A alta dos preços dos produtos agrícolas tem provocado uma onda de protestos em todo o mundo, “(…)uma elevação pequena nos preços tende a ter um efeito dramático. Quem estava comendo melhor agora deverá comer menos. E quem não comia quase nada ficará sem comer. Passamos uma crise muito grave”, afirma Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas.
No Brasil, o efeito da crise é mais marginal, porque o país é um dos principais produtores mundiais de alimentos e ainda há a possibilidade de aumentar a produtividade devido a grande quantidade de terra disponível, mas é importante destacar que o Brasil tem um problema muito grave de infra-estrutura prejudicando o escoamento da safra.
Por Katia Alves
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Por José Fucs
Como o Brasil pode aproveitar a alta dos preços dos alimentos para se transformar na maior potência agrícola do planeta
O ex-ministro do desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan, também ex-presidente do conselho de administração da Sadia, uma das maiores empresas do agronegócio do país, conta uma história pessoal para explicar a alta nos preços dos alimentos em todo o planeta. Furlan compara o preço da tonelada de soja com o de uma Coca-Cola e com uma diária do hotel Waldorf Astoria, um dos mais luxuosos de Nova York. Segundo ele, em 1965, quando viajou para os Estados Unidos com o avô, Atílio Fontana, o fundador da Sadia, uma diária no Waldorf Astoria custava US$ 35, uma Coca valia US$ 0,25 e o preço da tonelada de soja era US$ 180.
No início de 2006, antes da grande onda de alta dos alimentos, a diária mais barata do Waldorf tinha decuplicado, para US$ 350, e o preço do refrigerante havia subido seis vezes, para US$ 1,50. Enquanto isso, o preço da soja havia passado para US$ 200, apenas 10% acima do valor de 1965. Não é surpresa para ele, portanto, que o preço da tonelada de soja esteja hoje na faixa de US$ 500, mesmo que os demais preços – o do hotel e o da Coca-Cola – tenham se mantido estáveis nos últimos dois anos. Mas, apesar da alta recente da soja, o preço atual ainda é apenas 1,5 vez maior que o de 23 anos atrás, uma elevação bem inferior às do hotel e do refrigerante no período. “Durante 40 anos, os preços dos alimentos ficaram estagnados, enquanto todos os outros subiram”, afirmou Furlan a ÉPOCA durante o Fórum Econômico Global para a América Latina, realizado em Cancún, no México, com a presença de 500 empresários, consultores e autoridades regionais. “Uma hora eles também tinham de subir. Acho até que demorou.”
A história de Furlan sobre a soja pode ser aplicada, em maior ou menor grau, a diferentes produtos agrícolas, como o milho, o trigo, o arroz, a carne, o leite e também a seus derivados. De repente, nos últimos anos, os preços dos alimentos, que haviam caído em média 75% entre 1975 e 2004, segundo dados da Economist Inteligence Unit, começaram a subir – e até agora ainda não dão sinais de que o atual ciclo de alta está chegando ao fim. Mesmo em meio às perspectivas de desaceleração econômica global, em decorrência da crise no mercado imobiliário americano. De acordo com estimativas do Banco Mundial, o arroz deverá fechar o ano como o grande vilão dos alimentos, com uma alta acumulada de 52,3%, seguido pelo trigo, com 39,5%. Leia o resto do artigo »