O fim de um ciclo político
Escrito por Imprensa, postado em 29 dEurope/London abril dEurope/London 2008
No artigo abaixo Luis Nassif escreve sobre a fragilidade do presidencialismo no Brasil, que é devido à existência de aliança política e essa aliança acaba sendo um obstáculo para a implementação da política econômica, além do mais, em qualquer escândalo consegue ameaçar o Presidente. Mas mesmo assim, as alianças estão sendo feitas e é hora dos desenvolvimentistas realmente se unirem e conseguir criar uma massa crítica capaz de transformar o país.
Por Katia Alves
Publicado originalmente na Coluna Econômica
Por Luis Nassif
O Brasil está no fim de um ciclo político. O modelo e as lideranças nascidas da Nova República e da Constituição de 1988 se esgotam com o fim da era Lula. Do bojo do velho MDB nasceu o PSDB e, de certo modo, o PT. Em meados dos anos 80, principalmente depois de Orestes Quércia assumir o comando da legenda, um grupo de políticos, sindicalistas, intelectuais se uniram para lançar as bases de um partido de centro-esquerda.
Nasceram dois: o PSDB e o PT, ambos primos, não irmãos, com algumas diferenças claras. O PSDB nasceu das lideranças cassadas ou que resistiram ao AI-5. O PT nasceu das organizações de base, do sindicalismo do ABC e da militância dos grupos que, nos anos de chumbo, enveredaram pela luta armada.
O PT cresceu como partido de massa, de mobilização; o PSDB como partido de quadros. À frente deles, dois políticos que, compreensivelmente, colocaram a governabilidade acima de tudo: FHC e Lula.
Digo compreensivelmente porque o modelo político brasileiro produziu um presidencialismo fraco, que depende continuamente do fisiologismo de alianças episódicas, de formas de financiar as campanhas eleitorais e que está permanentemente exposto a golpes brancos. Basta um enfraquecimento qualquer, um escândalo, a repercussão na mídia insuflando a opinião pública e uma CPI ou procedimento similar garantindo a derrubada do governante sem a necessidade de passar pelo voto. Foi assim com Fernando Collor, quase foi assim com FHC pós-99 e com Lula pós-mensalão.
Essa fragilização da Presidência – fruto da volatilidade das alianças políticas – impediu qualquer ação mais vigorosa para romper com a inércia econômica e lançar as bases para duas iniciativas igualmente relevantes: as tais reformas modernizantes; e o fim do jugo do Banco Central sobre a política econômica.
Agora, o quadro se reorganizar. Em Minas, o quase ex-tucano Aécio Neves avança em alianças com o petista Fernando Pimentel e o PMBD de Hélio Costa. Em São Paulo, o tucano José Serra conseguiu o apoio do peemedebista Orestes Quércia (já tinha o do presidente do partido Michel Temer) e do comando do DEM.
Em Brasília, Lula continua surfando em índices elevados de aprovação popular – mas tem pela frente o iceberg do câmbio.
Ainda é cedo para avaliar o resultado do jogo. De concreto se tem diversos movimentos que, em algum lugar do futuro, permitirão a reorganização partidária.
Mas de que maneira? Qual será a cara do PT: Dêda, Dulci, Patrus, os gaúchos, os sindicalistas, o pessoal do Dirceu? E a cara do PSDB? FHC, Virgilio e Tasso? Aécio e os negociadores? Os desenvolvimentistas de Serra?
Os desenvolvimentistas – que se espalham por vários partidos – tem um corpo coerente de idéias. Mas, espalhados, não compõem uma massa crítica capaz de transformar o país. Da mesma maneira, os mercadistas marcam posição no PSDB e no PFL; há muito mais afinidade entre Pedro Malan e Antonio Pallocci do que entre Pallocci e Patrus.
Por enquanto, Lula mantém o PT unido; FHC, o PSDB. E depois deles: o dilúvio?











1 dEurope/London maio, 2008 as 1:08 am
Nassif,
está cada vez mais profundo e genial.
Mas uma coisa que as pessoas ainda não perceberam claramente é que ainda não existe base social para construção de partidos escorados basicamente em base em classes sociais (ou de embate ideológico claro) no Brasil.
Interessante é que a Maria da Conceição Tavares disse que isso é um fenômeno comum a toda as Américas.
e só não compreendemos isso, porque não entendemos o que é a relação de Classe Social na Europa.
eu admito que não entendo como os europeus pensam em relação a isso, mas nós tentamos copiar o modelo deles, principalmente São Paulo.
De fato ela tem razão, os partidos de classe social no Brasil não resistem à realidade política.
Em São Paulo isso faz um pouco mais de sentido, pois na grande ABC
havia um grande operariado.
mas ao Norte de São Paulo a política não se move pela questão de classes, mas tem como referência basicamente a estrutura administrativa-eletiva da federação. As alianças não são entre classes, mas entre estados.
nos últimos 20 anos quando São Paulo hegemonizou completamente a política nacional tentou-se mimetizar o falso dilema de 2 partidos declaramente social-democratas que fazem políticas neoliberais.
Com a decadência do neoliberalismo e da esquerda Paulista da pós-ditadura,
parece que até a política de São Paulo está se guiando mais pela “política dos Governadores” do que pela “luta de classes”.
O incrível (para os Paulistanos) é que isso é muito bom!!
A política dos governadores é mais verdadeira do que a invenção de que o dilema PT X PSDB era uma representação da “luta de classes”.
A política dos governadores é mais construtiva e progressista do que o falso dilema paulistano.
Enquanto o falso dilema paulistanos desvia a atenção dos verdadeiros interesses da população para uma falsa disputa midiática, a política de governadores lida com interesses econômicos, sociais e políticos reais.
Enquanto a primeira é uma política para entreter a classe média, a segunda é uma política de construção de instrumentos de atendimento de interesses diversificados e portanto um política de construção da Nação.
A política dos governadores entende claramente o que o país precisa: de políticas Desenvolvimentistas típicas. Exatamente o que o falso dilema da falsa esquerda Paulistana abominou.
Mas o governo Lula, a China e a Crise Americana estão pondo um fim a essa falsa estrutura política.
A política de governadores não é algo ideal. Mas também não é algo definitivo, mas é a “desordem” de onde nascerá a estrutura ideológica que dará lugar à falsa luta de classes representada pelo PT X PSDB paulistanos.
Não que não exista e não seja importante a luta de classes no Brasil. Ele existe, mas não tem força, representatividade, maturidade e nem legitimidade para suplantar outras necessidades políticas nacionais.
Que outras necessidades?
Em primeiro lugar a industrialização.
a maior parte do Brasil ainda é uma sociedade pré-industrial, portanto, quaisquer tentativas de mimetizar estruturas políticas industrilizadas ou pós-industrializadas não terão sustentação real.
Por isso o sistema partidário e ideológico brasileiro está em completa crise.
ainda bem. A mudança será para melhor. Todos começam a ver que o rei está nu.
1 dEurope/London maio, 2008 as 1:29 am
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