O desafio de qualificar os recursos humanos
Escrito por Imprensa, postado em 24 dEurope/London abril dEurope/London 2008
Aprovada a hidrelétrica do rio Madeira, um curso especial foi criado
“O crescimento dos investimentos em infra-estrutura ampliou a demanda por profissionais, dos níveis mais básicos e técnicos até os mais especializados e gerenciais.”
Por Luciana Sergeiro
Publicado em: Gazeta Online (restrito a assinantes)
Por: Paulo Godoy
O retorno do capital privado para mercados de infra-estrutura exigiu uma gigantesca transformação do ambiente para negócios e investimentos. Um amplo arcabouço legal foi instituído, incluindo agências reguladoras, marcos regulatórios, planos de metas e toda uma legislação subseqüente.
Preços e tarifas são regulados e mais realistas. A gestão do meio ambiente tornou-se desafiadora. Um planejamento eficaz, controle de custos e garantia de rentabilidade são fatores fundamentais para manter a liderança em mercados cada vez mais competitivos.
O mercado mudou muito no Brasil e no mundo. Os gestores precisam acompanhar essas transformações. O crescimento dos investimentos em infra-estrutura ampliou a demanda por profissionais, dos níveis mais básicos e técnicos até os mais especializados e gerenciais.
A formação de recursos humanos aptos para gerir os empreendimentos diante de um mercado em rápida mudança é uma responsabilidade conjunta de instituições públicas e privadas. É um desafio posto entre o presente e o futuro do setor.
Esse desafio está, desde 2003, sendo enfrentado pelo EduCorp, programa de educação corporativa para a infra-estrutura, uma iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias de Base e Infra-estrutura (Abdib) em parceria com algumas das mais renomadas instituições de ensino.
Nesses mercados, a velocidade do conhecimento ultrapassou o alcance da escola tradicional, o que exigiu a criação de uma plataforma de ensino continuado que integrasse universidades e corporações, educação e trabalho, com aprendizado em formatos diferentes e sob demanda.
Em cinco anos, 200 profissionais já passaram por oito cursos diferentes, em áreas como energia, gestão em infra-estrutura e meio ambiente, com mais de 430 horas de aula para cada um.
A aproximação entre os desafios existentes no mercado e a excelência das universidades é tão grande que, tão logo a licença ambiental para a construção da primeira hidrelétrica do rio Madeira foi aprovada, um novo curso foi lançado especialmente para propiciar, a 25 profissionais de formações distintas, as ferramentas para fazerem uma boa gestão socioambiental do empreendimento.
A sinergia em um programa como esse está refletida em outras iniciativas. Nas novas fronteiras da regulação em infra-estrutura – setores nos quais há marcos regulatórios recém-aprovados ou em discussão – já há profissionais cientes da necessidade de formação especializada.
É o caso dos mercados de saneamento básico e gás natural, que deverão ser atendidos com cursos de pós-graduação.
Os debates entre empresas, poder público e academia têm propiciado a criação de novas soluções para o desenvolvimento da infra-estrutura – e a Abdib e as instituições de ensino parceiras, atentas às mudanças, já desenvolveram cursos para atender às demandas de empresas e profissionais.
Um exemplo é a lei de parcerias público-privadas (PPP), modelo que permite viabilizar empreendimentos, mesmo que o poder público não tenha recursos orçamentários suficientes e o projeto não ofereça rentabilidade mínima.
Outro é o “project finance”, principal modalidade mundial de financiamento de novos projetos, pelo qual as receitas futuras do negócio servem como garantia para os empréstimos.
A infra-estrutura requer mais de R$ 100 bilhões anualmente, ao longo de dez anos consecutivos, para evitar que o crescimento econômico e o desenvolvimento social percam ímpeto diante de gargalos como falta de energia ou dificuldade para escoar a produção.
A realização dos investimentos, de outro lado, precisa ser suportada pela existência de mão-de-obra qualificada e extremamente preparada. O EduCorp, um programa que se transformou em uma verdadeira universidade corporativa para a infra-estrutura, programou, somente para 2008, 18 novos cursos para enfrentar esse desafio, com formação sob medida para as novas fronteiras da regulação, gestão ambiental e financiamento, entre outros.
Por trás da iniciativa, há uma premissa: não se constrói um país sem infra-estrutura – e não se constrói infra-estrutura sem recursos humanos preparados e capazes.










