Novidades nas eleições municipais do Rio de Janeiro, Fortaleza e Belo Horizonte
Escrito por blogdojefferson, postado em 15 dEurope/London abril dEurope/London 2008
No Rio de Janeiro, o candidato líder nas pesquisar, Marcelo Crivella (PRB), da base de sustentação do governo Lula, amplia sua aliança política, o que lhe garante maior tempo no horário gratuito de televisão. A chapa de Crivella contará com PR, PTB e PT do B, além do próprio partido PRB. Segundo Crivella, “estamos procurando apoio dentro da base do governo”. O candidato reforça a idéia de aliança política entre os governos municipal, estadual e federal para enfrentar os desafios e problemas do município. O PTB deverá indicar a vice. A a vereadora Cristiane Brasil (PTB), filha do ex-deputado cassado Roberto Jefferson, é uma das indicadas para vaga de vice.
O ponto fraco da campanha do senador era o baixo tempo de televisão. Inicialmente, sua aliança restringia ao PRB e PT do B, dois partidos nanicos e com pouco tempo no horário eleitoral gratuito. Com a ampliação da aliança, seu tempo de televisão dá um salto, o que é extremamente positivo para sua candidatura. O grande empecilho agora do candidato é a rejeição bastante elevada, o que pode criar dificuldades num hipotético segundo turno.
Em Fortaleza, a candidata do PT Luizianne Lins também ampliou sua aliança com vistas à reeleição. O PMDB passa a integrar sua coligação, juntando-se ao PSB, PC do B e PT. A única candidatura definida é do deputado federal Moroni Torgan (DEM), em aliança com o PP. Outro possível candidato é o ex-governador Lúcio Alcântara (PR). Mas a candidatura bastante aguardada é da senadora Patrícia Saboya (PDT), ex-mulher de Ciro Gomes (PSB). A senadora busca aliança com o PSDB de Tasso Jereissati, que já demonstrou interesse em apoiá-la. O empecilho é a posição dos partidos em nível nacional.
O fato concreto é que candidata do PT enfrenta uma rejeição grande, embora tenha uma aliança bem consolidada. A candidatura de Patrícia Saboya (PDT) pode dificultar os planos do PT de continuar à frente da prefeitura de Fortaleza. Por outro lado, a senadora enfrenta uma aliança mais frágil, com tempo menor de televisão e uma rejeição cada vez maior ao clã Jereissati.
Já a candidatura de Moroni Torgan (DEM) sempre inicia bem nas pesquisas. Uma razão é o recall, foi candidato nas últimas eleições. E também é que uma parcela do eleitorado acredita no discurso mais duro contra a violência, embora essa não seja uma atribuição do prefeito. Sinceramente não acredito que vença num eventual segundo, seja contra Luizianne Lins (PT) ou Patrícia Saboya (PDT). A população de Fortaleza é mais de centro-esquerda, o que torna difícil uma vitória de centro-direita (caso de Moroni Torgan).
Em Belo Horizonte, a novidade era aguardada. É que o PT municipal aprovou a aliança com o PSB, com apoio do PSDB. O PT deverá indicar a vice, que deverá ficar com o deputado estadual Roberto de Carvalho, ligado ao prefeito Fernando Pimentel. A aliança expôs um racha entre as lideranças petistas no Estado, ficando contrários à aliança os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci, bem como o presidente do PT no Estado, Reginaldo Lopes.
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Jefferson Milton Marinho: Economista formado pela UFMG e Mestrado na mesma instituição. MBA em Finanças pelo IBMEC-BH. Meus Artigos



Do 







15 dEurope/London abril, 2008 as 8:41 pm
Oi,
Jefferson,
Vc pode publicar isso. Gustavo tinha prometido me ensinar a por. Mas, ele foi praí.
15 dEurope/London abril, 2008 as 8:42 pm
http://www.comuniweb.com.br/?idpaginas=20&idmaterias=327638
11.04.2008 | Atualizado 20:10hs
BC favorece oposição
Decisão de aumentar as taxas de juros para conter a pressurização da inflação traria, como efeitos colaterais, queda no consumo, recessão e desemprego, colocando em xeque a política econômica e a popularidade de Lula e fortalecendo os adversários do governo
César Fonseca
cesarsfonseca@gmai.com
A oposição ao presidente Lula tenderia a crescer, fortemente, se o Banco Central começar a subir a taxa de juro para combater pressões inflacionárias. O clima de crescimento daria lugar às expectativas de esfriamento. Os oposicionistas tentariam, então, faturar, politicamente, a reversão de expectativas relativamente aos fatores econômicos. Teriam um discurso na economia, o que não acontece hoje, quando o consumo interno mantém a barriga do povo cheia, graças aos investimentos sociais, bombando a popularidade presidencial.
Se reverter a situação econômica, a oposição se transformaria na maior propagandista dos programas sociais, ao contrário do que ocorre hoje, já que para ela tais programas são meros assistencialismos. Os juros em ascensão, como deseja o BC, para alegria dos banqueiros, poderiam interromper a lua-de-mel de Lula com a população.
Os números, no entanto, vão dando razão às preocupações do Banco Central, apesar de eles abrirem discussões sobre a nova natureza da inflação, que requereria não apenas aumento de juros, mas outros ingredientes heterodoxos, para ser ajustada, a fim de enquadrá-la no regime de metas inflacionárias, cujo pico é de 4,5%.
Como o IPCA, índice que mede a inflação oficial, atingiu, nos doze meses encerrados em fevereiro deste ano, 4,61%, e em março 4,73%, contra 3,02% registrados em fevereiro de 2007, e como o IGP-DI – Índice Geral de Preços – bateu em março de 2008 em 11,39%, contra 4,49% registrados em março de 2007, o clima dentro do BC não poderia ser outro senão o de seguir seu receituário ortodoxo, isto é, elevar as taxas de juros.
Vai reduzir o consumo? Pelos depoimentos dos prestamistas no crédito direto ao consumidor, poderá não haver redução, pois a preocupação deles não é com os juros, mas com o tamanho da prestação, para ver se ela cabe ou não no orçamento familiar. Essa é a conclusão de pesquisa realizada pelo Instituto Fractal junto a 3.264 moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Recife, Curitiba e Campinas, que ganham até R$ 800.
Como o presidente Lula proibiu a discussão sobre a redução de prazos para o crediário, a corrida ao crédito, mantida a economia aquecida, mesmo com o juro alto, continuaria pressionando os preços.
Além do mais, para muita gente, inclusive para Lula, o que está pressionando a inflação não é a corrida ao crédito, mas os preços dos alimentos, que são comprados à vista. Para resolver essa situação, disse, a saída é produzir mais alimentos.
Haveria, portanto, necessidade de elevar os investimentos para aumentar a oferta dos produtos. Aí entra o perigo: os empresários não investirão se os juros aumentarem, alertou o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto. Logicamente, sem maiores investimentos, a previsão governamental relativamente ao Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) não se realizará, para assegurar capacidade industrial instalada suficiente para gerar oferta capaz de suportar a demanda, afastando pressões inflacionárias, tanto no médio como no longo prazo.
Como a alta dos juros, prevista para ser sancionada pelo BC na próxima reunião do Conselho de Política Monetária, na próxima quarta-feira, 15.03, acenderá controvérsias, não apenas entre técnicos, mas, sobretudo, entre empresários e políticos, o debate despertará fortes reações no Congresso.
Os governistas estarão preocupados com o desgaste político governamental, principalmente se houver interrupção do ritmo de investimentos e, conseqüentemente, sinalização de possível desemprego. Já, os oposicionistas, certamente, ficarão preparados para faturar politicamente tal desgaste das forças governistas. Em ano eleitoral, nada mais esperado pela oposição, que não tem discurso no campo econômico.
Alerta do FMI
O fortalecimento oposicionista pode ser antecipadamente anunciado pelas próprias preocupações manifestadas pelo Fundo Monetário Internacional, expressas ao longo da semana, durante reunião anual em Washington para analisar o panorama geral sobre a economia global, afetada pelas estimativas de que a economia dos Estados Unidos crescerá somente 0,5% em 2008.
O mundo, segundo os especialistas, teria que apostar as fichas nos emergentes, China e Índia, principalmente, que crescerão, conforme previsões do FMI, 11% e 9%, respectivamente, este ano. O Brasil, também, diz a instituição, estaria crescendo próximo dos 5%, sendo, como aqueles dois países, alvos dos investimentos, dadas suas potencialidades econômicas, expressas em matérias-primas, minérios, petróleo e alimentos cujos preços estão em alta e dos quais todos dependem no cenário globalizado.
Por essa posição destacada do Brasil, no cenário dos emergentes, o FMI cuidou de alertar para o perigo de os juros brasileiros, que já são os mais altos do mundo, em termos reais, abortarem as expectativas de investimentos, algo possível, segundo o alerta do presidente da CNI.
A caminhada rumo aos juros altos, para arrefecer tensões inflacionárias, traria, no seu contrapolo, perigo para a saúde das contas nacionais. Haveria sobrevalorização adicional do real, já sobrevalorizado em relação ao dólar. Estimularia especulação com a taxa de juro, subiria o custo do endividamento interno, bombaria o déficit em contas correntes, tanto pelo aumento desse custo da dívida, como pelas dificuldades que a moeda nacional sobrevalorizada representaria para os exportadores.
Se os juros em ascensão bloquearem o consumo e os investimentos, os empresários, diante do câmbio sobrevalorizado, teriam que ir ao governo pedir compensações fiscais, cujos efeitos seriam aumento do déficit público. Os gastos governamentais teriam então que subir para ser fatores compensatórios de sustentação da taxa de lucro dos empresários, na impossibilidade de eles adquirirem lucratividade com as vendas externas, prejudicadas pelo real artificialmente caro, enquanto, internamente, o consumo bloqueado pelo dinheiro caro tenderia a gerar estoques deflacionários.
Os técnicos do FMI, na prática, estão se mostrando temerosos relativamente à independência do próprio BC nacional, que defenderam anteriormente, mas que, agora, buscam contemporizações, cujo caráter seria eminente e iminentemente político.
O BC independente, em meio aos juros que já são altos, se subir eles ainda mais, poderia se transformar, não em fator de prevenção contra a inflação, mas em risco econômico, na medida em que estará criando, com o dinheiro caro, instabilidade no déficit em contas correntes. Qual seria pior para a economia: a inflação acima da meta de 4,5% ou a escalada incontrolável do déficit em contas correntes?
A inflação aleija os salários e aumenta os lucros dos investidores, mas os déficits em contas correntes matam tanto os salários como o capital, bloqueando a realização de lucro, na medida em que sinaliza perigo de estrangulamento financeiro, por meio de bolha especulativa com os juros. Ocorreriam, possivelmente, fugas financeiras espetaculares que desestruturariam a economia, como aconteceu no final de 2002, no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula, em 2010, poderia estar em tremenda buraqueira e a oposição, satisfeita, claro.