O desafio do Terceiro Tempo
Escrito por Imprensa, postado em 7 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Publicado em: Blog Nassif
Por Paulo Nassif
Entrevista de Márcio De Chiara, no Estadão, com Marcelo Neri, do Centro de
Políticas Sociais da FGV.
Neri trata a atual década como a da redução da desigualdade. Essa redução
permitiu que a Classe C tivesse “crescimento chinês”.
Aliás, a questão demográfica e da renda passou a ser ponto central na
definição dos novos grandes países. Só a miopia galopante de analistas
tacanhos para não perceber a importância da Bolsa Família.
A questão é que esse caminho já foi desbravado. Como, anteriormente, foi
resolvida a questão da estabilidade. Aí reside o grande nó político e o
grande desafio para o país: o que virá depois desses dois tempos?
O governo FHC jamais conseguiu pensar em algo que fosse além da
estabilização. O governo Lula até agora nada produziu de substancial que
fosse além das políticas sociais.
A bandeira do social está mais forte que nunca e é sua. O grande desafio da
oposição? E de quem pensar em sucedê-lo ? será desfraldar as novas
bandeiras. E, aí, se esbarra na incapacidade dos centros de inteligência,
universidades, partidos políticos e mídia, de discutir os novos passos.
É isso que explica essa bobajada cotidiana da cobertura midiática, essa
distorção monumental que abre espaço para um Arthur Virgílio, e não para a
bancada renovada do PSDB na Câmara; que tece loas a Palocci e não entende a grandeza de Patrus.
É um desafio extraordinário, porque nenhum dos candidatos a presidente
conseguiu, até agora, entender o novo. Aécio Neves descobriu a gestão? Com
quinze anos de atraso, mas, ainda assim, na frente dos demais governadores.
José Serra não mostrou, até agora, nenhuma ousadia maior para uma gestão
inovadora. No máximo, fará um governo correto, apesar de ter como
laboratório um estado que é de padrão europeu. Ciro Gomes tem a ousadia, um discurso contra o rentismo, mas ainda não mostrou idéias inovadoras. O
governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem uma cabeça tecnológica
relevante, mas apenas isso. Dilma Rousseff é uma boa gestora, com intuições
sobre o novo, não um corpo claro de conceitos.
A questão é que o Estadista do futuro só nascerá depois que as discussões
estiverem maduras. Daí a importância, mais que nunca, dos centros de
discussão de políticas públicas e de planejamento estratégico.
Espero que o Projeto Brasil possa trazer sua contribuição, agora que há a
possibilidade concreta de criar comunidades virtuais? E públicas?
Convocando o enorme pensamento difuso, que se espalha por todo o pais.










