero traz desenvolvimento humano?

FLÁVIO COMIM: A questão es tá na qualidade desse crescimento econômico. Que tipo de emprego é criado? Em que setor? Como esse crescimento está beneficiando a vida das pessoas? É preciso olhar ainda para a composição de saúde e educação desses municípios. Então, não haverá dúvidas em afirmar que baixa taxa de desemprego não se traduz necessariamente alto índice de desenvolvimento humano.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, vale mais qualidade do que quantidade de vagas abertas?

COMIM: O emprego é importante qualitativamente e não quantitativamente. O trabalho deve gerar renda, sim, mas ainda acesso à saúde e à educação e meios para se progredir como ser humano.

Mas o país ainda esbarra na falta de formação, fazendo com que os empregos sejam de baixa qualidade…

COMIM: Não surpreende que o país tenha emprego de baixa qualidade. Somos um país extremamente desigual, inclusive na educação. Há os que nem sabem ler. E há os que vivenciam a internacionalização do ensino. O reflexo disso está no mercado de trabalho. De um lado, o em prego informal, desemprego disfarçado. Do outro, os melhores executivos do mundo, com os salários mais altos.

Municípios sem desemprego não estariam com menos um problema, o déficit de vagas no mercado de trabalho?

COMIM: Defendo emprego de baixa qualidade como estratégia de curto prazo. Essas cidades deram esse primeiro passo. Resolvem a questão num primeiro momento, sem caráter assistencialista. Porém, as indústrias que oferecem emprego de baixa qualificação precisam de um horizonte de capacitação. Planejar em educação é investimento a longo prazo, que passa pelas empresas, pelo indivíduo e pelas políticas públicas. Sem isso não há futuro.

Mas Saltinho, no interior paulista, tem um IDH acima da média brasileira…

COMIM: Saltinho é a exceção. O município baseia sua economia na metalurgia, com valor agre gado maior. O resultado é um investimento social maior.

Então, a equação a que chegaram municípios como Saltinho nem sempre é positiva?

COMIM: O grande problema da criação de empregos é pensar no pleno emprego (quando todos aqueles que querem trabalhar estão empregados). Se ria o pleno emprego realmente desejável? É inevitável ter desemprego, e não é necessariamente ruim. Algo pior do que isso é ter um mau em prego, que não dá oportunidades para se evoluir.

O senhor acha possível replicar essa taxa de desemprego zero em outros municípios brasileiros?

COMIM: É possível, sim, mas não a curto prazo. O Brasil tem um enorme entrave da questão distributiva. E ainda é preciso pensar no tipo de emprego que se quer gerar. É o caso, por exemplo, de dar menos incentivo a empresas de alta tecnologia e mais estímulo a empresas que em pregam um maior número de pessoas.

Nós do Desemprego Zero pensamos um pouco diferente. Emprego é um grande passo para a melhoria da vida das pessoas. Acreditamos que todos que querem trabalhar deveriam ter esse direito.

Claro que o Dezemprego Zero não resolve todas as coisas, pois além de emprego para todos é necessário bons salários e serviços públicos de qualidade. Mas é um grande e necessário passo para se chegar no país que sonhamos ser.

Para saber mais sobre o Desemprego Zero e a campanha para a adoção de políticas de Pleno Emprego no Brasil, leiam os textos abaixo:

Nosso Manifesto (clique) [2]

O que é política de Pleno Emprego? (clique) [3]

Pleno Emprego em linguagem acessível (clique)l [4]

Pleno Emprego é o contrário de políticas neoliberais (clique) [5]

Agradecemos pela atenção dispensa a conhecer nossas idéias.

Equipe Desemprego Zero


9 Comments (Open | Close)

9 Comments To "** POLÊMICA ** Entrevista no Jornal O GLOBO afirma: DESEMPREGO ZERO NÃO É desenvolvimento"

#1 Comment By José Marcio Tavares On 12 abril, 2008 @ 12:31 am

Bem… emprego quase zero da época do tucanato certamente não melhora as condições de vida.
Debaixo dessa polêmica tem a velha história do exército industrial de reserva. Podem acreditar.

#2 Comment By Gustavo dos Santos (meus artigos clique) On 12 abril, 2008 @ 1:05 am

Isso existe sim.
não é uma teoria furada.
abraços

#3 Comment By Daniel Negreiros Conceicao On 12 abril, 2008 @ 2:21 am

O autor fala das metas de eliminacao do desemprego involuntario e melhoria qualitativa do emprego como se fossem contraditorias. Nao sao! A reducao do desemprego, ainda que nao seja acompanhada por uma melhora qualitativa imediata do emprego, gera condicoes favoraveis para que tanto o emprego ja existente como o emprego recem criado tenham gradualmente incrementos de qualidade. Nao ha razao logica para se imaginar que o oposto seja o resultado que nao seja a crenca injustificada na lei distributiva marginalista em que a compensacao real dos trabalhadores eh definida na margem pelo produto gerado pelo trabalho do ultimo trabalhador contratado. No entando, se for esse o caso, o debate perde razao de existir. Sob tal premissa marginalista, a unica forma possivel de se produzir melhora qualitativa no emprego (aumento no pacote de compensacoes reais recebidas pelo trabalhador) eh reduzir o volume de emprego absoluto. No entanto, qualquer tentativa de se congelar as compensacoes reais de modo a garantir uma “qualidade do emprego elevada” produziria um resultado ineficiente no curto e longo prazos. No entanto, eh questionavel que as compensacoes reais recebidas por trabalhadores que determinam a qualidade do emprego sejam realmente determinadas de acordo com a logica descrita acima.

Em economias capitalistas em que decisoes de produzir sao geradas principalmente pelas expectativas dos produtores com relacao aa demanda agregada existente, desemprego involuntario eh resultado da percepcao por parte de produtores de demanda agregada insuficiente. Em uma economia em que se tenha eliminado o desemprego involuntario pela acao direta do Estado, o incremento na renda e gasto agregados se traduz em expansao das atividades produtivas pelo setor privado. No caso do desemprego involuntario ter sido eliminado pela intervencao direta do Estado atraves da implementacao de um programa de garantia de emprego, o setor privado nao sera capaz de atrair novos trabalhadores para atender a demanda adicional gerada pela renda gerada pelo programa se nao estiver disposto a oferecer um pacote de salario real e beneficios pelo menos comparavel ao pacote oferecido pelo programa. Ainda que imaginemos que os produtores do setor privado se recusem a incrementar o pacote de compensacoes que determina a qualidade do emprego, seria no minimo estranho que o reduzissem em resposta aa expansao da demanda agregada. Assim, apenas o caso limite eh que a eliminacao do desemprego involuntario nao produza melhorias na qualidade do emprego. Normalmente, deveriamos esperar que o primeiro contribuisse para o segundo. Certamente eh possivel e consistente que se apoie ambos: eliminacao do desemprego involuntario e melhoria na qualidade do emprego.

#4 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 12 abril, 2008 @ 4:38 pm

Keynes estava correto. As idéias são de fato mais perigosas do que os interesses explícitos. Principalmente quando elas buscam ocultá-los e lhes dar uma roupagem de ciência e racionalidade.

O professor Luiz Werneck Vianna, do IUPERJ, possui um diagnóstico muito adequado para o caso brasileiro. Amplos segmentos das elites sofrem de uma grave patologia histórica, ou seja, só aceitam mudanças se as mesmas conservarem o status quo.

Imaginem propor a re-regulamentação do setor financeiro… Que luta para o chairman do FED! Por aqui, a idiotia neoliberal fala em aperto fiscal e choque de gestão. Para quem? Segundo dados do SIAFI/MF, em 2007, o governo Lula pagou R$140 bilhões de juros e amortização da dívida pública, ao passo que direcionou parcos R$39 milhões para o saneamento básico. Para o bolsa família, R$9 bilhões.

Quando é que Lula aparecerá no Rio para ver a cara da dengue? Ele pode aparecer em Vitória (ES), onde 57% dos moradores da metrópole foram atingidos diretamente ou indiretamente pela dengue. Dados publicados hoje pela imprensa.

#5 Comment By Fabiano Dalto On 12 abril, 2008 @ 6:44 pm

Colegas,

O William Darity realizou uma serie de estudos que mostravam que o desemprego traz consequencias graves para a saude dos trabalhadores. Alem do mais, muito tempo longe das funcoes laborais deprecia os conhecimentos tecnicos dos trabalhadores. Ou seja, existe uma dimensao pouco considerada por analistas como o Flavio Comim que diz respeito a uma dimensao social maior (alem da renda) que o trabalho tem sobre a vida das pessoas. Em suma, novamente desemprego zero tem tudo a ver com melhorias gerais nas condicoes de vida dos trabalhadores.

Obviamente, todos somos por abrir postos de trabalho mais qualificados e que recebam maior renda, mas no caso do Brasil nao podemos esperar muitos anos para que o treinamento dos trabalhadores deem os resultados esperados por analistas como o Flavio Comim. Ademais, ninguem pode garantir que depois de qualificados pelos programas do tipo SESC-SENAC-Secretarias do Trabalho estes trabalhadores nao estejam ja desqualificados pelas novas necessidades do mercado.

Abracos,

Fabiano

#6 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 13 abril, 2008 @ 11:04 am

Segundo consta na Agência Estado deste domingo (13/04), os brasileiros trabalham cada vez mais para quitar suas dívidas. Atualmente são necessários mais de nove meses de trabalho para pagá-las. Em 2004, essa fatura era inferior a seis meses, revelou o estudo do consultor para o sistema financeiro e economista pela Universidade de Brasília, Humberto Veiga.

Segundo Veiga, “o descompasso entre o crédito e a massa salarial deve funcionar como um freio no consumo daqui para frente. Nem precisava subir os juros para arrefecer a economia”. Ele se refere à próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que deve elevar a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,25% ao ano. A expectativa do “mercado” é de um acréscimo de 0,25 ponto porcentual.

A taxa de precarização das relações de trabalho – desemprego mais informalidade -, hoje realidade para 49% da população economicamente ativa brasileira, segundo dados da CEPAL (2007), revela que o Banco Central do Brasil é incapaz de realizar um razoável trade-off entre inflação, nível de emprego e desempenho da economia.

#7 Pingback By BOLETIM SEMANAL DO BLOG DO DESEMPREGO ZERO « Blog do Desemprego Zero On 15 abril, 2008 @ 11:12 pm

[...] Desemprego zero traz desenvolvimento humano? Leia o resto deste post » [...]

#8 Comment By Heldo Siqueira On 16 abril, 2008 @ 9:32 am

Amigos,

acho que essa frase nunca ficará obsoleta: “Os fundamentos da ética capitalista requerem que ‘Você ganhará seu pão com o suor de seu rosto’ a menos que você tenha meios privados.” (KALECKI, 1944)

Entendo que o mercado seja uma instituição extremamente democrática, mas está longe de trazer o bem estar social para todos. E no caso do mercado de trabalho, quando se fala dos meios de produção o problema é mais evidente. Afinal, o capitalista sempre pode optar entre investir ou não investir (ou entre ganhar ou não), já que capital é, para a maioria dos teóricos (não gostaria de ter que me estender nesse ponto) POUPANÇA. Entretanto, o trabalhador dificilmente pode optar por não trabalhar, com o custo de não ter meios de sobrevivência.

Uma política para mitigar essa tremenda desvantagem é primordial. Mas ela não exclui o fato de que devamos lutar contra o desemprego. E acho que quando falamos de emprego e desemprego no blog, está entendido tacitamente que falamos de empregos que valorizem o ser humano. Considero que o sub-emprego não é uma alternativa válida ao desemprego (como o entrevistado), mas isso restringe a discussão, pq há meios de fazer políticas que diminuam o desemprego ao mesmo tempo que valorizem o emprego.

Abraços

#9 Comment By Rodrigo Loureiro Medeiros On 16 abril, 2008 @ 11:23 am

Caro Heldo

Em termos de laissez-faire, o mercado como instituição só pode ser democrático se for de concorrência perfeita. Isso é praticamente uma abstração da teoria. Pode-se dizer que alguns mercados tendem à concorrência perfeita. Tendem… Bom, tender é outra coisa bem diferente.

Hayek poderia ter enxergado isso, mas mesmo assim lhe conferiram o prêmio Nobel de Economia (1974), o qual ele dividiu com Gunnar Myrdal. Que paradoxo!

Reitero para os demais colegas que é importante não confundir teoria neoclássica com neoliberalismo. São duas coisas diferentes. Como sugeriu Keynes, o neoliberalismo é a banalização dos escritos de Alfred Marshall, seja por ignorância ou mesmo para o atendimento de interesses específicos. Em síntese, as idéias são mais perigosas do que os interesses explícitos.

Um abraço,

Rodrigo L. Medeiros


Article printed from Blog do Desemprego Zero: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero

URL to article: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/polemica-entrevista-no-jornal-o-globo-afirma-desemprego-zero-nao-e-desenvolvimento/

URLs in this post:

[1] O Globo: http://www.gda.com/consulta_noticias.php?idArticulo=535898

[2] Nosso Manifesto (clique): http://desempregozero.org/manifesto/

[3] O que é política de Pleno Emprego? (clique): http://desempregozero.org/politica-de-pleno-emprego/

[4] Pleno Emprego em linguagem acessível (clique)l: http://www.desempregozero.org.br/editoriais/Momento_Nacional.pdf

[5] Pleno Emprego é o contrário de políticas neoliberais (clique): http://www.desempregozero.org.br/editoriais/MOMENTO_NACIONAL_2.pdf

Copyright © 2008 Blog do Desemprego Zero. Todos os direitos reservados.