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IEDI – As Possíveis Conseqüências do Aumento de Juros
Posted By NOSSOS AUTORES On 25 abril, 2008 @ 11:06 am In Conjuntura,Desenvolvimento,Política Econômica | No Comments
A despeito de, em grande medida, a inflação brasileira estar sendo influenciada pelo fator global, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em sua última reunião do dia 16/04/2008. Não faltaram análises e advertências por parte do setor produtivo de que relevantes novidades vinham ocorrendo na economia brasileira desde o último trimestre de 2007. O IEDI participou desse debate e advertiu sobre esses pontos: (a) a estabilidade ou ligeira queda da utilização da capacidade de produção da indústria desde os meses finais de 2007, indicando que a oferta na economia passou a acompanhar o crescimento da demanda; (b) a elevação da produtividade da indústria em 2007 e sua continuidade no primeiro trimestre deste ano, seguido do aumento da taxa de emprego e da remuneração média do pessoal ocupado no setor. Em outras palavras, esses novos dados indicam um crescimento não inflacionário da economia. Cabe notar que os eventuais incentivos da política industrial não servirão de contraponto à valorização da moeda.
O IBGE anunciou, na última semana, a variação em março do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA. O índice oficial de inflação no Brasil foi de 0,48%, superando expectativas de economistas do mercado financeiro que antecipavam 0,35%. A variação acumulada no ano alcançou 1,52% contra 1,26% no primeiro trimestre do ano passado, e a variação nos últimos 12 meses foi de 4,73%. Cabe notar que o resultado de fevereiro foi praticamente o mesmo (0,49%) do de março, muito embora no primeiro caso, o item educação tenha sido o grande destaque (responsável por metade da inflação desse mês), enquanto no mês passado o item alimentação tenha voltado a ser preponderante para o resultado.
Deve-se atentar para dois fatos: primeiro, que itens tão destacadamente individualizados como em fevereiro foram os responsáveis pela manutenção do mesmo nível de inflação em março; segundo, que a inflação de alimentos, que volta a afetar a inflação brasileira, é de amplitude mundial e não tem a ver com o aumento da demanda interna e com o maior crescimento econômico do país. Com relação ao primeiro ponto, o IBGE destaca, como principal determinante da variação do IPCA, o grupo alimentação e bebidas, o qual “teve variação de 0,89% em março, acima da taxa de 0,60% de fevereiro, e contribuiu com 0,20 ponto percentual para o IPCA do mês, ou seja, deteve cerca de 40% do índice”.
No plano da economia mundial, a análise da variação do IPC para uma amostra de 26 países selecionados entre os principais países industrializados e emergentes mostra que a elevação dos preços dos alimentos foi a principal causa da maior inflação em 2007. Embora o petróleo tenha registrado alta de 57% em 2007, os preços dos alimentos pressionaram mais a inflação em onze dos vinte e seis países da amostra: Brasil, Chile, México, Rússia, Polônia, África do Sul, China, Índia, Taiwan, Indonésia e Malásia. Em cinco países, o item Alimentos registrou a segunda maior variação em 2007, atrás de Educação (Alemanha), Transporte (Itália), Aluguéis (Hong Kong), Bebidas alcoólicas e cigarros (República Checa e Turquia). Nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Cingapura, Tailândia e Venezuela, o grupo Alimentação registrou a terceira maior variação anual.
A despeito de, em grande medida, a inflação brasileira estar sendo influenciada pelo fator global observado acima, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em sua última reunião do dia 16/04/2008. Não faltaram análises e advertências por parte do setor produtivo de que relevantes novidades vinham ocorrendo na economia brasileira desde o último trimestre de 2007. O IEDI participou desse debate e advertiu sobre esses pontos: (a) a estabilidade ou ligeira queda da utilização da capacidade de produção da indústria desde os meses finais de 2007, indicando que a oferta na economia passou a acompanhar o crescimento da demanda; (b) a elevação da produtividade da indústria em 2007 e sua continuidade no primeiro trimestre deste ano, seguido do aumento da taxa de emprego e da remuneração média do pessoal ocupado no setor. Em outras palavras, esses novos dados indicam um crescimento não inflacionário da economia. Além disso, as novas projeções de crescimento dos EUA e de países emergentes como a China concorrem para que a “bolha” de preços de commodities e como conseqüência os preços de alimentos refluam e facilitem o controle da inflação no Brasil.
O aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica Selic, que passou de 11,25% ao ano para 11,75% ao ano, tornou superado o debate sobre a necessidade de aumento da taxa de juros e introduziu um outro, qual seja, o das repercussões da reorientação da política monetária. Essa elevação da taxa de juros terá indubitavelmente um impacto sobre as avaliações dos agentes, pois sinaliza para empresários, que decidem ou não investir, e bancos, que avaliam o crédito a que têm acesso empresas e consumidores, que o crescimento econômico e a demanda na economia serão menores, segundo a vontade da Autoridade Monetária. Disso deve resultar uma revisão dessas decisões e é de se esperar que o investimento e o crédito recuem na segunda metade do ano. O Banco Central poderia vir a público para delinear de forma mais precisa o que pretende com todo esse processo de revisão da política monetária, de forma a reduzir as incertezas nas avaliações de empresas e bancos. Incerteza é mais prejudicial à economia do que qualquer outra coisa.
O aumento da Selic é também de magnitude suficiente para gerar dois efeitos extremamente nocivos. O primeiro decorre do menor atrativo dos mercados de valores frente às aplicações a juros, o que restringe o acesso a um financiamento mais nobre e equilibrado por parte das empresas brasileiras mediante o mercado de capitais. O segundo é no câmbio. O aprofundamento previsível da valorização do real deixará a política econômica sem instrumentos para combater a deterioração do saldo comercial e em transações correntes, exceto através do aprofundamento do controle de capitais e da ampliação mais agressiva da formação de reservas – ações que parecem inevitáveis, mas que não são isentas de custos e inconvenientes. Cabe notar que os eventuais incentivos da política industrial não servirão de contraponto à valorização da moeda.
Leia mais em: IEDI [1]
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[1] IEDI: http://www.iedi.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=iedi&sid=50&infoid=3509
[2] Sobre o papel do Estado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/sobre-o-papel-do-estado/
[3] Tem São Paulo demais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/tem-sao-paulo-demais/
[4] EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/editorial-do-cadernos-do-desenvolvimento-do-centro-celso-furtado/
[5] País perdeu os 'anos de ouro' da economia mundial: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/pais-perdeu-os-anos-de-ouro-da-economia-mundial/
[6] Espantando o vôo de galinha: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2007/09/espantando-o-voo-de-galinha/
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