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Leituras em Economia e Administração ( lançamento )
Posted By Rodrigo Medeiros On 10 abril, 2008 @ 11:58 am In Desenvolvimento,Rodrigo Medeiros | No Comments

Livro: Leituras em Economia e Administração
Organizador: Wilson Alves de Araújo
ISBN: 978-85-60951-02-4
Ano: 2008
Páginas: 150p
Editora: Opção livraria e editora
Contatos: editora@opcaolivros.com.br
Resenha escrita por Rodrigo Loureiro Medeiros*
Desde a década de 1970 observa-se uma seqüência de fatos que influenciou os rumos do sistema economia-mundo. A ruptura do padrão dólar-ouro, os choques do petróleo e a emergência do paradigma de produção flexível integram esse complexo quadro. O paradigma fordista foi cedendo gradualmente espaços para a eficiência do Sistema Toyota de Produção.
Para os países do denominado Terceiro Mundo, essas transformações viriam acompanhadas da elevação brutal da taxa básica de juros nos EUA. Governos conservadores anglo-saxônicos – Margaret Thatcher (GB) e Ronald Reagen (EUA) – promoviam ideologicamente um retorno ao clássico liberalismo econômico. A América ibérica, por sua vez, iria encarar a crise da dívida externa e a desorganização das finanças públicas ao longo dos anos 80. Na década seguinte, a onda neoliberal – desregulamentação, privatização e liberalização da conta de capitais – marcaria um processo de destruição não-criadora vivenciado pelos povos da região. O desemprego e a informalidade nos mercados avançavam nas respectivas economias e o tão sonhado projeto de integração sul-americana perdia fôlego.
Imersos em problemas internos e presos a uma agenda do passado, as sociedades ibero-americanas ingressariam no terceiro milênio com a árdua tarefa de enfrentar desafios de naturezas diversas. No campo das demandas sociais, as agendas de urgência não poderiam ser abandonadas. A estrutura econômico-produtiva, por sua vez, reclamava uma revisão em prol de uma maior competitividade internacional. O Leste asiático caminhava a passos largos para se tornar a oficina do mundo. Como os países ibero-americanos deveriam se posicionar?
O Brasil passou por transformações profundas ao longo desse tempo. As mudanças incluem o fim do processo de substituição de importações e a redução do papel do Estado como agente econômico. A década de 1990 testemunharia o processo de privatizações e o paradoxal aumento do endividamento público. O setor privado foi forçado a se reestruturar e buscar maneiras eficientes de operar, ao passo que o Estado resolvia suas ineficiências administrativas elevando a caótica carga tributária brasileira e sufocando os empreendedores nacionais.
‘Leituras em Economia e Administração’ trata dos desafios a serem enfrentados por todos os atores envolvidos com a competitividade da economia brasileira. O livro em questão não pretende abarcar todas as dimensões do debate. Sua maior contribuição é abrir uma discussão mais qualificada para que os agentes econômicos e políticos brasileiros, o que certamente inclui a formação de alunos de graduação e pós-graduação, possam refletir sobre como o país deveria priorizar sua agenda nacional de desenvolvimento socioeconômico.
A adequada qualificação do capital humano, fator estratégico para a competitividade internacional das economias nacionais, é o ponto de convergência dos artigos do livro. Friedrich List, célebre economista alemão do século XIX, disse ser necessário educar a população para a independência econômica dos países. A interdependência econômica lastreada pelo comércio é compatível com a estruturação de projetos nacionais. Nesse sentido, a Alemanha e os EUA são exemplos históricos interessantes de serem revisitados.
Imersos em um contexto ideológico do clássico liberalismo econômico pregado pelos pensadores britânicos, Alemanha e EUA rejeitaram as teses livre-cambistas de então e promoveram suas indústrias nascentes com proteção seletiva e subsídios temporários. Os países não partem do mesmo estágio de desenvolvimento econômico. Muitos dizem que os tempos são outros. Pois bem, isso é certamente verdadeiro. No entanto, a bem documentada evolução coreana dos últimos quarenta anos revela que o caminho para o desenvolvimento sustentado não mudou tanto assim. Paradigmas produtivos evoluíram, mas a relação de complementaridade estratégica entre Estado e mercado nacional mostra-se permanente. Ao longo do século XX, observa-se que Japão, Malásia, Taiwan e, mais recentemente, a China não inventaram a roda do desenvolvimento.
Os artigos do livro são:
Parte I – Leituras em Economia
Parte II – Leituras em Administração
*Doutor em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ e membro da Cátedra e Rede UNESCO-UNU de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável e da rede EFE – Economists for Full Employment do Levy Economics Institute of Bard College (NY).
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