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Blog do Desemprego Zero

Para um economista ortodoxo: “A Ciência Econômica é o estudo da administração dos recursos escassos”. Para um economista Keynesiano: “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”. ** DEBATE IV ** Qual dessas você acha a melhor definição para a economia?

Escrito por Gustavo, postado em 2 dEurope/London abril dEurope/London 2008 Imprimir Enviar para Amigo

Gustavo Antônio Galvão dos Santos *

Nos comentários do último artigo desse debate entre ortodoxos e keynesianos: “Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”: como subverter o significado do conceito ‘poupança’ para fins conservadores. ** DEBATE III **

Critiquei a frase usada como princípio metodológico por economistas ortodoxos:

“Modelos teóricos são para serem usados e não acreditados”.

Eu disse que isso é um absurdo porque as teorias são criadas para serem acreditadas. E só a partir da crença nelas depositadas pode haver segurança para a utilização das mesmas no mundo prático ou como explicação científica.

Eu disse também que, para compreender nosso mundo onde o dinheiro tem função muito importante, é melhor usar uma teoria que supõe a existência do dinheiro do que utilizar uma teoria que descreve um mundo onde não existe o dinheiro.

Um comentarista anônimo me criticou de forma bem direta. Sobre ambas proposições. Abaixo respondo aos comentários.

Primeiro ponto:

Qualquer um pode comentar aqui usando pseudônimos, mas é deselegante, deseducado e profundamente desleal querer fazer um debate sério e profundo usando pseudônimos quando o outro lado não pode usar essa saída. Eu estou aqui assumindo os erros que por ventura eu vir a cometer. Você não. Peço apenas reciprocidade. Esse debate está sendo muito cansativo para mim. Se você está anônimo pode fazer qualquer comentário sem compromisso, seu eu não responder, você pode dizer: “tá vendo não conseguiu responder”. Se eu responder de forma incompleta, você irá no ponto e dirá: “mas você esqueceu que…”. Agora você pode falar qualquer coisa, incompleta, errada ou simplesmente uma provocação equivocada, sem qualquer custo, como você fez.

É desleal.

Vamos começar a bloquear quem estiver fazendo isso.

Segundo ponto:

Você está confundindo as coisas. As crenças que uma pessoa tem que não são relacionadas com determinada teoria, por exemplo, a religião dele, são realmente irrelevantes para a teoria. Nunca disse o contrário.

O que eu disse foi que qualquer teoria só existe para ser acreditada, não com certeza, mas com um grau razoável de confiança. Em ciência se confia desconfiando. Se confia nela ela pode ser útil, se não confia ela é inútil. O Pedro disse que os engenheiros não “acreditam” na física newtoniana para construir pontes, eles “consideraram o modelo adequado a determinada situação”. Ora, “Considerar adequado” é o mesmo que dizer “acreditar como adequado”. Se eles “não acreditassem como adequado” não poderiam “considerar adequado” e se eles “não considerassem adequado” não poderiam acreditar como adequado”, portanto são mesmo sinônimos. Como o Pedro um pouco reticentemente confirmou.

Portanto, a sugestão dos professores ultraortodoxos de Chicago: “teoria é para ser usada e não para ser acreditada” é uma ofensa ao método científico e à filosofia. Pedro está dizendo que nossa diferença é semântica. Nesse caso não é. Quando um ortodoxo está dizendo “acreditar” significaria dizer “ter certeza”. Para mim não. Em primeiro lugar, no dicionário acreditar não é sinônimo de “ter certeza”, “ter certeza” é um caso especial de “acreditar”. Em segundo lugar, se os Chicago boys estão usando “acreditar” como sinônimo de “ter certeza”, eles estão dizendo uma obviedade gritante quando afirmariam que não ciência não se tem certeza sobre nenhuma teoria. Ora, é desnecessário dizer isso. Tanto é que desnecessário que mais nenhuma ciência ou corrente em todo o corpo científico mundial vive repetindo isso (como disse o Pedro: “essa é a frase mais ouvida no mestrado dele e no doutorado do professor dele em Chicago).

Eu me pergunto porque repetem tanto essa proposição que seria “óbvia”. Desconfie, não se repete tanto proposições óbvias.

Essa repetição está certamente está associada ao fato da economia ortodoxa ser a única corrente científica de todo o Planeta Terra onde se defende que o “realismo” (ou a crença) nas premissas não é relevante. Para você melhor compreender vou dar um exemplo: os econometristas são sempre acusados de “torturar” os dados estatísticos até que eles cheguem aos resultados que se quer concluir. A brincadeira é dizer: “torture os dados até que eles confessem”. A mesma coisa acontece com os economistas ortodoxos, eles dizem não importa o “realismo” ou o quanto crêem nas premissas, altere-as até que você alcance o resultado que se quiser. A segunda oração é implícita, porque não pega bem em uma universidade. Mas é uma implicação direta e imediata da idéia de que não é necessário acreditar nas premissas. Você nunca verá outro cientista de qualquer outra área dizer isso: “não é preciso acreditar nas premissas ou o realismo das premissas”. Pense bem, a única maneira de alguém comparar premissas é medindo o quanto acredita nela. Se isso não importa, vale qualquer premissa, posso assim trocar uma premissa que acredito por outra que acredito menos mas que seja mais “útil”.

É como se dissesse: “não importam as premissas, o que importa são os resultados ou a utilidade”. Eu me pergunto utilidade para quem? Para os trabalhadores, para os empresários, para o Estado, para a carreira de quem está formulando a teoria?

Acredito que você deve conhecer engenheiros, químicos, médicos, biólogos, administradores, etc. Qualquer um vai achar isso um absurdo. Fale com eles que as conclusões que suas principais teorias são demonstráveis apenas com a utilização de algumas dessas suposições como:

concorrência perfeita, empresas atomizadas, custos marginais crescentes, substitutibilidade contínua entre diversos insumos, substitubilidade contínua e geral entre bens de consumo, informação perfeita, convexidade no consumo e produção de todos os bens, consumo não gera renda, mercados constestáveis, PIB potencial, expectativas racionais, etc.

Acho melhor manter esses segredos escondidos. Vão achar graça ou ficar assustados. Eles vão pensar: “segurem os cintos o Banco Central está desgovernado”.

Na heterodoxia nada disso é necessário para se chegar quaisquer conclusões. Todos podem errar certamente, mas nós ao menos acreditamos em nossas premissas, como qualquer cientista.

Qual a conseqüência desse método “tanto faz as premissas, não é para acreditar mesmo”?

A conseqüência está aí teorias equivocadas direcionando políticas equivocadas e muita muita miséria. Nos keynesianos acreditamos que a miséria é resultado de políticas econômicas que geram pouco crescimento no emprego, má distribuição de renda e políticas sociais com pouca disponibilidade de orçamento público.

Vocês ortodoxos acham (de maneira simplificada) que a miséria é conseqüência dos recursos naturais (ou educacionais ou “poupança”) escassos ou da ignorância educacional da população ou ainda da intervenção do Estado que não permitiu que o mercado utilize da melhor maneira os escassos recursos naturais (ou educacionais ou “poupança”).

Terceiro ponto:

Desculpe-me, mas seu questionamento é um despropósito, você disse:

“PARE de fugir do assunto e explique pq no exemplo do pedro a ausencia de moeda é relevante. Use argumentos logicos~.”

Ora, eu usei argumentos lógicos, em nenhum momento eu fugi do assunto. Com essa insinuação, você está ofendendo o trabalho que eu tive na explicação para o Pedro.

Se eu tenho uma teoria que supõe moeda para explicar um mundo onde há moeda, ela é a priori mais adequada para explicar tal mundo com moeda do que uma teoria que onde não há moeda. De fato, a teoria keynesiana é muito superior e é ela que é usada nas contas nacionais. Ninguém faz cálculo de número de bananas ou maças produzidas para medir o PIB. Eu não tenho que explicar porque a teoria sem moeda é superior à teoria com moeda para explicar um mundo com moeda. Quem tem que explicar isso é o Pedro e você. Já mostrei que a teoria keynesiana é superior, vá lá nos comentários e nos textos e descubra o por quê. É simples, curto e está neste blog mesmo.

Mas por sorte, ainda mostrei que as principais proposições keynesianas são válidas mesmo em um mundo sem moeda. Engraçado, nunca tinha pensado nisso antes, porque certamente é irrelevante fazer teorias sobre o mundo sem moeda. Mas até nisso o Keynes acerta…

Vamos lá de novo…

A principais proposições keynesianas sobre essas questões são:

1) consumo aumenta a renda e não afeta a poupança.
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”

Já mostrei que uma economia com um único cidadão (Robison Crusoé) não é adequada para compreender uma sociedade humana de 6 bilhões de habitantes. Portanto, a teoria econômica não pode ser uma teoria da ilha do Robison Crusoé, mas do mundo real onde vivemos.
Se esconder na economia do Robison Crusoé, apenas demonstra o quão frágil é a economia ortodoxa. Frágil cientificamente e não politicamente ou financeiramente, como bem sabemos.
É óbvio que a teoria keynesiana convencional não é em nada afetada pela economia aberta. É fácil demonstrar isso, aliás, já foi demonstrado aqui. Supor uma economia aberta não muda em nada as explicações que já dei. Essas proposições abaixo valem em qualquer situação, inclusive obviamente em uma economia aberta:
1) consumo aumenta a renda e não afeta a poupança.
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”

O exemplo de Robison Crusoé é patético e como eu disse antes, tem a função de enganar.

Como eu já disse, o consumo reduz a poupança na equação microeconômica da renda, ou individual ou equação da “Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”.

Os economistas ortodoxos sempre usam esse exemplo e essa equação para descrever a economia, não fazem isso na academia, mas fazem fora dela. Ora, para que serve o doutorado em Chicago, se o que se aprende lá não é para ser passado para fora de forma coerente?

Um comentarista, que é um economista ortodoxo que diz ter muitos títulos e muitos artigos publicados, disse que a proposição 1:

1) consumo aumenta a renda e não afeta a poupança.

“(1) eh falsa, obviamente e primariamente falsa. Digamos que Jose produz 10 laranjas, chupa 8 e exporta 2 para Karl. Portanto, a economia do Jose consome 8, exporta 2, investe 0, a acumula 2 em ativos financeiros, isto eh, poupa 2. O que acontece se o Jose resolve consumir mais? Agora ele consome 9 laranjas, exporta 1 para Karl e sua poupanca eh apenas 1. Portanto, o consumo afeta a poupanca. [O que eh ululantemente obvio: a poupanca eh o residuo do consumo ; ”

minha resposta: Como estamos tratando de um mundo real, onde o consumo de um único indivíduo não é adequado a descrever todo o consumo nacional, eu simplesmente digo que nessa economia a poupança do setor privado caiu porque superávit em conta corrente caiu “em uma laranja”. E não porque o consumo aumentou. Sem mudar as exportações, não haveria qualquer modificação na poupança, mesmo aumentando o consumo.
Ele ainda teve a cara de pau de se gabar explicitando que está usando a equação microeconômica da renda apesar de estar falando de fenômenos macroeconômicos. Mais uma vez demonstra que existem 2 ortodoxias, uma para fazer modelos acadêmicos que ninguém lê além dos “iniciados” e uma para tentar ludibriar os debates políticos. Você disse “poupanca eh o residuo do consumo”. Na equação macroeconômica da renda, o consumo não pode afetar a poupança, portanto ela não é resíduo da renda. A poupança só poderia “ser resíduo do consumo”, se a renda fosse dada como na equação microeconômica. A poupança é a contrapartida do investimento, é a renda de quem vendeu um bem de capital. A poupança do setor privado é também a renda líquida obtida do exterior e mais o renda líquida obtida nas transações com o governo, ou seja, o déficit público.

O segundo exemplo do comentarista, além de usar uma economia de Robison Crusoé, ainda usa uma economia de escambo. Pior, em uma economia de escambo para o mercado interno e que utiliza moeda no comércio externo. Usa assim o escambo só quando lhe é conveniente. Ou seja, o que importa para ele não é o realismo ou o quanto ele acredita nas premissas, mas a “utilidade” do modelo (para ele).

Ele disse:

“(2) eh falsa se a economia em questao for aberta. A explicacao eh similar a explicacao da (1) acima. Joao produz 10 sacos de milho, consome 9 (consumo), e usa 1 como semente (investimento). Sua poupanca eh 1 = 10 (producao) – 9 (consumo). Entao Joao decidiu que deveria investir mais. Agora Joao investe 2, poupa 2 e consome 8… o que eh um perrengue, porque para investir Joao precisa reduzir seu consumo… Mas esse perrengue pode ser evitado em uma economia aberta, pois com comercio com o Karl, Joao agora pode investir 2, consumir 9, importar 1 do Karl, poupar 1. Ano que vem o Joao vai ter que devolver 1 para o Karl mais juros, portanto a reducao na poupanca do Joao significa reducao de seu consumo e renda futura.

Em uma economia de escambo a palavra poupança não faz sentido ou é apenas um sinônimo de investimento. Quando ele introduziu comércio externo a crédito ele eliminou o escambo no comércio externo e só manteve no mercado interno. Assim, misturou as coisas para turvar o debate. Para uma economia de escambo poupança é sinônimo de investimento, portanto, mesmo na economia de escambo vale a proposição keynesiana:
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”
Exatamente a proposição que ele queria provar como falsa. Ele a confirmou. Mesmo em no próprio exemplo, toda vez que o João investe (guarda sementes) está criando poupança por definição. Ele mesmo descreveu isso. Como na minha explicação anterior, quando João importa do Karl, está reduzindo a poupança do setor privado simplesmente porque gerou um déficit em conta corrente e não porque aumentou o consumo. Além disso, o que aconteceu no exemplo não foi uma redução da poupança mas apenas uma substituição de poupança do setor privado nacional por “poupança do setor externo”. Se o investimento aumentar a poupança, aumentará por tautologia mesmo em sua economia de escambo do Robison Crusoé (o escambo não lhe ajudou e nem mesmo o Robison lhe salvou agora).
Repare que, dado o déficit em conta corrente, sempre que aumentar o investimento aumenta a poupança por definição, ou seja:
2) investimento cria a poupança por definição (tautologia)”
essa frase é válida independentemente do volume de comércio exterior. E ela não encerra nenhuma relação funcional com qualquer ação de comércio exterior. As ações de comércio exterior que você usou como exemplo ocorreram independentemente do que essa proposição implica. Ou seja, são independentes. Portanto, o exemplo é completamente descabido e tem o objetivo de turvar a compreensão da questão.

Quarto ponto:

Economista Unodos disse:

no planeta terra, todos os fatores estão limitados. Por isso estudamos economia!!!!!!!

Não precisa gritar. Você está se baseando na célebre frase dos economistas ortodoxos:

“Economia é o estudo da administração dos recursos escassos”.

Na minha opinião, é um autoritarismo definir nossa ciência de uma forma que só é aceita pelos economistas ortodoxos. Para nenhuma outra corrente essa definição é válida.

Para um economista keynesiano essa definição é equivocada. Para um keynesiano os únicos atributos corretos nessa afirmativa são: estudo e administração.

Para um keynesiano: “A economia é o estudo da administração da política econômica do Estado seus condicionantes e suas implicações”.

Os keynesianos sabem que não há riscos de esgotamento de nenhum material não substituível nos próximos 100 anos, portanto, como sua teoria é para administração do Estado para no máximo algumas gerações à frente, não precisa dar grande importância ao fato de que em 100 anos é possível que alguns recursos possam ficar “escassos”. Os economistas ortodoxos também fazem na maior parte do tempo teoria para ser aplicada no presente ou poucos anos à frente e inventam para ludibriar essa história de que estão “administrando recursos escassos”.

Os keynesianos sabem que a mão-obra-obra não é escassa e existe desemprego, o minério de ferro não é escasso e dura mil anos, mesmo sem reciclagem de aço, o carvão não é escasso e dura 500 anos, o petróleo não é escasso e dura 100 anos, que há muitas fontes alternativas de energia, que a tecnologia descobre sempre maneiras de economizar ou substituir insumos caros, mesmo aqueles que possam ter durações mais curtas. Por exemplo, o Jacarandá da Bahia, que era uma madeira de qualidades inigualáveis foi praticamente extinto e nada demais aconteceu. Se por acaso o níquel ficar escasso o aço inoxidável poderá ser usado utilizando outros metais como o cromo ou ser substituído por tipos diversos de alumínio, titânio, plásticos de engenharia, aço galvanizado, cerâmicas de última geração ou novos materiais que inventam toda semana. A única função econômica útil que pode ser escassa no longo prazo para a humanidade é o trabalho humano. Mas se isso acontecer, não precisamos nos preocupar. Não haverá desemprego.

…CONTINUAÇÃO (CLIQUE AQUI) Para um economista ortodoxo: “A Ciência Econômica é o estudo da administração dos recursos escassos”. Para um economista Keynesiano: “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”. ** DEBATE V ** Qual dessas você acha a melhor definição para a economia?



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58 Respostas para “Para um economista ortodoxo: “A Ciência Econômica é o estudo da administração dos recursos escassos”. Para um economista Keynesiano: “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”. ** DEBATE IV ** Qual dessas você acha a melhor definição para a economia?”

  1. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    É muito fácil se esconder atrás do anonimato dos pseudônimos e não desenvolver sequer um argumento. Se a pessoa não se identifica é porque pode estar inclusive defendendo interesses particulares de grupos. Tudo bem, mostre a cara e saia do armário. Ataques pessoais e o não desenvolvimento de argumentos não enriquecem o debate que pretendemos fazer neste blog. Cria-se cacofonia, fato que serve à manutenção do status quo.

    A América Latina convive com taxas de precarização das relações de trabalho que variam de 40% e 50% (Cf. CEPAL, 2007), ou seja, elevados níveis de desemprego e informalidade são realidades que deveriam suscitar críticas ao que se encontra posto. Dificilmente um quadro desses seria aclamado por qualquer idiotia como marca de sucesso nos países desenvolvidos. Sabemos, no entanto, que o desenvolvimento econômico democrático e equitativo não é efetivamente desejado por todas as partes na América Latina. Isso não é novidade. Segundo descreveu Paulo Nogueira Batista Jr., hoje diretor do FMI:

    “Essa atuação de parte das elites locais obedece, obviamente, a motivações econômicas concretas. As nações hegemônicas operam de forma a beneficiar aqueles que se dispõem a cooperar com os seus projetos de poder. Mas não se deve subestimar o papel de influências ideológicas e fatores de ordem subjetiva. O poder se exerce não apenas nos planos econômico, político e militar, mas também – e de forma crucial – no terreno das idéias, das ideologias, das imagens, da cultura. Não há hegemonia que possa prescindir do chamado soft power. Um elemento central dessa estrutura de poder é o treinamento – adestramento talvez seja a palavra mais adequada – das elites da periferia nas universidades dos países centrais. É uma antiga tradição imperial. Os romanos transplantavam os filhos dos líderes das tribos germânicas para Roma, onde eram devidamente aculturados. Retornavam à sua terra natal na condição de integrantes leais e assimilados do Império Romano” (‘Nacionalismo e Desenvolvimento’. Uma versão preliminar deste texto serviu de base à participação do autor no painel “A idéia de nação como condição do desenvolvimento”, no 3° Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 1º de agosto de 2006).

    Em qualquer debate sério as partes envolvidas se expõem, identificando-se inclusive institucionalmente e dizendo quais idéias ou teses defendem. Se não há concordância entre as partes, tudo bem. O debate enriquece com o contraditório. Nossos colegas neoclássicos são bem-vindos ao debate.

    Nosso colega Leonardo Nunes colocou um post interessante: “a direita francesa não se importa em fazer política fiscal anticíclica”. Poderíamos dizer que nem a direita norte-americana se apega a preconceitos nesse caso. Já no Brasil…

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  2. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados

    Concordamos com Keynes que poupança e investimento são os dois lados da mesma moeda. Também concordamos com ele que as idéias são mais perigosas do que os interesses, principalmente quando elas buscam camuflá-los e legitimá-los por pretensiosa superioridade científica.

    Para completar o que o Heldo escreveu, penso que os prêmios Nobel Douglass North e Joseph Stiglitz conseguiram demonstrar que custos de transação e assimetrias de informação são fatos comuns no dia-a-dia de qualquer economia. Ambos fizeram interessantes comentários sobre a economia brasileira nos últimos tempos. Não teríamos nenhuma grande discordância. Certamente existem divergências entre eles, mas também podem ser identificadas convergências. As instituições, as normas do jogo (crenças, práticas, rotinas organizacionais, valores compartilhados e conhecimentos acumulados), são importantes para os estímulos à produção e o desenvolvimento econômico das sociedades. Em algumas sociedades, como é o caso latino-americano, o peso da tradição não pode ser negligenciado. Nessa respectiva região, a colonização de exploração e a estratégia conservadora de inserção externa no sistema economia-mundo deixaram marcas profundas.

    O debate econômico, como qualquer discussão em ciências sociais, não se limita a uma busca pela verdade. Existem interesses imersos nos debates e formas de se medir e apresentar indicadores (Cf. Huff, D.; Géis, I. ‘How to lie with statistics’. W. W. Norton & Company, 1993). Nenhuma medida é absoluta no sentido de que encerra uma discussão, assim como nenhum argumento.

    Há um livro muito interessante do Paul Bairoch, ‘Economics and world history: myths and paradoxes’ (The University of Chicago Press, 1993), que considero um grande trabalho de desmistificação e ampliação de perspectivas teóricas.

    Nosso colega Leonardo Nunes colocou um post muito interessante: a direita francesa não se importa em fazer política anticíclica. Certamente a direita norte-americana também não. Já no Brasil… Dificilmente uma taxa de precarização das relações de trabalho de 49% (Cf. CEPAL, 2007), desemprego mais informalidade, seria aceita como marca de sucesso de administração da política econômica por aquelas sociedades.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  3. Pedro falou:

    Heldo,

    “É justamente supor que o mercado de trabalho está sempre em pleno emprego (e determina a renda) e que variáveis nominais (taxa de juros nominal) não alteram no longo prazo variáveis reais. Por isso é uma falácia, vc parte de um princípio para prová-lo.”

    Não conheço ninguém que suponha isso – peço, mais uma vez, referência. Às vezes é conclusão, mas como hipótese eu não conheço. Como já mencionei, a primeira cadeira de Macro da Puc-Rio já apresenta um modelo em que há desemprego em equilíbrio. Não entendi essa crítica.

    “Quer dizer, é provável que a medição estatística sobre-avalie o efeito da inflação.”

    Concordo que nossas medidas de inflação não são a “verdadeira inflação”, seja lá o que for isso. Podem tanto superestimar quando subestimar, pelos motivos que vc apontou e por muitos outros. O Mankiw indica no capítulo de inflação do “Macroeconomia” para graduação um estudo ótimo que discute isso (claro que não vou lembrar dos autores). Erros de medidas são bastante comuns e há diversas ferramentas para lidar com isso, com eficiência variável. O importante é usar a melhor medida que temos, de acordo com algum critério bem claro, e determinar a melhor política pública a partir de uma noção de bem estar tb clara. Levando em conta que tal medida é imperfeita. Mas dificilmente encontraremos um viés óbvio, altista ou baixista, já que esses vieses foram os primeiros a ser corrigidos….

    “Em resumo, modelar matematicamente oferece resultados que devem ser avaliados e não acreditados.”

    Exatamente.

    “os economistas neoclássicos são aqueles que preferem estar precisamente errados a estarem aproximadamente certos”

    Ótima frase de efeito. Possivelmente se aplica a um ou outro idiota, mas não conheço nenhum.

    “Agora, se não se pode modelar matematicamente (econometricamente) a preferência pela liquidez, e reconhece-se a sua presença, a solução não é abandoná-la! É abandonar o método!”

    Discordo inteiramente. Reconheço a presença de fótons na realidade, não sei modelá-la e ignoro sua presença. Os dados ainda não indicaram que ignorar fótons em modelos de regulação e organização industrial é problemático. Como disse, O CRITÉRIO É A REALIDADE! Às vezes, não conseguir modelar preferência pela liquidez torna nossos modelos incapazes de explicar o que gostaríamos. Parte da vida; de volta à prancheta. Quando ignorar preferência pela liquidez não “reprova” as conclusões do modelo nos “testes empíricos”, por que diabos abandonar o modelo???

    Quanto aos modelos de ciclos reais: alguns já conseguiram explicar com uma precisão fantástica 50 anos de PIB americano, com toda sua variância. Assim, me parece que eles têm alguma coisa importante a ensinar. Infelizmente, são inúteis para previsões, já que dependem de choques aleatórios – a crítica do Stiglitz é perfeita. Possivelmente, é isso que podemos aprender: a realidade é muito imprevisível, logo o modelo que melhor descreve a realidade é inútil para previsão, e todas as nossas previsões advêm de modelos com menor poder explicativo… bem, quem disse que a vida é fácil???

    Rodrigo, obrigado pela referência da dissertação e especialmente pelo respeito. É raro um debate entre diferentes escolas de economia ser ao mesmo tempo respeitoso e capaz de gerar informação. Espero me manter à altura e que o clima permaneça assim.

    Abs a todos.

  4. CÉSAR EBRAICO falou:

    Sugiro que retornemos à raiz da discussão, antes que ela se esvazie, ‘by spreading too thin”:

    Há mais de um critério para se decidir se uma definição é “boa” ou “ruim”, mas um deles, o principal talvez, é que deva recobrir o conjunto de entes denotados, de forma a INCLUIR TODA a empiria a que se refere e EXCLUIR TODA a que não se refere (estou, naturalmente, deixando de fora as “idealizações”, como “motor sem atrito” ou “gás ideal” ou “mercado perfeitamente accessível”, que não têm referência empírica). Uma definição de “esfera”, portanto, deve acolher todo e qualquer tipo de esfera (grandes, pequenas, amarelas, vermelhas, de chumbo, de prata etc.) e nenhum cubo, cilindro ou pirâmide!

    Um outro critério, ainda mais rasteiro, é o de que, EVIDENTEMENTE, o DEFINIENS – o corpo da definição – não deve incluir entre seus termos o próprio DEFINIENDUM – aquilo que se pretende definir.

    Amparados nesses dois critérios, vale, antes de comparar ambas as definições, avaliá-las de per si. Façamos isso:

    Comecemos pela definição de Economia atribuída aos keynesianos. Trata-se, até onde posso perceber, de uma verdadeira CATASTROFE CONCEITUAL. Com efeito

    1) Consegue, ao empregar no corpo ‘definiens’, a palavra “econômico” (“política ECONÔMICA”), realizar a circularidade proibitiva em qualquer definição minimamente decente (p.e., “CUBO = todo sólido de forma CÚBICA”! Argh!);

    2) Comete o pecado de reduzir Economia a Economia Política (= “estudo da administração da POLÍTICA econômica do Estado”),

    3) E, pecado dos pecados, amputa do objeto da Economia o estudo de todos os sistemas econômicos onde o Estado não está presente. A economia de povos primitivos, anterior ao nascimento daquele, seria objeto de que ciência? Da Astrologia? Da Teologia? Da Química?

    Vejamos agora a definição atribuída aos ortodoxos. Também nenhuma Brastemp…

    1) Há, também aqui, relativa amputação do objeto da Economia, ao se empregar a expressão “bens escassos”, em vez de a expressão “bens SUJEITOS À escassez”. O petróleo não é escasso na Arábia Saudita nem na Venezuela e não me parece que as vicissitudes dessa ABUNDÂNCIA (sujeita à escassez) deva escapar ao estudo da Economia;

    2) O termo “administração”, dentro do ‘definiens’, ameaça, mais uma vez, empobrecer seu escopo, transformando-a em Economia Política.

    Comparemo-las, agora, sendo que, para meu gosto, seria antes o caso de perguntar qual é a PIOR, do que qual é a MELHOR.

    Nessa comparação sobressai o seguinte. Ambas amputam. Ambas acabam reduzindo Economia a Economia Política. A dos keynesianos comete amputação mais grave ainda: além de reduzir a Economia à Economia Política, reduz TAMBÉM ESSA ÚLTIMA, restringindo-a aos sistemas em que já existe a presença do Estado. E, para completar, comete o erro formal primário de empregar, dentro do ‘definiens’, o próprio termo que se pretende definir, caindo numa circularidade que inutiliza qualquer definição.

    Não sou economista, sou psicanalista. Gostaria imensamente de ouvir dos especialistas na matéria se há algum lugar em que, por falta de conhecimento específico ou por tropeço lógico, meu raciocínio perde fundamento.

  5. Pedro falou:

    Gustavo,

    a taxa de juros controlada pelo BC (SELIC) possui diversos impactos sobre o nível de preços e sobre a inflação. Por exemplo, pressiona os custos pelas maiores taxas de financiamento. Por outro lado, diminui o consumo de bens que constumam ser vendidos em crediário, o que puxa o preço para baixo. E há inúmeros outros canais: câmbio, expectativas, gastos públicos com juros… na cadeira de Economia Monetária da faculdade, foi um parto entender as dezenas de canais de transmissão.

    A evidência empírica, porém, é bastante sólida: maior SELIC, menos inflação. O efeito da SELIC na retração da demanda é mais relevante do que a pressão exercida sobre os custos.

    Isso significa que, se vc perguntar nas Casas Bahia o que acontece com os preços quando a SELIC aumenta, pode ter certeza que os caras vão te responder algo como: a loja fica vazia pq o crediário fica caro, aí eu não posso aumentar muito o preço, não dá nem para repassar o aumento dos meus custos de financiamento…

    Vc pode achar que há meios melhores de reduzir a inflação. Mas daí a considerar apenas a tal “relação mais direta” entre juros e inflação, vai uma distância.

  6. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Prezado Cesar Ebraico,
    você tem razão! Essa definição pode dar a entender uma falsa circularidade para os leigos e entre eles pode levar a incompreensões.
    Mas a circularidade é falsa, porque quando digo economia quero dizer ‘Ciência Econômica’ e quando digo
    ‘Política Econômica’ para resumir a definição.

    A definição de uma forma sem ambiguidades para os leigos seria:
    “A ciência econômica é o estudo da administração da política monetária, fiscal, cambial, social, externa, agrícola e industrial do Estado, seus condicionantes e suas implicações”.

    Com relação a sua crítica ao uso ‘Administração do Estado’, eu não concordo.
    Nunca a ciência econômica foi usada para estudar sistemas sem Estados e jamais será.

    Na prática ciência econômica e economia política são a mesma coisa e focam o mesmo objeto.

    Os próprios Adam Smith e David Ricardo, que são os grandes fundadores da ciência segundo os liberais, cunharam e usavam o termo ‘economia política’.

    No início do século XX o termo ciência econômica começou a ser mais usado em decorrência da necessidade de evitar o debate com o marxistas. Da mesma forma que os economistas ortodoxos evitam o debate com os heterodoxos hoje. Com exceção dos bravos colegas ortodoxos que estão debatendo aqui neste blog e mais em alguns outros lugares.

    Mas você me fez ver que essa definição poderia ser melhor. Sugiro a seguinte:

    “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”

    Obrigado!

  7. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Essas são realmente boas propostas:
    http://desempregozero.org/2008/04/03/todos-contra-o-banco-central/

  8. “Toda dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha”: como subverter o significado do conceito ‘poupança’ para fins conservadores. ** DEBATE III ** « Blog do Desemprego Zero falou:

    [...] DEFENDE P…Gustavo dos Santos (… em Todos contra o Banco Central…Gustavo dos Santos (… em Para um economista ortodoxo: &…Gustavo dos Santos (… em Para um economista ortodoxo: &…Fabiano Dalto em Para um economista [...]

  9. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Pedro,
    ninguém nunca disse que todos os modelos ou análises econômicas precisam supor explicitamente a existência do Estado. Não sei a quem você está justificando… A ninguém. Pelo contrário, geralmente as análises econômicas não precisam, pois elas querem analisar o comportamento do setor privado e assim entender os condicionantes e implicações da ação do Estado sobre a sociedade não-estatal.
    É o mesmo que você fez quando disse teoria é como um mapa: não pode conter todos os detalhes do terreno, porque, se não, seria o próprio terreno. Outra obviedade que ninguém nunca discordou. Você está se justificando de críticas que não existiram.
    Sabe que isso é uma falácia, não é?
    Melhor evitá-las para não perdemos muito tempo, não é?
    Vamos aos pontos:
    Qual foi a economia sem Estado que o Arrow, o Debret ou o Aloísio estudaram? onde ela fica?
    eu nunca vi uma economia sem Estado. Índios talvez? pode ser, mas economistas não estudam os índios, quem faz isso são os antropólogos. O objeto de estudo do Arrow e desses matemáticos que você citou tem no Estado seu mais importante membro e seu organizador. Mercados amplos e gerais sem Estado são completamente impossíveis, pois os direitos de propriedade negociados são garantidos pelo Estado e assim como o valor da moeda utilizada como unidade de conta, de troca e de crédito é garantido pelo Estado.
    Mesmo o objeto de estudo dos modelos de equilíbrio geral que não supõe a existência de Estado são economias reais. Economias que possuem Estado. Portanto, vale o que eu disse: “Nunca a Ciência Econômica foi usada para estudar sistemas sem Estado”. Os modelos de equilíbrio geral são supostamente inventados para tentar entender as economias reais que conhecemos, ou não?
    (Aliás, não sei para que serve um modelo de equilíbrio geral. Nunca vi um modelo de equilíbrio geral ter uma conclusão útil que não fosse absolutamente óbvia).

    A definição de ciência econômica é a mesma da economia política:
    “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estado do ponto de vista de seus condicionantes, objetivos e implicações”

    Essa definição decorre do fato de que, mesmo quando se faz uma análise teórica em que o papel do Estado é desconsiderado, toda e quaisquer conclusões da análise econômica tem implicações sobre políticas públicas e interesses econômicos de grupos sociais que só podem ser conciliados pelo Estado. Ou seja, toda análise econômica tem implicações sobre o que seja uma política econômica ideal. Nesse sentido, a economia estuda os condicionantes da política econômica, mesmo se o pesquisador não está particularmente interessado em aplicações práticas, o que é extremamente raro, pois não há como fugir da discussão das aplicações em economia, pois todas as conclusões são politizáveis e, portanto, é praticamente imperativo a percepção de que qualquer conclusão obtida terá aplicações políticas sobre a política do Estado e sobre interesses econômicos que precisam do Estado para serem conciliados. Conclusões que podem significar mais ou menos intervenção do Estado.

    você não respondeu meu comentário sobre os juros.

    Nada como uma crise para que as pessoas coloquem os pés no chão:

    http://desempregozero.org/2008/04/03/todos-contra-o-banco-central/
    http://desempregozero.org/2008/04/03/a-cura-keynesiana/

  10. Continuação de… Para um economista ortodoxo: “A Ciência Econômica é o estudo da administração dos recursos escassos”. Para um economista Keynesiano: “A ciência econômica é o estudo da administração da política do Estad falou:

    [...] Recentes Gustavo dos Santos (… em Para um economista ortodoxo: &…Pedro em Para um economista ortodoxo: &…“Toda dona de casa… em Para um economista ortodoxo: [...]

  11. Fabiano Dalto falou:

    Pedro,

    Desculpe, supus que ja nao fosse novidade para ninguem que as politicas de liberalizacao comercial e financeira dos paises subdesenvolvidos na de de 1980 e 1990 tiveram sua rationale justificada nos modelos de vantagens comparativas. Como evidencias, sugiro os trabalhos da Anne Krueger, do Bela Balassa, e do Deepack Lal da decada de 1980, alem dos varios World Bank Report tambem da decada de 80, entre os quais cito o 1987.
    E se voce me permitir usar argumentos de autoridade, cito o Krugman(1995) Cycles of Conventional Wisdom on Economic Development, International Affairs, para confirmar que o que afirmei era, de certa forma, um consenso entre economistas influentes na area. O proprio Rodrik num paper de 1988 do NBER critica a vertende das vantagens comparativas como politica de desenvolvimento. Certamente ele nao o fez porque seria uma novidade, mas porque entre seus colegas isso era a conencao reinante. Hoje ja nao e assim porque obviamente a coisa foi para o vinangre com as experiencias concretas dos mais diversos paises que a tentaram (ex, Brasil).

    Abracos,

    Fabiano

  12. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados

    Não sei até que ponto devemos ficar presos naquilo que Paul Samuelson e William Nordhaus chamaram de dilema manteiga versus canhões. Pesquisas e publicações de autores neoclássicos, alguns prêmios Nobel de Economia, já demonstraram que o progresso técnico pode eliminar restrições ao crescimento das forças produtivas e alargar as fronteiras de possibilidades de uma sociedade. O trabalho de Robert Solow é interessante.

    Restrições sempre existem em qualquer sistema. No entanto, o progresso tecnocientífico já demonstrou capacidade de suplantar dificuldades. Joseph A. Schumpeter escreveu muito sobre isso quando estudou os ciclos econômicos. Ele não discordava de Keynes sobre a eficácia dos estímulos de curto prazo aos agentes econômicos. (Schumpeter possui inclusive uma interessante passagem no seu clássico ‘Teoria do desenvolvimento econômico’ (1911) sobre isso. Vejam bem, muito antes de Keynes elaborar seu arcabouço teórico.) O problema estaria no longo prazo. Keynes, por sua vez, dizia que no longo prazo estaríamos todos mortos…

    Um debate interessante sobre essas questões encontra-se no livro ‘História do pensamento econômico’ (Pioneira Thomson Learning, 2005), de Stanley L. Brue.

    Ao longo da década de 1920, Keynes criticou abertamente a banalização do pensamento de Alfred Marshall, considerado o pai da teoria neoclássica. Keynes rasgou o verbo (Cf. SKIDELSKY, R. ‘Keynes’. JZE, 1999). Segundo ele, o pensamento de Marshall estava sendo banalizado por ignorância e para defender interesses pessoais. Os neoliberais de então ficaram coléricos. Nós, assim como Keynes, nunca confundimos teoria neoclássica com neoliberalismo, pois seria equivalente a confundir Astronomia com Astrologia.

    Não posso deixar de dizer que no Brasil o pensamento conservador, defensor do status quo das iniqüidades, se adaptou à banalização do pensamento econômico liberal. Quem tiver dúvidas sobre o caso do Brasil consulte o livro ‘A formação das almas: o imaginário da República no Brasil’ (Companhia das Letras, 1990), do renomado historiador José Murilo de Carvalho. Ajuda muito a ampliar as perspectivas analíticas.

    Os EUA, por sua vez, travaram uma sangrenta guerra civil na primeira metade da década de 1860, pois não havia como admitir um país e dois sistemas: o Norte progressista e liberal do ponto de vista político e o Sul escravocrata e pró-liberalismo econômico. Venceu o progresso, ou seja, o liberalismo político do Norte. Em um primeiro momento, o Sul teve que aceitar as manufaturas de pior qualidade do Norte. Com o tempo, a qualidade das manufaturas melhorou em relação ao que era produzido na Grã-Bretanha e os EUA se tornaram uma potência econômica. Imaginem se o Sul houvesse triunfado na guerra civil? O que seria dos EUA? Dificilmente saberemos. A pátria-mãe do protecionismo, definição de Paul Bairoch (Cf. ‘Economics and world history: myths and paradoxes’. The University of Chicago Press, 1993), não é exemplo de liberalismo econômico. Dificilmente a França e a Alemanha, para citar apenas dois países da Europa, também o seriam. E o Japão? Bom, não vamos gastar mais linhas.

    Será que podemos esquecer as quotas de importações, as restrições, ao Sistema Toyota de Produção e os acordos que obrigaram os japoneses a financiar seu superávit comercial com os EUA na década de 1980? A política do big stick não pode ser considerada ficção, assim como o soft power das idéias.

    O debate econômico é muito rico em entradas e saídas. A questão é saber até que ponto estamos todos interessados em ampliar as perspectivas analíticas e teóricas do debate de idéias.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  13. Fabiano Dalto falou:

    Pedro,

    estou com dificuldades de entender como é possível haver evidências de que “sem abertura a taxa de crescimento teria sido menor”? Como podemos ter evidências para um evento que não ocorreu(supondo que a abertura tenha ocorrido, a não-abertura não ocorreu)? É possível que você queira dizer que, probabilisticamente, parece que haveria mais chances da não-abertura levar a um crescimento menor. O problema com esse argumento é que, em havendo o evento nã-abertura o mundo seria outro e aí também as probabilidades. Dessa forma, não há como dizer qual seriam as probabilidades de sucesso se o evento não-abertura realmente tivesse ocorrido.

    Se história valer de alguma coisa, o Brasil no seu período fechado cresceu à taxas muito maiores do que nos seus períodos abertos. Regis Bonelli(2004) tem um artigo que mostra que o crescimento da produtividade não está correlacionado com os indicadores da abertura.

    Não pense que sou o bastião do fechamento, por favor. Mas existe muita literatura, incluindo inúmeros artigos do Rodrik, que mostram que não há evidências nenhuma de que “freer-market” tenha melhorado as condições de vários dos países onde se tentou isso. Rodrik, num artigo no livro Brasil, México, África do Sul, Índia e China: diálogo entre os que chegaram depois, afrma que “Muitos países em desenvolvimento tiveram taxas de crescimento econômico sem precedentes no período entre o pós-guerra e o fim da década de 1970…A maioria das nações que se saíram bem nesse período aplicou políticas de substituição de importações.Elas estimularam o crescimento e criaram mercados internos protegidos e, por conseguinte, lucrativos para o investimento do empresariado nacional. Contrariando a convicção convencioanl, o crescimento impulsionado pela ISI não produziu ineficiências tremendas em escala econômica. Aliás, o desempenho em produtividade de muitas nações da AL e do Oriente Próximo foi comparativamente exemplar.”

    Além disso, diz Rodrik que em seu artigo com Francico Rodriguez também no NBER, “chegamos à conclusão de que há um fosso considerável entre a mensagem derivada pelos consumidores [da literatura sobre política comercial e crescimento] e os ´fatos´que ela realmente demonstra.” Se você ler o resto do trabalho do Rodrik e o próprio trabalho com o Rodriguez, você verá porque ele pensa que “a natureza da relação entre política comercial e crescimento econoômico continua sendo uma questão aberta. E está longe de ter sido estabelecida no terreno empírico.”

    A propósito, o World Bank Development Report faz um meia-culpa sobre o açodamento de suas reformas e o fracasso (no que diz respeito ao crescimento econômico e , no todo ou em parte, das mesmas políticas.

    Abraços,

    Fabiano

  14. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados

    Ainda em tempo, Dani Rodrik demonstrou econometricamente que abertura econômica e crescimento econômico não caminham de mãos dadas. Sintetizando o trabalho ‘The new global economy and developing countries: making openness work’ (ODC, 1999), os países que confiaram na abertura econômica para impulsionar o crescimento econômico tiveram um desempenho inferior ao dos países que conciliaram estrategicamente instituições capazes de absorver choques externos e abertura seletiva e gradual da economia.

    Isso é o resultado de análise econométrica! O Brasil vem crescendo abaixo da média da economia global e bem abaixo da média dos países emergentes. Além disso, a precarização das relações de trabalho – desemprego mais informalidade – alcança a vergonhosa marca de 49% da população economicamente ativa (Cf. CEPAL, 2007). O citado livro do Rodrik, professor da JFK School of Government de Harvard, é bem interessante para se avaliar as opções de inserção externa brasileira.

    Vamos ampliar as perspectivas teóricas e analíticas.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  15. Pedro falou:

    Fabiano,

    acho que vc está confuso quanto ao uso de contra-factuais. Estatística e Econometria são ferramentas úteis para esse tipo estudo.

    Exemplo: laranja e escorbuto (ainda não se conhecia vitamina C). Nesse caso, foi possível fazer experimentos controlados – X caravelas com laranja, Y caravelas sem laranja. Essencialmente, o ambiente em todas as caravelas era igual, assim como os tripulantes, à parte as laranjas. Quando se observou que caravelas com laranjas tinham um índice de escorbuto estupidamente menor, foi possível fazer a inferência: escorbuto está correlacionado com falta de laranja.

    Se não fosse possível fazer tal experimento controlado, qual seria a segunda opção? Criar um índice de laranjas (por exemplo, laranjas por tripulante, com alguma variação, por menor que fosse, entre uma caravela e outra); um índice de de escorbuto; índices para outros fatos relevantes (sei lá, água por tripulante, escovas de dente por tripulante); e regredir o índice de escorbuto no índice de laranjas e nos demais controles. E encontraríamos o impacto de laranjas sobre escorbuto. Com menor grau de segurança, poderíamos afirmar: muita laranja está associada a pouco escorbuto, pouca laranja está associada a muito escorbuto. Esse resultado seria válido AINDA QUE O ESTUDO FOSSE FEITO EM UM PERÍODO COM POUCAS LARANJAS E MUITO ESCORBUTO, desde que houvesse alguma variabilidade. Claro, são modelos probabilísticos que podem errar, mas o importante é que saberíamos a probabilidade de erro. É claro, se houvesse mais laranjas o mundo seria outro e as probabiildades também, mas sabemos que o erro não é grande.

    Mais importante: podemos usar esse resultado para estimar quanto haveria de escorbuto CASO tivéssemos muitas laranjas.

    Foi exatamete isso que muita gente fez. O que o Rodrik fez foi determinar um impacto bem claro de abertura comercial sobre renda (nível), mas um impacto ambíguo sobre crescimento (taxa). Por um lado, a crítica a confundir vantagens comparativas com desenvolvimento continua válida; por outro, há evidência de que a abertura evitou que ficássemos com uma renda ainda menor (o que, ao longo de algum período, significaria crescimento menor).

    Já o quase elogio do Rodrik a substituição de importações é mais polêmico, assim como o estudo do Bonelli. Há uma montanha de evidência de que o setor industrial era pouquíssimo produtivo no início dos anos 90 e só sobrevivia devido a proteção e subsídios. Por exemplo, ver os trabalhos do Pedro Cavalcanti ou do Samuel Pessoa que eles soltaram nos últimos dois anos (estão no site da EPGE). Ou seja, o país todo (especialmente os mais pobres) transferia renda para a FIESP e o ABC em nome de “interesses estratégicos”, “necessidade de industrialização”… se tivéssimos uma performance de produtividade assim tão boa, qual seria o problema de abrir a economia???

    Abs.

  16. Pedro falou:

    Em tempo: 50 anos de pib trimestral dá apenas 200 números…

  17. Heldo Siqueira falou:

    Pedro,

    vc não pode medir a inflação real, logo não pode confrontar os dados com a realidade. Aí vc aceita uma teoria, simplesmente, pq não pode dizer que ela está errada. No caso estudado, vc não pode dizer que a confrontação dos dados a que vc se refere no caso da preferência pela liquidez se verifica ou não. Logo, vc diz que os modelos têm bom resultado empírico (e ninguém pode contextar isso).

    Esse critério de cientificidade erra na lógica, pq parte do princípio de que a realidade não é apreensível por qualquer modelo, e confronta os dados com a “realidade”. Mas a realidade vai ser apreendida pelo critério que vc inventou. Em resumo, vc arbitra um conceito e confronta com outra arbitração, ou seja, não há confrontação nenhuma com a realidade.

    O conceito de PIB, por exemplo, é completamente arbitrário. Tentar “confrontar” teorias do crescimento com o PIB, não é confrontar com a realidade. Quer dizer, confrontamos uma teoria com outra teoria e não com a realidade.

    Um exemplo interessante de tentar reduzir incerteza (um dos efeitos da preferência pela liquidez) a risco é o caso da crise nos EUA. As agências de avaliação de risco achavam que estavam
    calculando o verdadeiro risco dos empréstimos imobiliários. Mas a avaliação se desviou decisivamente da “realidade”, tanto que avaliaram como bons títulos de má qualidade. Nesse caso, a teoria de esterelização de risco não serviu para explicar a realidade, por abandonar o conceito keynesiano de incerteza.

    Por fim, qualquer modelo que exclua uma variável importante está errado.

    Abraço

  18. Heldo Siqueira falou:

    Pedro,

    vc está confundindo o modelo com a teoria. Se fizer teorias sobre áreas, a utilização de mapas 2D é uma modelagem boa. Se vc teorizar sobre o espaço, tentar usar mapas 2D vai ser uma modelagem ruim. Quer dizer, não existe critério científicamente válido de maneira absoluta.

    E mais, eu discordo de maneira veemente de que não vamos estabelecer critérios que bem entendamos. O teórico estabelece os critérios que bem entende (até pq não tem outro jeito). A questão é que ele deve querer ser neutro (ou o mais neutro possível) (no caso da ciência econômica, por exemplo, muitos teóricos não querem ser neutros). Mas essa questão é de ética, muito mais do que de ciência.

    Falou

  19. Heldo Siqueira falou:

    Pedro,

    discordamos pq vc não acha desnecessário utilizar a preferência pela liquidez em uma análise de economia monetária e eu acho importante. Para mim, isso é como tentar explicar os espaços com mapas bidimensionais, simplesmente pq vc não consegue modelar uma terceira dimensão. Nesse caso, vc dá mais importância à possibilidade de modelar matematicamente que ao de apreender os aspectos da realidade, em outras palavras, troca a teoria pelo modelo.

    Abraços

  20. Pedro falou:

    “discordamos pq vc não acha desnecessário utilizar a preferência pela liquidez em uma análise de economia monetária e eu acho importante.”

    Não é que eu ache desnecessário. É que eu acho difícil. E, como já disse, vários modelos que ignoram preferência pela liquidez tem ótima perfomance empírica para estudar tópicos de economia monetária. CASO NÃO TIVESSEM, EU NÃO OS UTILIZARIA, PQ EU NÃO SOU MALUCO. E, mesmo assim, fico atento às suas limitações.

    Da mesma forma, eu consigo explicar vários tópicos de espaços tridimensionais com mapas 2D. Por exemplo, se devo virar à esquerda ou à direita na Av. Copa (sentido centro) para chegar à praia. Logo, modelar espaços com modelos 3D não é necessariamente importante… DEPENDE DO OBJETIVO.

    É exatamente a mesma coisa no caso de preferência pela liquidez.

    Não sei, a priori, se incluir preferência pela liquidez no meu modelo é importante ou não – sei que é difícil prá caramba. Se os dados mandarem minhas conclusões pro vinagre, então ignorar preferência pela liquidez (ou algum outro aspecto da realidade) era importante.

    O QUE É IMPORTANTE É SE O MODELO EXPLICA BEM OS DADOS A QUE SE PROPÕE OU NÃO. Cabe ao “modelador” ficar atento aos problemas que suas hipóteses simplificadoras podem gerar: explicar bem os dados atualmente disponíveis não significa explicar bem toda a realidade, daí não ser muito razoável acreditar no modelo. Uma hora, a hipótese simplificadora vai cobrar seu preço.

    “Nesse caso, vc dá mais importância à possibilidade de modelar matematicamente que ao de apreender os aspectos da realidade, em outras palavras, troca a teoria pelo modelo.”

    Mais uma da série “Vamos estereotipar os ortodoxos como uns bocós que não se preocupam em entender a realidade, só em fechar um modelo matemático”.

    Se vc conseguir uma teoria melhor que o meu modelo, matemática ou não, ótimo. Prometo que jogo meu modelo no fundo da gaveta. Sua teoria leva em conta aspectos da realidade que eu não consegui incluir no meu modelo, e, com isso, explica dados que eu não consegui explicar? É consistente? Ótimo! É isso que procuramos todos os dias.

    Tem uma frase que eu acho muito boa, não lembro quem disse: “não usamos matemática pq somos uns gênios; usamos precisamente pq não o somos”. Matemática limita enormemente a abrangência dos nossos modelos, mas nos obriga a uma lógica muito rigorosa. Não que seja impossível “roubar”, mas é muito mais fácil descobrir as picaretagens. E torna muito mais fácil testar empiricamente. Assim, fica mais fácil dizer “esse modelo, com essas hipóteses simplificadoras, se aplica bem a esse tipo de estudo, mas não a esse outro”.

    Abs.

  21. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados

    Alguns artigos do professor Dani Rodrik encontram-se disponíveis no site http://www.ssrn.com. Gratuitamente se pode avaliar como o competente economista da JFK School of Government, um neoclássico heterodoxo, analisa fenômenos como abertura comercial e crescimento econômico.

    As análises de Rodrik se utilizam de um ferramental matemático sofisticado. No entanto, as conclusões são simples: os países em desenvolvimento que apostam suas fichas na liberalização indiscriminada de sua economia, incluindo sua conta de capital, crescem pouco e acumulam problemas socioeconômicos. A estratégia para os mesmos, diz Rodrik, deve consistir em buscar conciliar instituições capazes de lidar com choques externos, o que inclui um Banco Central e um Tesouro capazes de implementar políticas anticíclicas, com abertura gradual e seletiva da economia. Joseph Stiglitz, por sua vez, também concorda com esse diagnóstico (Cf. ‘A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais’. Futura, 2002). Diagnóstico de um prêmio Nobel (2001) e respeitadíssimo acadêmico.

    Nosso blog busca ampliar as perspectivas teóricas e compreendemos que o debate econômico precisa ir bem além do dilema descrito por Samuelson e Nordhaus como manteiga versus canhões. Os próprios autores neoclássicos superaram essa discussão há tempos. Já os neoliberais, deformadores do pensamento de Marshall, por ignorância ou defesa de interesses particulares, se apegam à ortodoxia de galinheiro.

    Seguimos as valiosas recomendações de Keynes e não confundimos teoria neoclássica com neoliberalismo. Isso seria o mesmo que confundir Astronomia com Astrologia.

    Escrevi artigos acadêmicos sobre o processo de substituição de importações. Creio que se trata de um tema bem interessante. Se alguém tiver interesse em ler um modesto artigo meu, solicito que acesse o site da revista do OBSERVATORIO IBEROAMERICANO DEL DESARROLLO LOCAL Y LA ECONOMÍA SOCIAL (ISSN: 1988-2483). Meu artigo foi publicado na edição de out-dez de 2007 e se chama RENASCIMENTO DESENVOLVIMENTISTA E INTEGRAÇÃO ECONÔMICA NA AMÉRICA LATINA.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  22. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Pedro e outros colegas

    Prezados

    Alguns artigos do professor Dani Rodrik encontram-se disponíveis no site http://www.ssrn.com. Gratuitamente se pode avaliar como o competente economista da JFK School of Government de Harvard, um neoclássico heterodoxo, analisa fenômenos como estratégia nacional de desenvolvimento, abertura comercial e crescimento econômico.

    As análises de Rodrik se utilizam de um ferramental matemático sofisticado. No entanto, as conclusões são simples: os países em desenvolvimento que apostam suas fichas na liberalização indiscriminada de sua economia, incluindo sua conta de capital, crescem pouco e acumulam problemas socioeconômicos. A estratégia para os mesmos, diz Rodrik, deve consistir em buscar conciliar instituições capazes de lidar com choques externos, o que inclui um Banco Central e um Tesouro capazes de implementar políticas anticíclicas, com abertura gradual e seletiva da economia.

    Joseph Stiglitz, por sua vez, também concorda com esse diagnóstico (Cf. ‘A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais’. Futura, 2002). Diagnóstico de um prêmio Nobel (2001) e respeitadíssimo acadêmico. Por aqui, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira e outros também seguem essa linha de argumentação.

    Nosso blog busca ampliar as perspectivas teóricas e compreendemos que o debate econômico precisa ir bem além do dilema descrito por Samuelson e Nordhaus como manteiga versus canhões. Os próprios autores neoclássicos superaram essa discussão há tempos.

    Seguimos as valiosas recomendações de Keynes e não confundimos teoria neoclássica com neoliberalismo. Isso seria o mesmo que confundir Astronomia com Astrologia.

    Vocês não precisam ficar preocupados em defender o tempo todo os seus argumentos. Desarmem-se, não estamos entre inimigos. Não há verdade a ser buscada. A Inquisição acabou. Estamos lidando com o debate de idéias, acadêmicas, mas ainda sim idéias. Aproveitem a interação para ampliar suas perspectivas analíticas.

    Estudei na PUC-Rio (graduação), na EPGE da FGV-RJ e na UFRJ (mestrado e doutorado). Hoje sou membro da Cátedra e Rede UNESCO-UNU de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável e da rede EFE do Levy Economics Institute of Bard College. Possuo ótimas relações com acadêmicos brasileiros e estrangeiros neoclássicos, ortodoxos e heterodoxos.

    Penso que todos nós podemos aproveitar esses momentos para ampliar nossas perspectivas teóricas e analíticas e crescer como pessoas e profissionais.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  23. Heldo Siqueira falou:

    Pedro,

    os dados mandaram as conclusões das agências de avaliação de risco para o vinagre…

    Abraço

  24. Pedro falou:

    “O método estatístico impõe que exista um número finito (mensurável e previsível) de possibilidades. Em economia, essa imposição é (até) plausível no curto prazo, mas é INACEITÁVEL no longo prazo!”

    De onde saiu essa??????? Mensurável não é sinônimo de finito!

    “Essa desconfiança que existe sobre se o agente está prevendo a realidade adequadamente é a incerteza e não pode (de maneira nenhuma) ser reduzida a risco!”

    Concordo. Por isso, há pelo menos vinte anos a ciência econômica estuda “incerteza knightiana”, exatamente no sentido keynesiano: existe uma coisa além de risco. Na prática, os indivíduos não sabem a distribuição de probabilidade em torno de um evento, no máximo sabem que há um conjunto infinito de distribuições possível e é impossível saber qual é a verdadeira. Essa teoria teve excelentes resultados; por exemplo, explicou bem o equity premium puzzle. O Sergio Werlang ensina isso no curso de Teoria dos Jogos há uns quinze anos na EPGE (a crítica que se faz é que o curso já está até desatualizado). Bastiões da ortodoxia, como o Thomas Sargent, expoente da corrente iniciada por Lucas, usa esses modelos com ótimos resultados empíricos. Em suma, sua crítica é importante e já foi incorporada há pelo menos vinte anos.

    Agora, a despeito da crítica: me sinto bastante seguro para dizer para o Cesar Maia gastar uma boa grana de impostos combatendo o mosquito da dengue. Ainda que seja especulação, afirmo com alto grau de segurança: o Rio sem mosquito não teria dengue.

    “Os agentes podem fazer previsões sobre as trajetórias econômicas(e muitas vezes melhor que os economistas), mas não tem certeza de que está prevendo de maneira correta (e sabem disso). ”

    Rapaz, essa é a essência do pensamento do Lucas.

    “Na verdade, eles nem mesmo sabem se estão concebendo todas as possibilidades de uma coisa acontecer (apesar alguns economistas acharem que podem saber).”

    Isso é EXATAMENTE o que o Sergio Werlang ensina para os neoliberais da EPGE.

  25. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados(as)

    A taxa de precarização das relações de trabalho – desemprego mais informalidade – é de 49% no Brasil (Cf. dados da CEPAL, 2007). Imputamos essa vergonhosa marca social à condução da política econômica. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia (2001), tem observações bem interessante sobre desenvolvimento econômico e administração da inflação: ‘A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais’ (Futura, 2002). Um trabalho muito interessante e fácil de ser compreendido.

    O doutor Henrique Meirelles, por sua vez, presidente do Banco Central do Brasil, vem sustentado o último peru do mundo, definição do grande e famoso investidor norte-americano Warren Buffet.

    Ele se referiu a elevada taxa básica de juros da economia, a Selic. Não há motivos reais para a taxa básica ser tão elevada. O fato é que o Banco Central não controla os preços de commodities e tampouco o poder de mercado de monopólios, duopólios e oligopólios com juros altos. Se ao menos regulasse melhor o poder de mercado dos bancos… Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, vem solicitando que os países apliquem políticas anticíclicas para lidar com as dificuldades impostas pela crise nos EUA, pátria-mãe do protecionismo e o centro cíclico do sistema economia-mundo. Os discursos de Dominique estão no site do Fundo: http://www.imf.org.

    O doutor Meirelles faz ouvidos de mercador. Comporta-se como se o FMI agora não existisse e como se Keynes fosse apenas um delírio das mentes mais progressistas.

    Lula não pode ser responsabilizado por todas as notícias ruins no Brasil. No entanto, ele deveria ter ido ao Rio para ver o colapso no sistema público de saúde. Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) do governo federal, em 2007, foram gastos R$140 bilhões com juros e amortização da dívida pública, fruto dos juros altos, ao passo que apenas R$39 milhões foram aplicados em saneamento básico. Sabemos que existem responsabilidades compartilhadas entre as esferas do Poder Executivo.

    Notícia ruim não tem dono, já inauguração de obras e factóides…

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  26. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Fabiano

    Precisamos ter paciência quando o debate é pela internet. Fica difícil esclarecer tudo de imediato. O importante é mantermos a calma e a serenidade.

    Dificilmente uma pessoa que entra num debate com idéias pré-estabelecidas vai mudar de posição. Busquei descrever esse processo neste post.

    Keynes estava correto: investimento e poupança são os dois lados da mesma moeda.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  27. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Fabiano,
    você desenvolveu um argumentação muito boa. Até acredito que participantes de um debate raramente aceitam as posições do outro lado, como o Rodrigo, sabiamente, afirmou.
    Porém, não é por isso que vamos nos abster de colocar nossas posições. Muitas pessoas irão ler e todas aprenderão algo.
    Quero fazer um agradecimento especial por suas participações, que muito enriqueceram nosso blog nas últimas semanas.
    É sempre um prazer lê-las.
    um grande abraço,
    Gustavo

  28. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados(as)

    Ficamos muito contentes por termos neste blog um espaço civilizado de debate. Gostaríamos sinceramente que a nossa grande imprensa, controlada por algumas poucas e poderosas famílias e seus oligarcas associados, abrissem um espaço equivalente de discussão.

    Provavelmente o Brasil seria um país mais democrático, desenvolvido e equitativo. Pierre Bourdieu, um falecido sociólogo cinco estrelas francês, dizia que se há tanta bobagem para se mostrar na mídia é porque certamente existe muita coisa a ser ocultada.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  29. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados(as)

    Vi um filme interessante no final de semana, ‘The path to war’. Trata-se sim de mais um filme sobre a guerra do Vietnã. No entanto, o mesmo é contado a partir da Casa Branca e no período Lyndon B. Johnson. Alec Baldwin faz o papel de Robert MacNamara, polêmico secretário de Defesa.

    Fiquei pensando nos meandros da política e como um presidente comprometido com o projeto da Grande Sociedade se tornou refém das falsificações de estatísticas do complexo militar-industrial. Lyndon B. Johnson herdou os problemas do Vietnã de seu antecessor, que, por sua vez, recebeu o pacote de Eisenhower. E tome de pressão por guerra… O jeito foi fazer aquilo que o cientista político Charles Lindblom chamou de mordiscar nas margens.

    Quando analiso o comportamento do Banco Central do Brasil, incluindo todo o aparato de defesa constituído na grande mídia, penso que o mordiscar nas margens não é privilégio da política norte-americana. Em 2007, foram gastos do orçamento federal R$140 bilhões com juros e amortizações da dívida pública, ao passo que R$9 bilhões com o bolsa família. E em saneamento básico, míseros R$39 milhões. Lula já apareceu no Rio para ver a cara da dengue? Se ele quiser, pode aparecer em Vitória (ES), onde 57% dos moradores da metrópole já foram atingidos diretamente ou indiretamente pela dengue, segundo o jornal A Gazeta.

    Henrique Meirelles, por sua vez, já se mostrou incapaz de realizar um trade-off razoável entre inflação, formalidade nas relações de trabalho, hoje em 51% da população economicamente ativa, segundo a CEPAL, e desempenho global da economia. Ele agora quer combater “o viés de alta dos alimentos” com juros altos. São commodities que a FAO diz terem recebido valorização de 37% em 2007. A agricultura brasileira nunca se preocupou com segurança alimentar. Desde os tempos de colônia, trata-se de um empreendimento de exploração da natureza e dos seres humanos.

    Considero ainda mais grave o fato de que o BC brasileiro confunda poder de mercado de monopólios, duopólios e oligopólios com pressões de demanda. Os remédios foram, em média, reajustados em 52% nos últimos doze meses. Pressão de demanda? Só na cabeça da idiotia neoliberal. Neoclássicos sérios e de boa formação não entram nessa onda.

    O professor Luiz Werneck Vianna, do IUPERJ, sustenta uma interessante tese sobre o Brasil. Amplos segmentos de suas elites sofrem de uma grave patologia histórica, isto é, só aceitam mudanças se as mesmas conservarem o status quo. Vejam o caso da concentrada mídia brasileira.

    Ela esteve associada ao autoritarismo, como base de apoio ao regime, e hoje defende a liberdade de expressão. Muitos militares compreenderam como foram usados por tais elites. Levaram a culpa por todos os males do regime, ao passo que tais elites se escondiam na esteira do processo de redemocratização. A partir daquele momento, todos eram democratas.

    Keynes escreveu ensaios sobre persuasão. Ele descreveu como as idéias são de fato mais perigosas do que os interesses explícitos, principalmente quando os mesmos são ocultados por elas.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  30. Fabiano Dalto falou:

    Gustavo e Rodrigo,

    Um ponto adicional que faço a vocês é o seguinte: ninguém confundiu nada nos conceitos. Apenas se levantou a suposta confusão para se fugir do ponto central. Vejam que nas mesmas citações e documentos que citei aqui está bem claro para quem tivesse lido que o FMI exigia a redução de todos os gastos públicos (aliás, as condicionalidades do FMI visam reduzir toda a demanda agregada, pública e privada, pois se tratava de reduzir o que se chama absorção interna). Não é por outra que, e quem já teve o trabalho de fazer as contas sabe, os investimentos da administração pública também foram reduzidos ao longo da década. Mas é claro que o FMI tinha que exigir a redução dos investimentos das empresas públicas estatais, como diz no documento, em particular, pois: a)elas eram responsáveis por grande parte dos gastos do setor público; b) elas foram forçasdas a carregar grande parte da dívida externa e, logo, deveriam arcar com boa parte do ajustamento; c)seu enfraquecimento também servia para o argumento da privatização.

    Ademais, a discussão que deu origem a estes vários posts não era exatamente que parte do setor público deveria reduzir seus investimentos. Na verdade, a parte substantiva do argumento por mim colocado era a de que a queda da produtividade e do crescimento observadas na economia Brasileira na década de 1980 se deveu em grande parte à redução dos investimentos e, neste particular, aos investimentos do setor público (empresarial ou não).

    Assim, ou bem nós entendemos o que é a discussão e porque alguns quiseram desvirtuá-la ou é melhor não responder aos que apenas fazem marola quando se vêem em dificuldades para defender o indefensável. Aliás, percebe-se o nível de confusão em que uma pessoa se meteu quando não consegue nem mesmo entender como é possível haver alguma relação entre a Petrobrás e o Estado Brasileiro! Pergunto a vocês, Gustavo e Rodrigo, vocês também acham não haver relação entre o Estado Brasileiro e a Petrobrás? Será que os livros de história pararam de contar a história da criação da Petrobrás, da Embraer, da Vale do Rio Doce etc?

    Não quero com isso reabrir este debate nos termos de antes, mas espero de vocês que não alimentem o equívoco alheio.

    Abraços,

    Fabiano

  31. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Fabiano

    Compreendo seus argumentos e conheço a história da criação da Petrobras por Getúlio Vargas. Foi uma luta! Dizia-se naquele tempo que o Brasil não seria um player importante no jogo global e que seria um desperdício alocar escassos recursos para tanto.

    Veja bem, cinqüenta e poucos anos atrás. Como a idiotia neoliberal é míope e com estreita visão de futuro! Pode-se alegar que o mapeamento geológico de então, feito por norte-americanos, apontava naquela direção. Segundo o professor Carlos Lessa, em um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, sem contar as duzentas milhas marítimas, seria impossível não haver ouro negro e outras riquezas minerais. À idiotia neoliberal falta fé no Brasil.

    Estamos buscando realizar um debate respeitoso e moderado no blog. Você é bem-vindo. Solicito apenas que evitemos encurralar nossos adversários intelectuais. É muito mais nobre de espírito e caráter deixar uma saída honrosa para a pessoa. Busque se colocar no lugar da pessoa. Quem está nos lendo irá tirar suas próprias conclusões.

    Dificilmente uma pessoa muda de posição num debate. Além de embaraçoso, tal fato abalaria todas as suas premissas argumentativas. Para desmontar intelectualmente um adversário basta demonstrar a fragilidade das premissas em que ele se apóia.

    Reitero que é importante não confundir teoria neoclássica com neoliberalismo. São duas coisas diferentes. Como sugeriu Keynes, o neoliberalismo é a banalização dos escritos de Alfred Marshall, seja por ignorância ou mesmo para o atendimento de interesses específicos. Em síntese, as idéias são mais perigosas do que os interesses explícitos.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  32. Jair Hollanda falou:

    Parabéns pelo Blog. Esse corporativismo é muito bonito! Nós heterodoxos vamos nos mostrar corretos. Com isso quero dizer que basta que nos mostremos certos para nós mesmos.Afinal, os neoliberais(aqueles de todas as Universidaeds exceto Kansas, UFRJ, UNICAMP e tantas outras importantes que, agora, esqueci o nome) não poderão ser nunca convencidos úma vez que está claro o mau caratismo deles. Basta ver esse artigo do Krugman: http://web.mit.edu/krugman/www/dishpan.html

    O cúmulo da falta capacidade de fazer ciencia.

    Abraços

  33. Jair Hollanda falou:

    Prezados

    “Segundo o professor Carlos Lessa, em um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, sem contar as duzentas milhas marítimas, seria impossível não haver ouro negro e outras riquezas minerais. À idiotia neoliberal falta fé no Brasil.”

    Sou fã do Carlos Lessa. Um dos grandes visionários do país. Aposto que ele disse isso anos antes da criação da petrobrás ou da descoberta de qq petroleo. Quando ele disse isso?

    Parebenizo vcs pelos argumentos tão iluminados

  34. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Jair

    O professor Calor Lessa foi meu orientador de doutorado na UFRJ e isso foi motivo de muita honra, palavra fora de moda para muitos, e responsabilidade para mim. Ele disse isso por diversas vezes em palestras e seminários na década de 1990. Convivi com pessoas mais inteligentes do que eu e pude aprender com as mesmas.

    Gosto de seguir a retidão intelectual dos meus professores. Lessa, enquanto presidente do BNDES (2003-2004), jamais fugiu do bom combate. Quando questionado sobre a gestão do Henrique Meirelles no Banco Central do Brasil, Lessa não vacilou: “um pesadelo”.

    Ele estava correto. Segundo dados da CEPAL, a taxa de precarização das relações de trabalho – desemprego + informalidade – está presente para 49% da população economicamente ativa brasileira. O Brasil cresce abaixo da média da economia global e também abaixo dos ditos emergentes. Perdemos reais oportunidades de desenvolvimento socioeconômico que o ciclo econômico mundial nos propiciou.

    E agora a idiotia neoliberal quer nos convencer que Meirelles precisa aumentar a taxa básica de juros, a Selic, para segurar os preços das commodities agrícolas e de outros produtos tidos como básicos, como é o caso dos medicamentos. Segundo a FAO, os preços das commodities agrícolas subiram 37% em 2007. Commodities que estão fora da área de “controle” do doutor Meirelles.

    O que impressiona é que a diretoria do Banco Central do Brasil confunda poder de mercado de monopólios, duopólios e oligopólios com pressões de demanda. Certamente isso não é compartilhado hegemonicamente pelos funcionários de carreira do BC brasileiro.

    Um abraço e continue conosco,

    Rodrigo L. Medeiros

  35. Jair Hollanda falou:

    Prezados
    Prezados

    “Quer dizer, quando vc se refere a investimento, deve se referir àqueles gastos que aumentam a oferta agregada. Essa é a confusão fundamental, pq o Governo só pode aumentar a oferta agregada através das estatais.”

    Concordo com vc. Outro dia quis usar esse argumento mas não consegui. Me ajudem por favor. Meu ponto era igual ao seu. O governo só pode aumentar a oferta agregada através das estatais. Ai pensei estradas aumentam a oferta agregada mas o DNIT não é uma empresa estatal, é uma autarquia. Não posso concordar com um idiortodoxo. Que respondo?

    Abraços

  36. Heldo Siqueira falou:

    Jair,

    argumentar com exemplos é um tipo de falácia, mas como eu que introduzi um exemplo, tenho que reconhecer o desvio da discussão como culpa minha.

    Na verdade, sempre se acha um exemplo sobre o que se quer dizer(e poderia listar uma centena de serviços e produtos prestados por órgãos públicos que não são empresas estatais que mesmo assim continuariam sendo excessão, dada a infinidade de atribuições que o este tipo de instituições exerce).

    Mas concordo com vc, alguns investimentos de autarquias e órgãos da administração direta e indireta aumentam a oferta agregada (o que, repito, não é o caso mais normal). Por outro lado, a grande maioria dos produtos (e deve haver uma excessão, dada novamente a infinidade de atribuições dessas empresas) que as estatais oferecem para a sociedade aumentam a oferta agregada. E como falei, em geral na indústria de base (que é o motor de qualquer sistema econômico).

    Por fim, vc pode concordar com quem quiser, vivemos em uma democriacia e se vc quiser pode concordar com um ortodoxo, com um heterodoxo, ou com um idiortodoxo (o que quer que seja isso). O debate está aí pra isso! (mas repito, entendo que discutir por exemplos diminui muito o nível do debate)

    Abraços

  37. Jair Hollanda falou:

    Prezados

    No ultimo post do companheiro Heldo, ele sagazmente disse outra coisa com a qual concordo muito:
    “A questão é que o Brasil era uma economia extramente fechada e muito desigual, assim, os cortes na demanda agregada representavam, necessariamente, aumentos nos preços para manutenção dos lucros brutos.”

    Numa conversa com um mongortodoxo ele me me pediu pra explicar isso. Ele disse demanda é negativamente inclinada. Eu concordei. Ai ele disse oferta é positivamente inclinada. Eu concordei. Mas ai, vejam só, uma diminuição na demanda gera uma diminuição de preço. Isso tá errado. To pensando aqui, será que a demanda é positivamente inclinada e a oferta negativamente? Me ajudem.

    abraços

  38. Jair Hollanda falou:

    Prezado Heldo

    Agora eu entendi. O que vc quis dizer é que esta parte do seu texto…
    “Já quando falamos de instituições públicas, só temos 4 tipos de instituições: 1) administração direta; 2) administração indireta; 3) autarquias; e 4) estatais. Todas elas podem realizar investimentos, entretanto, os investimentos dos órgãos de administração direta, indireta e das autarquias são frequentemente confundidos com despesas correntes. Simplesmente pq para essas instituições não existe capital, o gasto não busca uma valorização é simplesmente demanda.

    Não há aumento de oferta agregada pq o IDAF (vou dar o exemplo de onde trabalho para ficar mais fácil) faz um investimento na renovação da frota. Simplesmente o serviço de inspeção e fiscalização fica mais eficiente, mas não há aumento da oferta de produtos agropecuários no ES simplesmente por esse fato. E estou falando de uma autarquia!

    Já nas empresas estatais, a coisa é um pouco diferente, pq essas empresas podem apresentar valorização. E os investimentos das empresas estatais aumentam a oferta agregada da economia, diferentemente das anteriores. Além disso, as empresas estatais estão, em geral, inseridas nos mercados de indústria de base, que numa análise agregada fazem pouca (ou nenhuma) diferença, mas na economia real têm um impacto extremamente importante.

    Quer dizer, quando vc se refere a investimento, deve se referir àqueles gastos que aumentam a oferta agregada. Essa é a confusão fundamental, pq o Governo só pode aumentar a oferta agregada através das estatais. Pode até tentar induzir a iniciativa privada a investir mais (supostamente com diminuição da carga tributária ou diminuição dos gastos, do que discordo) mas, de maneira nenhuma, pode obrigar os empresários a investir.

    … não quer dizer absolutamente nada.

    Enfim, ainda assim acho que imbeciortodoxo está errado.

    abraços

  39. Heldo Siqueira falou:

    Jair,

    ainda bem que vc percebeu que a oferta agregada não tem nada a haver com a curva de oferta do Marshall (e o Keynes demonstrou isso muito bem). Mas estou começando a entender o que são idiortodoxos, mongortodoxos e inbeciortodoxos! Devem ser caras que acreditam que para analisar a macroeconomia é só pegar os argumentos (os mais banais possíveis) da microeconomia e expandi-los…

    Nesse caso concordo com vc, que não se deve concordar com esses idiotas!!

    Abraços

    ps.: Quanto ao fato de se um gasto aumenta ou não a oferta agregada, acho que vai precisar de conceitos mais amplos que da microeconomia de fundo de quintal com a qual vc está argumentando…

  40. Jair Hollanda falou:

    Prezados

    “oferta agregada não tem nada a haver com a curva de oferta do Marshall (e o Keynes demonstrou isso muito bem).” Entendi, oferta deve ser negativamente inclinada mesmo. Obrigado

    abraços

  41. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados colegas

    Para qualquer tema há diversas portas de entrada e saída. As perspectivas teóricas estão aí para isso. Problemas surgem quando as perspectivas se fecham em nome da suposta superioridade de uma delas.

    A realidade é muito complexa para ser capturada por uma única perspectiva teórica. Existe muita literatura sobre isso. Nem convém discutir muito.

    Um dos problemas em qualquer debate é que as partes envolvidas dificilmente mudam suas opiniões ao longo do processo. Pelo contrário, buscam mudar a posição dos outros. Os debates ficam intermináveis e perdem o sentido.

    O post colocado pelo Gustavo logrou êxito em esclarecer pontos para os leitores do blog. As pessoas podem tirar suas próprias conclusões.

    Uma pergunta: e se Jack Welch houvesse administrado a GE de forma ortodoxa? E Alfred Sloan, na GM? Para uma reflexão mais profunda: Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), ‘Safári de Estratégia’ (Bookman).

    Alguém já leu ‘Teoria do desenvolvimento econômico’ (1911), um clássico do Joseph A. Schumpeter? Pois bem, trata-se de um livro fundamental para se compreender as relações sistêmicas de interdependência numa economia – crédito, instituições, estruturas produtivas.

    O livro do professor Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, também é bem interessante para mostrar como a ortodoxia dificulta a construção de processos de desenvolvimento nacional: ‘Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica’ (UNESP, 2004).

    A ortodoxia no Brasil tem um grande problema em conciliar discurso e prática. Prega disciplina fiscal, mas faz um baita de um estrago nas contas públicas. Vejam o que está fazendo atualmente o Henrique Meirelles no Banco Central do Brasil. Recuando um pouco no tempo, segundo Joseph Sitglitz, prêmio Nobel de Economia (2001):

    “O que torna a especulação lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo FMI. Quando o Fundo e o governo brasileiro, por exemplo, gastaram aproximadamente 50 bilhões de dólares para manter a taxa cambial em um nível supervalorizado no fim de 1998, para onde foi o dinheiro? Ele não desaparece no ar, acaba indo para o bolso de alguém – grande parte desse dinheiro foi para o bolso de especuladores” (‘A globalização e seus malefícios’. Futura, 2002. p.245). Alguém se lembra do saco de maldades do Gustavo Franco? Ele só esqueceu de mencionar, naquele momento, quem iria pagar a conta do jantar…

    Em oito anos de governo FHC, o Brasil viu dobrar sua relação dívida/PIB e aumentar o contingente de trabalhadores precarizados (desemprego + informalidade), hoje em 49% da PEA, segundo a CEPAL.

    Qual o projeto da ortodoxia para o Brasil? Desregulamentar as relações trabalhistas. Pois bem, ela também pregou liberalização da conta de capitais e vejam o diagnóstico de Joseph Stiglitz algumas linhas logo acima. Leiam o livro do Stiglitz, pois ele descreve a arquitetura financeira global e ainda sugere intervenções esclarecidas.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  42. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Jair

    Não aceitamos ofensas no blog. Nem se as mesmas forem de brincadeira. Exercitamos a tolerância, respeitando a opinião alheia. Em muitos casos não concordamos com o debatedor. Tudo bem, o leitor que tire suas próprias conclusões. O debate é de idéias e perspectivas teóricas.

    Irei repetir alguns pontos. Qual o projeto da ortodoxia para o Brasil? Câmbio supervalorizado e juros altos? Desregulamentar as relações trabalhistas. Pois bem, ela também pregou liberalização da conta de capitais e vejam o diagnóstico de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia (2001):

    “O que torna a especulação lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo FMI. Quando o Fundo e o governo brasileiro, por exemplo, gastaram aproximadamente 50 bilhões de dólares para manter a taxa cambial em um nível supervalorizado no fim de 1998, para onde foi o dinheiro? Ele não desaparece no ar, acaba indo para o bolso de alguém – grande parte desse dinheiro foi para o bolso de especuladores” (‘A globalização e seus malefícios’. Futura, 2002. p.245). Alguém se lembra do saco de maldades do Gustavo Franco? Ele só esqueceu de mencionar, naquele momento, quem iria pagar a conta do jantar…

    Veja com John M. Keynes estava correto. As idéias podem ser mais perigosas do que os interesses explícitos, principalmente quando elas buscam ocultá-los. Você não precisa odiar ninguém neste blog, busque apenas tirar suas próprias conclusões e manter suas perspectivas abertas.

    A literatura que indiquei anteriormente é muito boa. Rejeite o estreitamento de perspectivas teóricas.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  43. Jair Hollanda falou:

    Prezado Heldo

    “parto sempre do princípio de que não existe função de oferta agregada, simplesmente pq para cada nível de taxa de juros o desemprego natural, e não segue uma função (positiva ou negativamente inclinada). A questão mesmo é que, mesmo que fosse possível, se somar um monte de curvas de oferta positivamente inclinadas não se pode ter certeza da inclinação da curva final (até pq essas curvas são frequentemente quadráticas).”

    Ai Helton, concordo com vc. Se uma relação binária não é univoca, ela não pode, por definição, ser uma função. Então uma oferta inelastica não é a representação de uma função, por definição. E se oferta não é uma função, os ortodoxos estão errados. Concorda?

    Me explica pq não se pode saber a inclinação de uma função quadrática? Achei que pra isso que servia derivada. Funções quadráticas são deriváveis? Acho que são né. Esse negócio de matemática é muito chato. Prefiro Celso Furtado.

    Último ponto que vc destacou e que concordo é com esse negócio de agregação. Muito louco né. Agregadamente, a gente acha que quanto maior o preço, menos a economia está disposta a produzir. Essa economia surpreende a gente , né. Tipo poupança. Só existe poupança em termos micro economicos. Em termos macroeconomicos poupança é um nada. Não existe tradeoff de nada né. O mundo seria melhor se todos buscassem apenas maximizar o consumo. Aliás, to meio chateado. O brasil tá crescendo pouco. Vamos ajudar o Brasil. Me deem seus dinheiros que eu prometo gastar e o brasil vai ficar rico e todomundo vai ficar melhor.

    abraços

  44. Jair Hollanda falou:

    Prezados

    Sobre essa questão do texto do FMI, eu concordo com o companheiro Dalto. Vale a pena distorcer e mentir sobre o FMI, uma vez que isso é para o bem do Brasil. Nós sabemos o que é bom pro Brasil. O FMI é o capeta. Eu faço igual o Fabiano. Eu distorco os fatos pra mostrar que eles são uns sanguesugas.

    Abraços

  45. Heldo Siqueira falou:

    Jair,

    em microeconomia vc integra as funções pq admite que uma pessoa (ou firma) tenha uma curva de preferências (do que já discordo). Mas quando agrega, não existe uma função contínua, por definição não há integral (mas somatório). Quer dizer, um conceito de curva de oferta agregada está errado em si, pq as preferências de várias empresas não formam um conjunto contínuo (das curvas de demanda também). Matematicamente vc não pode integrar uma função descontínua. Estatisticamente vc pode tentar montar uma função, mas os parâmetros dela não servirão para nenhum tipo de previsão, já que mudarão assim que houver mudanças na distribuição de investimentos (pq na verdade, não existe função, vc que forçou a relação).

    Por outro lado, a concorrência perfeita não pode ser uma função, pq o mesmo preço não pode estar relacionado a todas as quantidades ofertadas na economia (já que quantidade é função do preço de mercado). (em economia nós temos mania de colocar os eixos de abscissas e ordenadas invertidos, alguns dizem até que é de propósito para não ficar evidente que concorrência perfeita não pode ser uma função, mas eu não faço esse tipo de juízo) Por outro lado, tem gente que acha mais importante modelar matematicamente (e quanto mais fácil modelar melhor….) do que estudar a realidade, do que me abstenho em discutir por agora.

    Como em economia, empresários não vivem de promessas de gastos (como acreditam alguns economistas que acham que existe um trade-off entre poupança e consumo), não adianta vc prometer que vai gastar o dinheiro se todo mundo te der ele… Por outro lado, como não existe curva de oferta agregada, não existe essa relação entre preços e produção que vc está insinuando. (ou pelo menos não existe um parâmetro estável que ligue preços e quantidade ofertada) E ainda está dizendo que eu insinuei que existe. (lembrando que agregação não é necessariamente integração, somatório é um tipo de agregação mas não é integração)

    Não sei pq vc saiu do sarcasmo, que é uma forma elegante de bagunçar a discussão e partiu para essa discussão inútil…

    Abraços

  46. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados colegas

    Segundo as normas de publicação, não aceitamos ofensas. O debate não ganha em nenhum aspecto com isso. Toda vez que alguém ofender um colega, eu mesmo, na qualidade de editor, irei apagar o comentário.

    Este é um fórum sério constituído para o debate de idéias, perspectivas teóricas e projetos. Recomendo meu artigo: http://desempregozero.org/2008/02/29/renascimento-desenvolvimentista-e-integracao-economica-na-america-latina/

    O artigo analisa como se mostra simplório falar em inflação e mecanismos de combate sem compreender os processos que a causam. Recomendo também Celso Furtado, ‘A economia latino-americana’ (Companhia das Letras, 2007), e Ignácio Rangel, ‘A inflação brasileira (Bienal, 1986) e ‘A economia brasileira contemporânea’ (Bienal, 1987). Os dois foram profundos nas análises dos processos sistêmico-estruturais do desenvolvimento econômico brasileiro.

    Alguém conhece finanças funcionais e Abba Lerner? Pois bem, essa teoria ensina a criar e esterilizar moeda numa economia. Os volantes keynesianos das economias mais desenvolvidas são operados dessa forma.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  47. Francisco falou:

    Caros,

    Ou me expressei mal ou não fui compreendido.

    Realmente não entendi a colocação. A “ignorância” no caso vem de eu desconhecer essa literatura.

    Minha pergunta é simples: Alguma teoria diz que não existe trade-off entre poupança e consumo? Como ela explica isso?

    Abraço

  48. Jair Hollanda falou:

    Heldo

    Vc relamente só disse coisas sensatas. To chocado. Nao sei nem por onde começar os elogios. Vc deve ser muito bem visto no meio academico, ortodoxos e heterodoxos. Vc enche de orgulho todos os heterodoxos. Parabéns.

    Estão comemorando 10 anos de formados nessa escola. Foi aqui (http://www.indianopolis.com.br/si/site) que vc estudou né?

    abraço

  49. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Prezado Francisco,
    esse problema é simples e já foi demonstrado por Keynes e outros há mais de 60 anos. Até os anos 70, todos sabiam disso (com exceção da economia de Chicago), mas a partir dos anos 80 foi feito todo o esforço para que todos esquecessem essas simples verdades.
    Vamos lá:
    para o consumidor individual certamente existem o trade-off entre consumo e poupança. Para para o agregado macroeconômico não existe.
    Porque todo o consumo é renda de alguém. E renda no momento em que obtida é 100% poupança, porque não houve tempo de ser consumido e no momento em que é consumida vira renda e poupança de outra pessoa.
    Portanto, o consumo ou o não-consumo não pode reduzir e nem aumentar a poupança nacional. Apenas o investimento aumenta a poupança.
    Esses conceitos são melhor explicados no seguinte artigo:http://desempregozero.org/2008/03/28/%e2%80%9ctoda-dona-de-casa-sabe-que-nao-pode-gastar-mais-do-que-ganha%e2%80%9d-como-subverter-o-significado-do-conceito-%e2%80%98poupanca%e2%80%99-para-fins-conservadores-debate-iii/
    obrigado pelo comentário.
    abraços,
    Gustavo

  50. Gustavo dos Santos (meus artigos clique) falou:

    Caro Jair Hollanda,
    Esse não é um lugar para deboche, falta de respeito e ofensas.
    Seu deboche insinua argumentos que são falaciosos.
    Entretanto, mostram falta de argumentos racionais razoáveis. Caso eu estiver errado, agradeceria se demonstrasse isso.
    obrigado.

  51. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Há um livro muito interessante do Wilson Cano, ‘Introdução à Economia: uma abordagem crítica’ (UNESP, 1998). Uma bela introdução à ciência econômica.

    Como seria possível conduzir um processo de desenvolvimento econômico sustentado e equitativo sem reformas de base em um país como o Brasil? Celso Furtado descreveu ao longo de sua grande obra os mecanismos de “fuga para frente” empregados pelas elites latino-americanas (Cf. ‘A economia latino-americana’. Companhia das Letras, 2007). Conservadorismo político e tradição primário-exportadora formam um perverso binômio de exclusão das massas nos processos decisórios.

    Vejamos alguns números do livro do Wilson Cano: “Somados os anos do período 1982-1990 – o da crise da dívida -, a América Latina transferiu recursos líquidos para o ‘resto do mundo’ num total de 221 bilhões de dólares (dos quais 75 do Brasil, 33 da Argentina e 72 do México), mas o saldo acumulado de sua dívida externa passou de 116 bilhões de dólares em 1979 para 574 bilhões em 1995” (CANO, op. cit., p.103).

    Sobre o período FHC, creio que Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia de 2001, foi enfático: “O que torna a especulação lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo FMI. Quando o Fundo e o governo brasileiro, por exemplo, gastaram aproximadamente 50 bilhões de dólares para manter a taxa cambial em um nível supervalorizado no fim de 1998, para onde foi o dinheiro? Ele não desaparece no ar, acaba indo para o bolso de alguém – grande parte desse dinheiro foi para o bolso de especuladores” (‘A globalização e seus malefícios’. Futura, 2002. p.245). Alguém se lembra do saco de maldades do Gustavo Franco? Ele só esqueceu de mencionar, naquele momento, quem iria pagar a conta do jantar.

    Estamos presos hoje à ortodoxia de galinheiro, que mal consegue realizar um trade-off razoável entre controle da inflação, nível de emprego formal e desempenho global da economia. Além disso, a ortodoxia de galinheiro confunde poder de mercado com pressões de demanda. Segundo a CEPAL, a taxa de precarização das relações de trabalho (desemprego mais informalidade) é de 49% para a população economicamente ativa no Brasil. Isso seria um escândalo nos países mais desenvolvidos e sérios.

    As idéias da ortodoxia são de fato perigosas. Keynes sustentou em seus ensaios sobre persuasão que as idéias são de fato mais perigosas do que os interesses explícitos. Principalmente quando elas buscam camuflá-los e lhes dar uma áurea de superioridade científica.

    Imaginem se os empresários administrarem suas organizações de forma ortodoxa. Será que as mesmas suportariam as constantes e rápidas mudanças nas condições de contorno (ambiente)? Pensem em Jack Welch, na GE. Podem pensar também em Taiichi Ohno, na Toyota, e como ele contrariou toda a ortodoxia fordista de então.

    Para os que sustentam de forma simplória que o tempo mostrará qual é a “verdade” no debate entre ortodoxos e heterodoxos, só posso recordar Bacon e dizer que verdade é poder. Das idéias, dos interesses e das organizações…

    Abs,

    Rodrigo L. Medeiros

  52. Fernando falou:

    Prezados

    Somente o ortodoxo discorda do Heldo? Gostaria de saber se esse e um debate onde nao umm ortodoxo nao pode discordar de um ortodoxo e um heterodoxo nao pode discordar de um heterodoxo.

    abraco

  53. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Recomendo o livro do Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, ‘A globalização e seus malefícios’ (Futura, 2002). Está em português e trata-se, portanto, de um livro de leitura acessível.

    Stiglitz disserta sobre o FMI e “o socorro” aos países-membros, incluindo as tais condições dos acordos. Leiam e analisem o diagnóstico de um dos maiores economistas vivos. Vocês poderão tirar suas conclusões sobre os acordos e as condições impostas pelo FMI nos últimos cinqüenta anos.

    Dominique Strauss-Kahn, novo diretor-geral do FMI, busca fazer um trabalho de recuperação da imagem do Fundo, visto por muitos como um mero anexo do Tesouro norte-americano. Certamente esse desafio envolve problemas de credibilidade junto aos países emergentes. Edward Prescott, também prêmio Nobel de Economia, já defendeu, há algum tempo atrás, a extinção do FMI. Ele alegou que o Fundo prejudicou mais do que ajudou os países necessitados.

    Sinceramente, não consigo acreditar que após cinqüenta anos de evolução da teoria neoclássica a ortodoxia brasileira possa querer ficar presa ao dilema “manteiga versus canhões”. Qual seria o problema? Dificuldade intelectual em ampliar perspectivas teóricas ou mera defesa de interesses particulares?

    Leiam ‘Manias, pânico e crashes’ (Nova Fronteira, 2000) de Charles P. Kindleberger. Paul Samuelson, colega de MIT de Kindleberger e também Nobel de Economia, recomendou essa obra em artigos.

    Abs,

    Rodrigo L. Medeiros

  54. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    O post do Gustavo cumpriu um papel bastante didático ao mostrar a estreiteza teórica de muitos adeptos da ortodoxia econômica. Muitos ainda se recusam a ampliar suas perspectivas teóricas para o século XXI, mesmo sabendo que assim o fizeram competentes economistas neoclássicos nos últimos cinqüenta anos. Para quem ainda duvida efetivamente que as idéias sejam de fato mais perigosas do que os interesses explícitos, recomendo a seguinte matéria publicada na revista CartaCapital, de março de 2007:

    A República distante

    Por Márcia Pinheiro e Sergio Lirio

    O Banco Central recusa-se a acatar os princípios de transparência e promove encontros secretos com o mercado.

    Quinta-feira 15 e sexta 16. Dois diretores do Banco Central encontraram-se, sigilosamente, com executivos de instituições financeiras para discutir economia. Foram três reuniões em São Paulo (escalonadas de duas em duas horas, a partir das 11 da manhã) e uma no Rio, nas sedes regionais do BC, prédios públicos. Estavam presentes 20 participantes, em cada encontro, aproximadamente, o que em um cálculo rápido daria 80 privilegiados, que foram se atualizar sobre as planilhas dos representantes do BC: o diretor de Política Econômica e Estudos Especiais, Mario Mesquita (ex-ABN Amro e ING), e o diretor de Política Monetária, Rodrigo Azevedo (ex-Credit Suisse First Boston e Garantia). O presidente do BC, Henrique Meirelles, compareceu somente ao evento no Rio, mas não falou.

    Cento e dezoito anos depois do gesto do marechal Deodoro da Fonseca, proclamando a República, eternizado em quadro do pintor Benedito Calixto, uma série de instituições brasileiras recusa-se a entrar na era da República. Falar em valores republicanos, nos dias de hoje, causa urticária em meia dúzia de aclamados pensadores e escribas da vida cotidiana, como se o conceito tivesse perdido o sentido.

    Seria bom que os críticos do debate sobre o republicanismo no Brasil e os que acham moderno grafar estado com letra minúscula consultassem os ideólogos que moldaram a civilização ocidental. Encontrariam, por exemplo, um ensinamento de Montesquieu, na obra O Espírito das Leis, de 1745: “Quando, numa república, o povo como um todo possui o poder soberano, trata-se de uma Democracia. Quando o poder soberano está nas mãos de uma parte, trata-se de uma Aristocracia”.

    A quem serve o poder soberano do BC brasileiro, cuja autonomia de fato não parece suficiente aos donos do dinheiro? As reuniões com agentes do mercado financeiro falam por si. Mais do que negar os preceitos de um Estado participativo e forte, comprometido com o interesse público, os convescotes revelam o quanto, no Brasil, o público e o privado confundem-se a ponto de não se poder enxergar a linha divisória entre ambos.

    Oficialmente, as reuniões nem existem. Não constam da agenda do BC. Tampouco os resultados são revelados à imprensa. Trata-se de uma festa para poucos, em que as práticas de democratização da informação passam ao largo. Segundo o assessor de imprensa do BC, Jocimar Nastari, a não divulgação das agendas é um procedimento que visa coibir a especulação do mercado financeiro. Um comunicado prévio, argumenta, daria margem a ruídos nos negócios. “No caso, não é preciso transparência. Ela se dá por meio dos (breves) comunicados após a reunião do Copom, da Ata do encontro e dos relatórios trimestrais de inflação. “É o arcabouço legal do regime de metas de inflação”, afirma.

    Não é de hoje que tais encontros acontecem. Os eventos são trimestrais. Em 2006, por exemplo, ocorreram em 20 de fevereiro, 8 de junho, 21 de agosto e 22 de novembro. Como o mercado financeiro não é exatamente composto por ingênuos, fica a dúvida. Por que os saraus restritos a economistas e gestores de instituições financeiras?

    A alegação, ainda oficial, é que, das reuniões, saem dados concretos para que o BC redija o relatório trimestral de inflação. Mas e o setor produtivo? E os economistas das universidades? Ou seriam os últimos incapazes de prover o BC de análises consistentes? É relevante lembrar que a autoridade monetária já dispõe de um canal de comunicação com o mercado, por meio da Gerência Executiva de Relações com Investidores (Gerin), cuja função é compilar, semanalmente, entre economistas de bancos, expectativas sobre os mais diferentes preços da economia.

    Pois as reuniões ocorridas em São Paulo e no Rio foram ricas em percepções e informações. Pena que ninguém, a não ser o mercado, teve acesso às discussões. A mídia sistematicamente ignora tais eventos, exceção feita às agências de notícias on-line, cujos clientes são os próprios bancos e corretoras. CartaCapital ouviu alguns dos presentes nos encontros, que não quiseram ser identificados.

    Nas exposições iniciais, os diretores do BC Mesquita e Azevedo disseram estar o País menos vulnerável, com reservas internacionais sólidas (acima de 100 bilhões de dólares), mas insuficientes para ter tranqüilidade. Recado dado e assimilado: o BC vai manter a política agressiva de compra de dólares no mercado. Ou seja, a moeda não cairá abaixo de 2 reais. Afirmaram ainda que a alta recente da inflação foi pontual, mas cabe à autoridade monetária “não deixar o repique se espalhar para os demais preços da economia”. Leia-se: quem apostava em queda de meio ponto porcentual da taxa Selic na próxima reunião do Copom saiu convicto de que ela cairá não mais que 0,25 ponto.

    A seguir, cada representante de banco foi convidado a fazer uma avaliação da economia. Grande parte mostrou preocupação com o cenário de médio prazo. Acham, os economistas, que a demanda continuará forte, com aumento do crédito e do consumo, e que os investimentos serão insuficientes para garantir um crescimento de bom tamanho, sem que a inflação repique. Voltou à cena o famoso PIB potencial, ou quanto um país pode crescer sem pressão sobre os preços. E consideram estar havendo “um fechamento do hiato do produto”. Recado para o BC: é preciso continuar com a política de juro alto, para conter um suposto ímpeto consumista da população.

    Em uma das reuniões, em São Paulo, um economista ousou discordar. Traçou projeções otimistas sobre a capacidade de produção do Brasil, mas foi logo desautorizado por Mesquita: “Vamos parar de falar de cenários róseos. Vamos discutir os riscos”. Curioso. Não combina com os discursos otimistas do chefe dele. Em público, Henrique Meirelles não se cansa de dizer que o Brasil está mais sólido como nunca antes na história. Que está imune a tempestades financeiras. A quatro paredes, não é bem assim. Leitura: para as massas, circo e otimismo. Para os privilegiados, informações e impressões que viram dinheiro.

    As ligações estreitas entre o BC e o mercado, no Brasil, não têm paralelo no mundo. Nos Estados Unidos, reino do capitalismo financeiro, o presidente e os governadores do Federal Reserve (Fed) estão submetidos a duras regras. Além de um código de conduta rigoroso, explicitado nos sites de todas as regionais do Fed, duas vezes por ano, o presidente da autoridade monetária (Ben Bernanke) é obrigado por lei a dirigir-se ao Congresso para explicar os objetivos e os resultados da política monetária, com ênfase nos efeitos sobre o crescimento e o desemprego.

    Aliás, entre as responsabilidades do Fed está “conduzir a política monetária, por meio de controle da oferta de dinheiro e do crédito na economia, perseguindo o pleno emprego e a estabilidade dos preços”. Também está no site da instituição (www.federalreserve.gov).

    O quê? Um BC preocupado com o emprego? Certamente é coisa de país atrasado e economistas subdesenvolvidos.

    Perante os congressistas, Bernanke, como foram Alan Greenspan e todos os antecessores dele, é submetido a uma sabatina. Nada passa em brancas nuvens. São ocasiões aguardadas por todo o mercado, mas abertas ao público, registradas e televisionadas. Todos têm direito à mesma informação em tempo real.

    Consultada por CartaCapital sobre a existência de encontros secretos entre os membros do Fed e o mercado, a porta-voz para a imprensa da regional de Nova York do banco, Linda Ricci, até se surpreendeu, em princípio, com a pergunta. Negou que houvesse qualquer coisa do gênero.

    Linda disse que as únicas conversas não reveladas para a imprensa são as trocas de idéias diárias do Fed com os chamados primary dealers, prática comum em todos os BCs mundiais, inclusive o brasileiro. Os primary são instituições financeiras cuja função é indicar ao BC as condições do mercado no dia, dar liquidez aos negócios e participar ativamente dos leilões de títulos públicos. “O teor das conversas não é publicado, mas o fato de elas existirem é público”, tratou de esclarecer Linda.

    A história dos encontros a portas fechadas entre o BC e o mercado é apenas uma dentre as relações pouco republicanas da autoridade monetária. Há outras. Uma delas, exemplar. Em 14 de março de 2005, segundo noticiou o jornal Valor Econômico, o BC pediu à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que organizasse um seminário a portas fechadas, com o objetivo de discutir mudanças nas regras cambiais. Na ocasião houve, ao menos, entrevistas coletivas após o encontro. De todo modo, economistas de universidades mostraram-se descontentes com o rumo das discussões, por não terem sido consultados.

    Em uma sessão da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, em 27 de setembro de 2005, foram convidados João Sicsú, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alexandre Schwartsman (hoje, ABN Amro), então diretor da Área Internacional do BC. O diretor não compareceu e enviou, para representá-lo, Alexandre Geraldo Magela Siqueira, gerente-executivo de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros do BC. O propósito era discutir a ampliação do prazo, de 180 para 210 dias, para os exportadores trazerem os dólares obtidos com as vendas externas para o Brasil.

    Provocado por Sicsú sobre a reunião na Fiesp, Magela afirmou desconhecer que teria sido uma iniciativa do BC. Ficou o dito pelo não dito, mas se era uma inverdade, perguntou Sicsú, por que ninguém do BC havia protestado contra o texto do Valor Econômico? Não obteve resposta. Na ocasião, Magela negou que a ampliação da chamada cobertura cambial estaria no escopo de um projeto mais abrangente de liberalização desse segmento do mercado. Os fatos posteriores provam que estava. O áudio da sessão está disponível para consulta pública.

    A procuradora da República do Distrito Federal, Valquíria Quixadá, encaminhou uma recomendação, em 2005, à Procuradoria-Geral para que solicitasse a Meirelles e ao então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, uma justificativa do motivo de se ampliar o prazo para a repatriação dos recursos por meio de resoluções do Conselho Monetário Nacional e não pelo Congresso Nacional. Como resposta, ambos disseram entender que a Lei 4.595, de 1964, assegurava a constitucionalidade das iniciativas.

    Valquíria tem outra visão. Segundo ela, as resoluções são inconstitucionais, pois afrontam a Lei 4.131/62, que “disciplina a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores para o exterior”. Da forma como foi feito, diz, “o Conselho Monetário Nacional e o BC usurpam uma competência do Legislativo”.

    Os fatos: os prazos foram ampliados e, por Medida Provisória, em agosto de 2006, o processo culminou com a permissão para os exportadores deixarem no exterior parte dos recursos das vendas externas. Cabe ao CMN fixar os limites; por ora, 30% podem ficar depositados lá fora. Os restantes 70% têm 360 dias para ingressar no País. O projeto foi aprovado pelo Senado em novembro do ano passado. Não foi um assunto amplamente debatido na sociedade. Não houve consulta pública. Mas o projeto obteve o apoio dos industriais, por causa do câmbio supervalorizado.

    Toda a questão, resume João Sicsú, transcende resoluções ou normas pontuais. “Devemos refletir sobre o que é melhor para o País. Devemos refletir sobre a República.” Segundo ele, foram conferidos superpoderes ao BC, após a adoção do regime de metas de inflação, pelo Decreto 3.088, de 21 de junho de 1999. Segundo o artigo 1º, as metas devem ser fixadas pelo CMN. Mas o artigo 2º dá total liberdade ao BC de persegui-las da forma que julgar conveniente.

    Na avaliação do economista, o BC opera com duas variáveis-chave da economia, juro e câmbio. E nunca dá explicações exatas e técnicas sobre suas atitudes. Exemplo: Meirelles vive a repetir que só mira a meta de inflação, mas é incontestável que a atual política de compras agressivas de dólares no mercado tenta evitar um tombo maior do câmbio, como ficou evidente nas reuniões com os economistas. Questiona Sicsú: “Qual é a política do BC para o câmbio? Mesmo para a taxa de inflação: por que o juro é tão elevado se a inflação passada e a projeção para o futuro são de números abaixo da meta?”

    A transparência está em xeque. E não é pouco. A independência formal do BC, como advogam os porta-vozes do mercado, precisaria ter como contrapartida o mais absoluto disclosure (abertura), para usar um termo tão em voga.

    É parte da história recente a acusação de favorecimento financeiro que o BC concedeu aos bancos Marka e FonteCindam em 1999, durante o ataque especulativo ao real, que gerou uma brutal desvalorização cambial. Foi 1,6 bilhão de reais, a valores da época. No meio da corrida especulativa, o BC comprara câmbio dos bancos abaixo do preço do mercado para evitar, como justificou a posteriori, a ocorrência de uma crise sistêmica. Os bancos quebraram. Houve condenação judicial dos envolvidos, inclusive de alguns diretores do BC. Todos estão soltos. O banqueiro Salvatore Cacciola fugiu para a Itália. Discutir amplamente questões de política econômica, portanto, não é teoria conspiratória. Está no escopo de quem sonha construir um País mais democrático e republicano.

  55. Heldo Siqueira falou:

    Fernando,

    estou respondendo só ao Fernando que foi quem se dirigiu diretamente a mim. O debate está interessante e não vou estragá-lo, já que não é minha especialidade.

    Mas qualquer um que consiga me provar que um conjunto de curvas de preferência ou de curvas de restrição orçamentária é contínuo (e portanto uma função aplicada nesse conjunto é integrável e derivável) pode escrever um artigo e esperar o prêmio nobel.

    Minha formação em matemática não é a melhor possível mas não caio em qualquer lorota. E respondendo ao Jair, acho muito mais útil (no caso de economia) ler Celso Furtado que tentar derivar funções descontínuas (isso se alguém mostrar que é possível).

    Abraços

  56. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezado Heldo

    Infelizmente o debate não se restringe ao campo teórico. Se o colega observar bem, Keynes continua uma grande referência para se discutir economia política. As idéias são de fato mais perigosas do que os interesses explícitos. Não é a “verdade” que triunfa, mas sim o poder das idéias, dos interesses e das estruturas organizacionais que os difundem e sustentam.

    Busquei colocar alguns exemplos para apresentar fatos concretos de discrepâncias entre discurso e prática. Penso que chegamos a um ponto do debate de “Equilíbrio de Nash”.

    Qualquer escola do pensamento econômico apresenta suas premissas e também seus pontos frágeis (Cf. BRUE, S. ‘História do pensamento econômico’. Thomson Learning, 2005). Não vejo motivos, portanto, para se buscar uma vitória final num debate. O importante é mantermos as perspectivas analíticas e teóricas abertas.

    Paul Bairoch sugere ser a heterodoxia um interessante caminho intelectual para que não se busque enfrentar os desafios econômicos de forma estreita (Cf. ‘Economics and world history: myths and paradoxes’. The University of Chicago Press, 1993). Pode-se ser, portanto, ortodoxo ou heterodoxo de acordo com as condições de contorno do ambiente analisado. Dani Rodrik, professor da JFK School of Government de Harvard, não pensa diferente. Acadêmicos do porte de Paul Samuelson e Charles Kindleberger, colegas de MIT, convergem para essas propostas.

    Preocupa-me o fato de que para defender algumas idéias as pessoas se escondam atrás de pseudônimos. Se as idéias são sustentáveis por que não se apresentar (nome completo, profissão, vinculação institucional)? Nós, editores e colaboradores do blog, estamos expostos, ao passo que outros debatedores escondem-se atrás de identidades secretas. Trata-se de muita assimetria para um debate que se propões franco.

    A ciência econômica sofisticou-se muito nos últimos cem anos. Há diversas escolas e teorias que podem ser combinadas num debate. O importante é manter as perspectivas teóricas abertas para analisar fatos.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  57. Rodrigo Loureiro Medeiros falou:

    Prezados leitores

    Muito provavelmente não teremos mais comunicações neste post. O fato é que a turma que se esconde atrás de pseudônimos partiu para agressões e difamações. Tudo bem, isso mostra que o anonimato é um belo refúgio da direita brasileira. Não era assim nos tempos do doutor Roberto Campos.

    Você leitor saberá tirar suas próprias conclusões. Gostaria apenas de fazer alguns comentários. Em primeiro lugar, ressalto que a teoria neoclássica vem alargando o escopo de seus estudos desde Alfred Marshall. Não sei se alguém viu o filme sobre a vida de John Nash? Ele fala sobre a teoria dos jogos e explica o que é conluio de forma bem simples. Bom, o livro é melhor.

    Keynes ofereceu uma valiosa contribuição ao alargamento da teoria neoclássica. Posteriormente vieram outros acadêmicos brilhantes: Simon Kusnets, Paul Samuelson, Robert Solow, Raúl Prebisch, Kenneth Arrow, Abba Lerner, Joan Robinson, Ragnar Nurkse, Theodore Schultz, Douglass North, Joseph Stiglitz, entre tantos outros.

    O livro ‘História do pensamento econômico’ (Thomson, 2005), de Stanley Brue, é bem interessante para aprofundar o debate sobre as escolas. Todas são importantes para quem se interessa pelo estudo de Economia.

    Se há um livro que valha a pena de fato ser lido com atenção esse é ‘A globalização e seus malefícios: a promessa não-cumprida de benefícios globais’ (Futura, 2002), do prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz. O leitor poderá avaliar como um dos maiores economistas vivos analisa o sistema econômico global, incluindo questões de liberdade de escolha e comércio internacional. Além disso, Stiglitz brinda seu leitor com uma análise do funcionamento do FMI, considerado por muitos um anexo do Tesouro dos EUA.

    Na reeleição de Fernando Henrique Cardoso, o governo Clinton acionou o Tesouro norte-americano, que, por sua vez, orientou o seu anexo para colocar US$50 bilhões e garantir a reeleição do sociólogo brasileiro. As desculpas baseadas em “boa teoria econômica” da supervalorização do real em relação ao dólar foram diversas. A questão é saber quem pagou a conta do jantar. Segundo as estatísticas do sistema ONU, a taxa de precarização das relações de trabalho (desemprego mais informalidade) atinge 49% da população economicamente ativa brasileira. Situação inaceitável nos países democráticos mais desenvolvidos.

    FHC e sua equipe econômica de professores-banqueiros passaram oito anos falando em disciplina fiscal. Pois bem, analisem como seu governo dobrou a relação dívida/PIB em apenas oito anos. Seu governo fez pior em termos fiscais do que qualquer ciclo que se possa chamar de populista no Brasil. A ortodoxia tupiniquim dizia nos grandes jornais que não havia problemas em endividar-se externamente, pois isso significava que existia credibilidade na economia brasileira. Pois bem, endividar-se em moeda estrangeira, que não se encontra sob a administração nacional, e praticar recorrentes déficits em transações correntes revela-se um caminho para a dependência e o subdesenvolvimento.

    Como teórico da dependência, FHC não pode alegar tirania das circunstâncias. Ele sabia o que estava fazendo.

    John K. Galbraith, em ‘The anatomy of power’ (Houghton Mifflin, 1983), aborda de forma elegante e esclarecedora a anatomia do poder. Três são os instrumentos do seu exercício: poder condigno, compensatório e condicionado. Creio ser muito oportuno essa análise. O fato é que a combinação desses instrumentos pode ser vista diariamente nas diversas organizações das sociedades. Castigo, compensação e adestramento intelectual integram o escopo de manutenção do status quo. Verdade é poder, não superioridade de argumentos teóricos.

    Agradecemos ao leitor dos comentários por ter nos acompanhado e esperamos que o interesse pelo assunto não se encerre neste interessante post colocado pelo Gustavo.

    Atenciosamente,

    Rodrigo L. Medeiros

  58. A economia política « Blog do Desemprego Zero falou:

    [...] & FALÁCIASOportunidades de Emprego 8 de abrilNassif: Paulo Henrique Amorim – PHA iG Para um economista ortodoxo: “A Ciência Econômica é o estudo da administração dos recursos esca…Oportunidades de emprego – 23/04/2008Sobre o tal “aparelhamento” do Estado?INHAME, a nova arma [...]

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