O infindável assassinato de Isabella Nardoni
Escrito por NOSSOS AUTORES, postado em 20 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado originalmente no Portal do meu Mundo
Por José Augusto Valente*
Em primeiro lugar, é overdose, mesmo para mim que não vejo televisão. Ainda assim, na internet e nos jornais, é assunto diário.
A pré-condenação do pai e da madrasta, os detalhes sórdidos e o “martelamento” permanente sobre o assunto são insuportáveis e não levam (nem elevam) a humanidade a lugar algum.
A menina não morreu apenas uma vez, como a maioria das pessoas. Ela morre centenas de vezes todos os dias, desde a sua primeira morte.
Imagino também o sofrimento da mãe da Isabella (foto das duas), com a exposição permanente da chaga aberta naqueles que amavam a menina e não a terão mais no convívio diário, mas apenas na lembrança.
Para piorar o incômodo, tenho uma neta de seis meses, chamada Isabella.
Isso mesmo, com “s” e “ll”! É a tal lindinha para quem eu fiz uma música instrumental, quando do seu nascimento, e me expus tocando aqui nesse blog.
Imaginem ouvir e ler o tempo todo a frase “assassinato da Isabella”.
Não quero mais ouvir esse assunto. A polícia e a Justiça não ressuscitarão a menina. No máximo, penalizarão os culpados e minimizarão o estrago, na medida do que é possível.
A polícia indiciou os dois e agora teremos, provavelmente, o julgamento. Até lá, não atirarei pedras nos dois, por mais que acredite que foram eles os responsáveis diretos pelo crime.
É um escândalo saber que a TV Globo teve acesso a informações da polícia com exclusividade. O Paulo Henrique Amorim, em seu blog, adiantou esse palpite (clique aqui e constate).
É vergonhoso observar que os meios de comunicação julgam e estimulam a população ao linchamento moral e físico. Ontem, quando o veículo dos agora indiciados saía da casa do rapaz, só não houve linchamento físico, porque a polícia usou de todos os meios para proteger a integridade dele e dela, em seguida.
E tudo isso pela guerra na concorrência pela audiência e respectivos ganhos comerciais com propaganda de qualquer porcaria que se preste a financiar isso.
Será difícil explicar para minha neta Isabella, daqui a cinco ou dez anos, que em 2008, vivíamos sob a égide do “Estado de Direito”. Neste, em princípio, qualquer pessoa é inocente, até que se prove e se julgue o contrário. Existem instrumentos para isso. Hoje, a Justiça foi superada pela mídia. Que faz isso em qualquer área, incluíndo a política.
Infelizmente, 0s veículos de informação estão “cagando e andando” para o Estado de Direito (desculpem o uso do português dos meus avós que eram pessoas simples e rudes, do interior de Portugal).
Vamos deixar a Isabella Nardoni na paz de Deus e aguardando a justiça dos homens e mulheres.
Da minha parte, tenho que cuidar da minha neta Isabella que, com apenas seis meses, me enche de alegria quando estou perto dela, abraçando-a, beijando-a e me deleitando com as caras, bocas e sons que ela faz para nos cativar e fazer relaxar do dia-a-dia atribulado dos adultos desta era.
* José Augusto Valente: engenheiro e trabalho há 35 anos na área de transportes. Fui Presidente do DER-RJ em 2002 e titular da Secretaria de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes, no período de maio/2004 a junho/2007. Atualmente atuo como Consultor em Logística e Transporte.
Meu e-mail para contato é: joseaugustovalente@gmail.com











30 dEurope/London abril, 2008 as 11:24 am
Você falando assim, me parece ser tão frio, quanto os assassinos dela, eu não sei se o senhor sabe, que o Brasil é um país sem memória, e quanto mais se falar, com certeza será melhor, a defesa quer é isso, prorrogar mais ainda o desfecho dessa situação para que a “memória brasileira” já tenha se apagado, acho certo o lado da imprensa, sei que eles lucram muito com isso, mas chega de impunidade, a sociedade quer notícia, quer resultado, e sem nótícia, como saberemos onde e como estão os assassinos frios, impunes????? Assim não pode ser, é direito, e o senhor sabe bem disso, se tem netos,deveria se preocupar com a segurança deles, fazendo um mundo melhor para todas as crianças e não ignorando um crime ediondo como esse. Se fosse com um membro de sua família, como o sr. reagiria, ignoraria e deixaria os montros soltos, se fosse comigo, te garanto que já tinha apagado eles a muito tempo, e como o sr. mesmo disse, acabava com essa lenga-lenga.
Quanto ao pré-julgamento, o pior cego é aquele que não quer ver, diante disso, todos nós sabemos quem matou isabella.
30 dEurope/London abril, 2008 as 2:40 pm
ok
1 dEurope/London maio, 2008 as 5:23 pm
Fafa,
compreendo sua indignação e todos desejamos que a justiça seja feita. O problema é que a mídia ao massacrar, explorar exacerbadamente o assunto, não apenas para informar a população mas também para ganhar audiência, acaba por estimular a revolta e a própria violência.
Veja os fatos com calma e sem paixão e entenderá o que estou analisando. Concordo em grande parte com o autor do texto. A Carolina Jatobá foi presa temporariamente e apanhou na cadeia. A população estava nas ruas querendo linchar os dois. Isso não é justiça, é selvageria. E essa selvageria acabar por ser, de boa ou má fé, estimulada pela imprensa.
Abraços,
22 dEurope/London março, 2010 as 3:46 pm
Esse acontecimento desumano me comoveu tanto que, inspirando-me na mitologia, escrevi dias seguintes (abril/08) o texto “Saturday – cronos revisitado” e que será incluído em meu próximo livro “Os portais da viagem”, a ser lançado brevemente. Conferir: http://www.erciliamacedo.com.br Obrigada, Ercilia Macedo-Eckel.