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Estamos no limite

Posted By Imprensa On 17 abril, 2008 @ 12:40 pm In Assuntos,Conjuntura,Desenvolvimento,O que deu na Imprensa | No Comments

O crescimento da economia foi inferior ao crescimento da demanda.”Se a capacidade de o país se abastecer aumentou 5,4% e o consumo, quase 7%, a conta não fecha”, diz o economista Luis Fernando Lopes”

Por Katia Alves

Para ler o artigo na  íntegra clique em:  Época Negócio [1]

Por Alexa Salomão

O salto do PIB no ano passado expõe os entraves ao crescimento (sustentado) do Brasil. Eles começam na infra-estrutura e chegam à educação e ao meio ambiente. O que fazer?

Em 1977, o custo de vida no Brasil deu um repique inesperado, e boa parte da alta foi atribuída a um único produto, o chuchu. O vegetal insosso virou assunto nacional e até Mário Henrique Simonsen, então ministro da Fazenda, gastou seu tempo explicando como aquilo era possível. Nem Simonsen, nem a maioria dos brasileiros comia chuchu, mas ele tinha um peso desproporcional na composição do índice que media a inflação. O caso entrou para a história como a inflação do chuchu e foi encerrado com seu expurgo do indicador. Nas últimas semanas, alarmado com a ata da reunião de março do Banco Central, o país voltou a discutir a inflação. O que se teme hoje, porém, não é a inflação em si, mas o “risco” de que ela ressurja alimentada pelo desequilíbrio entre o consumo dos brasileiros e a capacidade das empresas em atendê-lo. “É preciso que a gente tenha cuidado. Se o consumo cresce e a indústria não investe em novas fábricas, em nova produção, a gente tem de volta uma doença desgraçada, que é a inflação”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um discurso na cidade de Araraquara, interior de São Paulo.

A luz amarela que assustou o presidente apareceu na divulgação do PIB de 2007, em meados de março. A análise do crescimento no ano passado indicou que a economia avançou 5,4%, mas a demanda cresceu 6,9%. “Se a capacidade de o país se abastecer aumentou 5,4% e o consumo, quase 7%, a conta não fecha”, diz o economista Luis Fernando Lopes, sócio-fundador do Pátria Investimentos. “A demanda restante só pode ter sido suprida por importações. Se esse descompasso permanecer nos próximos 60 dias, duvido que o Banco Central não eleve os juros.” A Selic, taxa de juros básica, está estacionada em 11,25% desde setembro do ano passado.

Um dos fatores que deixam o BC em alerta é o nível de utilização da capacidade instalada, que está perto do topo em vários setores. Para Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), essa situação não é problema – pelo contrário. “Utilizar o máximo possível da capacidade instalada é um bom sinal”, diz Francini. “É nesse momento que os empresários investem.” Os investimentos estão sendo feitos e a demanda está sendo atendida. Em um trabalho recente, a Fiesp avaliou quatro períodos dos últimos 20 anos em que a capacidade instalada chegou perto do limite. Em dois momentos, quando o real estava desvalorizado, houve inflação. Em dois outros, o real estava valorizado – como agora – e não ocorreu impacto na inflação. “As importações – ou mesmo sua mera ameaça – inibe o reajuste de preços no mercado interno”, diz Francini. “Prova disso é o bom comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste início de ano.” Em fevereiro, o IPCA, que mede a inflação oficial, registrou aumento de 0,49%, resultado um pouco inferior ao de janeiro, quando o indicador teve alta de 0,54%. A inflação do ano passado, que ficou em 4,46% – uma alta de 42% sobre 2006 -, foi atribuída ao setor de serviços e à agropecuária. “Temos a convicção de que a indústria vai acompanhar o ritmo do consumo”, diz Francini. “Boa parte da inflação que se viu até agora não cabe à produção industrial. Foi puxada pelo aumento no preço dos alimentos.” Entre os vilões do preço alto o destaque foi ele, o velho chuchu, seguido de outros produtos básicos como feijão, carne e leite.

Se a inflação ainda não constitui um problema capaz de frear o investimento das empresas e o próprio crescimento, há no cenário futuro outros limitadores capazes de nocautear a economia. No front externo, há os riscos, ainda difusos, vindos da crise no mercado americano e dos sucessivos anúncios de prejuízos em grandes bancos. “Já sabemos que a crise nos Estados Unidos é seriíssima e tudo indica que ainda não chegou ao pior ponto, mas, até agora, nada indica que o resto do mundo vai ajoelhar junto com os americanos”, diz Ricardo Amorim, diretor-executivo de mercados emergentes do banco WestLB em Nova York. “Enquanto Índia e China apresentarem o atual ritmo de expansão, nada muda nas expectativas em relação ao crescimento do Brasil. No máximo, o que podemos ter é uma redução no ritmo.”

No mercado interno, no entanto, é possível vislumbrar uma lista de obstáculos a serem superados – esses, sim, indiscutivelmente fatais ao crescimento brasileiro. O maior e mais urgente é a falta de infra-estrutura. Para entender sua dimensão, o transporte é um bom exemplo. Com a redução da taxa de juros e as novas leis que permitem o confisco de um veículo financiado em caso de inadimplência, os bancos ficaram mais tranqüilos para ampliar o crédito. Resultado: a venda de carros novos foi recordista. No ano passado, foram produzidas quase 3 milhões de unidades – um crescimento de 14% em relação ao ano anterior. Em janeiro e fevereiro, as vendas bateram recordes consecutivos. Já somaram mais de 400 mil unidades, um aumento de 39% sobre o mesmo período do ano passado, sinalizando que 2008 promete ser um ano promissor para o setor. Posta a engrenagem do consumo em movimento, as montadoras investiram para ampliar a oferta. A fábrica da italiana Fiat, instalada em Betim, Minas Gerais, é o retrato dos novos tempos. Atravessou 2007 contratando e investindo, para dar conta dos pedidos. Assinou a carteira de quase 4 mil novos funcionários e elevou a capacidade instalada para produzir 700 mil veículos por ano, 50 mil a mais que no final de 2006. Impressionado com o crescimento local, o grupo Fiat no Brasil – que inclui automóveis, caminhões e veículos agrícolas – vai desembolsar cerca de R$ 6 bilhões em investimentos para ampliar a capacidade produtiva. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as montadoras devem estar prontas para colocar US$ 5 bilhões no Brasil neste ano – o maior volume da história.

Nas ruas, no entanto, os carros transformam pujança em caos. Os engarrafamentos nas grandes cidades também batem recordes. Na quinta-feira, 13 de março, a capital paulista registrou 221 quilômetros de congestionamento, um número nunca antes computado. “As deficiências de São Paulo são exemplos de como a infra-estrutura é importante para sustentar o crescimento”, diz Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib). “O que acontecerá com a cidade se não receber investimentos maciços nessa área? Vai se tornar inviável.” Vários outros segmentos da infra-estrutura têm o potencial perverso de metamorfosear prosperidade em entraves. Pela ótica da energia elétrica, o investimento na ampliação de uma fábrica pode gerar apagão. Pela ótica da logística, mais brasileiros viajando de avião travam os aeroportos. Pela ótica do fornecimento de água, mais gente curtindo o verão na praia termina em torneiras secas. Pela ótica do saneamento, o aumento no consumo de comida representa mais lixo, mais contaminação do solo e mais doenças. “No nível básico e num curtíssimo prazo, a insuficiência de infra-estrutura é um grande risco para o crescimento brasileiro”, diz a economista Lídia Goldstein, ex-assessora da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. “Na área de energia, por exemplo, só não tivemos racionamento neste ano porque choveu.” Em um segundo nível, mais sutil, há outros fatores que comprometem o crescimento no médio e no longo prazo, diz ela: “Um dos mais importantes é a educação.”

As crianças brasileiras têm algumas das piores notas nos testes internacionais que avaliam conhecimentos elementares. O Brasil ocupa uma das últimas colocações no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Pisa aplica provas de matemática, idioma local e ciências em 57 países. Na avaliação de 2006, divulgada no ano passado, o Brasil ficou na posição número 52. Estava à frente apenas de Tunísia, Azerbaijão, Catar e Quirguistão. A dificiência nos bancos escolares reflete-se na trajetória pessoal e profissional de milhões de jovens – e no desenvolvimento do país. Vários setores vivem uma espécie de apagão na mão-de-obra. Empresas em expansão são um exemplo. Para ampliar a capacidade de sua maior fábrica, localizada no Paraná, a Klabin precisou qualificar 1,5 mil trabalhadores para as obras, entre pedreiros, soldadores e eletricistas – cerca de um terço do efetivo – e outros 180 novos funcionários para atuar na nova área. “Tivemos de oferecer cursos em parceria com o Senac porque havia dificuldade de encontrar mão-de-obra qualificada”, diz Francisco Razzolini, diretor do projeto de expansão da Klabin no Paraná. “Com o crescimento, está ficando claro que temos um problema para formar pessoas – as vagas aparecem, mas falta gente qualificada para preenchê-las.”

A dificuldade do Brasil em conciliar a urgência de crescer com a necessidade de proteger o meio ambiente também se tornou um freio ao crescimento. Nos últimos anos, o país reforçou a legislação ambiental, o que, por um lado, é considerado positivo. No entanto, não elaborou um plano de gestão na área. Não se tem claro até onde e como a exploração da natureza pode avançar em diferentes regiões e ecossistemas para que não cause desequilíbrios irreparáveis. Também não há mapas prontos sobre a capacidade de interação e de regeneração das novas áreas para onde a população avança e que, irremediavelmente, vão crescer nos próximos anos. Sem critérios que definam o que é ou não prejudicial, a saída tem sido pecar pelo exagero. Qualquer grande obra de infra-estrutura é tida como uma agressão ambiental, até que se prove o contrário. A falta de parâmetros também impede que o próprio Estado crie, no longo prazo, estratégias de crescimento ambientalmente sustentáveis. “Duas razões básicas protelam a criação de um planejamento ambiental: a dificuldade de organizar todos os agentes para que trabalhem juntos – órgãos públicos, empresas, bancos, ONGs – e a própria ânsia do país em crescer”, diz Stela Goldstein, ex-secretária de meio ambiente do município e do estado de São Paulo, e hoje secretária-adjunta do governo paulistano. “Nos países emergentes, crescer é uma prioridade.”

De acordo com Stela, é preciso criar uma nova cultura que leve em consideração que o meio ambiente não impede o crescimento, mas orienta seus parâmetros, e que a poluição do crescimento irresponsável é o pior dos entraves. “A poluição também é um limitador do crescimento, e muitas áreas no país já sentem isso na prática”, diz ela. Um exemplo eloqüente é o setor de água. “A falta de água foi um dos motivos que levaram as indústrias a deixar a cidade de São Paulo e migrar para o interior do estado”, diz Stela. “A falta de água, hoje, limita a instalação de novas indústrias ao longo do leito da bacia do rio Piracicaba. Em Paulínia, uma termoelétrica deixou de ser construída porque não havia água suficiente para abastecê-la.”

No mundo empresarial, a discussão entre crescimento e equilíbrio ambiental está mais adiantada. Diversas companhias investem em modernas tecnologias para amenizar o impacto de suas operações. Um grande número delas já publica balanços sociais e de sustentabilidade. Em parte, elas foram obrigadas a mudar por novas leis, que passaram a impor pesadas multas a transgressões ambientais. Mas também reagiram mais rapidamente à pressão da sociedade contra a poluição. “Não somos perfeitos, nem maravilhosos, mas podemos dizer que os grandes grupos brasileiros conseguiram se alinhar com os valores da sustentabilidade consagrados em todo o mundo”, diz Roberto Simões, vice-presidente da Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil. A Braskem é uma das empresas que têm levado a questão da sustentabilidade para dentro dos negócios. Está entre as pioneiras no desenvolvimento de biopolímeros, que utilizam o etanol, e não o petróleo, como matéria-prima.

Infra-estrutura, educação e planejamento ambiental têm em comum o fato de dependerem das políticas públicas. A ineficiência nessas áreas leva os analistas a eleger o próprio Estado como um entrave ao país, e a sugerir que qualquer reforma em prol do crescimento comece nele. “O Estado é lento e precisa de pesados tributos para se manter”, diz Lopes, do Pátria. “O que o país precisa é de um ‘Estado Embrapa’ (nos moldes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): indutor do crescimento, visionário em relação a novas tecnologias e ágil na punição a quem usar mal o dinheiro do respeitável público.”

O PIB (IN)SUSTENTÁVEL  

No mundo todo, os economistas começam a rever a maneira de se medir a riqueza nacional. Querem analisar a melhoria da sociedade e o desenvolvimento em múltiplas dimensões

Em paralelo à discussão em torno do que pode ou não deter a expansão econômica, há uma polêmica pouco conhecida do grande público, mas cada vez mais intensa no meio acadêmico: qual é, afinal, a melhor maneira para se medir o avanço das nações no século 21? O termômetro mais conhecido e aceito, o produto interno bruto (PIB), vem sendo questionado por diferentes correntes de pensamento. “Apesar de todas as revisões e atualizações, o PIB já não consegue ler com precisão os avanços do país”, diz Marcelo Neri, pesquisador e economista da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. “Desde 2005, o Brasil cresce tanto quanto na época do Milagre Econômico, mas com mais distribuição de renda, sem dívida e sem inflação. O PIB não foi capaz de mostrar esses avanços com a rapidez necessária.” Para Neri, o termômetro mais efetivo sobre a evolução do país tem sido a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

Outra corrente, que defende o crescimento econômico em equilíbrio com o meio ambiente e o bem-estar do homem, acredita que o atual PIB deveria incorporar indicadores capazes de medir custos e avanços sociais e ambientais gerados pelo processo produtivo. “O PIB, e mesmo o PIB per capita, nunca foram, não são e jamais serão medidas de desenvolvimento”, diz o pesquisador e economista José Eli da Veiga, da Universidade de São Paulo (USP). O tema ganhou tal projeção que, em janeiro deste ano, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, convidou o prêmio Nobel norte-americano Joseph Stiglitz para coordenar a criação de um novo PIB, capaz de mostrar a melhoria de uma sociedade de forma mais “adequada”. “Ninguém ainda foi bem-sucedido em criar um novo modelo para o PIB”, diz o economista. “Se Stiglitz conseguir, acredita-se que haverá uma revolução na economia.”

Veiga é um dos economistas brasileiros preocupados com o mesmo tema. Doutor em economia pela Sorbonne, na França, fundou o Núcleo de Economia Socioambiental (Nesa) da USP e escreveu 15 livros sobre desenvolvimento sustentável. Neste momento, pesquisa o mesmo tema na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, de onde concedeu a seguinte entrevista a Época NEGÓCIOS:

Qual a diferença entre crescimento e desenvolvimento?

Em nossos tempos, crescimento econômico intensivo é um dos meios que permitem atingir o desenvolvimento – seja qual for a idéia que dele se faça. Não é o único meio, nem garante sozinho que tal fim seja atingido. Mas, na imensa maioria dos países, ainda é indispensável, assim como não se pode fazer uma feijoada sem feijão, por mais que variem os demais ingredientes. Problema gravíssimo, portanto, é a confusão ainda generalizada que se faz entre o que é fim e o que é meio. Ela leva muita gente a só se preocupar com a velocidade do crescimento, sem sequer pensar em sua direção. Mas a velocidade é irrelevante quando se pega a direção errada, dizia Gandhi. A experiência mostra que existem muitos estilos de crescimento, ou várias qualidades de crescimento, conforme se prefira a terminologia da Cepal ou do Banco Mundial.

O Brasil está comemorando a expansão do produto interno bruto (PIB). Em sua opinião, o PIB é a melhor ferramenta para se medir o desenvolvimento de uma nação?

O PIB, e mesmo o PIB per capita, nunca foram, não são e jamais serão medidas de desenvolvimento. Esse é, infelizmente, um equívoco ainda muito freqüente e extremamente perigoso. O PIB foi concebido para ser apenas uma medida da riqueza nacional e de seu aumento. Mas nem isso consegue mais medir, pois está completamente obsoleto. Foi concebido ao final da Segunda Guerra Mundial, quando questões que hoje são estratégicas nem sequer podiam fazer parte das preocupações que levaram à padronização das contabilidades nacionais. Mudou até a própria idéia de riqueza. Não é por outro motivo, aliás, que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, acaba de convidar dois prêmios Nobel – Joseph Stiglitz e Amartya Sen – para liderarem a construção de um indicador que substitua o PIB.


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[1] Época Negócio: http://www.epocanegocios.com.br/

[2] Ainda o Semi-árido, por Roberto Malvezzi: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/ainda-o-semi-arido-por-roberto-malvezzi/

[3] A FARRA DA TAPEAÇÃO: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/a-farra-da-tapeacao/

[4] Terceirização impõe “padrão de emprego asiático”: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/02/terceirizacao-impoe-%e2%80%9cpadrao-de-emprego-asiatico%e2%80%9d/

[5] Moniz Bandeira e o futuro da América Latina: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/moniz-bandeira-e-o-futuro-da-america-latina/

[6] Delfim ainda não vê excesso de demanda: http://www.desenvolvimentistas.com.br/desempregozero/2008/04/delfim-ainda-nao-ve-excesso-de-demanda/

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