‘Nova’ denúncia da Folha
Escrito por Imprensa, postado em 4 dEurope/London abril dEurope/London 2008
publicado no Blog do Eduardo Guimarães
‘Nova’ denúncia da Folha A Folha gosta de fazer blogueiros (como este que escreve) perderem tempo. Ao publicar “nova” denúncia “apocalíptica” que referendaria as acusações que o jornal, em sintonia com o PSDB, tem feito contra a ministra Dilma Rousseff, leva a ter que gastar tempo com o assunto quem, como eu, se dispõe a municiar com fatos aqueles que não compram material jornalístico enlatado e o consomem sem verificar a validade.
A rigor, o que é que a espalhafatosa manchete de primeira página do jornalão paulista anuncia de novo? O tom da manchete serve como alento para a parte do público que quer porque quer que seja verdade o que o conluio tucano-pefelê-midiático “denunciou”. Essa parcela da sociedade ficou desnorteada com a revelação de que Álvaro Dias é o “senhor X”, aquele que municiou a imprensa com o “dossiê” que teria sido feito pelo governo para “chantagear” o PSDB. Precisava de algum paliativo para poder retomar algum discurso, pois já não tinha mais o que falar diante da revelação de que o tal “dossiê” não passa de armação da oposição e de seu braço midiático para demoralizarem aquela que acreditam ser a aposta eleitoral de Lula para 2010.
Contudo, em termos factuais e jornalísticos a “nova” denúncia da Folha não vale este post. Só o escrevo para explicar a vocês do que é que se trata o que foi publicado hoje pelo periódico paulista. É preciso notar que estou escrevendo com base apenas no que a matéria informa. Li o material da Folha e, como vocês sabem que é meu método, comecei a fazer as perguntas mais óbvias que decorrem daquela leitura e que a matéria não responde. A falta dessas respostas intuo que não se deve a incompetência da Folha para tornar “claros” (espalhafatosos) seus pontos de vista. A falta dessas respostas, a meu ver, decorre de elas não existirem. Esse PIG só me dá trabalho. Como não sou jornalista e, sim, um mero “mascate” internacional, que se dedica a viajar a outros países para fechar contratos de exportação para indústrias brasileiras, terei que abrir mão de correr atrás do meu ganha-pão para explicar mais essa palhaçada da Folha. Mas, enfim, quem me mandou criar um blog para pregar exercício da cidadania? Vamos “destrinchar”, passo a passo, a última da Folha. Os textos extraídos do jornal estão em azul-tucano.
Folha de São Paulo – 04/04/08 – página 1 – Cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil mostra que o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, de ministros tucanos e até da chef de cozinha de FHC saiu pronto do Palácio do Planalto. O documento, a que a Folha teve acesso, afasta a possibilidade de que tenha havido adulteração nos dados arquivados pela Casa Civil que o governo chama de base de dados, feito de forma paralela ao sistema de controle de gastos de suprimento de fundos, o Suprim. (…) Foram agrupadas separadamente, também, as despesas de Ruth Cardoso, da chef de cozinha Roberta Sudbrack e de dois dos ministros mais poderosos do Planalto na época, Eduardo Jorge (Secretaria Geral da Presidência) e Clóvis Carvalho (Casa Civil e Desenvolvimento), além de Arthur Virgílio, senador tucano que exerceu o cargo de secretário-geral da Presidência.
Suponho que a afirmação da Folha de que o arquivo que diz ter sido “extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil” deve estar embasada talvez pelo código-fonte do computador da instituição, mas o jornal não esclarece isso, não diz como pode provar que o arquivo foi ”extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil”. Mas se essa prova existe, para evitar dúvidas ela não deveria estar na matéria? Foi “cochilo” da Folha ou essa é apenas mais uma de suas afirmações sem provas que ela apresenta como verdadeiras?
Mas o importante não é isso. Para que vocês tenham idéia de como a matéria da Folha é requentada basta que leiam a matéria do último dia 28 de março em que o jornal publica a denúncia de que a assessora de Dilma Erenice Alves Guerra foi quem ordenou a confecção desse maldito “dossiê” do PIG que está me tomando tempo, ou melhor, tomando tempo precioso do país:
Folha de São Paulo – 28/03/08 – página 1 – Partiu da secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da ministra Dilma Rousseff, a ordem para a organização de um dossiê com todas as despesas realizadas pelo ex presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher Ruth e ministros da gestão tucana a partir de 1998. O banco de dados montado a pedido de Erenice Alves Guerra é paralelo ao Suprim, o sistema oficial de controle de despesas com suprimentos de fundos do governo (…) Um dos relatórios produzidos na Casa Civil, a que a Folha teve acesso, mostra que os dados foram organizados de forma diversa do Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos), que tem os registros dos gastos do período Lula. (…) o documento registra detalhes, fora da ordem cronológica, de diversos gastos, com ênfase nos feitos pela ex-primeira-dama Ruth e naqueles que envolvem bebidas e itens como lixas de unha.
Em 28 de março, a Folha disse que os dados contidos no dossiê foram produzidos fora do “Suprim”, e agora, em tom de novidade, diz de novo. E quanto à “denúncia” de que dados de um relatório de 28 páginas, que tinha sido admitido pela Casa Civil que eram de lá mesmo, foram compilados num “dossiê” de 13 páginas, desde a denúncia da Folha do dia 28 do mês passado a Casa Civil admitiu que os dados do tal “dossiê” eram de lá mesmo. Onde está a novidade? Alguma vez a Casa Civil negou que o “dossiê” contivesse dados oficiais? A Folha só omite, na matéria de hoje, que há dados no tal dossiê que não saíram da Casa Civil, o que mostra que houve, sim, mistura de dados oficiais com dados não-oficiais na composição do tal “dossiê” e que é mentira que o dossiê que foi entregue (por Álvaro Dias?) à Veja é exatamente o mesmo que foi retirado do Palácio do Planalto.
Também a informação sobre a data da composição do banco de dados com informações oficiais e extra-oficiais, dizendo que o lançamento nas planilhas do Excel da Casa Civil foi em 11 de fevereiro, é informação requentada. Vejam:
Folha de São Paulo – 04/04/08 – página A4 – O conjunto das planilhas, com 27 páginas e 532 lançamentos de despesas ao todo, revela que às 15h28 do dia 11 de fevereiro, a Casa Civil começou a lançar nas planilhas dados colhidos de processos de prestações de contas dos gastos de suprimentos de fundos da Presidência entre 1998 e 2002.
Folha de São Paulo – 28/03/08 – página A4 – (…) A seleção e a organização de despesas do governo FHC durou um mês e meio, até os primeiros lançamentos das despesas no Suprim -que seria o destino das informações (…)
Quem tiver paciência e tempo, pode pesquisar que encontrará várias referências anteriores no PIG ao fato de que a planilha da Casa Civil foi feita antes de ser instalada a CPI dos cartões corporativos. O segundo texto da Folha (logo acima, de 28/03) mostra isso. Não há nenhuma novidade também nessa informação. Assim, há que perguntar: o que é, diabos, que a “nova” denúncia da Folha acrescentou ao que já se sabe?
Percebendo a fragilidade da matéria, o jornal tenta dar essa resposta aos seus bate-paus, para enfrentarem o debate em seu nome.
Vejam: Folha de São Paulo – 04/04/08 – página A5: O QUE É REVELADO HOJE
O dossiê não se resume às 13 páginas divulgadas até agora ela imprensa. Ele é maior. A Folha obteve os registros de que eles foram produzidos de um computador da Casa Civil a partir de 11 de fevereiro, com anotações e edição que vão além do mero registro de dados do Suprim. Os dados foram separados em pastas
O interessante é que o jornal diz, na nota acima, que está acrescentando agora o fato de que anotações e edições “vão além do mero registro de dados do Suprim”, mas, na mesma página, divulga a nota “O que já se sabia”, que diz a mesma coisa.
Vejam:Folha de São Paulo – 04/04/08 – página A5:
O QUE JÁ SE SABIA
Foi montado na Casa Civil um dossiê com despesas sigilosas de FHC, da primeira-dama e de ministros. O documento tem características distintas do Suprim, o sistema oficial que o governo disse estar atualizando para atender ao TCU e a eventuais pedidos da CPI
Gente, é o seguinte: a Folha vai me quebrar. Escrevi um post ontem à noite porque tinha muito o que fazer agora de manhã aqui no escritório e não deveria estar escrevendo este post e, sim, cuidando de ganhar meu sustento. Mas não poderia deixar as pessoas pensarem que algo de novo foi acrescentado. A Folha dá um tom “apocalíptico” a uma denúncia que pretende “nova”, quando, na verdade, está brincando com as mentes de seus leitores mais suscetíveis, apostando em que já pararam de pensar por si mesmos há muito tempo. E eu é que pago o pato.











4 dEurope/London abril, 2008 as 10:14 pm
…então o “crime” é publicar o dossie…a confecção e o objetivo dele, voces esquecem….como podem distorcer os fatos desta maneira????
… que pena, não imaginava que tivesse jornalista tão vendido assim….
5 dEurope/London abril, 2008 as 11:02 am
Cláudio,
não existe dossiê. As evidências tem indicado que houve espionagem e divulgação criminosa de informações protegida por lei.
A veja MENTIU ao dizer que o governo estava divulgando um dossiê. Todos já admitiram isso, basta ler na folha de são paulo ou no o globo.
5 dEurope/London abril, 2008 as 2:56 pm
A imprensa tinha dito que o dossiê era para chantagem. Crime é chantagem e não a Casa Civil fazer um banco de dados. Esse banco de dados era para ter sido feito a muito tempo. Não houve chantagem.